Letras de Uma Paixão

 

Letras de Uma Paixão

 

Lucas Sasdelli
lucas.sasdelli@bol.com.br     


 

Capítulo 3 – Olhos Certos.

 

 

“Tento te encontrar

Tanto para dizer

Meu amor, tudo bem!” – Detonautas – Olhos Certos.

 

 

 

Bom.. sonhei com ele essa noite, sim eu consigo lembrar dos meus sonhos, de fato eu consigo lembrar cada detalhe deles e quando eu estou muito “encanado” com alguma coisa, ou alguém, provavelmente eu sonho com isso.

Vou transcrevê-lo aqui para vocês!!! O legal é que ele serve como sugestão para eu poder chegar nele, mas não vai além disso, porque vocês sabem né? O sonho sempre acaba quando chega na melhor parte.

 

**

 

A aula tinha acabado e então desci as escadas para ir embora, o avistei no bebedouro, e como não sou bobo, fui beber água.

Quando ele terminou de beber, ele se virou, e me encarou....

Olhei para ele.. tremia de medo.. não agüentava nem mexer... mas timidamente arrisquei falar com ele:

- Eh.. Oi, você é da Letras.

- Acho que você já sabe a resposta. – Me encarou com um sorriso no rosto, calmo, controlado e muito provocante. Pegou na minha mão e disse: - Tremendo? Não está tão frio assim, acho que você está com medo de alguma coisa, ou alguém, quem sabe...

 

- Eh... – Confesso que estava quase chorando. – Desculpe se te incomodei.

 

Nesse momento ele apertou a minha mão e levou ao peito dele.

 

- Pode não parecer, mas estou tão nervoso quanto você.

 

Aquele momento foi único. Eu estava sentindo o coração dele bater, e de fato, ele batia muito acelerado, isso siguinificava que ele estava apreensivo e que também me amava... Esqueci onde estava e deitei o meu rosto no peito dele, para escutar aquelas batidas e ter certeza daquele amor... senti o cheiro dele, do perfume dele, que não sei qual é, mas era muito bom... bem docinho...

O menino da Letras levantou o meu rosto, me encarou mais uma vez, desmontando-me por completo e me beijou.... lagrimas rolaram dos meus olhos, eu estava realizado!!! O meu sonho.. aquela boca macia... aquela língua astuta... as minhas lagrimas, as batidas dos nossos corações, tudo isso se somando naquele beijo eterno....

Olhei para os lados e vi que tinham dezenas de pessoas nos olhando, algumas amolecidas, outras rindo e outras com cara de nojo. Fiquei um pouco apreensivo, mas o meu menino olhou para elas com desprezo, me abraçou e me beijou novamente!!!! O suficiente para eu poder dizer: “eu amo você”.

 

**.

 

Esse foi o meu sonho! Quando eu acordei eu quase me joguei pela janela.. como eu queria que tivesse sido real...

O dia passou rápido e então sai de casa e cheguei todo animado na faculdade!!!! Iria encontrar com ele e com certeza se ele não tomasse a iniciativa, eu tomaria.

Passando pelo corredor da Letras o avistei. Estava sozinho... olhando perdido... Então o encarei!!! Ele olhou para mim, balançou a cabeça e entrou na sala, sem dizer nada... o que aconteceu???

Passei a aula de Comércio Internacional toda com a cabeça baixa.. No meu sonho eu consegui sentir o cheiro dele, lembram? Não sei se é esse o mesmo cheiro que ele tem, mas mesmo assim eu estava totalmente domado por essas lembranças irreais.

Peguei o meu caderno e comecei a desenhá-lo.. nossa, ficou horrível... escrevi alguns poemas, enquanto a aula acontecia, mas como eu poderia prestar atenção em alguma coisa a não ser naquele menino que me entorpecia? Quando amamos uma pessoa ficamos meio que obtusos com aquilo.

Fiquei remoendo aquele sonho no qual ele me pegava em seus braços, afagava o meu cabelo e me beijava na frente de todos! A doçura daquele beijo, o calor daquele corpo e o amor daquele coração que batia acelerado por mim... só podia ser um sonho mesmo... porque eu não posso ser feliz como os outros? Porque tem que ser tudo tão mais difícil??? Se já é complicado chegar em uma pessoa de outro sexo, do mesmo é mais ainda, porque corremos o risco até mesmo de sermos agredidos... Viver numa sociedade atrasada na qual até mesmo o Papa, da famigerada Igreja Caótica, combate à camisinha e os homossexuais, como se nós fossemos incapazes de amar e de sermos amados, é terrível. Não precisava ser assim.

Quando uma lagrima escorreu furtivamente do meu rosto e caiu em cima do meu caderno, percebi que não tinha condições de continuar naquela aula, então sai de sala e fui chorar, sozinho, em casa... mais uma vez pensando, sofrendo e amando aquela pessoa que eu não sabia nem o nome.

Desci as escadas e quando já estava saindo do prédio, que era dividido pelo meu curso e pela Letras, ouvi uma voz a me chamar.

 

- O que foi??? – Respondi rudemente, não queria que me flagrassem naquele estado deplorável. Virei e, para meu espanto, era ele.

- Desculpe. – Fiquei sem o que falar. Mas acabei assustando-o e antes que ele fosse embora eu o segurei.

- Eu que devo me desculpar. Mas, em que posso ajudar?

- Preciso tirar uma dúvida com você. Podemos conversar em particular?

- Claro! – Bom, não posso dizer que estava realizado, ele poderia muito bem pedir para que eu parasse de o encarar, pois alguns colegas dele poderiam perceber e isso poderia ser ruim para ele. Mas também, poderia ser o início de algo bom... quem sabe?

 


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