SAILORMOON V : SHADOWMOON
CAPÍTULO 1- A SOMBRA DA LUA
A pilha de livros fechados está sobre a pequena mesa de
centro.
Em volta dela, sentadas ao redor, estão as Sailors.
Elas conversam entre si, alegremente, atualizando as fofocas da semana.
As únicas exceções são Amy e Serena;
a primeira é a única que está lendo seu livro;
já Serena está de olhar fixo na TV da sala.
De repente Serena dá um berro.
- Ah, nãaaaaaaaaaaaao!
As amigas se espantam e olham para ela.
Lita:
- O que foi, Serena?
Serena:
- É que cortaram o Digimon pra fazer um plantão.
- irritada, ameaça trocar de canal com o controle remoto
- Prefiro mudar pro outro canal e ver Pokémon.
- Espera Serena!- diz Ray tomando o controle das mãos dela
- Pode ser importante.
Serena sente-se frustrada.
Na tela da TV surge um repórter, que diz:
- Senhores telespectadores, pela rede Yamato, eu Dan Tamagoshi estou
ao vivo no Brasil. - ele olha para seu relógio de pulso -
onde são exatamente zero horas e treze minutos. Estamos aqui,
na cidade brasileira de São Paulo, onde um fato perturbador aconteceu
:
- Durante a gravação para um programa de Televisão
da apresentadora Mariana Braga, a Primeira Dama
Brasileira , bem como a apresentadora e os funcionários do canal,
foram tomados como reféns por um grupo de criminosos semi- humanos
liderados por uma mulher que denomina-se Flora Maligna. As forças
especiais da Polícia fizeram já duas investidas sem sucesso
contra os bandidos, que apesar de estar cercado dentro do prédio,
não tiveram dificuldades em impedir a invasão das autoridades.
Conta-se mais de vinte policiais feridos e seis mortos. Vamos agora repassar
a imagem para o interior do prédio, onde nós transmitiremos
diretamente das câmeras do programa, onde a chefe da quadrilha faz
suas exigências.
A imagem pula para o interior do estúdio, onde os bandidos, criaturas
semelhantes a homens mas de boca minúscula e pele verde, que alimentam-se
por fotossíntese, meio homens meio vegetais. Eles obrigam aos funcionários
a transmitir Flora Maligna, agora ao vivo.
A mulher que veste roupas de fios de caules trançados, bem como
verdes folhas enfeitam seus ombros e pés. Em sua cabeça
há uma coroa de louros, semelhante as antigas romanas; ela
fala com superioridade na entonação, olhando fixamente para
a lente da câmera; em suas palavras afloram o cinismo
que está semeado em sua alma.
- Meus caros telespectadores, eu tenho hoje uma pequena troca a fazer
com suas autoridades e governantes. Especialmente com o nosso “querido”
presidente. Eu e meus escravos soubemos por esses dias, através
das chamadas dessa emissora de TV, que a nossa “ilustríssima” Primeira
Dama estaria aqui, no programa da MARIANA BRAGA. E eu e minhas “adoráveis”
criaturas resolvemos fazer este magnifico encontro das três maiores
damas do país. A mais popular, a mais elegante e a mais poderosa.
É claro que esta última trata-se de mim mesma. Ah! Ah! Ah!
Ela vira-se para as duas e mostra-as às câmeras, permitindo
que todos vejam como elas estão enroladas em caules finos e espinhentos
de plantas estranhas que cresceram em volta de seu corpo,
como se fosse uma gaiola, mas com os espinhos ameaçando pontos
vitais que impossibilita-as de moverem-se.
- Ouçam! Que tal colaborarem vocês que estão
me vendo, de preferência o nosso presidente. Me forneçam a
quantia de 5 milhões de dólares. Dólares, ouviram
bem, meus queridinhos?? Esse dinheiro daqui não é confiável.
Obedeçam-me, imediatamente! E sem truques! Quando receber
o dinheiro, soltarei a Primeira Dama e quem sabe, de brinde vocês
tenham a adorada Mariana Braga de volta ao palco, e se forem ligeiros,
ainda dá até para gravar o resto do programa. Ah ah ah ah!
- ironiza.
No Japão, de volta à casa de Sailor Moon., todas as Sailors
demonstram-se indignadas com o que estão vendo.
Lita irritada:
- Isso não pode ser! Nós devíamos fazer alguma
coisa! Esta mau caráter não está brincando!
Se as autoridades de lá não cumprirem suas exigências,
irá fazer o País inteiro ficar de luto.
