KUNG FU: FOR HIRE  
 KUNG FU: FOR HIRE




 
TONIGHT, ON “KUNG FU: FOR HIRE”:

 

- Tem algo para mim? – Spenser pergunta a Hawk.

- Tyson Banks é nosso homem.

 
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Um homem atira três vezes em um cara. Spenser corre na direção e esbarra em uma garota que presenciara a cena.

 
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- Por favor, tragam-na de volta! – uma mulher pede a Caine e Peter.

- Nós te ajudaremos.

 
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Caine e Peter ficam cara a cara com Hawk e Spenser.

- Quem são vocês?

 
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Primavera. A doce e bela estação das flores, onde todo verde renasce e floresce como num encanto. Não seria tudo mais fácil se a vida seguisse o exemplo da natureza e também pudesse ser renovada?

Hoje, pela manhã, fui procurado por um casal, os Anderson, que me contrataram para rastrear a arma que matou seu filho há duas semanas atrás. Quisera que a vida fosse igual à primavera...

 

Spenser estaciona sua Mercedes e caminha pela calçada a passos largos, encontrando Hawk em frente a uma banca de jornal.
- Spenser – Hawk se afasta um pouco da banca para os dois conversarem.

- Tem algo para mim?

- Tyson Banks é nosso homem. Ele costuma operar a duas quadras daqui. Poderá passar lá logo mais e fazer uma “visitinha”.

 

Hawk é meu amigo de longa data, apesar dele não gostar de ser considerado assim. É um cara de passado duvidoso e com bom gosto para roupas, artes e carros. A polícia daqui, refiro-me especificamente ao tenente Martin Quirk e ao sargento Frank Belson, não morre de amores por ele por sua reputação de ser um cara extremamente violento que faz servicinhos sujos em troca de dinheiro e anda em más companhias. Até hoje não vi Hawk prejudicar nenhum inocente e sempre foi leal em relação às suas promessas e com as pessoas à sua volta e isso já é o suficiente para mim.

Hawk estava me ajudando a encontrar pistas sobre a bala que matara o filho dos Anderson, Mike, que tinha apenas 16 anos e andava pela rua com os amigos quando tudo aconteceu. Dezesseis anos de idade e toda uma vida pela frente... Com certeza a vida deveria ser como a primavera.

Com a pista que Hawk conseguira fui até o endereço onde Banks estaria operando. Tyson Banks é um contrabandista de armas e fornecia seus “produtos” para uma boa parte de Boston. Meu palpite é que chegando até Banks eu consiga chegar a quem ele vendeu a arma que provocou a morte do rapaz.

 

No silêncio da noite dava para se distinguir vozes no ar. Spenser saca sua arma e devagar vai se aproximando do lugar, um armazém, tentando saber de onde elas vinham.

- Você me enganou! – o cara estava furioso – Os pentes dessas armas estão com defeito, quero meu dinheiro de volta!

- Não pode voltar atrás no negócio – o outro cara explica – Trato é trato!

- Não quando tentam me passar a perna! – o cara puxa a arma e atira três vezes.

Do lado de fora, Spenser escuta os disparos e corre na direção. Lá dentro do armazém, o cara guarda a arma e vai saindo calmamente, quando vê, por entre as frestas da madeira que separava as antigas secções do armazém, algo em movimento.

- Quem está aí?

Uma garota aparece do nada, tentando escapar, dá de cara com ele, e sai correndo. O homem vai atrás, tentando agarrá-la, mas ela era tão rápida que já estava longe. A menina esbarra em Spenser quase na saída do lugar e continua fugindo. O homem vê o detetive e desiste da garota, e sai estrategicamente por uma saída lateral. Spenser tenta ir atrás da garota, mas ela sumiu. Volta ao armazém e encontra o corpo. Era Tyson Banks, sua única pista.

 

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 CHINATOWN, NY.

 

Caine e Peter vão à casa de Juliet Sumner a seu pedido. A mulher era uma ex-presidiária em liberdade condicional. Sua filha de 14 anos, Jéssica, fugiu de casa há vários dias e ninguém sabia onde ela se metera. A sra Sumner estava muito preocupada, pois desde que fora presa, por assalto à mão armada, sua filha se metia em confusão.

