SAILORMOON V : SHADOWMOON
CAPÍTULO 3- LIBERDADE CONDICIONAL
Numa área portuária de Santos, esquecida pela população,
e mais ainda, pela Polícia, Malachite caminha
pelas ruelas abandonadas, numa fria madrugada sem os raios do luar.
Ele parece rodear uma espécie de galpão abandonado,
pensando de que forma entrará, até que decide:
- Pela porta, por que não?
Sem nenhum temor, ele chega até a porta de aço
sanfonada, pichada em diversas cores. Arrebenta o cadeado somente
com uma das mãos, quase que com um peteleco e, finalmente
faz a porta abrir-se de baixo para cima.
O antigo integrante do Negaverso entra no galpão e caminha
por ali, não demonstrando nenhum medo, apesar dos caixotes diversos
entreabertos, vazios, mofados e não rotulados, darem uma aparência
misteriosa e sinistra no lugar.
Repentinamente, ele ouve rosnados; vira-se e vê dois cães
de grande porte, da raça boxer no canto escuro da parede.
Malachite olha-os com desprezo e volta a caminhar pelo local,
procurando algo.
Os cães começam a latir furiosamente, mas não
se aproximam, continuando no canto escuro e Malachite não
parece incomodar-se com o fato.
Até que os cães param de latir e rosnam apenas para ficarem
com olhar de raiva vendo o invasor. Voltam a abrir as bocas de repente,
mas para de cada uma delas sair uma serpente.
As serpentes mostram-se extremamente longas, mas o final de seu
corpo sempre dentro da boca do seu respectivo cão.
Aqueles ofídios dão voltas em torno de Malachite, que
apenas as olha.
Elas, sincronizadamente, avançam e começam a enrolar-se
no corpo do homem, que nada faz para reagir. Até que, quando elas
o enrolam até o pescoço, as duas cabeças das serpentes
exibem seus dentes inoculadores da peçonha e avançam na cabeça
de Malachite.
Contudo, antes do ataque fatal delas, o anjo branco, simplesmente abre
os braços e devido à sua força descomunal, as
serpentes partem-se em vários pedaços como um barbante,
sujando as roupas claras do homem e o chão do vermelho de sangue.
Após isso, os cães puxam o restante das serpentes para
entrarem em suas bocas como pessoas quando comem um fio de espaguete.
Malachite aproxima-se, na intenção de atacar os animais,
quando estranhamento os vê levantarem-se do chão, sem tocar
o piso, como se estivessem flutuando. Ambos rosnam e latem cheios
de ódio.
Enfim, chegam mais para a frente e Malachite descobre que os
cães não tem a parte traseira do corpo, pois são
ligadas aos ombros de um animal maior. Um grande urso, que urra,
enquanto surge da penumbra, saindo da total escuridão. O urso tem
os cães como seus braços.
Finalmente neste momento Malachite demonstra espanto.
O urso, alterado, usa seus exóticos braços para morder
ambos os braços de Malachite. As arcadas caninas fecham-se
contra os braços do Anjo, e antes mesmo de tocar sua pele,
despedaçam-se totalmente os dentes, pelo poder expelido da pele
do homem.
O urso grita em dores, pelo que seus "braços" sentiram.
Malachite coloca sua mão sobre o peito da criatura e, usando
sua energia, faz com que um rombo expluda nas costas do monstro, como se
uma enorme bala o atravesse.
A enorme criatura perde seu equilíbrio e cai batendo sua cabeça
de urso contra uma pilastra, a qual tem uma caixa de aço dentro
dela, lembrando uma caixa de medição de luz ou de correio,
a qual abre-se com a portinhola amassada, sob o efeito da pancada.
O urso parece morto, não mais se mexe, porem seus cães
membros ainda latem por alguns segundos, até que Malachite decide
aproximar-se e usa sua energia contra os bichos e sem ao menos precisar
tocá-los, o Anjo Branco arranca-os do corpo do urso fazendo-os cair
um sobre o outro, com seus corpos incompletos no canto de uma parede. Eles
grunhem poucas vezes antes de morrer.
Livre, Malachite chega à caixa de aço, observando
alguns interruptores ali dentro. Escolhe um deles e o ativa.
Um barulho estranho surge, como se fosse de pedra contra pedra, se
arrastando e uns sons metálicos também.
Logo o assassino vê que parte do chão do galpão
está baixando, tornando-se uma espécie de rampa, levando
a um túnel subterrâneo.
