Ode dos Lírios pelos Bosques  
Ode dos Lírios pelos Bosques


Victor "Vicronoxillion" Menegatti
vicronoxillion@hotmail.com


 

Nota do escritor – Outra Ode

Novamente trago outra ode, desta vez não serei infantil... Começarei um conto usando o mesmo estilo da outra ode, mas agora “alinharei” melhor as idéias; brincadeiras a parte. Passei muito tempo triste, sozinho e, agora, estou desiludido. Não gosto das pessoas egoístas, por isso elaborei esta “sátira” para falar como me sinto, se você não entender alguma coisa, não seja orgulhoso! Me mande um e-mail e estarei aqui para 
responder. Espero que goste...

“Mais do que obras do mero acaso, as coincidências foram traçadas pelo destino. 
Não me pergunte se fui traçado e cheguei aqui até você sem nome e sem nenhuma estória
para contar... Já passei por momentos tristes! Mas a tristeza está acostumada a conviver
comigo; por entre cidades, bosques, campos e lagos. [Lagos?] Sim, lagos! Lago que refrata
minha frágil existência pelas mulheres que me tornei vassalo. Ora, quem nunca amou me
diga se isto não é verdade! Nunca cometi um ato de misericórdia e não será hoje que me
curvarei aos seus pés, senhora de bom agrado! Eu já não sou o mesmo de antes, mas será 
que algum dia o fui? Que seja assim então meu caminho que trilhei sobre você...”

|I| Por sobre as cadeiras

Amigo, estou partindo.
E não sei se chorei por partir...

“Solidão. Sinto solidão. Solidão é o quê sinto. Não consigo pensar, não consigo comer, por mim estaria morto.” [Você ama?]
“Amo? Amo. Despedaço flores, mas depois me sinto mal. Será que Luciana merece meu amor?” [Que pensamento ruim! Claro que merece, se ela não merece, quem pode merecer?]
“É isto!, quem merece? E eu, mereço o amor que ela me dá?” [Se você não sabe, quem vai saber?]
“Sim, claro, mas por quê eu não sinto o amor?”

|II| Por sobre os espelhos

“Agora o quê me restou? Triste espelho, apenas serve para mirar-me uma face de tédio e um clarão de luz. Luz que permite mirar-me ao tédio.” [Clara senhora, a tristeza é de seu agrado]
“Diego, você me ama? O quê faço neste mundo, sentada esperando a Dama dos sapatos furados recolher-me?” [Esperar é uma virtude, não a perca]
“Sim, mas o quê espero? O amor que ele sente por mim é tão grande quanto o quê sinto por ele? Se é, por quê demora?” [A apatia não é provisória, a demora não segue apática]
“Revolta! Quebra de espelhos, por quê deveria quebrar espelhos? Mostrar minha revolta a quem?” [Se Deus existe, verá. A imagem é sua ao quebrar o espelho e não Dele]
“Por quê o D maiúsculo no meu túmulo? Ele virá?” [Deus ou Diego?]
“Tanto faz, sirvo ao mesmo D, não importa quem virá. O quê for é ganho.”

|III| A família do sol e da lua

 “O sol é meu pai.” [A lua é sua mãe]
 “O céu é meu irmão e não tenho nada a temer com eles.” [O clima está ameno, talvez seja o seu estado]
 “Mas o vento me carrega para longe do teu lado.” [Talvez para flutuar com seu irmão...]
“Agora a vida é primavera, mas Luciana é verão.” [O sol te conforta, a lua é sua emoção, o ceú é seu irmão.]
“Agora sou filho de todos, mas com nenhuma criação.”