- Descobriram onde ela está?

- Fiz umas investigações e descobri que Jéssica fugiu para Boston – Peter explica.

- Mas como? Ela só tem 14 anos! Quem venderia uma passagem a uma garotinha desacompanhada dos pais?

- Ela roubou de alguém.

- O quê?!... a culpa é toda minha! Não queria dar a ela esse tipo de exemplo.

- Ela sabe que o que fez foi errado – Caine diz – Ela só quer chamar sua atenção.

- Sra Sumner, conhece alguém em Boston? – Peter pergunta.

- Moramos lá por uns meses, na casa de minha irmã, Lydia.

- Talvez ela tenha ido para lá.

- Mas como? Quase não saíamos. Jéssica só saía de casa para ir à escola, mais nada! Ela pode se perder por lá... Por favor, tragam-na de volta! Eu já fiz de tudo! Estou em condicional, não posso deixar a cidade... Por favor...

- Nós te ajudaremos.

 

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Spenser vai até a delegacia falar com o tenente Quirk. Talvez lá conseguisse alguma outra pista para levar o caso adiante.

Quirk pega um papel e o mostra a Spenser.

- O exame de balística saiu. Banks foi morto pela mesma arma que matou o garoto.

- Então é o mesmo cara.

- Vou ter de pedir a você que deixe o caso com a polícia.

- Quero ajudar na prisão do cara. Prometi à família que o faria.

- Você continua o mesmo teimoso da época em que era um tira.

 

Eu fui um policial até alguns anos atrás. Nunca gostei de receber ordens, sempre quebrava algum protocolo e agia por impulsos. Era considerado um insubordinado e rebelde. Talvez por isso tenha me tornado um detetive particular.

 

- Teimoso é o meu nome do meio – vai se afastando.

- Ei, Spenser! E a garota?

- Vou tentar achá-la – acelera os passos.

Quirk tenta alcançá-lo e desiste. Sabia que Spenser não largaria o caso, nem se fosse impedido pelo presidente.

 

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Parecia que tudo conspirava par que esse caso não fosse adiante. As únicas pistas que eu tinha era uma garotinha, que eu mal vi o rosto, e o exame de balística da bala que provocou a morte de Banks.

Com a falta de pistas, fui me encontrar com Rita Fiori como havíamos combinado antes de eu entrar nesse caso.

Rita Fiori é assistente da promotoria, e coincidentemente estava trabalhando no caso Banks. Nada como unir o útil ao agradável.

 

- Vou deixar o caso, Spenser – Rita diz quando ele abria a porta do carro para ela entrar – Não há mais caso com a morte de Banks.

- Vai desistir agora? – entra no carro.

- O que quer que eu faça? Tenho outros casos que posso levar a julgamento, não há mais nada a fazer nesse caso, a não ser encontrar o responsável pelo assassinato.

- E a garota?

- Você pode até achá-la, mas será difícil encontrar todos os compradores das armas de Banks, o que dirá incriminá-los.

- Eu sei disso, por hora eu só quero encontrar o responsável pela morte do filho de meus clientes.

- Oh... o rapaz de 16 anos?... tudo bem, Spenser, vou ver o que eu posso fazer, ok? Ache a garota e a convença a depor.

- Sabia que podia contar com você – sorri.

Rita olha o relógio.

- Podemos deixar o almoço para outro dia? Tenho um julgamento importante daqui a pouco e quero me preparar melhor.

- Que tal jantarmos sexta à noite?

- Ótimo! – abre a porta do carro – Me liga – trocam um beijo – Tchau.

 

Desde que minha ex-namorada, Susan, me deixou, Rita Fiori e eu tentamos nos acertar. Ainda me lembro a primeira vez que nos encontramos. Um homem que eu havia prendido anos atrás por prática ilegal da medicina, roubou alguns casos meus e passou a chantagear meus clientes, dizendo que era eu, pedindo dinheiro. Rita Fiori cuidou do caso e ficamos em pé-de-guerra até que a verdade veio à tona.