Malachite , sem hesitar, desce por essa rampa e entra no túnel.
Este tem uma iluminação bem precária, cheio de gambiarras
no teto, e quanto mais o Anjo entra, mais vai ficando claro.
Finalmente ele chega ao final desse lugar. A luz já é
mais forte e revela um ambiente de laboratório, onde algumas gaiolas
com animais estão expostas.
Animais deformados fazem barulho, mesas cirúrgicas com manchas
de sangue seco também enchem aquele lugar,
além de tubos de ensaio com líquidos borbulhantes ou não,
de variadas cores.
Um homem com jaleco está de costas para Malachite. Ele
olha um tubo de ensaio contra um lâmpada e diz:
- Meus cumprimentos. Você é a primeira pessoa não
convidada a passar pelo meu animal de guarda, ou devo dizer animais de
guarda? - o homem volta-se , revelando seus óculos de alto grau,
sua aparência abatida e expressão insana: -
Quem é você? Como encontrou meu humilde lar? - indaga ao invasor.
Malachite:
- Eu sou o Anjo Branco. Creio que já ouviu falar de mim, doutor
Átila. Um dos meus clientes me indicou seu endereço.
Atila:
- Sim, o assassino que nunca falha, claro que
conheço! Bem, mas o senhor não veio apenas me fazer
uma visita, não é? Que negócios tem a me propor?
Malachite:
- Quero contrata-lo para que me ajude num plano de vingança,
fora do Brasil. Com seus talentos você poderá
recriar minha antiga líder e produzir um exército de monstros.
Átila confuso:
- Espere! Não compreendo muito bem o que quer dizer. Poderia
explicar-se melhor?
Malachite:
- Então vou lhe contar desde o princípio ... há
muito tempo atrás...
Minutos depois o Anjo já lhe havia contado sobre o Negaverso
e os Sailors.
Átila com ironia:
- Mas isto é uma situação ridícula!
Há! Há! Há! Serem vencidos por um
bando de meninas adolescentes. Chega até ser uma piada...
Malachite:
- Não zombe! Você não as conhece! Agora,
diga-me: Já decidiu qual o valor que você quer para me ajudar?
Atila:
- Acho que quero algo mais interessante que dinheiro. Eu quero fazer
experiências com elementos genéticos do Negaverso, e quero
que os inimigos capturados sejam minhas cobaias.
Malachite:
- Perfeito. - diz, estendendo a mão a qual o doutor aperta,
selando o corpo. - Muito bem, prepare-se para viajar; eu ainda tenho algo
para resolver aqui no Brasil.
No Japão, no templo budista onde mora Rei, ela está tranqüila
numa bela manhã ensolarada, varrendo a entrada do local para mais
um dia.
- Rei! - alguém chama.
A Sailor move os olhos e vê na calçada da rua, alguém
um pouco distante, uma silhueta de mulher.
- Quem é? - pergunta a garota, e então deixa a vassoura
encostada no beiral da porta e caminha para a direção da
mulher.
Porém uma ventania surge repentinamente e folhas secas começam
a voar pela rua, enquanto Rei anda contra esse estranho vento.
- O que você quer? - pergunta a Sailor, intrigada para a pessoa,
e aproxima-se mais.
De repente a silhueta começa a deformar-se à sua frente
e alargar-se, aumentando de tamanho como se fosse uma folha de papel negro
se desdobrando. Logo tornando-se uma mancha escura, que cobre o céu
de horizonte a horizonte, totalmente negro, com exceção de
um rosto de uma mulher que aparece no céu.
- R... Rainha Beryl!! - exclama a Sailor.
Uma risada assustadora e sarcástica da mulher espectral invade
os ares.
Rei, assustada, não sabe o que fazer, a não ser
correr de volta ao templo, e o faz apressadamente.
- Não pode ser! - exclama a garota.
Contudo, quando entra porta adentro do templo, sente seus pés
prenderem-se ao chão. Olha para baixo e vê mãos cadavéricas
agarradas a seus tornozelos. Essas mãos começam a puxa-la
para baixo, abaixo do piso de tábuas de onde elas saem, a madeira
que cobre o chão se despedaça com facilidade, como se estivessem
podres. A Sailor vê seu corpo descer com extrema rapidez. Ela pega
sua caneta de transformação, e a levanta, mas já está
enterrada até o pescoço e segundos depois só resta
sua mão segurando a caneta fora da terra, mas logo sua mão
amolece, deixando o objeto cair sobre o piso sólido.
