Notas:
- Rurouni Kenshin pertence à Nobuhiro Watsuki, Shueisha e Sony
Ent.; esse é só um fanfic! Aoshi, Misao e todos os outros
não são meus...
- ATENÇÃO: Lime, com tendências lemon. Se não
gosta disso, sinto muito... =P
- Sintam-se à vontade para comentar!!! E comentem!!! É
importante para mim! ^^
Apenas Um Humano
O caminho de Tóquio para Kyoto era longo e, portanto, em
seu percurso cabia uma infinidade de divagações ou mesmo
análises sobre uma vida, devido às diferentes paisagens e
ares de todo um caminho de reflexão sobre todos os rumos que tomara
até aquele momento...
Ele sentia-se um monge pensando tais coisas. Porém, tudo
o que precisava em sua vida era de sua paz interior, da necessidade de
encontrar um eixo e uma razão para sua existência. Era vivendo
que honraria a morte de seus falecidos companheiros, portanto deveria viver
em paz. Mas era justamente essa paz que fazia falta, que o angustiava,
que pensava ser impossível.
Não queria ferir mais ninguém por seus sentimentos,
já que não era um demônio, era apenas um humano...
...o humano Aoshi Shinomori.
Já não era importante o título de "o mais
forte" que queria conseguir do Battousai Himura, a sua força não
precisava mais ser provada... Já não havia mais sentido,
a vida de seus companheiros não seria devolvida caso derramasse
mais sangue por um título vão... E o Battousai, aliás,
Kenshin Himura, não tinha vencido quando tiveram a oportunidade
de duelar?
Inclusive, se estava na estrada naquele momento, era graças
a um pedido da mulher dele... Não que ele houvesse desposado a moça
segundo as tradições, mas visivelmente eram um casal apaixonado
e o pedido feito à Okashira refletia um pouco desse sentimento:
precisavam transportar um diário caso quisessem parar uma guerra,
era o que Misao dissera. Okina pedira-o para acompanhá-la, então
estava ali em sua companhia.
E era até mesmo engraçado vê-la tão
feliz pulando alegremente pelo caminho enquanto cantava alguma melodia...
Não era mais a menina que ele criara, seu corpo já era o
de uma mulher e suas formas tinham uma harmonia rara de ser encontrada,
inclusive eram alvo de muitos olhares gulosos de homens desconhecidos pelo
caminho ou mesmo de alguns clientes mais exaltados do Aoi-ya... De vez
em quando sentia uma vontade incrível de usar a sequência
de seis das suas kodachi em algum deles, mas devia ser graças ao
sentimento de proteção que tinha em relação
à garota...
Por sua vez, Misao estava nas nuvens por estar viajando sozinha
com o senhor Aoshi! Por quanto tempo não ansiou por aquele momento,
por quanto tempo não quis apenas uma oportunidade para que ele a
notasse, não como menina, mas como mulher! E poderia muito bem ocorrer
alguma coisa naqueles dias de viagem... Como gostaria que ele a amasse
da maneira que o amava, que a desejasse da maneira que o desejava!
Desde que reencontrara o amado, após a terrível
luta contra Okina e Kenshin tê-lo libertado da condição
de demônio e devolvido-o, como ela se esforçava para conseguir
um sorriso sincero daqueles lábios! Todas as tentativas foram
em vão, principalmente por ele estar perdido em meditações
por tudo o que havia feito... Porém, em algum dia, mesmo que demorasse
a chegar, ela conseguiria fazer com que ele finalmente sorrisse para ela!
Porém, a menina-doninha tinha necessidades mais imediatas
a resolver, principalmente porque uma delas a incomodava profundamente...
- Senhor Aoshi, estou com fome...
- Sim, está mesmo se aproximando da hora da refeição.
Além disso, é bom nos preparamos para dormir, teremos mais
um longo dia de viagem
amanhã - Aoshi disse secamente, como sempre.
-Então precisamos encontrar uma boa clareira para isso,
certo?
Misao fez a pergunta alegremente, apenas para que Aoshi virasse
de costas para ela e entrasse no meio da mata que acompanhava a estrada,
rota seguida pela garota rapidamente. Será que não merecia
alguma palavra doce, será que ele não poderia ter mais cuidado
com seus sentimentos? A kunoichi suspirou, enquanto alguma parte de seu
coração dizia algo sobre
aquilo fazer parte de seu treinamento, portanto deveria obedecer. Ah,
a quem queria enganar, por que o senhor Aoshi não podia simplesmente
dar a ela o melhor presente que poderia ganhar, seu mais lindo sorriso?