Lembranças à parte, seria bom se eu encontrasse a garota de ontem à noite. Se ela testemunhou o assassinato de Tyson Banks seria uma peça chave para encontrar o assassino.

 

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O homem que matou Tyson Banks estava em um bar olhando as manchetes dos jornais, aliviado. A notícia dizia que não foram encontradas provas que levassem até ele. Seu único problema era a menina que presenciara tudo. Tinha de achá-la antes que abrisse a boca e o dedurasse. Mas como?

- Ei, Bill! – o barman o chama – Vai querer mais alguma coisa?

- Não – responde, áspero, jogando uns dólares em cima do balcão pelo que já tinha bebido e se levanta, levando o jornal consigo quando repara em um cartaz escrito “desaparecida” colado em uma banca de jornal em frente ao bar e reconhece a menina de imediato. O homem pega o cartaz e vira a esquina, passando por Peter e Caine, que sente um estranho arrepio depois que o cara passa.

- Algo errado, pop?

Ele não responde e olha para trás, mas o homem já havia sumido.

- Nem precisa responder – Peter diz, prendendo outro cartaz de “desaparecida” na parede – Será que dará certo? Boston não é uma cidade pequena, ela pode estar em qualquer lugar!

- Só conseguiremos achá-la se acreditarmos.

- Quanto mais demorarmos, menores são as nossas chances, Não consegue senti-la?

- Não.

- Então ela deve estar longe daqui.

- Ou não quer ser encontrada.

- Vou ver se acho alguma pista nas igrejas ou abrigos próximos. A gente se encontra mais tarde no hotel, ok?

 

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Já era tarde quando Spenser chega a seu apartamento, cansado, depois de passar o dia inteiro procurando pistas do assassino de Tyson Banks e da menina. Ele abre a geladeira, pega uma garrafa plástica com suco de laranja, bebe pelo gargalo, tira a jaqueta, guarda a arma e se joga no sofá, tentando dormir um pouco.

Spenser escuta um barulhinho, abre os olhos e se levanta devagar, indo pegar sua arma, e vai em direção à porta, abrindo-a bruscamente, apontando sua arma.

- É assim que recebe suas visitas? – era Hawk.

- E isso é maneira de aparecer a uma hora dessas?

- Achei que gostaria de ver isso – pega um papel no boldo e dá a Spenser.

- O que é isso?

- Veja por si mesmo.

Era o cartaz da menina.

- É ela? – Hawk pergunta.

- Onde achou isso?

- Está colado em cada esquina da cidade.

- Droga! – coloca sua jaqueta e guarda sua arma no coldre – Nós precisamos achá-la.

- Era isso que eu tinha em mente.

Os dois saem e Spenser bate a porta.

 

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As coisas começaram a clarear um pouco. O nome da garota era Jéssica Sumner, de Nova Iorque. Fugiu de casa e veio para Boston e estava no lugar e hora errados.

O problema é que se aqueles cartazes estavam espalhados pela cidade, o assassino também deve ter visto e agora Jéssica corria mais perigo ainda.

Hawk e eu fomos atrás de pistas que pudesse nos levar até quem colou os cartazes. Seus pais, talvez?

No cartaz havia um telefone de contato, mas acho que seria arriscado ligar. Não sabíamos com quem estávamos lidando. Talvez Jéssica estivesse mais encrencada do que pensávamos.

Falamos com algumas pessoas e nos deram a descrição dos dois caras que estavam colando os cartazes: um rapaz, alto e moreno, de uns trinta anos de idade e um senhor de cabelos grisalhos que usava chapéu e vestia umas roupas esquisitas. Não era uma boa descrição, mas já era um começo.

 

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Já era de manhã cedo quando Peter e Caine batem à porta de Lydia Hall, a tia de Jéssica.

- Quem são vocês? – ela pergunta, ainda com a porta fechada, estranhando aquela visita a uma hora daquelas.

- Sou Peter Caine, e esse é meu pai. Estamos investigando o sumiço de sua sobrinha, Jéssica, a pedido de sua irmã.

Ela abre a porta, apreensiva.

- Já conseguiram localizá-la?