Enquanto isso, Amy também vê-se em situação
semelhante. Está na calçada da rua, onde o céu também
está negro e o rosto assustador da Rainha Beryl encontra-se
no manto celeste.
Amy, nervosa, tenta correr, mas mãos surgem da caçada
e agarram seu pés.
Ela fica muito assustada com aquelas mãos cadavéricas
e não consegue libertar-se enquanto começa a ser puxada para
dentro do chão.
Ela olha ao redor, mas não parece haver ninguém na cidade.
Porem ela vê no telhado de uma casa próxima dali, uma silhueta
que mal pode enxergar, porém percebe quando a pessoa saca uma espada
e pula em sua direção.
Amy fecha os olhos assustada e ouve um som cortar o ar. Sente
um repentino alívio nos pés.
Abrindo os olhos novamente, vê que seus pés foram libertos
e as mãos cadavéricas decepadas, pela estranha pessoa com
a espada.
- Quem é...? - tenta falar a Sailor Mercury.
Porém, antes que termine, um grito apavorante é emitido
pela Rainha Beryl que com sua boca faz como se tivesse sugando. Uma ventania
bate contra o corpo do salvador de Amy e o leva diretamente para
o céu, em direção à boca da Rainha Beryl.
Amy grita assustada, vendo a cena.
Num movimento muito rápido, Amy e Rei em suas respectivas
casas levantam-se de seus travesseiros, muito assustadas e percebem que
haviam apenas tido um pesadelo.
Mais tarde, no templo de Rei, as Sailors resolvem reunir-se.
Rei, ainda um pouco assustada, termina de contar às amigas a
incômoda noite de sono que tivera:
- E era ela, a Rainha Beryl! Foi um sonho muito real! Eu sentia as
sensações como se tivesse acordada.
Serena tenta minimizar o relato:
- Foi só um sonho, Rei. A Rainha Beryl foi embora há
muito tempo. Ela foi vencida totalmente! Você tá exagerando!
- Fica quieta, Serena! Tá falando isso porque não
foi você quem sonhou! Se fosse estaria se escondendo em baixo da
cama! - reclama Rei.
- Não sou tão medrosa assim! - contesta a outra.
- Tem razão, é muito mais! - rebate a outra Sailor.
Amy interrompe:
- Garotas, eu também acho que o sonho de Rei tenha sido algum
sinal.
Lita:
- Por que?
Amy:
- Porque eu sonhei algo muito parecido esta noite e a única
diferença é que fui salva por uma pessoa misteriosa, mas
a Rainha Beryl acabou o atacando no sonho.
Mina:
- Estou ficando preocupada.
Lita:
- Bem, então de qualquer forma é melhor ficarmos alertas.
Rei:
- Eu gostaria de ficar um pouco a sós, para pensar.
- Claro! - diz Amy
As outras quatro Sailors levantam-se e saem, enquanto a Sailor
Marte fica à frente da fogueira no templo, de olhos fechados
e de joelhos.
No Brasil.
Wilton Ferraz dirige seu carro pela larga e um tanto deserta estrada
que leva ao presídio de segurança extrema Carandirú
5.
Ele resolve pegar seu celular e digitar um número.
Numa galeria de artes, pertencente à avó de Jimmy, está
o próprio, junto a alguns clientes que olham atentos algumas peças.
O celular do Shadowmoon toca e ele, afastando-se das pessoas,
diz:
- Com licença um instante.
Olha o aparelho com um pouco de aborrecimento, mas atende:
- Jimmy.
- É o Wilton, Jimmy. - responde a voz.
Mais contente, Jimmy conversa:
- Como vai, amigo? Tudo bem com você?
- Tudo; creio que com você também, não é?
- Na mesma. E o que anda fazendo, Wilton?
- Já que perguntou, estou indo para o Presídio de segurança
extrema Carandiru 5, participar do interrogatório da Flora Maligna.
Mas na verdade eu só vou ficar mofando numa cadeira, pois quem fará
as perguntas são os agentes da Polícia Federal do Serviço
Secreto Brasileiro. Vou estar lá só pra dar a impressão
de ser uma ação conjunta de investigação.
- Por que você não faz um favor, então? Observe-os
para ver se consegue informações úteis para as minhas
operações secretas como Shadowmoon.