Pouco depois estavam instalados em uma clareira, com uma fogueira
acesa para espantar algum animal que porventura pudesse aparecer durante
a noite e o casal estava sentado em um tronco próximo, enquanto
comiam rapidamente a ração de viagens de sempre, ao qual
já estavam acostumados. Misao, em uma tentativa de puxar assunto,
disse:
- Mas eu bem que gostaria de comer um bom punhado de arroz bem
cheiroso, acompanhado de uma tigela de missô! E quem sabe até
mesmo com um golinho de sakê para aquecer? Seria bom, não
é mesmo, senhor Aoshi?
O ex-okashira não respondeu, enquanto contemplava a bainha
de suas kodachi e terminava de comer um último biscoito de viagem.
Não que ele quisesse ignorar a garota, porém não tinha
vontade nenhuma de iniciar um diálogo naquele momento... Além
disso, eram onmitsu e estavam em uma viagem longa e Misao não deveria
comportar-se como uma garotinha -em breve poderiam comer quanto arroz quisessem.
Ele também preferia milhares de vezes uma boa comida preparada,
porém o que poderiam fazer se a rapidez da viagem era o fator mais
importante a ser considerado e teriam problemas caso precisassem cozinhar
a cada parada que fizessem?
- Teremos uma noite fresca...
Realmente, não queria parecer antipático, por mais
que muitas vezes fosse essa a imagem que passava e tinha consciência
disso; porém Misao merecia pelo menos uma frase de carinho... Ou
algo que se parecesse com isso, ao menos.
- Que bom...
Por mais que amasse o senhor Aoshi acima de qualquer outra coisa,
de vez em quando, todo aquele comportamento frio do ex-okashira a magoava
de maneira profunda e ela começava até mesmo a achar que
seria impossível tirar um sorriso sincero daquele coração...
Em certos momentos, seus
pensamentos diziam que toda aquela frieza era apenas em relação
a ela, sentimento que a feria imensamente por dentro, porém logo
percebia que seu amado também agia assim em relação
às outras pessoas. Além disso, não podia esquecer
do que Kenshin havia dito, logo que os homens voltaram da
mansão de Shishio: se Aoshi conseguira se libertar da condição
de demônio, fora graças à sua lembrança.
E o belo homem alto de olhos azuis gélidos era apenas
dela! Por mais que ele ainda não percebesse isso, pensou com um
sorriso malicioso.
Aoshi recostou-se no tronco, enquanto observava as primeiras
estrelas do céu brilharem. Certamente demoraria a dormir, não
apenas por estar ao ar livre e pela necessidade de proteger Misao caso
isso fosse necessário, mas por todos os seus pensamentos. Há
pouco mais de seis meses nunca lhe passaria pela cabeça a idéia
de ajudar o Kenshin Himura de boa vontade, ainda mais voluntariamente e
sem ganhar algo em retribuição...
Seis meses antes, porém, tinha ausentado-se da condição
humana, ele era apenas uma besta movida pelo rancor e pela vingança,
portanto não tinha nenhum sentimento para se levar em consideração,
muito menos a vontade de estar com Misao.
Vontade de estar com Misao? Sim. Ela fora a única sobrevivente
de seu antigo grupo e podia dizer que a amava. Não como mulher,
mas como um irmão mais velho preocupado com o bem-estar da garotinha
da família, se bem que seu corpo estava se tornando cada dia mais
belo e ele não estava desatento para esse tipo de observações.
"Incesto", pensou rapidamente, enquanto olhava para suas espadas.
Não deveria ter nenhum pensamento lascivo em relação
à garota, ou ela não era ainda a menina que criara, por mais
que estivesse perto do dia em que seria mulher feita? Era o humano Aoshi
Shinomori, tinha controle sobre seus pensamentos e portanto Misao seria
para sempre como sua irmã mais nova!
A meninha doninha, por sua vez, estava inquieta, com uma hiperatividade
muito além da que já tinha, mexendo freneticamente os dedos
das mãos e dos pés na tentativa de acalmar sua tensão
ou mesmo achar uma solução para seu problema. Ah, por que
estava tão tensa? Por que estava agindo como uma menina que não
sabia como contar ao avô que quebrara sua porcelana predileta?