- Não. Tínhamos esperanças que talvez ela viesse para cá.

- Não, ela não veio. Estou preocupada, Jéssica não é disso.

- Se ela aparecer por aqui – Peter dá um cartaz à Lydia – Ligue.

- Eu ligarei.

Os dois se despedem e vão embora.

- Não é estranho Jéssica não ter vindo para cá? – Peter pergunta ao pai, quando já estavam longe da casa.

- Ela não veio para cá. A Sra Hall estava dizendo a verdade.

- Jéssica se meteu em alguma confusão, pop. Eu sinto.

- Ela está mais perto agora, mas onde? – olha ao redor.

 

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Hawk e eu fomos à caça dos dois caras que puseram os cartazes pela cidade, mas estava difícil. A dupla parece que sumira do mapa e já estávamos questionando se eles realmente existiam.

Foi quando o inesperado aconteceu: ao estacionar o carro distinguimos duas pessoas que batiam com a descrição que nos deram.

 

Spenser desiste de estacionar e volta à rua, indo em direção aos dois, que estavam na calçada a uns metros dali.

Mas de repente um carro surge do nada e já chega atirando em Peter e Caine, que só têm tempo de se jogarem no chão.

Spenser e Hawk saem do carro e atiram em direção ao veículo, com vidros fumê.

Acuado, pois Peter também atirava em sua direção, o motorista (?) dá ré e vira a esquina em alta velocidade.

Peter se levanta e ajuda seu pai.

- Pensei que fôssemos conhecidos só em Chinatown e arredores...

- Jéssica... – seu pai diz.

- Em que encrenca essa menina se meteu?

- Acho que aqueles dois senhores podem nos  dizer.

- Quem? – olha ao redor.

- Aqueles dois... – aponta com a cabeça.

Os dois se aproximam. Caine e Peter ficam cara a cara com eles.

- Quem são vocês?

 

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Finalmente as coisas foram esclarecidas. O Sr Caine e seu filho nos contaram a respeito de Jéssica e seus esforços para achá-la. Quanto mais tempo demorávamos a localizá-la, mais perigo ela corria. Mas Jéssica era uma menina esperta e talvez não se deixasse pegar tão facilmente.

Com esse reforço a mais, fomos a vários lugares da cidade buscando pistas que nos levassem a ela, mas mais uma vez não tivemos sucesso.

 

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Spenser está voltando para seu apartamento e percebe que a porta está destrancada. Pega sua arma e entra no apartamento, flagrando uma menina sentada no seu sofá comendo um sanduíche.

- Jéssica?? – guarda a arma – Como você...

- Entrei? Você deveria reforçar essa sua fechadura. Qualquer um entra aqui.

- Você arrombou minha porta?

- Desculpe... não sabia mais onde me esconder.

- Que coincidência. Não sabia mais aonde te procurar. Como me achou?

- Fácil. Na hora em que eu esbarrei em você, pensei: “Estou morta!” Porque eu estava na sua mira e você poderia atirar em mim. Mas aí você não fez nada, e nem o tal cara que atirou naquele homem também, então eu pensei que você fazia parte dos mocinhos e fez com que aquele cara não fosse atrás de mim. Entendeu?

- Continue.

- Daí eu passei sua descrição para um monte de gente. Não existem muitos detetives bonitões chamados Spenser, sabia?

- Você sabe que está sendo procurada pela cidade inteira?

- Eu sei, mas não sabia em quem confiar.

- Precisamos achar um outro lugar para você ficar. Aqui não é seguro.

- Tá limpo! Ninguém me seguiu!

Nessa hora, tiros de metralhadora atingem a porta. Spenser puxa Jéssica e se joga no chão, arrastando-se para detrás do sofá.

- Acredita em mim agora? – ele diz, atirando de volta.

Os tiros continuavam. A arma que Spenser possuía não era párea para a potência da metralhadora automática.

- O que vamos fazer? – Jéssica diz, apavorada com a enxurrada de balas que não parava de vir na direção dos dois.

- Precisamos sair daqui agora. Esse sofá não vai agüentar por muito tempo.

- Vamos ser baleados!

