SAILORMOON V : SHADOWMOON
Capitulo 6: NA SOMBRA DA JUSTIÇA
CENA 1:
Numa rua deserta do Bairro Ebisu!
Os “JOKERS” e seu líder, Nomura, mal acreditavam no que acabara
de acontecer. Especialmente, Amy, que abrira novamente os olhos e,
agora olhava em direção, do misterioso rapaz, que aparecera,
inesperadamente, diante de todos, do outro extremo daquela rua sem saída.
Sua aparição inesperada, por si só, já
fora uma grande surpresa. Mas, certamente, o que mais surpreendeu
e, até mesmo, aturdiu os motoqueiros, fora a maneira e o tom de
voz, com que ele se dirigiu aos “JOKERS”: Ele havia dado-lhes uma ordem!
A eles, os temíveis “JOKERS”, a gangue mais violenta de toda a cidade
de Tokyo. Isso devia ser algum tipo de piada, pensava a maioria dos
motoqueiros. E uma piada sem graça, por sinal...
Mas, a maneira como ele havia lhes falado, num tom duro e frio em sua
voz, ordenando-lhes que soltassem Amy e Serena... Isso não
tinha sido uma piada.
Ninguém tinha dúvidas quanto ao tom daquelas palavras:
O misterioso jovem fizera uma ameaça explicita para Nomura e os
seus motoqueiros, para que o obedecessem.Uma ameaça aos “Jokers”!?!
Mas, quem era esse rapaz misterioso, perguntava Amy a si mesma.
Ela nunca o tinha visto antes e ele não lembrava ninguém
que havia visto por aquela vizinhança. Mas, sem dúvida,
seu aparecimento, renovou suas esperanças de que seria salva das
garras daquela gente imunda.
Ela começou a observa-lo com mais atenção:
Ele era um jovem de pele clara e aparentava ter uns 18 ou 20 anos.
Trajava uma camisa clara e jeans, era alto, e com um físico
proporcional e bem definido.
Tinha um belo rosto, com feições suaves, porém
másculas (parecidas como as de Darrien), mas o que chamava a atenção
de Amy era o seu olhar duro e desafiador. com que encarava para Nomura.
Ela não sabia explicar nem como ou por quê, mas seu olhar
parecia refletir toda sua fúria, sua raiva e sua força interior.
Ela não conseguia disfarçar sua evidente surpresa, e
mal acreditava, no que estava testemunhando:
Alguém tinha ouvido seus gritos e veio socorre-la e a Serena.
E, em seu coração, ela agradecia aos céus por enviarem
ajuda.
Contudo, logo depois, sua mente “racional” a trouxe de volta a realidade
com uma pergunta lógica: Ele era somente uma pessoa e estava
completamente sozinho. Que chances ele contra 20 motoqueiros?
Amy começou a temer pela sorte do rapaz, tanto quanto a sua
e a de Serena.
Mas, ele continuava parado na entrada da rua: Desafiadoramente!
E seu rosto, sequer esboçava algum sentimento de medo ou insegurança
diante dos motoqueiros. Pelo contrário: O estranho continuava
a olhar com frieza para Nomura e seus homens. Um olhar que mais parecia
uma ameaça...
- Mas... Mas... Quem diabos é este, otário? – perguntou
um dos motoqueiros!
- Será que esse imbecil não sabe quem somos nós?
Com que está se metendo? – exclamou um outro.
- Escuta, seu babaca! Se você sabe o que é “bom
para sua saúde” é melhor ir saindo de “fininho” daqui, falou!
– advertiu um terceiro.
- Se eu fosse você aceitava o conselho dele, meu chapa!
Se há algo que não gostamos muito é de um intrometido,
querendo bancar o “herói” e estragar a nossa diversão! –
disse Nomura, achando que isso faria o sujeito borrar de medo e sair correndo
de lá!
Mas, para seu espanto e dos demais, ele não fez nada disso!
Sequer o seu rosto sério e de olhar duro se modificou. Ele,
simplesmente, começou a caminhar em direção de Nomura
e Amy, ao mesmo tempo que, numa voz dura e ameaçadora, disse:
- Soltem a moça! Agora! Eu não vou avisa-los
de novo... – E continuou andando.
Amy mal acreditava no que seus olhos estavam testemunhando. O
misterioso rapaz, passou por dois motoqueiros, que, (talvez pela surpresa
ou incredulidade do que estava ocorrendo), não o detiveram,
e estava se aproximando de Nomura, com um brilho de fúria nos olhos.
- Moço! Fuja depressa! Essas pessoas são
perigosas. Estão armadas! Você corre perigo. Fuja!