- Nossa! Deve ser muito ruim um país da Europa ter o presidente
chorando sua amada! Ai que coisa triste! - diz Serena.
- Europa, Serena!? - repreende Ray - O Brasil não
fica na Europa, é na América do Sul, cabeça oca!
- Ah, eu sei... estava vendo se você percebia a brincadeira;
sei muito bem que fica lá entre a Austrália e o Egito.
Amy comenta decepcionada:
- Ai! E olha que a única coisa que ela estudou hoje foi
geografia..
Lita:
- Vamos esquecer mapas, por enquanto. Devemos é usar nosso SAILORTELEPORTE
para irmos até lá ajudar.
Mina:
- Eu concordo, é melhor irmos bem rápido!
As garotas formam um circulo na pequena sala e dão as mãos.
Porém, antes que as guerreiras lunares pudessem iniciar sua magia
de transferência, algo inesperado acontece.
- Olhem. - diz Mina, apontando a TV.
A imagem havia tornado-se preta e depois voltara a clarear; logo
depois isto ocorre novamente.
- O que está acontecendo?! - berra alguém
do estúdio.
- - Avariaram o sistema elétrico! - berra outro.
- Foi algum de vocês? -pergunta a bandida a um subordinado;
ele responde meneando a cabeça negativamente.
Um dos semi- humanos capangas da mulher olha atentamente para os lados,
quando a luz falha outra vez, mas bem rapidamente, porém quando
volta o homem está caído no chão, fora de si.
Flora vendo isso, alerta seus aliados.
- Tomem cuidado!
Contudo a luz se apaga mais uma vez em meio ao som de zumbidos elétricos
da fiação; então ela começa a piscar com intervalos
menores, varias vezes , e a cada retorno a luz permite ver mais capangas
derrubados.
- O que está havendo? Quem está aí?
Durante o domínio temporário da escuridão dessa
vez ouve-se uma voz que se propaga:
- Aonde houver uma alma em trevas , a minha sombra surgirá,
para destruir implacavelmente as forças do mal. Abrande sua alma
com o laço da rendição ou sofrerá as conseqúências
do ninja Justiceiro Shadow Moon!
- Você veio me importunar seu maldito! Meus esparros! Cerquem-no!
- berra Flora.
A luz volta e repentinamente um homem trajando uma roupa ninja, aparece
em meio ao estúdio, bem próximo a Flora, mas os capangas
da mulher surgem ao seu redor, deixando-o cercado.
A luz volta a falhar. A mulher vegetal tem sua visão totalmente
inutilizada neste momento, quando então a iluminação
volta e ela vê todos seus aliados ainda em circulo, mas caídos
no piso.
- Onde está você, seu maldito?- instiga ela.
- Aqui! - responde ele nas costas da mulher, prontamente encostando
uma shuriki em seu pescoço.- Renda-se! É sua
última chance!
Ela não demonstra-se assustada.
- Grande Shadow Moon! Eu lhe ofereço meu colar em troca
de minha liberdade.
Shadow Moon dá uma risada irônica.
- Sua infeliz! Acha que vou aceitar suborno?
- Sei que não, mas isto não foi uma pergunta.
- ela abre um sorriso.
Repentinamente as supostas pérolas do colar da mulher rompem-se,
dando origem a gavinhas que se enrolam no braço que porta
a arma do Ninja; começam a aperta-lo como se fossem
grossos fios de aço, com extrema força. Isto faz com
que Shadow solte sua inimiga.
Outros capangas da mulher chegam e o atacam neste momento.
No Japão, as Sailors encontram-se muito surpresas com as imagens
vistas na TV.
Lita:
- Mas esse tal Shadow Moon... ele parece... Não!
Ele afirmou ser um ninja?!
Ray:
- Nào pode ser...ele está no Brasil! Não
podem existir ninjas nesse País! É impossível!!!
Amy:
- Isto não que dizer nada, garotas. No Brasil a colônia
Japonesa é grande e muito antiga. Os primeiros imigrantes japoneses
chegaram ao País no inicio do século XX, e se estabeleceram
em algumas das principais cidades brasileiras, principalmente em
São Paulo, onde fica a maior colônia japonesa fora do Japão.
Por isso é possível que as técnicas ninjas possam
ter chegado com algumas pessoas que imigraram.
- Ai ! Vejam! - diz Serena surpresa com as imagens.
Os capangas de Flora seguram o ninja, que está com braços
e pernas presas pelas mãos inimigas.