Estava precisando se esticar um pouquinho para pensar melhor,
definitivamente...
- Eu volto rapidinho, senhor Aoshi!
Não que ele fosse esboçar alguma reação,
mas era bom avisar que estava levantando e demoraria um pouquinho. Não
iria para muito longe, apenas para algum lugar aonde sua voz não
pudesse ser ouvida pelo amado...
Após andar por alguns minutos, encarou o grosso tronco
de árvore à sua frente e disse, enquanto pulava com as mãos
fechadas com força e asunhas quase ferindo suas palmas, dizendo:
- Droga, droga, DROGAAA!!!
Por que não conseguia falar tudo o que estava em sua garganta
desde sempre, por que não conseguia declarar seu amor ao senhor
Aoshi? Por que não podia ser segura e despejar tudo de uma vez?
Por que estava travada? Não tinha pudor nenhum para contar para
quem quisesse ouvir que o amava, mas por que o "eu te amo" tão guardado
desde sempre não podia sair, permanecendo aprisionado em sua garganta?
Era uma oportunidade única, estava completamente sozinha
com o seu amado, tinha privacidade para poder conversar e dizer tudo o
que sentia sem correr o risco de interrupções! Por que não
conseguia? Por que tinha aquela barreira como se estivesse amarrada e amordaçada?
A kunoichi estava começando a ter vontade de bater a cabeça
na árvore até ter uma idéia, mas logo descartou a
idéia... Tinha de chegar apresentável em Tóquio, afinal.
E era isso que precisava ter em mente: era uma chance única.
Precisava respirar fundo, tirar coragem bem do fundo do seu ser e dizer
tudo o que sempre quis ao senhor Aoshi!
O ex-okashira ainda observava suas espadas, perdido em pensamentos.
Tinha um orgulho enorme de Misao por ela ter conseguido tomar
a responsabilidade para si enquanto esteve possuído por seus sentimentos
sombrios e proteger o Aoi-ya do ataque da Juppongatana... A menina forte
que derramara lágrimas por ele, que procurou-o por todo o país,
que tentava fazê-lo rir todos os dias... Tinha vontade de dizer a
ela que isso o fazia sentir-se vivo, que fora essa a força que o
fizera voltar a encarar seus atos, arrepender-se de seus crimes e até
mesmo voltar a vislumbrar esperanças de um futuro.
- Senhor Aoshi?
Os gélidos olhos azuis se viraram para cima apenas para
ver uma Misao com as mãos na cintura olhando decididamente em sua
direção e com a expressão de quem tinha algo muito
grave a dizer para ele.
- Senhor Aoshi, eu gostaria de dizer que... que... que... que...
- "Droga, não consegui!", Misao pensava enquanto seus lábios
se mexiam sem que nenhuma palavra fosse pronunciada, sem que nenhuma ação
maior do que a cor avermelhada adquirida por suas bochechas ocorresse!
E como odiava a si mesma, ao fato de não conseguir aproveitar a
ocasião, ao fato daqueles olhos azuis já não estarem
prestando atenção nela!
E esse sentimento a dominava, a tirava de si... Sem pensar muito,
desamarrou o laço que prendia sua roupa e abriu a blusa, tirando
a faixa que a protegia, deixando os seios desnudos e dizendo, com uma determinação
espantosa e inacreditável para alguém que pouco antes não
onseguira concluir uma simples frase.
- Senhor Aoshi, será que não é óbvio
que não sou mais uma criança?
Ao olhar para a menina-doninha, Aoshi arregalou os olhos de espanto.
O que levara Misao a despir-se, a mostrar-se? E como era belo seu peito,
como a pele de seus seios parecia ser macia e delicada ao menor toque,
como estavam em proporção com seu corpo, aliás, eram
até mesmo maiores do que aparentavam debaixo daquela blusa!
Céus, no que estava pensando? Certamente Misao não
tinha plena consciência do seu ato impensado, como o fato de que
estava tremendo podia comprovar; então por que estava reparando
e admirando o corpo da jovem quando deveria parar e ver o que estava havendo
com ela?
- Misao, o que...?
- O senhor não entende? Eu sou sua, este corpo e este
coração.
