SAILORMOON V : SHADOWMOON
Capitulo 7: A RENASCENÇA DO NEGAVERSO
CENA 1:
Na lanchonete de Andrew (“THE CROWN”), uma hora depois.
- Beba um pouco desse chá, Amy! Vai te fazer bem. – disse
Serena, com carinho, esboçando um sorriso afetuoso para a amiga.
Amy olhou para ela com um olhar vago e triste, depois mirou para a pequena
xícara quente, entre suas mãos, colocada sobre a mesa.
Observou o objeto, soltando uma fina fumaça de vapor quente,
por alguns instantes, mas, não o tocou. Em seguida, voltou
seus olhos tristes para a janela ao seu lado, olhando para rua e, novamente,
ficou perdida em seus próprios pensamentos.
Serena virou-se para suas amigas e Darrien, esboçando uma angustiante
preocupação na face.
Todos estavam sentados numa mesma mesa: Rei, Mina, Lita, Rini,
Hotaru, Michiru, Haruka e Darrien.
Ártemis e Lua estavam, cada um, deitados no colo, respectivamente,
de Mina e Serena.
E todos, sem exceção, estavam preocupados com o
estado psicológico de Amy.
A menina não falara nada desde que saíram da rua onde
se travou o violento combate entre os “JOKERS” e o tal “misterioso rapaz”,
que ela mencionara. Darrien achou melhor partirem do local antes
da chegada da policia, para evitarem perguntas e olhares curiosos.
Mina tinha uma camisa escolar sobressalente em sua mochila e ofereceu
a Amy em substituição a que fora rasgada pela faca de Nomura.
Ela trocou em silêncio a camisa na toilet da lanchonete e agradeceu
a amiga num polido gesto com a cabeça. Mas, só!
Depois, sentaram-se a mesa da lanchonete, onde Amy ficava mirando a
janela com um olhar triste e perdido. Sem falar nada. Estava
visivelmente deprimida e suas amigas não sabiam o que fazer para
reanima-la:
- Deus! Ela está realmente mal! Nunca vi Amy tão
deprimida assim... – disse Mina para as amigas.
- Nem eu! Coitada! Ela passou por uns maus bocados na mão
daqueles marginais. – observou Darrien.
- Animais! – Vociferou Rei furiosa e indignada. – Aqueles motoqueiros
desgraçados. Ah! Se eu estivesse lá na hora...
- Calma, garota! – ponderou Haruka - Fica fria! Aqueles
canalhas nunca mais vão atacar ninguém. Eles
tiveram o que mereciam. Seja lá quem for, o tal “rapaz”, que Amy
mencionou, bateu na gangue para valer. Duvido que alguns deles, sequer,
voltem a andar direito e muito menos dirigir uma moto.
- É difícil acreditar que apenas uma pessoa pode enfrentar
aquele bando sozinho. Ele deve ser um exímio “lutador de rua”.
Tão bom como Amy havia nos dito, quando a encontramos, junto com
Serena, naquela rua. – concluiu Michiru pensativa.
- Ele era! Muito mais do que vocês possam imaginar... –
balbuciou Amy, para a surpresa de suas amigas.
- Amy! – disse Serena surpresa com a súbita reação
de sua amiga, que se virou para ela com um olhar triste e deprimido.
- Ele... Ele... Apareceu na hora certa! Salvou nós
duas... Eu .. Serena... Salvou-nos...daquelas pessoas horríveis...
Aqueles motoqueiros... – as palavras engasgaram na garganta de Amy.
Estava emocionada demais e fazia força para não começar
a chorar, levando as duas mãos ao rosto.
- Amy! Por favor! Não chore! Sei o que aconteceu
foi horrível para você! Mas, acalme-se! Não precisa
falar nada senão quiser. A gente entende se...
- Não, Serena! Eu estou bem! Sério!
Deixe-me desabafar. Contar o que, exatamente aconteceu. Todos
vocês tem o direito de saber o que se passou naquele lugar.
Principalmente, você, Serena, que também correu perigo nas
mãos daqueles marginais, assim como eu.
Deixem-me contar-lhes tudo...
Então, Amy começou a relatar, em detalhes, o que havia
acontecido naquela rua sem saída. Contou como ela e Serena,
ao saírem do colégio, foram, inesperadamente, cercadas e
atacadas pela gangue dos JOKERS. Da inútil tentativa de escaparem
e, também, como Serena fora nocauteada, por um dos motoqueiros,
após golpe traiçoeiro, na cabeça.
O sangue de Darrien ferveu de ódio nesse ponto do relato, e,
em seu íntimo, amaldiçoou-se, por não ter estafo,
lá na hora, para proteger a sua amada.
Amy, em seguida, contou como ela mesma acabou perdendo sua caneta de
transformação durante a luta e caindo prisioneira nas mãos
de seus captores, impossibilitada de se transformar em SAILOR MERCURY.
Hotaru e Rini mostraram medo e horror em suas faces, quando Amy relatou
como o líder cortou sua camisa de colegial e suas intenções
obscenas. Já Rei enojada, socou a mesa furiosa, com um desejo
ardente de vingança tomar-lhe a mente.
Então, finalmente, Amy chegou ao ponto da sua narrativa onde
o misterioso rapaz aparecera em seu socorro e de Serena.
- Ele surgiu de repente, na entrada da rua... Ordenando que os
motoqueiros nos soltassem... num tom de ameaça...
- Caramba! Ele “peitou” o bando todo? Assim, sozinho? –
perguntou Serena, levando a mão ao rosto , boquiaberta e incrédula
com o que Amy contava.
Amy respondeu, acenando a cabeça afirmativamente, olhando ainda
com olhar triste para a janela.
- Taí um sujeito que merece o meu respeito! – observou Haruka.
– Que encara os perigo e os desafios “de peito aberto”...
- Mas, não deixa de ter sido um gesto arriscado. O rapaz
estava sozinho contra vinte motoqueiros... – lembrou Lua.
- ...Mesmo assim, ele não se intimidou com isso. E muito
menos pelo fato deles estarem armados. – cortou, secamente, Amy, o raciocínio
da gata preta, e concluiu: - Não havia medo em seus olhos:
Somente um brilho estranho neles... Um brilho de fúria, enquanto
encarava os motoqueiros. Um ódio incontrolável que
parecia que ia explodir dentro dele...
Desculpem, pessoal! Não sei explicar melhor. Jamais tinha
visto algo assim antes em toda a minha vida.
- “O brilho do guerreiro”! – exclamou Haruka, esboçando um leve
sorriso. – Sim, já vi uma pessoa com esse mesmo brilho no olhar...
- Refere-se aquele sujeito que conhecemos, tempos atrás?
– perguntou Michiro .
- Sim! Ele mesmo! E se esse “rapaz” que Amy fala tinha esse mesmo
olhar, sem dúvida alguma era um lutador excepcional... Do
mais alto nível.
- Como é que é? – perguntou Serena com cara confusa.
- O “brilho do guerreiro” é um brilho que surge no olhar de
um lutador prestes a entrar em combate. Mas, não um guerreiro
qualquer: Mas, sim, de alguém dotado de extrema habilidade
em artes marciais, acostumado a lutas e batalhas corpo a corpo. – explicou
Haruka.
- É! Agora tudo faz sentido. – concordou Michiro. – Esses
canalhas toparam com o sujeito errado... para o azar deles.
- Já não resta mais dúvida alguma: esse
rapaz era um “lutador de rua”. – concluiu Haruka. – E um dos bons...
- Ele não teve medo! Não teve medo! – balbuciou
Amy, melancolicamente, fazendo com que, as atenções de todos,
voltassem, novamente, para ela. - Ele foi cercado! Foi espancado!
Quase baleado e esfaqueado... Mas, mesmo assim, não teve medo!
Em nenhum momento, ele se apavorou. Nenhum! Só estava
preocupado em nos proteger a mim e a Serena... Mas, a fúria,
que ardia em seus olhos... Que ardia dentro dele... Oh, meu
Deus! Quanta violência!
Então, finalmente, Amy voltou a relatar todos os acontecimentos
que se sucederam após o aparecimento do misterioso rapaz.
Contou como seu “salvador” interferiu no ataque dos JOKERS, e veio
ao socorro dela e de Serena, ignorando por completo as advertências
e ameaças dos seus inimigos, como se não ligasse
a mínima para elas ou, simplesmente, as desprezasse. E de,
como, ele caminhou firme e decididamente, em sua direção,
para socorre-la., passando por alguns motoqueiros, sem se preocupar com
a própria segurança.
Relatou também, o primeiro enfrentamento do rapaz com
Togo, que tentara lhe barrar o caminho com violência. E como
o gigante foi golpeado poderosamente e jogado contra a parede de tijolos
daquela rua, para o espanto dela e dos demais motoqueiros.
Darrien arregalou os olhos com os detalhes, quando Amy contou como
o rapaz, aproveitando a distração momentânea de seus
inimigos, libertou Amy, que estava aprisionada e fez com que ela e Serena
se abrigassem atrás de um poste, longe do que instantes se tornaria
um “campo de batalha”. Apertou as mãos de Serena com firmeza,
compreendendo, mais claramente o perigo que ela também havia passado,
mesmo estando desfalecida. E como estava em débito de gratidão
com o tal “Rapaz”, fosse ele quem fosse.
Essa sensação, num misto de terror e espanto, foi compartilhado
por todos sentados a mesa, quando Amy relatou detalhes do combate violento
e selvagem que se sucedeu em seguida: O primeiro ataque dos Jokers
e como foi, rapidamente, rechaçado pelo “jovem misterioso”.
A luta do rapaz com Shiguero e suas correntes cortantes. E, como
derrotara o mestre das correntes de forma espetacular.
Rei ficou de boca aberta, assim como Lita e Mina, quando Amy relatou
como seu “misterioso salvador” pegou as correntes de Shiguero e desarmou
alguns motoqueiros armados de pistolas, que tentaram baleá-lo, traiçoeiramente..
Amy contou como, desesperadamente, saíra do seu abrigo
para tentar avisa-lo do perigo. E como o rapaz a repreendeu por isso,
na mesma hora, furioso. Contou também, que como o seu gesto
inadvertido, acidentalmente, o distraiu, fazendo-o ser pego de surpresa
por trás, e imobilizado por seu primeiro oponente: Togo.
Amy levou a mão ao rosto,enquanto que lagrimas começaram
a escorrer-lhe pela face. Foi nesse momento, que ela contou como
Nomura espancou, brutal e covardemente o rapaz, do terrível dilema
que ela teve de enfrentar em se transformar ou não em Sailor Mercury
e, com isso, sacrificar a sua identidade secreta, para tentar salva-lo,
assim que recuperou sua “caneta de transformação”.
E, como ficou sem ação ao ver Nomura encostar-lhe a lâmina
afiada do canivete em sua garganta.
Mesmo assim, o rapaz, recordava-se, só se preocupava com a sua
segurança e de Serena. Gritou furioso para que ela voltasse
para junto de sua amiga e não se preocupasse com ele. Mesmo
estando sendo espancado e depois, ameaçado com uma lâmina
afiada na garganta.