- Hum... tá certo. Vou desligar porque já estou chegando.
Tchau. - Diz o tenente, desligando o celular e vendo o imenso complexo
penitenciário já bem próximo.
Minutos depois, já dentro do presídio, Wilton surpreende-se,
quando encontra naqueles corredores um amigo.
- Leonel! - exclama Wilton - Quanto tempo, meu amigo! O que tem
feito ultimamente?
- Trabalhando amigo. Acho que só isso que faço
na vida! - diz Leonel sorrindo, enquanto aperta a mão do amigo.
- Trabalhando onde?
- Aqui mesmo, neste “paraíso”. - diz, com certa ironia
- sou o chefe da carceragem. Sempre cuidando para que nenhum dos nossos
hóspedes escapem.
- E parece que está fazendo isso muito bem. - elogia Wilton.
Leonel:
- Aliás, o trabalho de vocês também vão
tão bem que contam até com colaboradores, como esse tal de
Shadowmoon, não é?
Wilton finge indignação:
- Não me fale nesse indivíduo! Ele é mais bandido
que todos esses aqui. E vou mandá-lo para cá um dia!
Leonel gentil:
- Esquenta não, Wilton. Escuta! Vai lá em casa
neste fim de semana, que minha neta fará quatro anos. Daremos uma
festinha.
- Claro, amigo. Estarei Lá. - diz feliz o tenente - Vou
em frente agora, pois preciso trabalhar.
Logo Wilton entra na sombria sala de interrogatório, deparando
com dois agentes de terno e óculos escuros, os quais, com ar de
superioridade, olham para Ferraz e um deles diz:
- Quase chega atrasado.
Wilton dá ênfase:
- Quase. - e pensa - Dois palhaços engomados.
Sentada numa cadeira simples, Flora Maligna está algemada com
uma algema especial que inibe seus poderes.
- Vão tirar ou não essas coisas horríveis dos
meus pulsos? - pergunta Flora.
- Está brincando, não é? - diz Wilton.
Flora, irritada:
- Não tenho nada pra falar pra vocês, imbecis! Me deixem
voltar para a cela!
O tempo já se passara bastante e já é noite novamente.
O momento aguardado por um bandido conhecido como o Anjo Branco agir,
ele aguardava a uma distância do local, somente observando.
Ele levanta-se de detrás de uma caminhonete deixada ali por
algum funcionário e dirige-se ao presídio, caminhando sem
preocupação.
Uns guardas que tomam conta nas guaritas observam aquele homem aproximar-se.
- Aí, tá vendo aquele sujeito lá? - um guarda
indaga ao outro.
Malachite chega bem às portas dos altos muros, onde um
outro guarda abre o pequeno visor no portão de aço e diz:
- Horário de visita já passou, amigo. Volte amanhã.
Malachite:
- Vim fechar uma conta neste hotel. - diz em tom irônico.
Guarda:
- Como é que é? Você tá maluco?!?
Tá querendo levar chumbo, ô palhaço?!
Malachite:
- Veremos.
O guarda surpreende-se com a aparência austera de Malachite,
quando repentinamente, ouve sons de correntes. Olha para o portão
e vê as correntes se desenrolando sozinhas, os cadeados se
desprendendo automaticamente e as trancas se desarmando.
- Que coisa é essa?! - exclama o guarda, que corre para as trancas,
para impedi-las de se abrirem, porem, apesar do esforço imenso que
faz, a força fantasma continua a abrir tudo sem problemas.
O portão do presídio abre-se sozinho, deixando o guarda
ainda mais estupefato.
O Anjo Branco então caminha tranquilamente para o interior da
fortaleza, sem nenhuma expressão facial.
Na guarita um guarda fala para o outro:
- Liga a sirene.
- Mas é só um homem! - reluta o outro.
- Não discuta! Vamos ter problemas com este!
Apesar da relutância o guarda liga a sirene do alerta do presídio,
fazendo o sinal de alerta ecoar nos ouvidos de cada um naquela fortaleza
penitenciária.
Tanto os visitantes, como os funcionários, os guardas
de segurança e os presos ficam atentos ao inesperado sinal.
A eficiência dos funcionários é famosa, e desta
vez não foi exceção. Mal Malachite anda alguns passos
no terreno do presídio e logo vê-se cercado de policiais por
todos os lados, formando um grande círculo ao seu redor. Ele sente
que deve parar seu caminhar.