Misao, aproveitando o fato de que Aoshi estava completamente
sem ação naquele instante, aproximou-se e encostou de leve
seus lábios nos dele, em um beijo suave e puro. O ex-okashira colocou
as mãos de leve nos ombros da jovem para afastá-la, porém
por alguma razão, uma de suas mãos subiu um pouco mais até
a nuca da menina-doninha e empurrou-a de leve em sua direção,
o suficiente para que seus lábios se juntassem e suas línguas
pudessem se acariciar, em um longo beijo. A kunoichi tremeu de surpresa,
espantada com a ação do ósculo. Então era assim
um beijo de amante, forte desse jeito, com essa força e vontade
que seu amado estava pondo? Se em um primeiro momento tivera uma sensação
de surpresa, agora sentia um certo prazer em beijá-lo daquela forma...
- É isso o que você quer, Misao? Um beijo?
Aoshi voltara a ter a frieza de sempre e a afastara de leve,
fazendo com que Misao sentisse que todo aquele esforço fora em vão.
Ele poderia simplesmente rejeitá-la dessa forma, avaliar de forma
equivocada suas intenções? Para ele será que tudo
não se passava do desejo de beijá-lo, fora simplesmente o
desejo carnal que a levara até ali?
Uma pequena lágrima quis escorrer de um dos olhos da jovem,
porém ela foi forte e não deixou-a cair, tomando uma atitude
imprevista para
Aoshi e até para ela mesma: jogou-se nos braços do amado,
sussurrando-lhe
ao ouvido:
- Não... Quero dizer que sou sua, apenas sua, de corpo,
mente e coração; sua, sua, sua...
E repetia indefinidamente, mesmo que sua voz estivesse trêmula
graças ao nervosismo e que de vez em quando falhasse, em um movimento
contínuo, como uma canção suave ou um mantra religioso.
Após a surpresa inicial, o ex-okashira via-se sem ação,
apenas segurando a garota em seus braços e ouvindo suas palavras
doces, que tornavam-se lanças perfurando todo o seu corpo. Será
que ela não podia entender que o amor entre eles era fraternal ou
que ela o tinha como um ídolo, não como o humano de carne
e osso? Que estava enganada em relação ao que sentia, que
não o amava, não da forma carnal?
Porém, a voz era tão doce e cheia de uma certeza
absoluta dentro de suas hesitações, aquele calor de sua respiração
no lóbulo de sua orelha tão próximo de seu pescoço,
o calor daquele corpo em seus braços... Era uma tentação
grandiosa demais, era uma situação em que tinha de se controlar
mais do que em qualquer outra que já tivesse vivido.
A cada instante que passava, era mais e mais inebriado por aquele
calor, pelas palavras doces e por todo o ambiente de sedução
intencional ou não criado naquele momento. E, após muitos
minutos - tempo o suficiente para que o sol se recolhesse e seu sangue
fervesse - já não tinha nenhuma certeza, estava fora de seu
juízo. Ela não devia estar percebendo que estava brincando
com um fogo que acendera por vontade própria e poderia queimar-se
nele por completo...
Aoshi empurrou Misao em direção ao chão,
forte, mas delicado o suficiente para não machucá-la, gerando
uma surpresa óbvia e visível na garota.
Ele iria feri-la, agir com violência, havia se irritado
ao ponto de perder a humanidade e tornar-se um monstro?
A menina-doninha sentia medo, porém as ações
sucederam-se tão rapidamente que não pôde reagir: a
mão de seu amado veio na direção de seu rosto, porém
diferentemente do que esperava, ele a acariciava de leve para logo em seguida
beijá-la nos lábios, no rosto, no pescoço... E como
seu corpo era quente e macio! Sentiu vontade de acariciá-lo da mesma
forma, colocando uma de suas mãos na nuca do amado e acariciando-o
levemente, enquanto sentia-se entorpecida pelo mar de beijos e carícias
que a tomavam por completo naquele momento.
Pele macia e doce, como iamginara... Suas mãos e lábios
de homem adulto percorriam o corpo da adolescente levemente, como se quisesse
descobrir todos os locais secretos no peito em que suas mãos
pousavam e do pescoço que seus lábios provavam, em um movimento
leve e ao mesmo tempo intenso, com direito até mesmo a avanços
mais ousados, como se quisesse abocanhar partes daquele lindo pescoço.
E o que dizer do colo maravilhoso? As mãos apalpavam de
leve aquele peito, apenas para confirmar a textura delicada da pele e agora
a maciez de um daqueles seios, que apertava levemente e os suspiros arrancados
da jovem eram uma recompensa pela ousadia.