Serena não se conteve e começou a chorar, também,
quando Amy relatou como se “ofereceu” a si própria, como pôs
sua própria segurança física a mercê de Nomura
em troca pela vida do rapaz e da segurança de Serena.
As duas se abraçaram, com emoção, e por alguns
instantes, choraram juntas.
A cena emocionaram a todos, principalmente, LUA, Rini e Hotaru, que
também, choraram. Rei, Lita e Mina, também, não
conseguiram segurar as lagrimas. Já Haruka, Michiriu e Darrien,
baixaram a cabeça pesarosamente.
Instantes depois, Amy se recobrou e continuou o seu relato.
Contou como, já resignada de seu triste destino nas mãos
imundas de Nomura, viu o “misterioso rapaz”, inesperadamente, contra-atacar
Nomura e libertar-se das garras de Togo, de forma poderosa e surpreendente.
E de como ele, gentilmente, a ajudou a levantar-se do chão e a pedir-lhe
que, novamente, abrigar-se junto com Serena, no abrigo, atrás do
poste da rua.
As palavras carinhosa que ele proferiu para ela, de agradecimento e
elogiando sua coragem, quando retornou para perto da amiga, ainda ecoavam
em sua memória, como uma espécie de suave melodia.
Mas, esse detalhe, ela não contou a suas amigas durante o relato.
Preferiu manter isso em segredo para si mesma, como uma “lembrança
valiosa e particular”.
Depois, disso, Amy relatou, detalhadamente, o violento e intenso combate
final que se seguiu, quando o jovem usando-se de uma incrível habilidade
em artes marciais e técnicas de luta, literalmente, “massacrou”
o bando inteiro dos Jokers. E como os motoqueiros restantes no final
da luta, mesmo atacando-o com suas motos, não foram páreos
para ele.
Finalmente, Amy encerrou o seu relato, narrando como o rapaz começou
a espancar impiedosamente Nomura, tomado por uma fúria e ódio
incontrolável, e como quase matou o motoqueiro a pancadas.
E, como em desespero, ela interveio naquele espancamento e com seus apelos
aflitos, impediu o “misterioso rapaz” de cometer assassinato.
- ...E o resto da historia, creio que vocês já sabem.
– Conclui Amy, pondo fim a seu relato. – Me afastei dele, por um
momento, quando Serena começou a recobrar a consciência, e
ele, simplesmente sumiu, momentos antes de vocês chegarem.
- Não entendo! Por que esse rapaz sumiu, de repente? –
ponderou Lita.
- Isso é muito estranho mesmo. – concordou Darrien.
- Nem tanto! – observou Haruka, enquanto sorvia, calmamente, uma xícara
de café e, depois a colocava, sobre a mesa. – Se esse rapaz, como
eu suspeito, for realmente um lutador de rua, provavelmente, já
deve ter alguma “passagem pela polícia”.
- Você está insinuando que este rapaz corajoso, que salvou
Amy e Serena, com o risco de sua própria vida, seja algum tipo de
marginal? Mas, isso é um grande absurdo!!! – explodiu Rei
furiosa ,com aquela insinuação maldosa sobre alguém,
que ela considerava um grande herói, por ter, salvo suas duas, mais
caras, amigas.
- Não se iluda com esta história que Amy acabou de contar,
garota. Tudo bem! Não tiro o mérito, do sujeito, ter
aparecido na “hora H” e salvado as duas. Mas, acredite quando falo que
o tal cara deve ter alguma ficha policial com “arruaceiro ou responsável
por agressão”, em algumas delegacias da cidade. Pode apostar!
Isso é muito comum, entre os “lutadores de rua”....
- Não entendi? – exclamou Serena. – O que isso tem haver com
o fato dele ter sumido, depois da luta?
- Pense um pouco, “Cabeça de Lua”! Se você fosse
uma pessoa com “fichada”, a última coisa que você gostaria
era de ser pego, outra vez, pela policia, em flagrante, metido em
mais uma briga de rua. Isso significaria uma “passagem grátis”
direto para a cadeia ou para algum reformatório juvenil.
Obviamente, o tal rapaz ouviu a nossa aproximação e pensou
que fossemos policiais. Mais do que naturalmente, ele deu no pé
para não correr o risco de ser preso, junto com a “corja” que ele
“massacrou”...
- Isso não é verdade! Ele não é nenhum
marginal! Não é!! – gritou Amy, furiosa com aquela
insinuação injusta, ao mesmo tempo, que esmurrava a mesa
e, ficava de pé, num sobressalto.
Todos se assustaram com a súbita explosão da moça
e a olhavam-na, espantados, por sua inesperada reação.
Não era comum Amy ser dada a acessos de raiva como aquele.
Tal reação, apenas servia para mostrar a Serena e os demais
o quanto sua amiga ficara abalada com tudo que aconteceu.
Até mesmo Haruka, olhou os olhos furiosos de Amy com certo receio,
enquanto a garota se colocava a falar.
- Esse rapaz não é nenhum bandido! – disse ela com uma
estranha segurança.
- E, como é que você pode ter tanta certeza disso? – retrucou
Haruka, secamente.
- Eu... Eu...
- Isso mesmo, Amy! Como pode ter certeza disso? Por acaso
você já conhecia este rapaz? Já o tinha visto
antes? – perguntou Michiru.
- Não! Eu... Eu... Nunca o vi antes...
mas, sei que ele não é nenhum bandido ou delinquente. – Continuou
Amy firme em sua posição.
- Mas, Amy, como você pode afirmar uma coisa dessas sobre uma
pessoa que nunca tinha visto antes, até esta tarde. – Perguntou
Lita.
- É meio complicado de explicar...
- Tente, Amy! Você foi tão incisiva em defesa desse
“rapaz”, que, provavelmente, tem uma forte razão em acreditar em
sua boa índole. – Pediu Serena, sorrindo amavelmente para a amiga.
– Seja o que for, tenho certeza, que é uma boa razão.
- Isso mesmo, Amy! Conte para a gente! Por favor! – pediu
Rei, contundente.
Amy hesitou um pouco, tentando ordenar as idéias para apresentar
os seus argumentos. Pensou com calma e respirou fundo.
Em seguida disse:
- O que eu vou dizer agora, pode parecer algo um tanto estranho para
vocês. Até mesmo parecer uma grande tolice, mas...
mas...
- Vamos, Amy! Fale – pediu Rini, ansiosa.
- Quando eu estava presa. Imobilizada pelos dois motoqueiros
e ele, apareceu, de surpresa, atacando-os por trás, eu caí
no chão, de joelhos...
- Ah, isso nos já sabemos, garota! – Disse Haruka, impacientemente.
– O cara botou os dois a nocaute e ainda, de quebra, jogou-os para cima
daquele desgraçado...
- E, depois, como você mesma nos contou, ele se ajoelhou por
de trás de você e perguntou se estava bem. Não
foi isso? – completou Mina.
- Sim, é verdade! E, foi nesse instante que vi o seu rosto
claramente, pela primeira vez. E, também, foi neste momento
que eu tive uma estranha sensação...
- Estranha sensação? – perguntou Rei.
- Sim, Rei. Talvez, de todos que estejam na mesa, você
tenha uma melhor compreensão do que eu vou falar: Não
sei como, nem por que, mas, eu tive uma forte sensação de
que eu já o conhecia de algum lugar. E que, dentro de mim,
algo me dizia que podia confiar totalmente minha segurança e de
Serena a ele. Pois ele era um rapaz honrado...
- Entendo! Foi como se você tivesse uma forte intuição!
- Sim, Rei! Só que algo mais forte que isso e mais profundo
que isso... Alguma coisa mais... mais...
- Espiritual? – disse Rei com serenidade, entendendo perfeitamente,
o que sua amiga tentava dizer-lhe.
- Eu sei! Eu sei! Soa meio estranho dizer isso, ainda mais
uma pessoa “racional” como eu. Mas, é que não encontro
outra maneira de explicar-lhes o que senti ao encara-lo, olho no olho.
Mas, sabem o que foi mais estranho?
- O que, Amy? – perguntou Lua.
- É que, por um breve instante, pareceu-me que ele teve a mesma
sensação de “Deja vu” que eu.
- Por que acha isso? – perguntou Serena.
- Os seus olhos! De repente, eles deixaram de me olhar com aquele brilho
de fúria e o seu rosto...
- Sim! Sim! Sim! – diziam, em coro, Serena e Mina, ansiosas pelo rumo
daquela conversa.
- Ficou diferente! Menos tenso, mais tranqüilos, olhando
fixamente para os meus. Pareceu-me que ele ficou mesmo surpreso ao
me ver tão de perto. Até mesmo a sua voz ficou mais
calma e... – Amy subitamente parou de falar.
Levou seus dedos ao queixo e, ficou pensativa, como se tivesse relembrado
algo importante.
- O que foi, Amy? Por que você parou de falar, assim, de
repente? – perguntou Serena.
- A voz dele... A voz desse rapaz...
- O que tem a voz dele?
- É que só agora percebi algo, que não notei naquele
momento.
- O que? Ele era gago?
- SERENA!!! – Gritaram furiosos, todos na mesa, com exceção
de Amy, num tom de censura a tolice que fora aquela pergunta.
Amy esboçou um leve sorriso.
A pergunta tola de Serena, acidentalmente, animou-a novamente.
E com um sorriso tímido, mas amigável disse:
- Não, Serena! Ele não era gago! Ele tinha
uma voz perfeita! Só que, somente agora, me recordando das
palavras que ele disse para mim, naquele momento... E dos gritos
desafiadores que ele lançou durante a luta...
- Sim! Sim! Sim!! – perguntavam, novamente, ansiosas, Serena
e Mina.
- ... Percebo agora, que ele tinha um sotaque estranho na sua voz.
- Sotaque? – perguntou Michiru.
- Sim! Um sotaque de alguém que não era de Tokyo...
- É, mesmo? E só agora é que lembrou desse
detalhe? Bom, acha que dá para identificar de que região
era? Kyoto? Okinawa? – perguntou Darrien.
- Não sei! Era um sotaque diferente... Falava algumas
palavras com um som parecido com o “R” das aulas de inglês do colégio.
- Um estrangeiro! – exclamou Lua.
- Pode ser um dekassegui! Um trabalhador estrangeiro. Isso
poderia abrir uma outra hipótese para explicar o súbito sumiço
do rapaz. – Observou Ártemis.
- Sei onde quer chegar, Ártemis! E acho que concordo com
você! – acenou afirmativamente Darrien, em sinal de concordância.
- Do que estão falando? – perguntou Haruka, secamente.
- O sujeito que salvou Amy e Serena pode ser um trabalhador estrangeiro.
Um dekasségui. – Explicou Ártemis. - Alguém
que veio de outro país para trabalhar em uma das milhares de industrias
e fabricas do Japão.
Como hoje é sábado, alguma dessas fabricas, dão
folgas a seus funcionários. Ele deve ter aproveitado, para
vir a Tokyo fazer compras ou visitar alguns amigos...
- ... E deve ter passado, por acaso, pela rua onde Amy e Serena estavam
sendo atacadas e resolveu socorre-las, na mesma hora! Sim!
Agora tudo faz sentido! – concordou Darrien.
- É mesmo, “gênios”?! – ironizou Haruka, não agradando
aquele raciocínio. – Então. Só me digam uma coisa:
Se ele era um trabalhador estrangeiro, por que fugiu antes de aparecermos?