- É um risco! – antes que ela protestasse mais, Spenser a puxa para dentro do quarto e tranca a porta – A janela – aponta.

- Não! Espere! Está escutando?

 O som dos tiros parara. O barulho de alguma coisa sendo jogada contra a parede o faz abrir a porta devagar para ver quem era.

Peter golpeia um dos atiradores com o cabo da metralhadora. Ele desmaia e é algemado. Caine estica uma das pernas e golpeia o outro com um chute no queixo.

- Vocês estão bem? – Peter pergunta, algemando o outro cara.

Spenser assente com a cabeça e olha ao redor, contemplando com melancolia a bagunça e a destruição em que sua casa se transformara.

Vendo que não havia mais perigo, Jéssica sai do quarto.

- Peter! Sr Caine! Que surpresa vê-los tão longe de Chinatown!

- Sua mãe está preocupada com sua fuga – Caine diz.

- Ah...

- Jéssica – Caine lança-lhe um olhar de reprovação.

- Tá! Tá bom! Eu errei, ok? Eu volto para casa.

 

Jéssica concordara em prestar depoimento a vai até a delegacia descrever o homem que matara Tyson Banks para que fosse feito um retrato falado. O Sr Caine e seu filho, Peter, também foram juntos.

 

O tenente Martin Quirk pega o retrato falado e dá uma boa olhada.

- É William Stockwell, contrabandista de armas e munições. Costumava fazer negócios com Tyson Banks, uns anos atrás.

- Acho que dessa vez os negócios não deram muito certo – Spenser diz.

- O que vai acontecer comigo agora que eu o reconheci?

- Vai ser expedido um mandado de prisão contra Stockwell – o sargento Belsen explica – E você terá de fazer o reconhecimento. Seu testemunho é fundamental pra que ele seja condenado. Sem isso, Stockwell será solto, e com certeza cometerá outros crimes.

- Eu vou depor – Jéssica diz, para alívio o de Spenser.

 

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Rita Fiori sai do tribunal junto com Spenser. William Stockwell não fora encontrado, mas o depoimento de Jéssica foi suficiente para que fosse aberto um inquérito.

- Agora é só questão de tempo até prenderem Stockwell – Rita diz – E conectá-lo ao assassinato daquele rapaz não será difícil.

- E a Jéssica? Quando ela poderá voltar para casa?

- Ela é a testemunha chave. Eu posso pedir ao juiz Reinolds que apresse o julgamento. Ele me deve um favor.

 

Apesar de tudo estar transcorrendo bem, eu tinha um mau pressentimento de algo de ruim acabaria acontecendo. E qual não foi a minha surpresa quando a notícia de que as provas contra Stockwell haviam desaparecido do tribunal, à noite, começava a circular. Tudo estava indo por  água abaixo... e rápido demais...

 

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Spenser entra na delegacia, atrás do tenente Quirk, muito irritado.

- Como as provas sumiram do tribunal e ninguém viu?

- Já estão investigando isso, Spenser. Não posso fazer nada a respeito.

- Stockwell pode sair impune!

- Acalme-se, ok? Talvez só o depoimento de Jéssica seja suficiente para pô-lo na prisão.

- “Talvez”? – Spenser se impacienta ainda mais.

Sargento Belsen aparece nessa hora e empurra o detetive em direção à saída.

- É melhor você ir embora, Spenser – o sargento se justifica – Vá antes que diga algo que vá se arrepender depois.

 

Frank tinha razão. Estava descontando na pessoa errada. O mais importante naquela hora era proteger Jéssica e encontrar Stockwell antes do depoimento.

 

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Jéssica ficara hospedada em um hotel nos arredores da cidade, com proteção 24h até o dia do depoimento. Rita Fiori foi até lá para ver como a menina estava.

- Estou entediada... Onde está Spenser? Ele é da hora! Não posso ficar com ele?

- Seria arriscado.

- Arriscado é ficar aqui, sem ter nada interessante para fazer.

- Quer fazer algo em especial?

- Quero ver minha mãe.

- Posso conseguir uma ordem especial para sua mãe viajar até aqui.

A menina sorri. Um agente abre a porta e interrompe a conversa.