Fuja! – gritou Amy para seu pretenso salvador. O que ele poderia
fazer contra vinte motoqueiros armados e perigosos, a mente de Amy não
parava de questionar o óbvio. Será que ele não
entendia que estava correndo perigo de morte? Que estava arriscando a própria
vida só para ajuda-las? Duas desconhecida? Ela entenderia,
resignadamente, se ele mudasse de idéia e fugisse de lá.
Qualquer pessoa sensata e com um pingo de “instinto de sobrevivência”
faria isso.
Mas, ele continuava vindo na direção deles.
Por que? E por que ele não demonstra medo???
- Poupe seu Fôlego, “benzinho”! Esse “mané” não
pulou fora daqui quando teve a chance. Agora, ele vai levar o que
merece... – avisou Nomura, irritado com a audácia desse intrometido.
– TOGO!!! – Gritou para um dos motoqueiros.
Um dos motoqueiros levantou-se da moto e caminhou em direção
do misterioso intrometido, parando bem em frente dele e barrando-lhe o
caminho.
- Pode parar aí, mesmo, seu fracote idiota! Você
não vai dar mais um passo sequer... – disse, TOGO, um dos mais fortes
integrantes dos “JOKERS”.
O sujeito parecia ter saído da capa de alguma revista de fisiculturismo.
Seu corpo era excessivamente musculoso, além de ser extremamente
alto (quase uns dois metros de altura). Usava óculos escuros,
uma correntinha de ouro com um pingente em formato de “caveira” e trajava
uma camiseta bem curta e pequena (que ajudava a realçar o seu físico
avantajado).
A diferença física entre os dois era gritante. Para quem
os observavam parecia um encontro de um “formiga” frente a um poderoso
“gorila”. Só faltava a “formiga” ser esmagada...
- Togo!
- Diga, chefe! – respondeu o motoqueiro.
- Mostre a esse intrometido, o que a gente faz com as pessoas que “metem
o nariz onde não são chamadas”...
- Com prazer, chefe! – disse Togo, com um sorriso cruel nos lábios.
– Vou “tritura” esse idiota de pancadas, que ele não vai ficar com
um só osso inteiro em todo o seu corpo... He! He! He!
O coração de Amy começou a bater em disparada,
temendo agora pela vida de seu pretenso “salvador”. A diferença
de forças era gritante, ele não teria chance alguma, concluiu
numa avaliação objetiva de sua mente analítica..
- Não! Deixe-o em paz! – protestou Amy! – Deixe-o em paz! Por
favor!
- Cale a boca, sua vadia! Seu amiguinho quis bancar o “herói”,
não é? Pois ele que agüente as conseqüências.
Trate de curtir o “show”, garota! E calada! Isso vai ser muito
divertido de ver... He! He! He!
Togo! Acabe com ele!
Togo socou as palmas da mão bem na altura do rosto de seu
oponente, fazendo uma barulho forte de ossos se estalando. Queria
assusta-lo. Abala-lo, psicologicamente, antes da surra que ele iria
levar. Adorava fazer isso com adversários mais fracos do que
ele. Como esse sujeito, a frente dele. Normalmente, quando fazia
isso, suas vitimas literalmente “borravam-se nas calças” de medo.
Entretanto, o sujeito que estava a sua frente sequer piscou
o olho ou suou de medo. Para a sua total surpresa (e incredulidade),
o rapaz misterioso olhou-o diretamente nos olhos, com um olhar duro e ameaçador,
e lhe disse com frieza:
- Escute bem o que vou lhe dizer, seu “monte de bosta”! Só
vou lhe avisar uma única vez:
Você tem cinco segundos para sair do meu caminho. Cinco
segundos!
Se, no final desse tempo, sua cara imunda ainda estiver na minha
frente, vou arrebentar o seu fígado com um soco e, depois,
vou dar um chute tão forte nessa sua cara feia, que você vai
voar daqui até aquela parede de tijolos, lá do outro lado.
Fui claro?
Togo assim como Nomura e o resto dos motoqueiros, ficaram surpresos
e aturdidos, com o que acabavam de ouvir. Aquele cara estava ameaçando
Togo? Será que ele era algum maluco? Amy, contudo, ainda
observava, aqueles olhos...faiscando em fúria!!
- Você é doido ou o que? – rosnou Togo furioso, por ser
ameaçado por aquele “inseto”- Quem pensa que é para me ameaçar,
seu maluco?? - Fechou os punhos e se preparou para golpear forte
o rosto do seu adversário. – Eu vou te arrebentar e ...AAAAARRRGGHHH!!!!!