- Simples. – observou Darrien. – As leis japonesas que regem a entrada
de mão-de-obra estrangeira, em nosso país, são extremamente
rígidas. Um trabalhador estrangeiro que fosse pego, envolvido numa
briga como essa, seria sumariamente demitido do emprego e, talvez, até
mesmo, preso e, em seguida, expulso do país, dependendo da gravidade
do caso.
- Pode ser... – balbuciou Amy para si mesma.
- Tolices! – contestou Haruka. – O sujeito é, de fato, um “lutador
de ruas”. Já disse isso antes e volto a repetir. O tal
rapaz é um lutador nato e, se ele é ou não um trabalhador
estrangeiro, isso pouco importa. Acreditem-me: não é
qualquer pessoa que tem esse brilho no olhar que Amy nos descreveu...
Ah! Isso eu posso garantir. E ninguém vai me tirar da cabeça
que esse sujeito já não tem alguma ficha na polícia.
E pouco me importa qual foi a intuição que Amy teve desse
rapaz, na hora. Essa coisa toda, para mim, não passa de “balela
sentimental” ou “bobagens supersticiosas”...
- Escute aqui, sua “sabichona”! Morda a língua antes de
falar sobre coisas que não conhece, ouviu bem!? – advertiu Rei furiosa.
– Essa sensação, essa intuição que Amy sentiu
pelo rapaz foi real. E deve ser respeitada e levada bem a sério!
- Oh, que medo! A “rainha do vudú” deu o ar de sua
graça, mais uma vez. Agora vai nos fazer crer em seus mântras
e bruxarias em frente de fogueiras.
Ora garota! Vê se cresce! Se eu quiser tirar a sorte,
não se preocupe que vou ao templo do “tarado” de seu avô para
comprar um daqueles seus amuletos inúteis e mal feitos. – alfinetou
Haruka, grosseiramente.
- Sua desaforada! Vou te mostrar a ter mais respeito com os meus
conhecimentos espirituais e a tradição religiosa de minha
família sua cretina! – gritou Rei furiosa, pulando da cadeira, e
partindo para cima de Haruka.
As duas moças avançaram, furiosamente, uma sobre a outra.
E só não se engalfinharam, lá mesmo, na lanchonete,
porque foram agarradas pelas demais, que tentavam acalma-las e faze-las
se comportarem para não dar vexame em público.
Até, mesmo Amy pediu para as duas se controlarem para não
brigarem por causa de uma discussão sem sentidos.
Mas, foi uma única frase. Uma simples e inocente pergunta feita
por Hotaru, que fez com que aquela confusão terminasse, subitamente:
- Ele era bonito, Amy?
Surpreso e aturdidos com aquela inesperada pergunta, todos olhassem
para ela, com visível surpresa.
Hotaru fora a única pessoa sentada a mesa, que mantivera-se em
silêncio durante todo o relato de Amy sobre o ataque dos Jokers,
e da discussão que se seguiu sobre quem era o misterioso rapaz que
havia as salvo dos marginais.
Enquanto os outros falavam, Hotaru procurava imaginar como seria esse
rapaz fisicamente e, quando, por fim, tomou coragem, fez a sua pergunta
na mais inocente das intenções. Sem nenhuma maldade.
A pobre menina ficou intimidada, quando todos a olharam fixamente,
com um misto de surpresa e espanto. E, por alguns segundos, sentiu-se arrependida
por ter feito aquela pergunta, temendo ter cometido uma indiscrição.
Mas, logo em seguida, os olhares de todos se viraram para Amy, quase
ao mesmo tempo. Apesar de ninguém falar nada, todos aguardavam
alguma tipo de resposta por parte da menina de cabelos curtos.
Hotaru começou a se sentir muito mal por ter feito aquela pergunta,
que agora achava ter sido, terrivelmente, indiscreta.
Jamais poderia imaginar que sua simples pergunta poderia precipitar
aquela reação. Principalmente em Amy, que a olhava
para a menina, meio que boquiaberta, parecendo como se tivesse ficado atordoada
e perplexa com aquela pergunta.
Hotaru mal podia imaginar se quer o quanto sua pergunta causou grande
comoção no coração de Amy.
Ela olhava para Hotaru fixamente, enquanto sentia um turbilhão
de emoções invadir-lhe sua mente e seu coração,
fazendo-a, relembrar nitidamente, dois momentos em particular: Quando
“misterioso rapaz” a salvara dos dois capangas de Nomura e olharam-se,
fixamente, uma para o outro, e quando ele lhe entregou sua “caneta da transformação”,
após, ela ter se arriscado por ele.
“Obrigado por tentar me ajudar! Você é uma garota
admirável!”, disse-lhe ele naquele momento. Aquela frase não
para de ecoar em sua mente, nem mesmo a imagem do rosto dele. Uma
face dura, mas ao mesmo tempo, singela e carinhosa. Uma face de um
homem....belo e fascinante.
Sim! Amy não podia esconder aquela verdade para si mesma.
E fora Hotaru, que inocentemente, com aquela simples pergunta, que fizeram
Amy confrontar aquela dura verdade que sua mente racional tentara até
então, ignorar para si mesma.
Uma verdade que, agora fazia o coração de Amy dispara,
suas mãos suarem e aquela mesma onda de calor, que sentira antes,
novamente, varrer-lhe todo o seu corpo.
Agora Amy podia compreender, finalmente, o que estava sentindo.
Um sentimento forte e avassalador como nunca tinha experimentado em toda
sua vida. Um sentimento de ternura e fascinação por
aquele rapaz, que surgira inesperadamente, em sua vida, para socorre-la,
e, que agora tinha partido, para, talvez, nunca mais se encontrarem.
Nunca mais!
Amy pensou em tudo aquilo e de como o destino fora tão injusto
para ambos. Sem lhe darem chance de se despedirem. E, principalmente,
poderem se encontrar de novo!
Era por isso, que Amy acabou não conseguindo responder a Hotaru:
Olhou para a menina com um olhar triste, enquanto, suas lágrimas
voltaram a escorrer de sua face. Por fim, Amy levou as mãos
ao rosto e caiu aos prantos.
- Amy! Por favor! Me desculpe! Eu não tive
a intenção de lhe deixar mais
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triste. De lhe fazer
chorar. Perdão! – implorou Hotaru arrependida pela pergunta
que fizera e que levara Amy a chorar.
- Não é isso, Hotaru! Não é isso!
– disse Amy em meio a lágrimas e soluços. – Ele...
Ele... Ele foi embora. Sem ao menos se despedir de mim. De
me dar uma chance de lhe agradecer por ter me salvado e a Serena, também!
Eu queria poder dizer-lhe tantas coisa... Tantas coisas....
Mas, agora ele se foi para sempre! E eu nunca mais terei a chance
de lhe dizer como sou grata por ele ter nos salvado. E, muito menos...
de saber o seu nome. Nunca mais! Nunca!
E Amy chorou! E continuou chorando de amargura e tristeza durante
todo o resto daquela tarde, sendo consolada, carinhosamente, por Serena,
que entendia perfeitamente, aquele sentimento. E que, também,
estava grata por ter sido salva pelo rapaz.
Então, ambas choraram de tristeza, juntas! E nada mais
foi dito naquela mesa de lanchonete.
CENA 2:
Hospital Geral de Tokyo. Naquele Exato Momento.
As portas automáticas da entrada do Hospital se abriram
e Sayaka entrou, em disparada, para dentro do hospital.
Chegou a recepção do hospital e, furiosamente,
perguntou onde estavam internados os motoqueiros que a policia havia
trazido para lá. A enfermeira de plantão ficou assustada
com aquela pergunta grosseira e, socando o balcão de recepção,
Sayaka fez, mais uma vez, a mesma pergunta.
Intimidada e com medo de possíveis conseqüências,
a enfermeira lhe deu a informação que precisava. E
Sayaka, rumou direto para os elevadores do hospital, empurrando grosseiramente,
qualquer pessoa que estivesse em seu caminho.
Chegando aos elevadores, apertou o botão que levaria ao
3º andar, onde ficava a UTI e a área de tratamento de pessoas
acidentadas. Dois enfermeiros estavam prestes a entrar no mesmo elevador
que ela, levando um paciente na maca, mas foram impedidos de entrar por
causa da garota, que, aos gritos furiosos, disse:
- Peguem outro elevador, seus idiotas! Não quero nenhum
moribundo sujo e cheio de germes perto de mim!
Em seguida as portas do elevador se fecharam e ela começou a
subir.
Enquanto estava se dirigindo ao andar indicado, a mente de Sayaka começou
a recapitular os acontecimentos de meia hora atrás.
Ela estava em seu quarto, em sua mansão nos arredores de Ginza,
olhando sem muito interesse para a televisão, que passava programas
de J-Pop, e consultando seu relógio de pulso, quase a todo instante.
Na última vez, que olhou para ele, os números digitais
marcavam duas e quinze da tarde. E, por esse horário, ela
sabia que Nomura e seus rapazes já teriam terminado todo o “serviço”
que ela lhes incumbira de fazer.
Um sorriso cruel brotou em seu rosto.
A qualquer momento, Nomura, conforme o combinado, iria lhe telefonar
para confirmar que sua vingança particular havia sido cumprida a
risca. E, é claro, mal podia agüentar de ansiedade e
curiosidade para saber de todos os detalhes, especialmente os mais cruéis
e sórdidos, do que Nomura e seus rapazes fizeram com aquela maldita
CDF.
Era uma pena que não pudessem gravar tudo em vídeo.
Mas, como Nomura havia dito, não podiam deixar qualquer pista do
que fizeram com essa garota que, mais tarde, pudesse cair nas mãos
da policia. Ela adoraria ver a fita com as barbaridades que eles teriam
submetido aquela desgraçada, metida a intelectual. Ouvi-la
gritar de dor e vê-la sofrer aquelas humilhações seria
algo que Sayaka assistiria em seu vídeo, varias e varias vezes,
sem se “enjoar” ou ficar com tédio.
Bom, o mais importante era que Amy tivesse levado seu merecido “castigo”
pela humilhação que fizera a passar no colégio.
Isso acabaria de uma vez com a pretensão daquela “subalterna”
de se mostrar melhor do que ela. E, ao mesmo tempo, serviria de aviso
para todos os alunos idiotas, daquele colégio miserável,
a pensarem duas vezes antes de ter a audácia de afronta-la.
Sim, pensava, Sayaka. A vingança é algo “muito
doce”...
O tempo estava passando e o telefone não tocava.
Nenhuma resposta de Nomura ou de algum de seus motoqueiros. E,
Sayaka começou a estranhar aquela demora. Mas, quem sabe?
Talvez, ainda estivessem se “divertindo” com Amy? Talvez, o suplicio
daquela metida ainda não tivesse terminado. Essa era uma idéia
que lhe agradava, mas, mesmo assim, gostaria de saber noticias do que estava
acontecendo.
Sayaka estava quase considerando a possibilidade de ela mesma ligar
para o celular de Nomura e perguntar por noticias, quando, de repente,
o programa de televisão que ela assistia foi, subitamente, interrompido.