|IIII| Meu altar

 “Diego, hoje fui a nosso altar, lembra-se do banco perto do lago? Se lembra de como achamos o lago?” [Por quê restituir lembranças?]
 “São as únicas coisas que me seguram neste lugar sem Diego.” [Algum dia não serão mais]

|V| Antes do encontro

 “Juliana, será amanhã! Encontre-me no nosso altar, seremos um corpo só.” [Carta aos céus]
 “Mande esta carta aonde quer que esteja minha ninfa frágil que brilha no riacho de lágrimas dos deuses!” [Carta à uma ninfa]

|VI| Carta à uma ninfa

 “Amanhã verei Diego, meu mais belo e gentil cavalheiro.” [Apenas beleza?]
 “Não! Eu gosto dele por mais coisas!” [Então por quê parou neste atrativo?]
 “Eu não pensei em nenhum outro!” [Beleza?]
 “Sim?” [Apenas beleza?]
 “Não! Pare, eu não aguento!” [Amanhã?]
 “Sim, será o dia do meu renascer!” [Tédio]
 “Não! Com ele não sinto isso.” [Tédio?]
 “Um pouco, às vezes, quem sabe...” [O lago?]
 “Sim, foi lá que nós demos o primeiro beijo!” [Amor?]
 “Sim, mas será que el(e)(a) me ama tanto quanto (a) (o) amo?” [Amor]

|VII| O encontro no lago

 “Juliana! Eu te amo tanto!” [Abraço]
 “Diego!” [Choro]
 “Por quê chora?”
 “Não sei, tanto tempo! Me abrace! Me ame Diego!” [O lago] [Sim, o lago]

[Minha bela das tardes joviais,
Penteie o cabelo louro e venha cantar,
Beije-me ao som dos pássaros,
Debrucemo-nos ao luar
Quero deitar sobre você,
Ouvir novidades que venha a ter,
Sua pura inocência
Refrata na minha frágil existência
Queira apenas ser sua]

[Tédio]

|VIII| Dos Lírios

 “Sim, tedioso.” [Tédio]
 “Sim, já disse! Mande-lhe uma carta.” [E flores?]
 “Sim, não tenho mais tempo.” [Amor?]
 “Não.” [Amor?]
 “Não!” [Amor]
 “Sim! Eu o amo, e daí? Não deve saber de outros lares que deitei! Feri corações, mas o dele não irei ferir!” [Carta?]
 “A carta é para explicar.” [Explicar o quê não é preciso?]
 “Para saber a verdade!” [A verdade têm suas lascas a serem moldadas...]
 “Cale-se! A verdade é uma! Diego, meu belo cavalheiro...” [Beleza?]
 “Sim, mas eu o amo! Queria-o só para mim!” [Beleza?]
 “Não, amor...” [Beleza, depois amor...]
 “Cale-se! Apenas escreva a carta e mande-lhe flores!” [Flores de rancor?]
 “Perfeitamente.” [E os lírios?]
 “Não sei, jogue as margens do lago.” [Perfeitamente]
 “Amanhã já estarei longe, longe dele e longe dos céus...”

|IX| Dos lírios a margem do lago

 [Flutue sobre o lago e suas pétalas cairão. O pôr do sol parece amargo, mas a noite é pior. Queira saber que o dia será uma carta lançada aos céus de um amanhã negro]
 “Por quê meus lírios não são puros, vistos por Deus? Eu quero fugir até minha beleza sair do corpo e cair por cima dos quartéis sem nome de uma região habitada apenas por flores.” [Lírios?]
 “Sim, lírios.” [A mais fina flor às vezes tem o mais mortal dos espinhos...]