Porém, como se atingido por um choque, Aoshi levantou-se,
ajoelhando-se e olhando para a garota deitada com um certo espanto e, olhando
para suas mãos, sentiu uma certa repugnância.
"Eu não deveria tocá-la, ela é uma criança,
é como se fosse minha irmã ou mesmo filha..."
Estava errado, tinha consciência de seu erro, ela era sagrada
e não deveria ser profanada por suas mãos e seu corpo! Porém,
não podia obedecer seus próprios princípios. Desejava
Misao, desejava possui-la naquele momento, aquele corpo jovem e lindo e
toda aquela ênfase em declarar-se tinham despertado um incrível
e enorme desejo carnal.
E era por ser apenas um humano que não podia lutar contra
essa
força... A de seus próprios instintos.
- O que foi?
A pergunta da kunoichi transportou Aoshi para o mundo real, além
de seus pensamentos, aonde estava em um acampamento de viagem, pouco após
o pôr-do-sol, no meio da relva. E não podia fugir e nem negar
aquela realidade, prova disso foi tirar a parte superior de seu uniforme,
deixando o peito repleto de cicatrizes desnudo.
Misao, por sua vez, puxou o amado para junto de si e, levemente,
fazendo com que ele se deitasse ao seu lado, começou a passar levemente
os dedos por aquelas linhas, últimas testemunhas de batalhas cruéis.
O corpo do senhor Aoshi tinha uma perfeição atlética,
os músculos bem-definidos, aquela força toda que ele mostrava
nas batalhas e treinos! E ele permitia seus toques, seus carinhos... Os
lábios da garota se encontraram levemente com aquelas cicatrizes,
beijando-as de leve e gerando alguns suspiros de seu amado.
Porém, sentiu-se novamente deitada na grama e que seus
seios recebiam beijos leves e até mesmo algumas mordiscadas, uma
sensação inicialmente estranha, mas que fazia todo o seu
corpo se incendiar por dentro. Como aquilo era bom, como receber tais carinhos
era bom! E... o que aquelas mãos fortes procuravam ao descerem até
seu baixo ventre?
Aoshi, por sua vez, enquanto deliciava-se com o corpo macio e
delicado da menina que criara, era assolado pelos mais terríveis
pensamentos.
Pecaminoso, incestuoso, proibido! Por que simplesmente não
conseguia parar, não conseguia dar um basta naquela situação?
A resposta era cruel e vinha ao mesmo tempo em que se despia
por completo, após retirar a parte de baixo do uniforme de Misao...
Ele desejava que aquilo acontecesse, no seu mais profundo íntimo.
Por mais que sua mente e seus princípios o proibissem, como gostaria
de estar junto à garota, assim como naquele momento estava, o que
evidenciava as unhas que se cravavam em seu braço e uma leve contração
dos músculos faciais de sua companheira, denotando um pouco de uma
dor momentânea, não sobrepujada pelo prazer daquela companhia
e muito menos daquele ato...
***
Algumas horas mais tarde, o ex-okashira despertava com os primeiros
raios de sol e a descoberta de que a fogueira se extinguira, deixando apenas
um pouco de cinzas. Agora ele se lembrava, precisava chegar a Tóquio
para entregar um diário pedido pela mulher do Battousai, aliás,
do Himura. Misao estava com ele e dentro de pouco deveria acordar para
que seguissem a viagem.
Ao abrir os olhos, deu de cara com a menina-doninha aninhada
em seus braços, dormindo como um anjo puro e inocente. Colocou a
mão no próprio rosto, esfregando-o para livrar-se dos últimos
vestígios de sono e recuperar uam consciência perdida na noite
anterior: o que havia ocorrido?
Como pôde deixar que seus instintos o dominassem de tal
forma ao ponto de profanar um templo sagrado para ele?
Porém, ao ver novamente aquela expressão tranquila
adormecida em seus braços, beijou-a levemente, antes de desvencilhar-se
e procurar suas roupas: ela continuava a ser um anjo puro e inocente, por
mais que seu corpo tivesse sido profanado na noite passada. E, em seu íntimo,
não
estava certo do que sentia, se é que lhe era permitido sentir
algo por alguém.