Sayaka observou surgir na tela um conhecido repórter local,
com um microfone, com as siglas da emissora de TV estampadas, em punho.
Ele transmitia uma reportagem de fora dos estúdios, em uma das ruas
da cidade. O local lhe parecia levemente familiar...
Foi então que Sayaka sentiu como se o mundo todo desabasse em
cima de sua cabeça, quando reconheceu a rua de onde o repórter
estava transmitindo o noticiário: Era a rua onde, em seus
planos maquiavélicos, Nomura e os Jokers teriam encurralado Amy
e executado sua sórdida vingança.
Mas, o que ele estaria fazendo lá neste momento?
Antes que pudesse deduzir o que acontecera, o repórter começou
o seu relato:
- Boa Tarde! Sou Jiro Kaneda, da TKS Noticias! Estou numa
rua sem saída, no bairro de Ebisu, onde há pouco mais de
uma hora, aconteceu uma das brigas de gangues mais violentas da História
de Tokyo, segundo comentários dos policiais encarregados deste caso.
A famigerada gangue de motoqueiros delinqüentes, os JOKERS, famosos
pela sua reputação como arruaceiros e bandidos perigosos,
entraram em confronto violento nesta rua, cujo saldo final foi os espancamento
brutal e ferimentos graves em todos os vinte membros da gangue, além
da destruição de quase todas as motos da gangue. – disse
o jornalista, enquanto o seu “camera man” passava sua câmera por
toda a rua.
Sayaka arregalou os olhos de choque e estupefação; e
pulou para frente do aparelho de tv para melhor observar as imagens que
via. Um verdadeiro cenário de guerra:
Carros da policia e ambulâncias estacionados na entrada da rua,
policiais observando diversas motos destruídas e enfermeiros carregando
os motoqueiros, gravemente feridos, em suas macas. Um deles ela reconheceu,
imediatamente, como sendo Nomura. O rosto dele estava completamente
irreconhecível: todo inchado e ferido. Aparentemente, estava
com o nariz e o queixo quebrados, também! Se não fosse
sua roupa, talvez ela nem teria percebido que era ele...
Sua reação foi a pior possível. Incrédula
e chocada com o que estava vendo gritou furiosa:
- Maldição! O que foi que aconteceu? O que?
- gritou ela, em plenos pulmões, de ódio, sentindo
sua intuição dizer-lhe, que seu plano de vingança
contra Amy havia fracassado. E que aquela desgraçada havia,
de alguma forma, conseguido escapar de sua armadilha cruel. Mas,
como foi possível isso?
Como se respondendo a suas indagações o repórter
continuou o seu relato:
- ... Ainda não está esclarecido para a policia o que
de fato, realmente, aconteceu aqui, pois não houve nenhuma
testemunha ocular, devido a rua ser, geralmente deserta, com muito pouco
movimento de pedestres.
Entretanto, a policia trabalha com a hipótese de que os delinqüentes
se envolveram com alguma gangue rival e acabaram levando a pior. Esta é
a hipótese mais plausível, visto a gravidade com que todos
os motoqueiros, sem exceções, foram espancados. Muitos
com várias fraturas expostas por todo o corpo e outros com ferimentos
muito mais graves., como foi o caso do líder da gangue, Nomura Irai,
que esta sendo levado, com urgência, para a UTI do hospital Geral
de Tokyo.
Todos os demais feridos, também, estão sendo encaminhados
para esse hospital, onde ficarão sob observação médica
e prestarão depoimento aos policiais encarregados desse caso, assim
que suas condições de saúde melhorarem. O que
poderá levar algum tempo.
Voltaremos a qualquer momento com novas informações sobre
este caso! Obrigado pela atenção e continuem acompanhando
nossa programação normal... CLICK!!!
Sayaka desligou, furiosamente a televisão, e em seguida saiu
em disparada de sua casa em direção ao Hospital.
Ela cobraria explicações de Nomura e desses idiotas imprestáveis.
Custe o que custasse ela os obrigaria a falar o que diabos acontecera naquele
lugar e se haviam cumprido ou não sua “tarefa” com relação
aquela CDF. Coisa, que, intuitivamente, sabia que não ocorrera.
E ela arrancaria a resposta daqueles incompetentes, custe o que custasse.
Os seus pensamentos se dissiparam assim que o elevador chegou ao 3º
andar do hospital.
Saiu, feito uma bala, do elevador, quase trombando de frente com um
médico e começou a andar freneticamente pelo corredor a procura
dos quartos onde Nomura e seus motoqueiros estavam colocados.
Não foi difícil ela descobrir os quartos em que estavam:
Havia um som inconfundível de gemidos vindo nos quartos mais no
final do corredor, próximo a uma outra área sinalizada como
UTI.
Andou alguns metros a frente e parou diante de uma janela de vidro:
do outro lado via a área de Terapia Intensiva, onde viu Nomura,
deitado todo enfaixado no rosto e no corpo, com dois médicos monitorando,
a todo instante, os aparelhos ligados a seu corpo. Ele estava todo
entubado, com aparelhos ligados a seu corpo e monitorando-o seu estado
físico, a todo o instante:
- Esse teve sorte! Mais um pouco e, teria tido uma hemorragia
séria no crânio, em consequência do “linchamento” que
sofreu. – comentou um dos médicos para uma enfermeira de plantão,
parados próximos a onde Sayaka estava.
- Mas, irá levar meses para se recuperar... Coitado!
- Coitado nada! Você ouviu o que aquele detetive nos contou
sobre a “ficha criminal” que esse bandido tem? Esse canalha levou
o que merecia! Garanto-lhe que ao sair da UTI, vai passar muito tempo
andando de muletas na prisão...
- É, doutor! É como dizem: Aqui se faz, aqui
se paga! Não é verdade!
- E esse pagou com “juros altos” todos os crimes que cometeu.
Assim como esses outros dois motoqueiros dessa gangue, que estão
no quarto, aí da frente. – comentou o médico, sem perceber
que, acidentalmente, havia dado uma informação de onde estava
outros membros dos Jokers, para a moça a seu lado.
Sayaka entrou em um dos quartos e, por sorte, encontrou dois motoqueiros
que ela conhecia muito bem, deitados em duas camas de hospital, uma ao
lado da outra: SHIGUERO e TOGO.
Aproximou-se de Shiguero, pois, sua cama estava mais próxima
a porta. Além disso, ele parecia um pouco mais desperto, apesar
seu estado ser, visivelmente, lastimável: O seu braço
direito estava engessado, o peito e o tórax completamente enfaixados
e o lado esquerdo do seu rosto, estava completamente inchado. Percebera
que ele havia perdido alguns dentes nesta região, também.
Não era a toa que o rapaz gemia de dor: seu aspecto parecia
de alguém que fora atropelado por um caminhão ou coisa pior.
“Com mil demônios! O que aconteceu com ele?” – pensou
Sayaka. – “O que houve com os JOKERS, afinal de contas?”
Com os dentes cerrados de raiva e de frustração Sayaka
aproximou-se mais perto de Shiguero e, sem um pingo de consideração
por ele, colocou a mão pesadamente sobre o ombro engessado do motoqueiro,
e começou a sacudi-lo, violentamente, sem dó nem piedade:
- Acorde, seu inútil! Seu incompetente! Quero falar
com você....AGORA!!!! – rosnou ela de raiva.
- ARRRGGGHHH!!!! Meu braço! Meu Braço! –
gritou Shiguero, sentindo uma dor alucinante, em seu ombro e braço.
– Pare com isso, por favor! Ta doendo! Ta doendo! AAARRRGGGHHH!!!!!!
- E vai doer muito mais se você não me contar, direitinho,
o que quero saber: O que diabos aconteceu com vocês dois e
o resto da gangue? Como vieram para aqui...NESTE ESTADO ??!!
- ARRRGGGHHH!!! Eu conto! Eu conto! Eu juro! Mas,
pare de sacudir meu braço. Você está me matando
de dor... ARGGHHH!!!
- Pois, então, comece a falar, seu idiota imprestável!
– disse Sayaka, furiosamente, soltando e afastando a mão do
ombro engessado de Shiguero. O motoqueiro respirou aliviado, apesar
de sentir muita dor, e olhou para Sayaka, que ainda lhe perguntou. – Vamos
me diga: O que aconteceu? Vocês deram ou não um
jeito naquela maldita CDF? VAMOS, RESPONDA!!!!
- A gente... A gente... A gente seguiu seu plano, a risca...
Como você e o chefe haviam combinado... – começou relatar
Shiguero, ofegante, e sentindo ainda muita dor. - No horário
de saída da escola... a gente encurralou a tal garota da foto,
que você havia nos mostrado e, também, uma outra garota que
estava junto com ela, na hora....
- Outra garota? Quem? – perguntou Sayaka curiosa e, levemente, surpresa.
- Uma colega dela do colégio, eu acho. Sei lá!
Era uma garota loira de longas tranças...
- Serena Tsukino! Aquela paspalha! Então elas estavam
juntas, hein!? – disse Sayaka apara si mesma. Ótimo!
Ela não suportava aquela tapada, também. Se Nomura
e os rapazes a pegaram também, sua vingança teria sido muito
mais “doce”... – Hummm!!! Muito interessante! Mas, o
que aconteceu, depois? Fale logo!
- Como eu disse... Encurralamos as duas garotas naquela rua sem-saída,
marcada no mapa que você nos deu....
- Sim, mas, e depois? E depois?!
- Elas tentaram reagir e fugir da gente, é lógico!
Mas, não conseguiram. Colocamos a amiga dela a “nocaute”,
depois, que um dos nossos a golpeou forte na cabeça.
A outra, tentou ajuda-la, mas, acabamos por domina-la... Ela
ficou inteiramente a nossa mercê e, principalmente,
de nosso chefe...
Um cruel sorriso esboçou no rosto de Sayaka. Então,
pelo que Shiguero contava, eles haviam pego Amy. Então, pode
ser que tinham levado a cabo a vingança que ela planejara contra
Amy. E, com um pouco de sorte, essa idiota da Serena, também
teria “divertido os rapazes”...
- E depois? E depois? Fale logo!! – esbravejou ela, ansiosa
por saber o que houve em seguida.
- O chefe esbofeteou a garota e rasgou sua camisa escolar, com o canivete.
Aquele mesmo que você havia dado de “presente” para ele, com agradecimento
por aquele outro serviço, lembra?
- Sim! Sim! Eu me lembro. Mas, continue: O que houve
depois?
- A garota tentou proteger a amiga loira e chutou o chefe no “lugar
onde mais dói”. O chefe ficou maluco pela dor e a esbofeteou.
Depois, agarrou-a e disse que ele mesmo ia se divertir com ela e ordenou,
que o resto de nós, “cuidássemos” da loira caída ao
chão...
- Então, vocês cumpriram o combinado, não foi?
Deram uma “lição” naquela garota metida e na sua colega palerma,
não é verdade? – disse Sayaka sorrindo cruelmente, quase
como em êxtase. Não importava o que havia acontecido,
depois, desde que Nomura e os seus rapazes tivessem feito o “serviço
todo”. E, aparentemente, pelo que ele estava narrando, o “serviço”
parecia que tinha sido feito exatamente, como ela havia pedido.