Flora se vê mais livre para brincar com seu inimigo. Tira
uma semente do cabelo, e em tom suave diz:
- Veja, Shadow Moon! Esta semente, antecessora de
mais uma bela vida vegetal... eu vou planta-la no seu organismo, e e você
terá o prazer de dar origem a uma linda árvore. Sinta-se
orgulhoso. O seu sangue servirá como um “maravilhoso adubo”... Ah!
Ah! Ah!
As mãos femininas, contudo malignas e esverdeadas
da bandida, seguram a semente entre o polegar e o indicador
aproximando-se do rosto do oponente.
Flora:
- Veja que interessante: eu ainda vou poder conhecer e mostrar,
em rede nacional, a face do meu inimigo para todo mundo.
Essa minha vingança não poderia ser mais “deliciosamente”
cruel, não acha, Shadow Moon?!
O ninja nada responde, apenas cerra os dentes e tenta afastar o seu
rosto encapuzado das mãos de sua inimiga, porém o esforço
está fadado ao fracasso, como ele bem sabe.
Com a outra mão, flora maligna segura o capuz do ninja,
o qual contorce-se, mas não consegue se libertar.
Flora fala cinicamente:
- Não seja tímido! Não se preocupe se você
for feio! Todos diante da minha beleza são feios! Eu
sou a pessoa mais maravilhosa e bela de todo mundo! Ah! Ah! Ah!
Ela puxa o capuz do ninja , mas no mesmo instante a luz falha,
novamente.
As Sailors observam a tela escura extremamente ansiosas.
A luz retorna , porém Shadow ninja desapareceu com as sombras.
Os capangas de Flora não sabem o que fazer.
Flora fica perplexa e irritada, com a inacreditável fuga de
seu inimigo:
- Mas... mas... como foi que ele...? Seus idiotas
incompetentes e sem cérebros!!! Deixaram ele escapar!
Não devia tê-lo deixado na mão de criaturas tão
feias como vocês! - ela olha para sua mão e não
vê o capuz e tampouco a semente - Cadê a
semente? Onde está?
De súbito um dos capangas dela começa a sentir-se mal
e grita, desesperadamente, quando galhos crescem em seus ouvidos
e outros surgem rompendo sua pele, e, em
segundos, a arvore cresce deixando o semi-homem pendurado morto
sobre ela.
Flora:
- Como ele consegue?
A voz de Shadow Moon ressurge:
- Sua tola! Não é capaz de entender que onde
estão as trevas é onde eu habito? E aqueles que carregam
as trevas no coração a minha sombra os perseguirá
sempre!
Flora muito irritada:
- Não tente me iludir! Você é apenas um homem,
e sei onde você se esconde.
A mulher vira-se para o lado de onde ouviu a voz do ninja. Vendo
um sofá recostado a beira do estúdio, este é usado
quando um número grande de entrevistados surge no programa.
- Maldito! Nào pense que estou brincando ainda!
A mulher estica suas mãos naquela direção e seus
dez dedos crescem em grande velocidade, indo na direção escolhida,
suas unhas ficam extremamente pontiagudas e se ramificam em várias
outras cada uma delas. E como uma saraivada de balas, todas
as pontas atingem o sofá, transpassando-o, bem como
a parede em volta, não dando oportunidade de ninguém fugir
daquele ataque.
- Ah Ah aha aha aha ! O que achou?! O que me diz agora Shadow Moon?!
Shadow Moon:
- Acho que você deveria ir a manicure quando voltar à
prisão!
A mulher espanta-se não com sua ousadia, mas por ele manter
o bom humor na condição em que ele está como
ela supunha tê-lo atingido.
Porém ela vira-se e vê o ninja em outro ponto da sala
e diz assustada:
- Mas você estava ali...eu ouvi!
O ninja mostra um microfone do estúdio e diz:
- Você tem como pagar o prejuízo da caixa de som que destruiu?
- ele então retira calmamente sua espada da bainha e caminha sem
pressa alguma.
A bandida olha para as duas ilustres mulheres que capturou e ordena:
- Esparros! Acabem de vez com aquelas duas ali! Matem-nas!
O que ocorre em seguida, não dura mais que uns poucos segundos:
Num outro pic de luz a Primeira e a Apresentadora vêem-se livres
dos cipós, olham ainda surpresas para as "cordas vivas" pois nem
viram quando o ninja as libertou, deixando alguns corpos inertes dos semi-humanos
que chegaram a se aproximar.