Aquele monte de policiais está cercando o invasor.
Leonel, assim como todos os guardas, miram suas armas na direção
de Malachite, enquanto falam:
- Esse rosto... Já vi nos arquivos de “retratos falados”
lá, da delegacia... Anjo Branco, não? Que bom
que veio direto pra cá! Economiza nosso trabalho, seu maldito desgraçado!.
Malachite pensa:
- Pensam que me intimidam, mas eu não parei por causa deles.
Eu parei porque sinto uma sensação de poder aumentando em
meu corpo.
Leonel:
- Como é? Vai se render na boa? Ou vamos ter que fuzilar?
Malachite apenas sorri e faz um gesto com as mãos.
De repente todos os homens sentem seus pés deixarem o chão
e se encontram flutuando como balões de gás.
- Mas que é isso! - Berra um guarda.
- Querem me fuzilar, mas vocês ficam com o paredão! -
exclama Malachite. Que faz outro gesto com a mão, fazendo com que
sua força invisível atire aquele grupo de homens contra a
grande muralha do presidio.
Os guardas das guaritas ficam pasmos, e de repente começam a
sentir tudo tremer ali em cima.
- Meu Deus ! E isso agora! - Exclama um guarda.
De repente eles vêem a guarita rachar, partindo as paredes,
abrindo a vidraça a prova de bala ao meio e logo ruir juntamente
com a muralha, que se espedaça, e com olhares esgazeados os homens
das guaritas vêem seus corpos cairem acompanhados de inúmeras
pedras de diversos tamanhos em direção aos seus pobres amigos
desprotegidos em baixo.
Só há tempo de Leonel virar o olho na direção
do inimigo:
- Não faça isso! - implora Leonel ao invasor. E logo
é soterrado pelos pedregulhos que produzem um som terrívelmente
estrondoso .
Assim como Leonel, todos que foram jogados na Muralha são soterrados.
Com o caminho livre, Malachite avança para o interior do prédio.
Os policiais restantes nem se atrevem a tentar impedi-lo. Fazem melhor
em procurar ver se alguém sobreviveu ao massacre.
- Sinto a força chegar cada vez mais em mim. Ela está
próxima. - pensa o homem, enquanto vai caminhando pelos corredores.
Em pouco tempo Malachite chega a sala do interrogatório, abrindo
a porta, sem ter que tocá-la.
- O que?! Quem diabos é você? Como passou pela segurança?
- pergunta um dos agente federais, sobressaltados com o surgimento inesperado
daquele estranho.
Já Wilton, o olha com os olhos arregalados, pois reconhece o
rosto do invasor, de um dos “retratos falados” da lista dos assassinos
mais procurados pela policia de todo o Brasil.
- Oh, meu Deus! Anjo Branco?! – diz,
estupefado, sentindo um pavor tomar-lhe todo o seu corpo.
Malachite apenas sorri e fala:
- Eu quero a mulher.
- Eu? - surpreende-se Flora Maligna.
Os federais apontam suas armas para Malachite.
- Você está preso, Anjo Branco! Nós vamos
ganhar uma promoção com o sua prisão.
- Seus idiotas! Tomem cuidado! Ele não é
um bandido qualquer! È um assassino perigoso, que possui super-poderes!
– alerta o policial desesperado com o perigo
aterrador que sabe que estão enfrentando.
Infelizmente o aviso de Wilton chega tarde de mais!
Malachite usa sua telecinese e faz a arma de um federal apontar para
o outro e vice versa, fazendo-os disparar contra o colega,
caindo ambos inertes.
Wilton fica pasmo, mas tenta reagir, porém, quando vai
pôr a mão no coldre, nota que seria uma tolice; então
avança corajosamente ou imprudentemente, de mãos nuas.
- Seu maldito filho da mãe! – grita
furiosamente, avançando sobre o assassino.
- Toda esta coragem pela justiça!? - esnoba o bandido,
que com um simples abrir de mão, detêm o soco de Wilton
contra seu rosto. – Que patético! Um velho inútil como
você, tem a audácia de me enfrentar!
Wilton fica completamente atordoado com a rápida reação
do seu inimigo, e antes que possa tentar fazer alguma coisa, sente a mão
de Malachite apertar-lhe o punho, com uma força, indescritível!
O policial cai de joelhos, gritando de dor.