Mas, a alegria de Sayaka durou pouco. Logo, percebeu que Shiguero,
hesitava em lhe dar uma resposta a essa pergunta crucial.
Sayaka na precisava ser nenhum gênio para perceber que ele não
queria responder, temendo sua reação. E a raiva e a
frustração de Sayaka voltaram a tona:
- O que foi, seu imbecil? Por que não responde?
Diga logo: Vocês deram uma lição nessas duas
cretinas ou não? FALE LOGO!
- A gente... A gente... Estava prestes a “se divertir”
com aquelas duas, mas... mas...
- Mas, o que, seu idiota? Fale de uma vez!
- Mas... Mas... Foi então que ELE apareceu...
Sayaka fez um cara de espanto e confusão. Parecia que
não havia escutado direito ou não compreendido muito bem
a resposta de Shiguero.
- ELE? Ele quem?
Ah! Você está querendo dizer “eles”, não
é? A outra gangue rival que o noticiário de TV mencionou,
não é? Quem foram? A turma do Yusuke? Só
podem ter sido eles, aqueles miseráveis traiçoeiros...
Esses malditos não podiam ter aparecido em pior hora! Intrometidos
desgraçados!
- Não apareceu nenhuma gangue rival, Sayaka! Somente...
ELE!
- O QUE?!? – gritou Sayaka, estupefada e chocada com o que estava ouvindo
daquele motoqueiro. – Você.... Você... Você
não querendo me dizer... que todo esse espancamento... e destruição
que houve naquela rua foi... foi... FOI OBRA DE UM ÚNICO
HOMEM!?!?!
UM SÓ HOMEM LIQUIDOU TODA A GANGUE DOS JOKERS!?!
SOZINHO?!?
- Não... Ele não era... um homem comum...
Ele mais parecia um demônio vingador, do que um ser humano normal.
Ele lutava com um verdadeiro demônio. Sua força...
suas habilidades de luta... ERAM SOBRE-HUMANAS!! – gritou Shiguero
com um medo visível em sua voz, só de se recordar do aparecimento
de Jimmy e de sua posterior derrota em combate nas mãos dele. –
Ele não era um ser humano comum... Não podia ser!
Da maneira como ele nos derrotou... “Destruiu” nossa gangue...
Só pode ser mesmo um demônio....
- Não é possível! Não pode ser verdade!
– dizia Sayaka insistentemente, não querendo acreditar no absurdo
do que aquele motoqueiro estava contando. Um só homem derrotou
sozinho os “Jokers”? E impediu sua vingança? Quem era
esse maldito intrometido? Quem?
Agora, mais do que nunca, Sayaka queria saber de tudo que havia acontecido
naquela rua. Tudo! E não sairia do hospital até saber
todos os detalhes do que se passou naquela rua.
- Vamos, seu idiota! Quero saber de tudo! Conte-me quem
era esse maldito intrometido. E o que aconteceu depois...
- Quem era ele?!? Eu já lhe disse: um Demônio!
E o que aconteceu em seguida... Foi um verdadeiro INFERNO....
Então, Shiguero começou a narrar todos os detalhes do
que havia acontecido, logo após o aparecimento deste rapaz misterioso:
A luta dos Jokers contra ele. O próprio combate dele contra
esse rapaz e sua vergonhosa derrota. Os detalhes seguintes, ele veio
a saber depois, através dos gritos de dor de Togo, ao seu lado e
de um dos motoqueiros que, inutilmente, tentara fugir no final da luta,
e que veio com ele na mesma ambulância.
De qualquer forma, ele contou tudo para ela, sem esconder nenhum detalhe
humilhante da derrota da gangue.
Quando terminou seu relato, o rosto de Sayaka havia se transformado
numa verdadeira máscara de espanto e incredulidade. Aquele
relato era assombroso si só: Um único homem, sozinho
e desarmado, vindo sabe se lá de onde, enfrentou e derrotou sozinho
uma gangue de motoqueiros mais “barra pesada” de toda a Tokyo.
Isso era algo difícil de acreditar, se não dizer impossível.
Ficou em silêncio, por um breve momento, olhando aturdida para
Shiguero, sem se mover ou falar nada.
Mas, foi só por um breve momento!
Logo em seguida, o rosto de Sayaka voltou a se transformar numa fisionomia
furiosa e vermelha de raiva. Quando, entendeu que seu plano de vingança
havia falhado miseravelmente. Amy havia escapado de sua armadilha
e, para Sayaka, era como se a garota tivesse mais uma vez a derrotado de
uma forma humilhante. Só que desta vez, Amy havia contando
com a ajuda da sorte e do destino, que lhe enviaram um “misterioso salvador”
ou um demônio, como Shiguero não para de alardear, em seu
socorro.
Então, não suportando mais esse golpe em seu orgulho,
Sayaka resolve descontar toda sua raiva e frustração em Shiguero,
esbofeteando-o, sem parar em meio a gritos e palavrões furiosos.
- Seus incompetentes! Bando de fracotes! Gangue de Merda!!
Como vocês todos puderam ser derrotados por um único homem!?
COMO!?! COMO!?! SEUS IMPRESTÁVEIS!! SEUS FRACOTES!!!!
- ARGGHHH!!! SOCORRO!!! SOCORRO!!!! ALGUÉM
ME AJUDE!!! TEM UMA MALUCA QUERENDO ME MATAR!!!! SOCORRO!!!!!
– gritava Shiguero, desesperado, em meio aos tapas e socos de Sayaka, que
feriam-no cada vez mais. O pobre motoqueiro não tinha como
se proteger, já que estava, literalmente, com as mãos e os
braços “amarrados”, pelos gessos e ataduras.
Era bem possível que, no descontrole de sua fúria, Sayaka
pudesse ferir Shiguero com gravidade, se duas enfermeiras e um médico,
que estavam de plantão naquele andar, não tivessem ouvido
os gritos desesperados de socorro de Shiguero e vindo em seu auxílio.
As enfermeiras logo agarraram os braços de Sayaka, mas ela se
debatia feito uma louca. Uma alucinada.
- Tirem esta maluca daqui! Ponham essa neurótica para
fora do hospital! – ordenou o médico, ao mesmo tempo que prestava
socorro, ao já debilitado, Shiguero.
Sayaka se debatia sem parar e foi quase impossível, as duas enfermeiras
retirarem ela do quarto. Porém, quando Sayaka se afastou do
leito de Shiguero, acabou, acidentalmente, aproximando-se do leito vizinho
onde estava TOGO. E, quando ela o viu, subitamente, para o espanto
do médico e das enfermeiras, ela se calou e ficou imóvel.
Seus olhos observavam, completamente arregalados, aquele que era considerado
o motoqueiro mais forte de todo o bando dos JOKERS. E por ela própria,
já que o tinha visto, algumas vezes, Togo “triturar” seus adversários
de forma implacável. Ninguém! Ninguém
mesmo, era páreo ante sua poderosa força física.
Contudo, agora, ela estava boquiaberta, atônita e sem palavras,
ao ver o estado em que, se encontrava, naquele momento, o outrora “gigante
de músculos”: Ele estava deitado no leito hospitalar. Totalmente
engessado, dos pés a cabeça, feito uma múmia.
Com aparelhos médicos presos a seu corpo, monitorando, sem parar,
suas condições internas, enquanto seus membros, pernas e
braços, engessados, estavam suspensos por finos arames de sustentação,
que os mantinham elevado do leito por alguns centímetros.
Era numa visão deplorável e ao mesmo tempo assustadora
para ela.
Togo fora “destruído”. Essa era uma palavra que melhor
definia a visão que estava tendo do derrotado “gigante de músculos”.
E, agora, Sayaka, podia ter uma idéia real da força e do
poder do adversário que os JOKERS enfrentaram. Seja ele quem
fosse, havia demonstrado, no estado lastimável em que deixou Togo,
a prova incontestável de sua supremacia absoluta sobre ele e os
demais “JOKERS” durante a luta.
- Mas, quem? Quem era esses sujeito? Quem era esse desgraçado
intrometido que estragou os meus planos de vingança? QUEM
ERA ESSE DÊMONIO MALDITO QUE ARRUINOU TUDO!!!!???? - gritou
Sayaka em plenos pulmões, ao mesmo tempo que as enfermeiras, finalmente,
a arrastavam-na para fora daquele quarto e, também, do hospital.
CENA 3:
Mansão Hara (QG de Shadow Moon)
Jimmy mal comeu o seu almoço, que ele mesmo havia preparado
para todos, naquela tarde, horas depois do incidente da rua sem saída.
E, a mesa, mal falara com Issac ou Rumiko., que estavam, sentados
a sua frente.
Estava sem fome e com a mente divagando ao longe. Só que
desta vez, não pensava obcecadamente, como de costume, sobre o “Anjo
Branco” ou sobre a missão que deveria levar a cabo naquela noite.
Não! Agora, algo havia mudado dentro de si: Estranhamente,
sua mente recordava-se, apenas, do incidente daquela tarde:
Primeiro, sua vitória sobre aqueles miseráveis covardes.
Mas, também, como cometera o erro de ser pego de surpresa por aquele
idiota musculoso e como quase isto lhe custou a vida. Se não fosse
aquela garota ter intervindo em seu auxílio e lhe dado preciosos
segundos para energizar o seu KÍ, talvez não tivesse escapado
com vida.
Sim, aquela garota. Na verdade era a recordação
dela, de seu rosto singelo, de sua voz suplicante e amável, de seus
olhos cintilantes e de sua aura clara e límpida, que ocupavam a
sua mente, agora. Não consegui tirar a lembrança dela
de sua mente, por mais que tentasse se concentrar em sua missão
de vingança.
A simples recordação daquela garota lhe trazia uma sensação
de paz, que ele não conseguia ter, há vários dias
e noites, desde o massacre no CARANDIRÚ 5. Por que?
Por que ela não conseguia tirar o rosto daquela garota de sua mente?
Por que não conseguia esquece-la e se concentrar apenas em sua missão
de pegar o “ANJO”?
E por que, bem no fundo de seu coração, nutria um secreto
desejo de... reencontra-la?
Jimmy se surpreendeu com este último raciocínio.
Isto não era, algo apropriado, para um ninja como ele pensar naquele
momento. Tinha que tirar estes pensamentos fúteis de sua cabeça
e se concentrar em sua missão, apenas isso. Só a missão
era importante! E ele faria de tudo para realizar sua tão
ansiada vingança contra o “Anjo Branco”.
E nada e nem ninguém iria desvia-lo desse seu objetivo!
Nada!
- Diga-me, meu neto: O que foi que aconteceu esta tarde, para
que você voltasse a mansão com estes “ferimentos leves” e
sua camisa totalmente rasgada? – perguntou, subitamente, Rumiko, levando
sua mão a um bule de chá e despejando o seu conteúdo
numa xícara, ao mesmo tempo.
- Sim, vovó! – respondeu Jimmy respeitosamente para Rumiko enquanto,
começava a relatar tudo que lhe acontecera.
Rumiko sorvia, calmamente, seu chá verde, enquanto ouvia Jimmy
relatar-lhe, com detalhes, tudo que ocorrera no inicio daquela tarde:
a aparição de uma mulher misteriosa pedindo socorro e sua
luta contra a gangue de motoqueiros, em defesa de duas estudantes colegiais.