A mulher vegetal não consegue soltar os dedos de garranchos
do sofá, só consegue arrasta-lo com muita lentidão
puxando-o. Ela esta impedida de reagir e ele caminha na direção
dela com a espada.
- Peguem ele!- ordena a seus escravos restantes.
Os semi-humanos restantes avançam contra o ninja novamente ,
o qual com golpes rápidos e ágeis com os pés somente,
derruba cada inimigo, porém mantém a calma no caminhar
para a Flora.
Ela por mais pressa que tenha não consegue soltar-se.
Fica extremamente nervosa.
Shadow Moon chega a frente dela e levanta sua espada .
Ela fecha os olhos com medo.
O ninja desfere um golpe perfeito, que corta os dedos de Flora, deixando-os
do tamanho normal.
Ela com as mãos molhadas de seiva vegetal, que é
o seu sangue:
- Seu maldito! - mal consegue falar.
Shadow:
- Meu trabalho termina aqui. Você está derrotada,
Flora! Sua energia maligna está tão fraca, que a policia
, lá fora, não terá problemas em prende-la em algemas
especiais para super-criminosos. Daqui, você irá direto
para a cadeia que é o lugar de gente de sua laia!
O ninja então aproxima-se da Mariana Braga e da Primeira
Dama e pergunta:
- Estão bem?
Elas, ainda surpresas com tudo que aconteceu e especialmente
com o que viram, meneiam afirmativamente a cabeça.
Mariana Braga:
- Espera! Você gostaria de dar uma entrevista para nosso programa?
Outro rápido pic de luz se dá e quando a energia volta
o ninja já sumiu.
Do lado de fora da emissora inúmeros carros de polícia
a cercam, não tem um só ponto que não esteja cercado.
Dentro de um dos veículos , que está bem próximo
às paredes , um dos policiais espera, entediado, o desenrolar
dos acontecimentos. Liga o isqueiro do carro e, lentamente,
tira um cigarro do bolso. Coloca-o na boca, com uma tranquilidade
sem igual. Pega o isqueiro já em brasas e acende o cigarro,
quando, de repente, o seu carro sacode forte, o que o
faz queimar-se com o isqueiro, deixando-o cair.
O policial olha para cima e vê o teto do seu carro afundado.
Agora olha para fora e vê que a janela do quarto andar da emissora
está quebrada. Volta-se para o outro lado e vê Shadow
Moon correndo por cima dos carros de polícia estacionados.
As autoridades sentem-se surpresas com a figura do ninja. Não
sabem o que fazer, quando, então o tenente dá
a ordem:
- O que esperam? Abram fogo! Acertem esse desgraçado!
Os policiais todos sacam as armas ao mesmo tempo e disparam contra
o ninja.
Eles não têm muito tempo, pois segundos depois Shadow
Moon lança uma bomba de fumaça ao solo, criando um
rápido nevoeiro no local.
Ele some nessa fumaça. Ninguém mais sabe onde atirar.
Policial 1:
- Senhor, ele sumiu.
Tenente:
- Não permitam que isso aconteça de novo! Vasculhem!
Todos os policiais se mobilizam para as proximidades, olhando
todos os lugares possíveis onde estaria o tal ninja, porem
ele prefere o impossível.
Ele quase tem uma fuga sem problemas, desta vez. Não
fosse um dos policiais de visão atenta percebe-lo na rua,
do outro lado do prédio vizinho, saindo com uma moto,
quase toda prateada,.que faz jus ao nome dado pelo seu dono misterioso:
Lua de Prata.
O policial que o localizou alerta os outros.
- Do outro lado! Ele está numa moto!
Logo os carros de polícia mais próximos ao local, saem
a grande velocidade atrás do justiceiro.
Tenente irado:
- Prendam-no! Não aceito mais ele solto nem um dia!
Colocando toda a força do motor e toda altura na sirene,
três viaturas se aventuram a perseguir o habilidoso ninja,
que enquanto dirige, dá uma rápida olhada para trás,
para ver quantos são os seus perseguidores, sempre com os
seus olhos demonstrando segurança.
O ninja faz sua primeira manobra. Entra numa rua contra-mão,
mas isso não intimida os policiais que fazem o mesmo trajeto.
Os que mais se assustam, são os motoristas domingueiros,
que quase perdem o controle ao se depararem com a moto e as viaturas.
Derrapadas sucedem-se, mas nenhum choque de veículo ocorre.
Shadow Moon comenta consigo:
- Por que não desistem logo? Hoje não tive uma boa noite
de sono e não estou para brincadeiras!