- Srta Fiori, telefonema do juiz Reinolds.

- Diga a ele que já estou indo, está bem? – volta-se para Jéssica – E você... tenha paciência – e sai.

 

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Jéssica contempla a janela de seu quarto pensando numa maneira de fugir dali. O tédio atingira um nível insuportável e só pensava em sair daquele lugar por algumas horas sem que ninguém percebesse.

A menina escuta um barulho e abre a porta para ver o que é. Stockwell aparece do nada e tapa-lhe a boca, impedindo-a de gritar.

- Você foi uma garota má, não foi Jéssica? Mas agora você vai aprender a se comportar, não vai? – ri.

Jéssica tenta se soltar, e olha, horrorizada para os dois homens que faziam sua segurança caídos no chão.

 

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Spenser recebera a dica de que Stockwell costumava freqüentar um bar e foi até lá com Hawk tentar achá-lo.

- O Bill? – o barman pergunta – Talvez apareça aqui hoje, mas não o vejo há uns 2 ou 3 dias. Ele costumava vir todos os dias e do nada parou de freqüentar. Estranho. Com licença – afasta-se para atender um cliente.

Spenser e Hawk se sentam em uma das mesas, determinados a esperarem Stockwell. E não tarda muito quando ele aparece e é avisado pelo barman que os dois estavam à sua espera. Ele se aproxima, cinicamente, e se senta à mesa. Spenser o fita com ódio no olhar.

- Soube que os cavalheiros estão me procurando. Tenho algum assunto pendente com vocês?

A pose do homem tira Hawk do sério, que tem de ser contido por Spenser para não socá-lo.

O homem sorri e fita os olhos verdes de Spenser.

- Escute aqui, detetive. Não interfira em meus assuntos, ou pagará caro por isso.

- Isso é alguma ameaça?

- Considere como um aviso.

- Não gosto que me ameacem.

- Você é quem sabe. Mas a doce Jéssica não pensa o mesmo que você.

- O que fez com ela? – Spenser e Hawk se levantam, furiosos.

- Só lhe dei um pequeno aviso.

Hawk faz menção de sacar sua magnum 357 quando vê os capangas de Stockwell dando-lhe cobertura.

- Nem pense nisso – o bandido avisa e vai saindo, triunfante.

Depois que eles saem, Spenser e Hawk vão atrás. Os capangas dão cobertura, atirando na direção dos dois, que se protegem atrás dos carros. As pessoas fogem, assustadas.

A dupla revida, atirando de volta. Mas eles conseguem entrar em um sedan preto. Os dois atiram em direção ao carro, acertando-o, mas não é o suficiente para pará-lo.

 

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William Stockwell estava brincando com fogo. Ameaçara a mim e Hawk, como se não fosse nada de mais. E o pior, assustara Jéssica, a ponto de fazê-la mudar de idéia e voltar atrás quanto a incriminá-lo. O homem passara dos limites.

 

Spenser fora visitar Jéssica e encontra Rita Fiori saindo do quarto da garota, que tinha sido levada para um novo lugar com segurança reforçada.

- Não acho que seja boa idéia você vê-la agora, Spenser.

- Como ela está?

- Muito assustada, mas vai ficar bem.

- E as investigações?

- Sabemos que foi Stockwell, mas não temos como provar. Os dois guardas não viram o rosto e Jéssica não quer depor. Ele pode se safar dessa.

Spenser não responde, chateado.

- Escute, sei como se sente. Deve ter um outro meio de prendê-lo. Vamos pensar em uma outra maneira., ok?

- Quero vê-la.

- Não é uma boa.

- Por favor...

- Tudo bem – diz, depois de pensar um pouco – Mas só por alguns instantes.

Ela abre a porta e o acompanha, quando os dois levam um susto ao verem Caine e Peter conversando com Jéssica.

Rita olha para os lados, confusa.

- Como vocês...?

 - É melhor não saber – Peter diz.

- Mudei de idéia – Jéssica fala – Eu vou depor.

Rita e Spenser se entreolham, surpresos.