O que sabia é que, até o dia em que tivesse uma
resposta para suas inquietações a respeito de seus próprios
atos e uma certeza sobre seus sentimentos... Se a amava como filha e irmã,
por que a desejara, por que a desejava, por que os fatos se desencadearam
daquela forma, não podia demonstrar seus sentimentos.
Algumas pessoas o chamavam de frio e até mesmo depressivo...
Porém, era aquela sua forma de análise e constatação,
além de sua proteção contra o mundo das pessoas. Era
sua forma de ação e Misao sabia perfeitamente disso, portanto
ela não se chocaria.
A menina-doninha abriu os olhos levemente, com um leve sorriso
nos lábios pelos sonhos bons que tivera durante a noite. Sonhara
ter se entregado ao senhor Aoshi, que ele pedira sua mão ao Okina
e iriam se casar!
Porém, ao encontrar-se nua e naquela posição
dequem se aninhara por toda a noite, logo percebeu que pelo menos uma parte
de suas fantasias não fora um sonho ou uma ilusão: acontecera
de verdade, naquela noite.
Olhando para frente, pôde ver seu amado, já perfeitamente
vestido, em sua frente, esperando-a acordar. Será que ele ficara
apenas espiando seu corpo por mais um pouco?
- Senhor Aoshi?
- Misao... Vista-se. Precisamos partir.
Todo aquele gelo que sempre o permeava voltara? Era o que podia
perceber por aquele tom de voz... Mas estava na hora de vestir-se e partirem,
queria chegar logo a Tóquio e contar tudo para Kaoru! Será
que ela se chocaria? Claro que não, ela também tinha o amor
dela! E quem garantia que eles não tinham... Um sorriso malicioso
formara-se nos lábios da kunoichi: impossível não
era...
- E sobre a noite passada... Gostaria de dizer-lhe que foi apenas
um descontrole repentino e que os fatos dela não se repetirão...
Por ora.
Ao invés de entristecer-se com as palavras repentinas
de Aoshi, uma alegria descomunal apossou-se do peito da menina-doninha.
Por ora? Isso significava que... que no futuro poderia acontecer de novo!
E quem sabe assim o senhor Aoshi não seria completamente dela, inclusive
pedindo sua mão ao Okina?
- Então vamos, senhor Aoshi! Temos de nos apressar!
Misao levantou-se, já vestida, rapidamente e, com a velocidade
e peraltice de sempre, já pôs-se a caminho para Tóquio.
Quem poderia saber se até voltarem para Kyoto, Aoshi não
se declararia, não a chamaria de "sua mulher" e seriam para sempre
um casal? E como as perspectivas daquela noite não a deixavam feliz!
Era muito mais do que um sonho realizado...
Era como se seu objetivo de vida tivesse parcialmente se cumprido.
Aoshi seguiu-a com os passos leves, decididos e silenciosos costumeiros,
enquanto pensava no quanto ela reagira bem à sua frase, o quanto
entendera que a noite passada fora apenas uma exceção...
Pelo menos até o dia em que tivesse uma certeza sobre seus sentimentos
em relação a ela e mais um monte de outras coisas. Por tempo,
era seguir para Tóquio e cumprir a missão para o qual foram
chamados, possivelmente ainda aconteceriam algumas complicações
até tudo estar terminado e ainda mais provavelmente teria de se
envolver em combates, então que fossem rápido.
E que Misao nunca se entristecesse, que continuasse sempre aquela
menina alegre... Ele não merecia vê-la sofrendo por alguma
besteira que pudesse vir a fazer, tanto nas lutas de guerra quanto nas
lutas de seu próprio coração.
E era isso que o tornava apenas um humano: seus sentimentos pelas
outras pessoas, por mais velados que fossem.
***
Betado por Calerom
Domo arigatou gozaimasu!!! ^^
E leiam os fanfics dele!!! ^^
***
Glossário:
Kunoichi: "mulher-ninja"
onmitsu: ninja
***
Espero que tenham gostado e não tenha ficado muito água-com-açúcar!!!
E não se esqueçam dos comentários!!! ^.-
mis9_fics@hotmail.com
borboleta_psicotica@yahoo.com.br
Ah sim! Pode conter semelhanças com meu fanfic Dia de Chuva...
Inclusive foi baseado nele, porém com uma perspectiva um pouco
mais detalhista e menos OOC (assim espero...) e poderia ser considerado
até mesmo uma releitura deste.
Fanfics
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