Ao terminar seu relato, Rumiko censurou-o por ter sido pego de
surpresa por um adversário “infinitamente inferior” a ele em força
e em KÍ.
- Se sua mente estivesse em “equilíbrio”, jamais teria sido
surpreendido de maneira tão estúpida e amadora, seu tolo!
Amanhã, quero que dobre o tempo de seus exercícios de
meditação e combate “nas sombras”, meu neto! Não
admitirei outro “erro infantil” como esse.
- Sim, Vovó! Reconheço minha falha. E sei que,
para um ninja do meu grau de combate e perícia, foi um erro imperdoável.
Não cometerei outro desleixo como esse, prometo! Peço-lhe
minhas sinceras desculpas!
- Muito bem! Amanhã bem cedo, começaremos os treinamentos,
sem falta!
Hoje, contudo, você tem duas importantes missões a cumprir,
esta noite.
Issac, que estava também a mesa, devorando um delicioso prato
de KYODON (arroz japonês com pedaços de carne, ovo e molho
de soja), fez uma cara de confuso. Com a boca cheia, ainda mastigando
a comida, perguntou:
- Duas missões, vovózinha? Pensei que só
tínhamos um trabalho a fazer esta noite: Colocar os sensores
de vigilância na casa da tal de Serena... – perguntou Issac mastigando
a comida.
- Não me chame de “vovózinha
\n';
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}
}
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”, seu desbocado! Eu
não sou sua avó! – disse ela rispidamente. – Quanto a sua
pergunta: Sim, o plano original prossegue: Esta noite, assim
que escurecer, meu neto irá até a casa dessa menina e, sorrateiramente,
entrará lá para instalar os “sensores de vigilância”.
Com eles poderemos acompanhar, vinte quatro horas por dia, tudo que
acontece naquela casa. Caso ela e sua família sejam atacados
pelo “anjo”, saberemos imediatamente, e iremos em seu socorro.
- Esses sensores de vigilância que você inventou, Issac,
são muito úteis. – afirmou Jimmy. – Pequenos e portáteis.
Do tamanho de uma pequena caixa de fósforo. Fácies
de levar e de instalar, sem que os moradores daquela casa percebam.
Creio serem, uma de suas melhores invenções, meu amigo!
– disse Jimmy, sinceramente, congratulando seu amigo pelo seu invento.
- Obrigado, Jimmy! Faço o que posso! As vezes, minhas
invenções podem ser de grande valia, como é neste
caso.
Fico feliz, em saber que estes meus sensores poderão nos ajudar
a proteger aquela família, caso aja problemas.
Caso não aja necessidade, pelo menos teremos um “reality show
exclusivo” para assistirmos. Só espero que este seja bem mais
interessante do que aqueles programas “sem graça” que passam lá
no Brasil e ... AAAIII!!!! – gritou Issac de dor ao levar um tapa
de Rumiko na cabeça. – Poxâ, “vovózinha”! Isso
doeu, viu?!
- Seja sério, seu desavergonhado! O assunto é importante.
E NÃO ME CHAME DE VOVOZINHA!!!! – resmungou Rumiko, furiosa.
- Caramba, tem alguém aqui que acordou hoje de mau-humor, hein??!
– murmurou Issac, enquanto acariciava o local do tapa em sua cabeça.
- Você disse alguma coisa, seu grande safado!? – perguntou Rumiko
com um olhar fuzilante e severo para Issac. Este por sua vez, “fez
caras e bocas”, fingindo surpresa:
- Quem? Eu? Imagina, “vovózinha”! Eu não
disse absolutamente nada. Só estava imaginando, que outra
missão é essa que tem para o Jimmy...
- Eu já lhe disse para...
- Vovó! Issac! Chega dessa discussão inútil, por
favor! – pediu Jimmy aos dois com seriedade. - Se vocês puderem
parar com isso, gostaria de saber da senhora, vovó, que outra missão
é essa, que eu não estava sabendo até agora.
- Pois, muito bem, Jimmy! Eis sua outra tarefa para esta noite.
– disse ela, ao mesmo tempo, que colocava um objeto envolto em lenços
de seda coloridos, sobre a mesa.
- Oba! O que é isso? Um presente para dar para alguém?
– disse ironicamente, Issac, como se tivesse fazendo uma de suas piadas
inconvenientes.
- Exatamente! – disse Rumiko, secamente.
- Ta falando sério, vovozinha? - disse Issac surpreso.
– Pessoal, eu só falei isso brincando...
- Isso é sério, Issac! Não é uma
piada! E sei exatamente o que é que está embrulhado,
debaixo desses lenços.
Com sua permissão, vovó!
A velha senhora fez um aceno positivo e Jimmy começou a desembrulhar
o embrulho cuidadosamente. Quando finalmente, revelou seu conteúdo,
Issac ficou maravilhado com a fina e ricamente adornada peça que
estava vendo e assoviou:
- FIIIUUUU!!!!! Mas, que peça bonita! O que é
isso? Uma das peças raras lá da galeria de artes?
Se é, por que, a trouxe consigo nesta viagem, vovozinha?
- Eu já lhe disse para... – começou Rumiko a se prepara
para responder furiosamente para Issac, mas, Jimmy rapidamente, interveio.
- Vovó! Por favor! Deixe-me que, explicarei tudo
para o Issac, ok?!
- HUNFFF!!! Como queira! – Concordou ela, irritada.
Jimmy fez um breve relato da história da ADAGA com o desenho
da “Lua Crescente” e como fora dada aos seus ancestrais pela “soberana
da Lua”, séculos áreas. Também, contou da promessa
e do juramento que fizeram de, um dia devolver, a adaga ao seu “legitimo
dono”.
Quando terminou o relato, sua avó concluiu:
- Sim, meu neto! E esta noite, você irá cumprir
o juramento de seus ancestrais. Hoje á noite, você irá
encontrar o legitimo herdeiro dessa arma milenar. Assim, os “espíritos”
me falaram durante minhas orações desta tarde.
- Mas, quem, vovó? Quem é esta pessoa a quem deverei
entregar este objeto tão valioso? E onde irei encontra-lo? – perguntou
Jimmy confuso com aquelas enigmáticas charadas de sua avó.
- Não se preocupe com isso, meu neto! Tudo acontecerá
em seu devido tempo e da maneira como as “forças espirituais” decidirem.
Apenas, prepare-se para a grande provação que lhe espera
esta noite?
- “Grande provação”? Mas, vovó, eu não
entendo...
- Basta! Já falei o que precisava saber. – disse Rumiko,
secamente, pondo um “ponto final” naquela conversa. - Esteja pronto
e alerta para esta noite. E cumpra, sem falha, suas duas missões!
Antes, que Jimmy ou Issac pudessem falar ou perguntar mais alguma coisa,
Rumiko levantou-se da mesa, abruptamente, e se retirou da sala.
Houve um breve silêncio a mesa, enquanto os dois amigos, absorviam
em silêncio aquelas misteriosas palavras ditas pela anciã.
Finalmente, Issac acabou falando:
- Será que impressão minha, ou está acontecendo
alguma outra coisa, muito mais séria, do que somente a caçada
ao “Anjo”? E que somente nós dois não estamos sabendo?
- Você também percebeu isso, não é, Issac?
- Sim, Jimmy! Percebi! E confesso a você que, depois
do que a vovozinha falou agora, estou começando a ficar com “calafrios”...
Esse papo de “espíritos” com que ela fala, me deixa sempre com
os “cabelos brancos” de medo e em pé. E olha que ela não
comentou nada, quando você lhe falou sobre a misteriosa mulher, que
lhe pediu socorro para aquelas duas garotas, já sabendo, de antemão
o seu nome...
Deus do céu! Alguém aqui pode me explicar, “racionalmente”,
o que é que está acontecendo aqui?
- Infelizmente, Issac, precisaremos esperar até a noite para
conseguirmos nossas respostas. – disse Jimmy, pensativo, enquanto olhava
o relógio de parede da sala de jantar e constatava, que faltava
umas cinco horas para começar a escurecer.
Logo, logo, Shadow Moon sairia atrás das respostas... e de vingança,
também!
CENA 4:
Antiga Fabrica de Plásticos “Iwata” – Subúrbios
de Tokyo (Esconderijo de Malachite e da Rainha Beryl)
- Está tudo pronto, majestade! – anunciou com um sorriso cruel
o dr. Átila, ao mesmo tempo, em que se curvava, respeitosamente,
a mulher sentada num trono de aspecto vegetal. – Irei iniciar o processo
de mutação genética assim que a senhora, ordenar,
majestade!
- Muito bem, doutor! Prossiga! – ordenou a rainha Beryl.
- Às suas ordens majestade! – disse o cientista, curvando-se,
respeitosamente para ela, mais uma vez, e, imediatamente, retornando
ao painel de controle, a poucos metros de distância, de onde iria
iniciar uma terrível experiência.
Beryl e Malachite, parado em pé a seu lado, não disfarçavam
a ansiedade de ver o inicio da grande experiência de mutação
genética do dr. Àtila, cujo resultado seria extremamente
importante para os planos de Beryl e Malachite, não só com
relação a sua vingança pessoa contra as Sailors, como,
também, para a posterior conquista de todo o mundo.
Pouco depois, da experiência genética, que, “reconstruiu”
o corpo da Rainha Beryl, na tarde do dia anterior, o esconderijo dos vilões
sofrera uma radical metamorfose:
De posse de seus poderes a plena força, a rainha Beryl não
hesitou em testar seu poderes maléficos, agora muito maiores e mais
fortes, graças a “genialidade científica” do dr. Àtila.
Ela resolveu dar aquele esconderijo, um aspecto “mais adequado”, digno
de abrigar a soberana do Negaverso:
Primeiro, reconstruiu seu trono real, fazendo surgir, do chão
uma gigantesca raiz de arvore retorcida e de aspecto macabro. Ainda
com o seu poder, moldou a raiz vegetal e a fez tomar forma de um imenso
trono.
Agora, a rainha Beryl sentia-se completa! Estava sentada, novamente,
a um trono que lhe fazia jus a sua “realeza e poder” e com o seu “cajado
real”, em uma de suas mãos.
O passo seguinte foi transformar todo o local, para lhe dar um aspecto
semelhante, o maxímo possível, ao seu antigo palácio
no NEGAVERSO. O que fez em menos de uma hora, graças a seus
poderes renovados.
Agora todo o esconderijo apresentava um aspecto lugrube e medonho,
com estranhas folhagens, caule, cipós e raízes, se alastrando
nas paredes, no chão e no teto do esconderijo.
Sim, agora, Beryl e Malachite podiam se sentir realmente como se estivessem
de volta ao NEGAVERSO, enquanto o dr. Àtila ficava admirado com
os poderes extraordinários da rainha Beryl, em ação.
Via possibilidades incalculáveis para suas futuras experiências
genéticas.
Já Quimera e o Lunático, que ficavam atrás de
Malachite, conforme ordenara, reagiam a tudo que acontecia, em sua volta,
de forma diferente, cada um deles:
O Lunático demonstrava certo medo em estar naquele lugar, agora,
com aspecto tão medonho. Se pudesse preferia fugir de lá.