 

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Não sei o que os Caine disseram à Jéssica para que ela mudasse de idéia, mas isso não interessava agora. Stockwell com certeza não contava com essa e devíamos tirar proveito dessa situação.

Os Caine também pensavam da mesma forma, mas estavam receosos quanto à hora certa de agir, então Hawk e eu fomos fazer uma pequena visita surpresa a Stockwell, mas parece que ele não é dado a surpresas e desapareceu como que por um encanto.

 

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Com Stockwell desaparecido, o depoimento de Jéssica foi adiado e tudo estava indo rapidamente por água a baixo. Mas eu não iria me dar por vencido até pensar e tentar todas as possibilidades. Sr Caine e seu filho disseram que a hora para agir finalmente chegara. Não sei o que a dupla estava pensando, mas àquela altura, com falta de pistas e pouca esperança, topava qualquer coisa.

Sem a presença de Stockwell não havia mais a  necessidade de manter Jéssica cativa, então a menina seria levada até sua tia e depois à Nova Iorque e sua mãe até o encontrarem.

 

- Tenho de ir mesmo para a casa da tia Lydia? Não posso ficar com você, Spenser?

- Não, infelizmente não pode, você entende?

- Ei, só porque eu tenho 14 anos não quer dizer que eu não entenda, ok?...  Vem me visitar, não é?

- Vou sim – sorri.

- Vamos, Jéssica? – um policial a acompanha até o furgão da polícia.

A menina acena, triste, e entra no veículo. Spenser fica esperando até que eles se afastem e sai apressado para os fundos do prédio, onde Hawk o esperava em sua BMW branca. Os dois vão na toda pela rua.

O mesmo carro

que tentara atropelar Peter e Caine surge do nada e logo alcança o carro policial tentando tirá-lo da rua. O furgão revida e dá o troco, batendo no outro carro com violência, mas este é mais esperto e desvia na hora. O veículo policial perde o controle e bate num poste ali perto.

O carro desconhecido pára. Stockwell e bando saem lá de dentro, armados, e se aproximam do furgão. 

- Jéssica, meu bem, não pensou que iria embora sem se despedir de mim, é? – olha para os bancos do motorista e do carona e não vê ninguém – Onde você está? – vai até o fundo do furgão e põe a mão na maçaneta – Quer brincar, Jéssica? Adoro esconde-esconde – abre a porta: não havia ninguém – O quê...??

Caine surge do nada em cima do furgão e golpeia o rosto de Stockwell, que cambaleia e cai no chão. Peter aparece e os capangas começam a atirar.

Spenser e Hawk chegam e revidam os tiros. William se esconde, esperando o melhor momento para fugir.

Enquanto Caine golpeava um dos capangas, Peter dava um tiro certeiro na mão de outro, desarmando–o.

Stockwell aproveita o momento e sai correndo, atirando, e é seguido por Spenser.

-Stockwell, não tem para onde fugir!

O bandido se esconde e pega um pente de balas para recarregar sua arma quando escuta um “click” no ouvido: era Hawk, com um sorrisinho cínico nos lábios e sua inseparável magnum 357 nas mãos. Spenser aparece logo depois.

 

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Com o depoimento de Jéssica, William Stockwell é preso pelo assassinato de Tyson Banks. Ele também é acusado de tráfico de armas e entregou para quem vendera a arma que matara Mike Anderson.

Caine, Peter e Jéssica estavam de partida para Nova Iorque. Nunca me acostumei muito com despedidas.

 

- Prometo que nunca mais fugirei – Jéssica diz – Acho que aprendi a lição,

- Você deve dizer isso à sua mãe – Caine fala.

- Como se isso fosse diminuir meu castigo.

- Já é alguma coisa – Peter brinca.

Jéssica se volta para Spenser.

- Sabe... gostei de Boston. Acho que virei passar férias mais vezes com minha tia... O que foi? – Peter e Caine estavam rindo, já tinham percebido suas segundas intenções – Viu o que eu tenho de aturar, Spenser?

 

Primavera. A estação da renovação. Onde tudo é possível e tangível.
 

 

THE END
 

30/08/03

Nº 7005

By Jackie Caine

 
“In love memory of Robert Urich, forever in our hearts

 


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