Malachite sorri, se divertindo-se com o sofrimento de seu inimigo e,
com um sarcasmo cruel, lhe diz:
- Isso! Assim que gosto de ver vocês,
humanos! De joelhos, ante um ser superior a vocês! -
diz, sorrindo com crueldade sádica. E, então, propõe
com ironia. – Por que não aproveita que já está assim
e implore a mim por sua vida inútil? Vamos, seu velho insignificante!
Implore! Divirta-me com suas súplicas patéticas! Há!
Há!
De joelhos, totalmente a mercê de Malachite e sofrendo uma dor
alucinante, Wilton olha com um olhar furioso contra seu inimigo.
E apesar de saber que não tem chance alguma contra um inimigo infinitamente
superior a ele, o velho policial, mesmo sabendo que o que está prestes
a fazer, poderá selar a sua vida de vez, decide dar sua resposta
a Malachite!
- Argh!!! Seu Maldito! Eu não
vou implorar para um rato imundo como você! Se quer que eu
lhe diga algo, tome isto! CUSP!!!
Reunindo todas as forças que lhe resta, Wilton vira seu rosto
em direção de Malachite e, num esforço supremo, cospe
na cara do assassino do Negaverso. O ato inesperado e desafiador
do policial deixa Malachite atônito e surpreso, por um momento.
Mas, em seguida, seu rosto se transforma numa mascara de fúria incontrolável,
enquanto que enxuga o rosto com a outra mão!
- Maldito! Como se atreve! Quando acabar com você,
vai desejar que eu tivesse lhe dado uma morte rápida!
Então, Malchite começa a golpear, violentamente, Wilton,
com socos e pontapés, promovendo um verdadeiro massacre contra um
adversário que , sequer, consegue reagir. Essa barbaridade
continua por alguns minutos, até que Malachite, como se, de repente,
lembra-se de sua missão, para de golpear o policial, já sem
sentidos, e, simplesmente o joga com força contra a porta da sala,
derrubando-a. Wilton, cai ao chão, todo machucado e sem sentidos.
Seu corpo está coberto de sangue!
Malachite, então, olha fixamente para Flora Maligna que está
assustada com o grande poder do invasor e indaga:
- O que quer de mim?
Malachite:
- Está na hora de dormir, Flora, para dar lugar a outra pessoa.
A voz da Rainha Beryl fala diretamente na mente do seu subordinado:
- Malachite, liberte-me! Liberte-me!
Flora Maligna, remexendo-se para fugir da cadeira, mas com aquelas
algemas ela não passa de uma mulher comum.
- Afaste-se de mim! - grita ela.
O Anjo Branco não liga para seus pedidos e coloca a mão
sobre a cabeça da mulher.
Neste instante os olhos de ambos começam a brilhar fortemente.
Uma gigantesca nuvem negra forma-se sobre o presídio.
Sob uma força semelhante a uma ventania, uma energia
sinistra emana do corpo de Flora Maligna, chegando a quebrar vários
móveis do local e nas paredes nascerem fissuras. Lâmpadas
estouram por todo o presídio emitindo faiscas, como um curto-circuito.
Várias pessoas mal encaradas, presas naquela penitenciária
demonstram-se assustadas. Uma sensação de calafrio passa
por todos eles percebendo que algo muito poderoso surge ali agora.
Na sala do interrogatório, a energia parece acalmar-se no corpo
de Flora; as algemas estão despedaçadas no chão.
O bandido retira a mão de sua cabeça.
- Muito obrigada, meu caro Malachite. - diz a nova mente
no corpo de Flora
Malachite ajoelha-se:
- Que bom tê-la de volta, Rainha Beryl.
- Sim, estou de volta graças a você. E mal posso esperar
para me vingar das malditas Sailors. - diz, empolgada.
- Este também é meu desejo.
- Então vamos partir imediatamente deste lugar.
- Por favor, eu gostaria ainda de poder libertar mais prisioneiros
a pedido de um aliado, que, com certeza, será útil em nosso
plano de vingança.
- Está bem, mas seja rápido! - exige ela.
Logo, olhando para uma planta do presídio fornecida pelo submundo
do crime, ele chega a um longo corredor com muitas celas nas laterais.
- Devem estar aqui. - diz Malachite.
Os presos ficam curiosos. Olham pelas grades para as inesperadas
visitas.
- Aí!!! Que cês querem aqui!? - berra um deles.
- Olha que gata! Vem pra cá, vamos conversar na minha cela!