Mas, não era tolo de fazer uma tolice dessas, já que sabia
perfeitamente, que o “Anjo” o caçaria onde quer que ele fosse e
quando o encontrasse...
Seria a morte certa! E ele sabia disso muito bem.
Portanto, ficou calado, e observando o desenrolar da experiência,
sem esconder seu medo interior. E torcer para não acabar “molhando”
suas calças....
Enquanto isso, Quimera, simplesmente, rosnava baixinho.
Mas era um rosnado cheio de ódio e desejo de vingança
contra o “Anjo”, que o mantinha aprisionado sob o seu poder e influência.
Que o obrigava a servi-lo como um escravo! Maldito!
Mas, Quimera seria paciente. Haveria em algum momento uma chance
para se vingar de tamanha humilhação. Então,
todos, absolutamente, todos pagariam com suas vidas. A começar,
é claro, pelo “Anjo”...
O dr. Átila estava eufórico.
Estava a ponto de realizar uma de suas maiores experiências de
mutação genética de toda a sua vida. Com o material
das “sementes do Negaverso”, já devidamente, “refinado” e combinado
com DNAs mutantes, desenvolvidos por ele próprio ao longo de vários
anos de pesquisas proibidas pelo conselho medico brasileiro, o dr. Átila
estava a ponto de criar uma nova e incomparável geração
de monstros genéticos, jamais idealizados antes.
Uma legião, que segundo acreditava, seriam os grandes guerreiros
monstros do novo NEGAVERSO: a tropa de elite da rainha Beryl e de Malachite
na conquista do mundo.
Era uma experiência que teria dois seguimentos:
O primeiro, seria a criação de uma tropa regular de soldados
monstros mutantes, que criaria a partir do DNA da aranha “Tarântula”,
com o DNA das “sementes do Negaverso”, conforme sua própria sugestão
a Rainha Beryl e Malachite. Ambos solicitaram ao cientista que criasse
soldados poderosos, não muito inteligentes, e que obedecessem as
ordens dos dois, sem questionar. Mesmo a custa de suas próprias
vidas.
É claro, que, essas criaturas, poderiam ser perfeitamente dispensáveis,
se preciso fosse.
Sua sobrevivência, não poderia ser mais importante
que a dos “soldados de elite de Beryl”. Esses sim, monstros de alto
grau de poder, cuja missão seria a destruição das
Sailors. Para isso, Malachite, exigiu do Dr. Átila que seguisse
suas instruções de como queria que fossem criados e de que
modo, seria o processo de metamorfose deles.
Átila ficou, simplesmente, “encantado” com as idéias
proposta por Malachite e disse que os “monstros de Elite” seriam criados
de acordo com as suas especificações exatas.
Malachite sorriu. Não duvidava que o dr. Átila
faria tudo conforme sua ordens.
Agora chegara o momento da primeira fase de suas experiências:
A criação dos soldados monstros.
O dr. Àtila cuidadosamente abriu um compartimento, de um imenso
aparelho e, lá de dentro, tirou, em meio a vapores de produtos químicos
misturados, uma enorme vasilhame transparente. Dentro dele havia
dezenas de objetos minúsculos, semelhantes a pequenas “bolinhas
de gude”. Só que estas eram de aspecto diferente, de cor alaranjada,
cobertas por uma espécie de casca e com filamentos, semelhantes
a minúsculas veias, bombeando líquidos dentro delas.
Essas “bolas de gude” de aspecto bizarro e horrível, mexiam-se
incessantemente, como se estivessem vivas. E estavam!
- A combinação genética foi bem sucedida, majestade!
Os espécimes já se encontram em “fase embrionária”.
E prontos para serem... “chocados”!! He! He! He! – avisou o cientista
sem esconder seu riso de satisfação ao ver que tudo estava
transcorrendo bem.
A experiência seguia seu curso como o planejado.
- Vamos doutor! Não me deixe mais ansiosa do que estou:
Traga-me a minha tropa à vida! Já! – ordenou a rainha
Beryl, mal conseguindo conter a sua impaciência para a conclusão
daquela experiência.
- Imediatamente, majestade! – disse o dr. Átila, caminhando
para o centro do laboratório e colocando o grande recipiente no
chão. Bem de baixo de um enorme aparelho, com uma aspecto
bizarro e estranho, que se assemelhava um pouco com um “canhão de
luz”, destes que haviam em boates e discotecas.
Em seguida, o cientista retornou ao painel de controle e acionou alguns
botões.
No mesmo instante, uma onda de energia percorreu o imenso “canhão
de luz” iluminando seu interior com uma luz de côr verde-avermelhada,
cada vez com mais intensidade.
Até que, quando, o “Canhão de luz” parecia ter alcançado
o seu ponto de saturação e de limite, o dr. Átila
agarrou, com força, uma alavanca, de seu painel de controle, e puxou-a
para baixo, abruptamente, ao mesmo tempo, em que gritava, extasiado, a
plenos pulmões:
- SURJAM! ABOMINÁVEL TROPA DE MONSTROS MUTANTES...ARACNÓIDES!!!!!!!
Um som estridente ecoou por todo o laboratório!
Ao mesmo tempo, o canhão de luz disparou, num tiro direto para
baixo, uma espécie de raio verde-avermelhado, que atingiu em cheio
o recipiente com as “bolinhas”, penetrando-as por completo. Então,
segundos depois, o recipiente explodiu, espalhando as bolinhas pelo chão
do imenso laboratório.
Malachie e a Rainha Beryl abriram um largo sorriso de êxtase
ao ver que as bolinhas, aumentaram de tamanho, instantaneamente, até
que atingiram o tamanho de um imenso ovo, que se quebraram, na mesma hora.
De dentro deles, saíram umas criaturas horripilantes, de aspecto
humanóide, mas com feições faciais que se assemelhavam
a aranhas. Tinham duas pernas, o que permitiam que elas ficassem
de pé, mas as semelhanças como humanos terminava aí:
Possuíam quatro braços, com garras em lugar de mãos.
Tinha uma pele coberta com pelos negros e sua voz (se é que tinham)
era um tipo de chiado incompreensível.
Havia agora um total de 50 “aracnóides” a frente de Malachite
e da rainha Beryl, movimentando-se sem parar, como se estivessem aguardando
o comando dos dois.
A rainha Beryl não os fez esperar muito. Levantou de seu
trono e com autoridade gritou, empunhando seu cajado:
- De joelhos, Aracnóides! Sua soberana vai falar! – gritou
Beryl.
Imediatamente, a monstruosa tropa se curvou e ficaram parados em posição
de prontidão.
Malachite sorriu. Era obvio que estes monstros eram inteligentes
o suficientes para entender e obedecer as suas ordens. Seriam soldados
excelentes.
Beryl continuou seu discurso:
- Hoje se inicia uma nova era para este planeta miserável!
Começamos agora os primeiros passos para a conquista definitiva
do planeta Terra e a reconstrução do glorioso reino do Negaverso!
Os Aracnóides começaram a se agitar e emitir seus sons
estridentes. Como ovacionando sua soberana.
- Um reino novo e poderoso cujos pilares serão construídos
sobre os túmulos das malditas Sailors!!!! – disse Beryl cerrando
os dentes de ódio e fúria – Somente elas é que estão
em nosso caminho de conquista... E PRECISAM SER DESTRUÍDAS!!!
Houve uma nova agitação. Os Aracnóides ansiavam
pelas ordens de ataque de sua rainha:
- Elas tem que morrer, meus aracnóides! Especialmente, sua líder:
a princesa da Lua SAILOR MOON!
MORTES AS SAILORS! MORTE A SAILOR MOON!!!!
Que o sangue dessas malditas sirvam como “batismo” para nossa guerra
total contra a patética raça humana.
Houve uma nova e ainda maior agitação entre os aracnóides,
quando Beryl concluiu seu discurso:
- TRAGAM ME AS CABEÇAS DAS MALDITAS SAILORS EM UMA BANDEJA DE
PRATA!!!!! Há! HÁ! HÁ!
MAS QUE SAILOR MOON E TUXEDO MASK SEJAM ACORRENTADOS E ARRASTADOS ATÉ
MIM. PARA QUE SOFRAM UMA CRUEL E INFINDÁVEL TORTURA EM MINHAS MÃOS
ANTES DE MORREREM, TAMBÉM!!!!!! HÁ! HÀ! HÁ!
Os Aracnóides estavam alvoroçados. E prontos para
entrarem em ação!
A Rainha Beryl sorriu, cruelmente! Finalmente, iria iniciar seu
plano tão ansiado de vingança contra Sailor Moon e suas comandadas.
Só que ainda faltava um detalhe importante, que não podia
faltar em seus planos.
Voltou a sentar em seu trono e virou-se para Malachite, dizendo-lhe:
- Iniciem a segunda fase, imediatamente. Enquanto isso vou me
ausentar por um instante... – disse Beryl num tom de mistério.
- Para onde vai minha rainha? Quer que eu ou um de meus “servos”
a escoltem? – perguntou, preocupado Malachite, estranhando aquelas palavras.
- Não precisa se preocupar, meu fiel Malachite! Não
vou me demorar! Só vou me encontrar com uma “velha amiga”
e já volto... He! He! He! – disse ela num tom enigmático,
ao mesmo tempo que se tele-transportava para um destino desconhecido.
Malachite nada disse ou esboçou reação. Sabia,
perfeitamente, que sua rainha, com seus novos poderes, poderia muito bem
se proteger sozinha. E aí quem atrevesse a se intrometesse
em seu caminho...
Tratou logo de cumprir suas últimas ordens.
Virou-se para o dr. Átila e ordenou-lhe:
- Dr. Átila! Inicie, já, a segunda fase da experiência
de mutação genética!
- Como quiser, meu caro “Anjo”!
Imediatamente, o dr. Átila se dirigiu a um outro aparelho, que
tinha a aparência bizarra de um enorme “micro-ondas” com vários
fios, bobinas e um recipiente raso, parecido com um “prato fundo de sopa”.
Tirou dos bolsos dois enormes tubos de ensaios: Um deles de cor verde,
continha o “DNA aperfeiçoado e refinado” de uma das sementes do
Negaverso. O outro, com conteúdo vermelho, continha o DNA
de uma das experiências secretas e proibidas do dr. Átila.
O cientista derramou o conteúdo dos dois tubos no “prato”, e
imediatamente, a mistura de ambas provocou uma reação de
gases e borbulhos. O dr. Átila sorriu ao observar os líquidos
se misturarem, e, rapidamente, correu de volta para o painel de controle.
Mais uma vez, acionou seus comandos, e, logo o aparelho de “Micro-ondas”
começou a ser varrido por energias caóticas e multicoloridas.
Muito mais poderosas e perigosas do que as utilizadas para a criação
dos Aracnóides, instantes atrás.
Depois de alguns instantes, tudo cessou! Automaticamente, o “aparelho”
empurrou o “prato” para fora do seu interior através de uma base
metálica, abaixo do “prato”.
O dr. Átila retornou para perto do aparelho e ao olhar o interior
do prato, sorriu com cruel satisfação.
Sem conseguir mais conter a ansiedade, Malachite gritou nervoso:
- E então? Deu certo? Fale!