Tudo aconteceu muito rápido! Togo sequer viu o ataque de
seu adversário, ou teve chance de se proteger, quando ele fez exatamente
o que tinha prometido. Aplicou um preciso e poderoso soco na altura
do fígado de Togo, que fez o gigante se erguer do chão e,
depois, cair de joelhos grunhindo de dor alucinante. Seu rosto tombou
para frente e teria caído com a cara no chão , se, no meio
de sua queda, o atacante não tivesse desferido um poderoso chute
na sua cara. Togo voou por cima de alguns companheiros e se esborrachou
com a cara na parede, exatamente, como o seu misterioso jovem havia lhe
avisado.
Nomura e os “Jokers” ficaram, momentaneamente, tão chocados com
o que acabavam de testemunhar, que seus olhos não conseguiam se
desviar do corpo de Togo, caído no outro lado da rua. Derrotado,
humilhado e, por que não dizer, destruído, também?
Foi preciso alguns segundos, para que suas mentes pudessem aceitar o fato
simplesmente inacreditável e espantoso, que haviam acabado de testemunhar.
E se recuperarem do “choque”...
Depois, voltaram a olhar para o misterioso intruso.
Então, uma nova surpresa: Ele não estava mais naquele
lugar, onde Togo havia barrado-lhe o caminho. E ninguém o
via em lugar algum, perto onde ele estava há poucos instantes parado
frente a seu adversário.
Ele simplesmente, havia sumido. Desaparecido por completo.
Os motoqueiros começavam a girar a cabeça por todos os
lados tentando encontra-lo, mas não conseguiam localiza-lo.
Parecia mesmo que o tal sujeito havia “evaporado em pleno ar”.
Nomura, começou a suar frio. Agora já não
estava assim tão confiante, como a instantes atrás.
Pelo contrário! Sentia a situação toda fugir-lhe
de seu controle.
Irritado e nervoso, gritou furioso a seus homens:
- Cadê esse desgraçado? Onde ele está?
Ele não pode ter sumido assim de repente... Bem debaixo de
nossos narizes! Ele deve estar em algum lugar! Encontrem esse
maldito e...
- Eu estou aqui, seu “verme”! – disse uma voz ameaçadora, vindo
por de trás dos captores de Amy . Nomura sentiu, pela primeira
vez, o sangue gelar de medo e Amy ao ouvi-lo, sentiu seu coração
bater forte!
Tudo aconteceu rápido! E ninguém teve, sequer tempo
de se questionar como esse sujeito havia conseguiu chegar até lá,
sem ser percebido. Os dois capangas de Nomura que estavam segurando
Amy pelos braços, sentiram mãos fortes, agarrar-lhes
os seus pescoços e os apertarem com uma inacreditável força,
estrangulando-os.
A reação foi instintiva!
Soltaram Amy, que caiu de joelhos no chão, próxima
a Serena, e levaram as mãos aos pescoços tentando se livrarem
do aperto mortal, que os impediam de respirar. Mas, os dedos
da mão do atacante pareciam ser de aço. Não
se dobravam, apesar das tentativas dos dois motoqueiros em se soltarem.
Amy olhou pra cima e viu quando seu salvador, ergueu os dois homens
do chão, feito bonecos de pano, e num movimento brusco fez as suas
cabeças chocarem-se umas as outras.
Os dois “Jokers” perderam os sentidos na mesma hora!
Amy estava boquiaberta! E seu coração não
parava de bater forte. Só que agora, não era mais de
medo. Era outra coisa...um sentimento que ela nunca tinha experimentado...
Mas, não teve tempo para refletir sobre isso, pois logo ouviu Nomura
gritar a sua frente, como um ensandecido e virou-se, assustada, para ele:
- Seu filho da mãe! Ninguém faz os “Jokers” de
idiotas! NINGUÉM!!
Eu vou abrir um “buraco” na sua barriga e arrancar a suas tripas para
fora!!!! – disse encolerizado, avançando ameaçadoramente
com a faca em punho.
Mal chegou a dar um passo.
O estranho jogou sobre ele os dois capangas desacordados, que caíram
sobre o seu líder, fazendo-o, também tombar ao chão.
Amy assistiu a tudo, assombrada. Seus algozes estavam ainda mais
espantados e desnorteados, vendo seu grande e poderosos líder caído
ao chão. E não sabiam direto o que fazer. Estavam completamente
sem ação!
- Você está bem? –disse uma voz calma, porem firme atrás
dela! Ao mesmo tempo que uma mão pousava, delicadamente, sobre
um de seus ombros.
Ao sentir aquele toque de mão, Amy sentiu seu corpo arrepiar-se
todo e uma onda de calor subiu-lhe pela face. Não sentia vergonha
ou timidez, como seria o seu normal reagir diante da aproximação
de um rapaz qualquer do colégio. Era diferente! Era
uma sensação completamente diferente que estava sentindo
dentro de seu coração. Mas, o que?
E, por que aquele simples toque de mão, a fazia sentir-se tão
segura e protegida?
Virou, lentamente, a cabeça para trás e, em seguida,
ergueu-a para cima.