- diz outro.
O casal de bandidos então pára à frente da cela
deste último que falou.
O homem assusta-se um pouco e afasta-se por causa da forte energia
que emana dos dois.
- Você é o Lunático? - indaga Malachite.
- Sou, e daí? - responde o homem.
Malachite faz com que as trancas se abram sozinhas e fala ao preso:
- Você vem conosco!
Lunático estranha um pouco aquela atitude, mas aceita:
- Tá certo. Você é que manda! E pra onde?
- quer saber, saindo da cela.
Nenhum dos dois responde e logo posicionam-se na frende de outra cela,
onde um homem sentado no colchão, de corpo bem largo, vestido
com um grosso paletó, calças compridas e sapatos.
Porém que possui olhos semelhantes a um felino, os quais observam
com expressão nada agradável os invasores.
- Você é o Quimera?- indaga Malachite.
O homem levanta-se de súbito e avança contra a grade
onde suas unhas pontiagudas tilintam ao tocar as barras de aço
extremamente grossas, de mais de 40cm de espessura, quase que
uma coluna.
Qui
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document.write(barra);
}
}
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mera, exibindo seus dentes totalmente pontiagudos fala:
- Veio me libertar, é?! Sei que querem alguma coisa! Então
falem logo o que é!!
Quimera passa sua mão peluda entre as barras. Agarra Malachite
pela gola.
Malachite, por sua vez, toca com a ponta do dedo a testa do monstro
e ameaça:
- Continue e explodirei seu cérebro dentro da cabeça.
Lunático:
- Eu acho melhor obedecer. Se o cara conseguiu chegar até aqui,
deve estar falando sério.
- Mas eu não acho!- berra a fera humana, que tenta erguer Malachite
pela camisa.
Contudo o vilão do Negaverso somente dispara um raio de seu
dedo, atingindo a cabeça de Quimera de forma a jogá-lo pra
trás com tamanha força que seu corpanzil esbarra contra a
sua enorme cama partindo-a ao meio. Deixando o grandalhão curvado
sobre o colchão, e sacudindo a cabeça pelo atordoamento.
- Vem ou fica aí, morto? - indaga o Anjo.
Quimera o olha com raiva, mas resolve obedecer, pois viu que o outro
não é nenhum fracote:
- Vou.
Malachite, por sua vez, usa seu poder destrancando a porta
da cela.
Quimera sai mais tranqüilo e os quatro bandidos começam
a caminhar pra fora dali.
- Ei!! - grita outro preso por trás das grades
- Me libertem também!! Serei útil pra vocês!
O grupo acaba parando ao ouvir o homem e o observam.
Este homem faz sua mão pegar fogo, como se fosse papel e não
ser consumida.
- Vejam! - exclama ele - Me libertem também!
Malachite aproxima-se da grade e com um gesto, faz com que sua telecinese
aja contra o homem que é jogado com força contra as barras
da cela várias vezes provocando gritos de dor do manejador de fogo,
batendo a cabeça com violência, rachando-a e caindo
logo morto.
Malachite irônico:
- Sua alma está liberta das grades.
O grupo logo deixa o local e chegam à saída do presídio,
quando vêem que na estrada que leva ao local uma enorme fila de carros
policiais se aproxima.
- Vamos Ter que dar conta de todos eles? - indaga o Lunático.
- Não precisamos. - diz Beryl e seu corpo emite um poder,
fazendo com que todos do grupo flutuem e alcem vôo aos céus.
Com ela na frente, o quarteto bandido voa para a direção
das nuvens, saindo antes que os policias cheguem ali.
Vendo a cena dos quatro a saírem flutuando, um policial que
dirige uma viatura exclama:
- Deus!! Que seres são esses?!
As viaturas chegam ao presídio, mas os policiais olham
para os bandidos sumindo no céu, com desgosto, sem saber o
que mais fazer.
Do outro lado da cidade, a avó de Jimmy Hara, está meditando
em frente a seu santuário particular. Seu rosto está
tenso e, gotas de suor não param de escorrer pela sua fronte, enquanto
ela reza seus mantras com força. Súbito, como se persebece
que algo terrível acabara de acontecer, concretizando os seus temores
mais profundos, ela para de rezar e murmura, de maneira fatalista!
- Pelos ancestrais! Já começou!!!
CONTINUA...
Capitulo 02 / Fanfics
/ Capítulo 04
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