|X| Carta da partida

 “Juliana, minhas cartas, minhas dúvidas, meus erros, tudo converge até você!” [Você ama?]
 “Sim, mas ela não responde!” [Amor?]
 “Se morre de amor?” [Agrado?]
 “Não, amor! Onde ela está?” [Morte?]
 “Sim, morte! Ela não conseguiu aguentar! Pobre senhora! Não! Me sinto tão sozinho, por onde ando agora, não há um chão para me apoiar!” [Morte?]
 “Não tenho certeza!” [Fuga?]
 “Não! A única fuga é a morte; não há outra!” [Cegueira suja]
“Não é verdade! Ela partiu! Subiu aos céus sem mim! Pobre Juliana! Minha santa!” [Fé?]
 “Não tenho fé, mas sigo em frente!” [Destino?]
 “Sim, eu me juntarei a ela! A fuga habita o outro lado!” [A fuga está deste lado]
 “Não!” [Não acredita em verdades?]
 “A verdade? É possível por suas lascas moldá-la!” [Verdade?]
 “Sim!” [Que verdade?]
 “Esta verdade! A verdade da fuga!” [Verdade única?]
 “Sim!” [Como é possível moldá-la?]
 “Cale-se, esta verdade é única!” [Surdo]
 “Não, estou ouvindo!” [Verdade?]
 “Não aguento mais ouvi-lo, suma!” [Sumirei]
 “Verdade?” [Sim, esta é única]
 “A minha também é! Habita o outro lado!” [A fuga da verdade!]

|XI| A fuga da verdade

[E sob a promessa dos infinitos,
Ainda há gente que morre
Por sobre os riscos do finito
Todos se vão sem deixar alguém
E se alguém ficou só por si próprio,
No mundo de ninguém por ócio
Será o quê foi feito?]

 “Sim! Minha Juliana partiu, esta é a verdade!” 

[Eu serei eu por em pé ficar
Ficar de pé estando a sentar
-Por favor, não machuque ao me tocar!
Só, estou além da sua promessa,
O céu que nos embarca espera
Um novo tempo para caminhar...]

 “Mas se morrer, partirei sozinho?” [A escolha é sua, não aberta a perguntas]
 “E lá no céu ela ainda me ama?” [Certamente, senhor das ‘verdades’ únicas, ela estará lá mesmo sem estar! Meu senhor cego a paixões de promessas falsas]
“Doce Juliana, me espere...” [Choro] [Lágrimas] [Lágrimas!] [Minhas lágrimas?]
[Sim, minhas lágrimas...]

[Durma meu senhor,
durma seu último sono
Durma meu senhor,
durma seu último suspiro]

|XII| O tempo passa quando a chuva cai e os sinos dobram...

 “Vá, ilustre Diego, me deixe sozinha sob meus conceitos que tirei de você, enquanto deitava sobre meu peito nu. Lá fora há um vento noturno horrendo e lá fora te achei; tentando colhê-lo. Seus olhos me lembram alguém que nunca conheci na vida, suas mãos me ensinam um caminho triste e melancólico...” [Tédio e Beleza]
 “Juliana, hoje eu saí para a floresta para ver a essência da vida através dos animais que ali habitavam. Pouso forçado de um faizão ao meu lado.” [Tu-Tu][Tu-Tu]
 “Olá faizão, que morre lentamente nas curvas dos rios!” [Não responde]
 “Olá coruja dos negros bosques, que agora são selvas de terra!” [Pedra?]
 “Olá, olá a todos. Adeus sombra do escurecer, agora me deito sob seus olhos e sinto...”
 “Venha, escute o quê eu tenho a dizer sobre o quê vi na floresta, um segredo apenas dedicado a você, enquanto deitava sobre seu peito nu.” [Tu-Tu] [Tu-Tu] [Tu-Tu] [Tu-Tu]
 “Clara querida dos longos cabelos dourados, o quê a natureza faz é de seu encargo.”
[Tu_Tu][Tu_Tu][Tu_T-][Tu_--][T-_--][--_--][--_--][--_--][--_--]

[Durma meu senhor,
durma seu último sono
Durma meu senhor,
durma seu último suspiro]

E até a dama dos sapatos furados merece o céu...

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Escrito por Victor Menegatti, adeus a Thoureau, Syd Barrett, Nick Drake, 
James Joyce, Simão e Teresa. Obrigado por ter lido, espero que tenha gostado e,
por favor, não tente corrigir! O texto está integral e do jeito que quis.

18/06/2004

“...e no final, deixe que o destino faça a tua volta...”
 

[FIM]
 
 


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