Swimming Boy 2

 

Swimming Boy 2 – O amor entre a escuridão

 

Lucas Sasdelli
giantsweb@yahoo.com.br


Capítulo 3 – O diário de Vinícius.

 

 

 

 

 

          Ah como posso dizer isso para mim mesmo? Para você diário?.... Vou tentar, é bom para aliviar um pouco, embora prefira aliviar com o Breno, não desmerecendo você diário, mas ele é o meu amigo né?Ou era meu amigo.. depois do que fiz.. ele poderia ser até algo mais, mas mais uma vez eu estraguei tudo! Acho que estou virando especialista nisso.

            Bom, irei começar do começo, obvio. Estava sentindo falta do meu melhor amigo.... Sentia falta das risadas dele, da voz doce, das suas palavras vezes engraçadas, vezes tristes... Do seus olhos, como não?

            Como já tinha escrito aqui antes, sim, eu estava precisando dele mais do que como um amigo! Desde a primeira vez que o vi, não canso de me lembrar, senti um calafrio percorrer todo o meu corpo e uma tocha ascender o fogo do meu coração, nunca antes tocado.

            Tive quer lutar, ou melhor, estou ainda lutando contra a mim mesmo! E porque? Por causa dele, do preconceito... Sim, do preconceito das pessoas... Mas não só dele, de fato, principalmente contra o meu próprio preconceito. Sabe... sempre colocaram para mim que o certo era ter uma garota, “pegar todas”, ser o “ganharão”, e depois disso, ter uma família com uma esposa dedicada e filhos amorosos. Mas nem tudo, às vezes, sai como o planejado...  é horrível ser um “erro”, um “desviante”, uma “estatística”... Eu queria, sinceramente, ser como a maioria, pois seria tão mais fácil! Não que o amor Hetero seja algo simples, todos os amores são complicados, mas este não tem uma barreira que o amor entre iguais  tem, o preconceito.

            Esse tempo em que o Breno se afastou de mim e de todos foi que eu pude perceber o quanto precisava dele.... Quando estamos prestes a perder algo é que damos valor, às vezes pode ser tarde demais, mas eu estava decidido de que não o seria, então, fui atrás dele.

            Quando re-encontrei com ele, em sua casa, meu coração palpitou aceleradamente, acho que cheguei a soar frio... Mas mantive a calma, não queria que ele percebesse que eu o amava, pois isso era um erro. No entanto, quanto mais ouvia a voz dele, o cheiro, o olhar... Eu ia me perdendo em meus devaneios.. Perdendo-me.. perdendo o controle.. ficando fora de mim......  Até que, já não sei mais como aconteceu, nos beijamos!

            Foi como num sonho, tudo ao redor desapareceu, eu só queria explorar e explorar a boca do Breno, sentir o seu gosto, morder os seus lábios e sufocar em suas lagrimas de paixão. O calor que emanava dos nossos corpos era intenso, com muito prazer eu praticamente o agarrava, trazia o para mim, para jamais perdê-lo.... Mas como um balde de água fria, os meus pensamentos não me deixaram em paz... “Seu veadinho”, “Sua putinha”, “Pervertido”... “GAY” “GAY” “GAY” “GAY”..... Não sei o que deu em mim.. mas tinha que sair dali, tinha que gritar... E acabei dando um tapa naquela pessoa que eu tanto amo, para afastá-la? Não, para tentar afastar de mim o que eu sinto por ele... O resultado disso? Feri a ele e me machuquei em dobro.... Do céu ao inferno em segundos, não há palavras para dizer o que eu sinto.. talvez nojo, de mim mesmo, por ser um covarde e não aceitar aquilo que eu sou, que eu amo.                    

 


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