Foi então que, pela primeira vez, seus olhos se encontraram,
com os de Jimmy Hara!
CENA 2:
Lanchonete de Andrew. Ponto de encontro de Serena e suas
Amigas.
Darrien consultou o relógio mais uma vez.
Serena e Amy estavam atrasadas quase meia-hora! Rei pôs
logo a culpa em Serena, dizendo que, provavelmente, deveria ter entrado
em algum shopping a caminho da lanchonete e arrastou a “pobre” Amy com
ela. Rini deu razão a Rei e disse que queria comer logo. Mina
também.
Já Lita pediu para todos se comportarem, pois não podiam
esquecer a razão daquele encontro: A briga de Amy com Sayaka
e suas prováveis conseqüências. Lita não
conseguia se perdoar de não ter estado com Amy e Serena na hora
da briga. Ela as teria ajudado, em vez disso, estava ocupado ajudando
sua professora de culinária a preparar a comida dos estudantes naquela
tarde. Senão, teria arrebentado a cara de Sayaka, sem dúvida
alguma.
Mina também lamentou não poder ter ajudado as amigas,
pois estava ocupada numa aula de educação física.
Mas, naquela reunião, todos decidiriam qual seria a melhor maneira
de lidar com o problema. Não deixariam que Amy enfrentasse
Sayaka sozinha, sabendo como Lita havia lhes revelado o quão
vingativa e perigosa, essa Sayaka poderia ser.
De repente, Rini se levanta e grita no meio da lanchonete, quando
vê três amigas conhecidas do grupo entrarem na lanchonete e
grita-lhes, acenando, alegremente, o braço:
- HOTARU! HARUKA! MICHIRU!
Tenou Haruka (Sailor Urano), Michiru Kaiou (Sailor Neptune)
e Tomoe Hotaru (Sailor Satuno) viraram-se na direção de onde
vinha o chamado e sorriram ao ver as meninas e Darrien, acenando-lhes com
as mãos e sorrindo. Imediatamente, Rini e Hotaru correram
uma em direção a outra e se abraçaram com alegria.,
pois fazia um bom tempo que as duas amigas não se viam. Pareciam
verdadeiras irmãs matando a saudades.
Logo, as três se juntaram as outras na mesa e começaram
a contar que haviam viajado para Hong Kong, onde Haruka participou de um
torneio de Motocross e Michiru participou de um concerto sinfônico.
Como o pai de Hotaru havia feito uma viagem aos Estados Unidos para participar
de algumas conferências científicas, e ficaria, pelo menos
alguns meses, fora do Japão, a menina acabou ficando sob a responsabilidade
das duas, que a levaram consigo, para essa viagem, que durou quase
um mês inteiro.
Hotaru adorou a viagem e queria mostrar as fotos e os presentes
que comprou para todos. Já Haruka e Michiru estavam ansiosas
por saber das novidades e como andaram as coisas, por ali, durante a ausência
delas. Como estavam todos e onde estava Serena e Amy? As duas
estavam ansiosas para rever as duas amigas.
Quando estavam prestes a perguntar onde estavam as duas, Ártemis
que estava no colo de Mina olhou pela janela e, subitamente, alertou a
todos, horrorizado:
- Oh, Meu Deus! LUA!!!!
Apontou na direção do outro lado da rua onde viu
Lua arrastando-se, literalmente, prestes a atravessar o semáforo.
Mas, a coitada, acabou caindo sem forças no chão.
Imediatamente, o grupo saiu correndo da lanchonete até
o local onde Lua estava caída.
Rini a agarrou cuidadosa mente pelos braços e gritou pedindo
que ela acordasse. Com muito custo, a gata abriu os olhos e, foi
então, que todos perceberam que ela estava muito ferida!
- Lua! O que aconteceu com você? Onde estão
Serena e Amy? Fale!!!! – gritou Darrien desesperado, já percebendo
que alguma coisa terrível havia lhe acontecido.
- Fomos atacadas...por um bando de motoqueiros...um deles me acertou
com um taco de beisebol.... Vim mancando até aqui....
- Atacadas? Aonde? – perguntou Haruka.
- Numa rua de tijolos vermelhos.... A umas dez quadras daqui...
- Eu sei onde é!! Eu já passei por lá, algumas
vezes, quando acompanhei Amy, na saída da escola. – afirmou Lita.
– Vamos pessoal! Eu mostro o Caminho.
- Ártemis! Você, Rini e Hotaru cuidem de Lua.
Voltaremos a sim que puder. – ordenou Rei. Rini queria ir junto,
pois estava muito preocupada com Amy e, principalmente, com Serena, mas,
Rei fez com que ela ficasse com Lua.
Em seguida, o grupo começou a correr em direção
ao local |