- Por que você mesmo não vem até aqui dar uma olhada,
meu caro “Anjo”? He! He! He! Creio que você terá uma
“bela surpresa”...
Malachite se tele-portou no mesmo instante de onde estava para se materializar
ao lado do dr. Átila. Olhou para a mesma direção
que ele, e o que viu fez seus olhos se arregalarem de surpresa e um sorriso
maligno surgir em sua face, instante depois.
Depois de sofrer uma bombardeio de energias desconhecidas no estranho
aparelho, a misteriosa mistura genética feita pelo dr. Átila,
sofreu uma radical e misteriosa metamorfose: Já não
mais havia uma mistura borbulhante de líquidos e gases, mas, sim
uma repugnante criatura, com o tamanho não muito maior do que uma
palma de mão.
A pequena criatura tinha um aspecto de uma horripilante, semelhante
a uma “ameba”. Ela não tinha olhos e nem membros, contudo
ostentava uma minúscula e afiadas presas, em algo que lembrava,
vagamente, uma boca.
A pequena criatura soltou um horripilante rugido, que apesar de pequeno,
era aterrador.
Malachite pegou a criatura e ficou observando-a rugir, na palma de
suas mãos por alguns instantes, depois, sorriu para o dr. Átila
e lhe disse:
- Parabéns, doutor! O sr. conseguiu mais uma vez!
Realizou um excelente trabalho ao criar esse primeiro... PARAZITÓIDE!
He! He! He!
- Agora só precisamos arrumar um “hospedeiro” humano adequado
para que ele atinja o “Estágio Maximo”, meu caro “Anjo”! Então,
a experiência ficará concluída, de fato.
- Não se preocupe, doutor! Acharei a pessoa apropriada
para o nosso “Parazitóide”. E farei isso ainda hoje!
Só estou esperando por uma informação de meus...
Malachite não terminou a sua frase.
Seu telefone celular, em seu bolso, tocou, e ele atendeu-o com a outra
mão livre.
Do outro lado da linha, uma voz masculina lhe passava a preciosa informação
que ele estava aguardando...
CENA 5:
No lado de fora da lanchonete “THE CROWN”. No final daquela
mesma tarde.
As garotas e Darrien haviam passado, praticamente, a tarde toda
na lanchonete, conversando e tentando, de todas as maneiras, animar Amy,
ainda muito abalada como os acontecimentos daquele dia.
E ao saírem da lanchonete, Rei estava decidida a fazer
com que todas as suas amigas, especialmente, Amy, aceitassem o seu “convite”
feito, instantes atrás na mesa da lanchonete:
- Sem discussões, Amy! Já está decidido e
não aceitarei um “não” como resposta! – disse Rei de forma
firme e irredutível.
- Mas, Rei eu não quero atrapalhar nem você e nem as meninas...
– disse Amy, meio que encabulada.
- Que atrapalhar coisa nenhuma! Vai ser um grande prazer para
mim, como sempre, hospeda-las, neste fim-de-semana, lá na minha
casa.
- OBA! QUE LEGAL! VOU COMER AQUELES DELICIOSOS PRATOS FEITOS
PELO NIKOLAS! OBA! OBA! – gritava Serena, infantilmente, enquanto
sua cabeça imaginava os pratos culinários que Nikolas, o
ajudante do avô de Rei, costumava a fazer, quando Rei trazia suas
amigas para estudarem ou passarem uma ou duas noites, lá, ocasionalmente,
a convite de Rei
Darrien e as outras meninas olharam-na com certa vergonha por vê-la
se comportar tão infantilmente.
- Serena! Por favor, comporte-se! – pediu Lua com certo incomodo.
- Ops! Desculpe-me! Acho que me empolguei! Mas, é
que o Nikolas cozinha quase tão bem como a Lita.
- Você é uma gulosa incorrigível, Serena! – afirmou
Rini.
- Sua Chata! – disse mostrando a língua. Rini fez o mesmo
em resposta!
Amy sorriu de maneira meiga. Enquanto Rei voltava-se, novamente,
para ela:
- Vamos Amy! Vai ser bom para todas nós ficarmos juntas,
nesse fim-de-semana. Com uma fazendo compania para outra. Ainda
mais, depois de tudo isso que aconteceu, hoje!
- Eu sei, mas...
- Rei está certa, Amy! – disse Lita entrando na conversa. –
Não é bom você ficar sozinha, neste fim-de-semana,
lá na sua casa. Lembre-se que sua mãe foi, ontem, para
Kobe, para uma conferência médica importante, e só
estará de volta na terça-feira.
E nenhuma de nós ficaríamos tranqüilas em saber
que você está, sozinha, em sua casa.
- Além do mais, você e as meninas precisam estudar para
as provas deste fim de mês. – Lembrou Lua. – E não preciso
lembrar que “uma certa colega” sua não foi nada bem nos últimos
exames escolares. E que sua média geral está uma vergonha!
– disse a gata preta olhando com um ar de censura, para Serena, que ficou
com o rosto todo envergonhado. Darrien a olhou com um severo olhar
de censura para sua namorada, também.
- É! Conheço uma outra menina que está na
mesma situação... – disse Ártemis, olhando, também
com reprovação para Mina.
- É verdade! Serena e a Mina são duas preguiçosas
e “cabeças-de-vento”. Se a Amy não está perto
para ensina-las, não conseguem de maneira alguma fazerem suas lições
de casa e muito menos estudarem... – “alfinetou” cruelmente Rini.
- CALA BOCA SUA LINGUARUDA!!!! – gritaram Serena e Mina ao mesmo tempo,
enquanto que cada uma puxava uma trança da menina de cabelos rosa,
fazendo a pobre criança gritar de dor.
- Serena! Mina! Comportem-se! – exclamou Darrien.
- Essas duas não tem jeito mesmo! Que vergonha! – concluiu Haruka
para Michiro, que estava parada ao seu lado.
A confusão estava formada, como sempre, e Amy , sem outra opção
resolveu aceitar o convite de Rei. No fundo, no fundo, ela não
queria ficar sozinha enquanto sua mãe estava fora.
- Meninas! Meninas! Por favor! Acalmem-se!
Eu vou aceitar o convite da Rei. Podemos ficar lá este fim-de-semana
e por os estudos em dia.
- Verdade, Amy? – perguntou Rei, com seriedade.
- Sim! – acenou Amy, afirmativamente, com um aceno de cabeça.-
Gosto de passar alguns dias em sua casa Rei. Além de ser um
lugar tranqüilo para estudar o templo de seu avô é muito
bonito, também. Sem contar que seu avô e o Nikolas sempre
nos recebem com muita hospitalidade e carinho.
Sim, Rei! Aceito o seu convite! Vou gostar de passar o
fim-de-semanas com as minhas amigas mais queridas.
- Que bom, Amy! Fico feliz em ouvir isso! –disse Rei satisfeita.
Afinal, era muito difícil alguém dizer-lhe um “não”.
Ela sabia ser muito convincente e insistente quando queria.
- Eu também, Amy! – disse Serena, gentilmente. – Você
vai ver que se sentirá melhor até segunda-feira. E
esquecer todo este pesadelo que passou. Pode contar comigo, minha
querida amiga.
- Com todas nós! – completou Lita.
- É isso aí! – respondeu Mina fazendo um gesto com o
polegar para cima.
- Eu e a Hotaru podemos passar o fim-de-semana em sua casa, também?
– perguntou Rini.
- Mas é lógico que podem! – disse Rei com um largo sorriso
para as duas crianças. Mas, depois, virou-se para Haruka e
Michiro e com a face séria e tom frio na voz, completou- Vocês
duas podem ficar, lá em casa, também... Se quiserem!
- Não obrigada, Rei! Eu e Michiru temos outros compromissos
para este fim-de-semana. E deixar seu avô tarado e incompetente,
olhar pelo buraco da fechadura enquanto eu e Michiru estamos tomando banho,
não está nos meus planos, nesse nosso retorno ao Japão.
- Como é que é? Sua desaforada! Retire o
que disse! Sua... Sua...
- Calma, Rei! Procure manter a cabeça fria. – pediu Lita.
- Não vamos brigar agora, meninas. – pediu Lua.
Haruka virou-se para Hotaru.
- Você pode p
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assar esse fim-de-semana com elas, se quiser, Hotaru!
Eu e Michiru podemos vir te buscar, na segunda feira, de manhã.
- Não! Eu vou para casa junto com vocês duas. –
respondeu Hotaru para a decepção de Rini.
- Hotaru!
- Me desculpe, Rini. Mas, voltamos de viagem, ontem a noite e
não tive tempo de arrumar as minhas coisas na casa de Haruka e Michiru.
Além disso, preciso preparar meus livros e cadernos, com as lições
atrasadas até segunda-feira.
- Ah, que pena!
- Não fique com essa cara. Podemos combinar na segunda-feira,
depois do colégio, de nos encontrarmos aqui, na porta da lanchonete
do Andrew para tomarmos um milkshake. Que tal?
- Ta bom! Fica combinado! – disse Rini meio triste, mas feliz
que iria encontrar a amiga, depois de amanhã.
- Nós também, viremos aqui na segunda, nesse mesmo horário.
Podemos nos reunir, todas nós... – sugeriu Michiru.
- Combinado! – disseram todas as meninas em uníssono.
- Também preciso ir embora. Tenho um monte de trabalho
me esperando no computador lá em casa. – disse Darrien.
- Mas, já Darrien? Pensei que você fosse ficar um
pouco mais comigo? – reclamou Serena, cheia de dengo.
- Não se preocupe, meu amor! Te ligo hoje a noite!
E amanhã, dou uma passada no templo para passarmos a tarde toda
juntos.
- Ai! Ai! Meu coração parece que vai explodir! – exclamou
Serena apaixonadamente. – O Darrien vem me ver amanhã, de tarde!
Oba! Oba!
- Você vem me ver também, não é Darrien?
– perguntou Rini, jogando literalmente um “balde de água fria” nos
planos românticos de Serena para o dia de amanhã.
- Mas, é claro, Rini! Vou passar a tarde com você
também! – disse ele, com um largo sorriso.
- Ora, sua pestinha!!! –vociferou Serena.
- Serena! Para com criancices e trate de cuidar direitinho de
Rini, ok? – pediu Darrien com seriedade.
- Ah, ta bom! – respondeu Serena, meio que a contra-gosto.
- Ótimo! Assim que gosto de ver! – concluiu Darrien.
- Meninas! Daqui a pouco já vai começar a anoitecer!
È melhor irmos logo, lá para minha casa. – observou Rei.
Todas concordaram e, depois de uma breve despedida, cada um seguiu o
seu rumo.
Mas, nenhum deles havia percebido o carro preto estacionado, um pouco
afastado da entrada da lanchonete. E muito menos os dois passageiros
do veículo, que munidos de um sofisticado equipamento de escuta,
puderam ouvir toda a conversa do grupo, na calçada.
Um dos mafioso tirou o fone do ouvido e virou-se para o seu companheiro
no volante.
- E então? Conseguiu obter a informação?
– perguntou o motorista.
- Sim! Elas estão indo todas juntas para a casa daquela
menina de cabelos pretos... A tal de REI HINO.
- Ah, sei! A que mora naquele templo xintoísta, que espionamo |