Seus olhos característicos de orientais localizam à sua
frente um grande caminhão com carga de caixas de garrafas de cerveja.
Ele então acelera a moto mais ainda.
O motorista do caminhão quando o avista, exclama:
- Que diabo é isso?
O ninja avança retilineamente na direção do caminhão
que está na faixa seletiva.
Numa viatura um policial comenta:
- O que ele está fazendo?
- É um kamikase! - responde o outro, em tom
de brincadeira.
- Num caminhão de cerveja? Ele é um abstêmio
tão radical...! - volta a falar.
O mesmo pensamento sobre kamikase vem à cabeça do caminhoneiro,
que sente suas mãos tremerem no grande volante. Toca a buzina.
Desesperadamente.
Já o ninja mantém seu olhar firme no grande veículo,
sem voltar-se um centímetro.
O caminhoneiro sua frio e sente-se obrigado a mover-se pela teimosia
do ninja.
Vira o volante violentamente demais para um caminhão em alta
velocidade, fazendo o imenso veículo tombar na avenida.
Shadow Moon somente desviara sua moto a menos de cinco metros do caminhão,
mesmo assim saindo intacto, como pombos que voam, no último
momento antes de ser atropelado.
Já o grande veículo acaba arrastando-se na estrada,
espalhando sua carga por todo o asfalto.
Os carros da polícia já estavam perto demais para parar
e andam sobre algumas dezenas de garrafas quebradas, furando todos
os pneus.
E todos param por cima dos cacos encharcados de álcool e cevada.
Os policiais descem dos seus veículos e os observam desanimados:
- O que faremos, agora?
Outro policial agacha-se e pega uma garrafa de cerveja. Levanta-a
e grita:
- Vamos brindar nossa demissão! - fala, em tom irônico.
Após aquela agitação toda, o repórter
Dan aproxima-se do tenente que está com as mãos sobre o capô
de uma viatura com ar desanimado.
Dan:
- Aqui estamos com o tenente Wilton Ferraz, da Polícia
e o senhor poderia nos dizer quem é este homem vestido como um ninja,
que acaba de fugir?
O tenente, flamejando pelas ventas, agarra o microfone
da mão do repórter e diz:
- Eu vou te dizer quem é esse sujeito. É um fora-da-lei,
que está perturbando a Polícia do nosso País.
Um infeliz que quer aparecer e ganhar fama, às custas da Polícia,
fingindo-se ser um herói justiceiro, mas a mim e as autoridades
esse desgraçado duma figa não engana!! Que fique claro,
muito claro, que este cara vai para a cadeia mofar muito mais rápido
do que vocês pensam! Nem que eu tenha que caça-lo sozinho
pela cidade inteira de São Paulo.
Em fúria, ele devolve grosseiramente o microfone para
a mão do repórter. Afasta-se em direção
aos seus comandados, que neste instante trazem para fora do estúdio
Flora Maligna presa pelos policiais, ainda sentindo o ataque sofrido
e também as autoridades escoltam a Primeira Dama, que ainda
está muito assustada com o que houve.
Dan aproxima-se, e junto com muitos outros repórteres,
tenta pegar uma palavra da mulher do presidente.
- Excelentissima senhora, pode nos dizer algo sobre quem a salvou?
Ela fala:
- Ele não me salvou. Ele é um criminoso!
- diz apenas isso, enquanto é encaminhada para uma ambulância.
Dan, um tanto surpreso com o comentário, volta-se
para o seu cameraman, e comenta:
- Bem, estas foram as primeiras palavras ditas pela Primeira
Dama após a libertação.
Mais tarde, ainda na casa de Serena, as garotas estão
tentando estudar, mas estão com uma expressão
preocupada.
Mina:
- Garotas, por que vocês estão preocupadas?
Ray:
- E por que você também está preocupada?
Mina:
- Ah, na verdade todo mundo está pensando a mesma coisa.
Não me sai da cabeça, como falaram mal daquele homem
que salvou a Primeira Dama e prendeu a bandida. Que ingratidão!
Serena chorosa:
- Estou com muita pena dele! Ele parecia até o Tuxedo Mask.
Ray:
- Ele lutava muito bem.
Mina:
- É verdade. Tão bem quanto a Lita, que não
fica pra trás.
Lita, meio orgulhosa:
- Ah, Não exagerem, meninas! Assim vocês me deixam
sem jeito!
Amy ouviu os últimos comentários e seus pensamentos
fluem.
- A Lita realmente luta muito bem. Às vezes eu gostaria
muito de saber lutar como ela, para ser uma ajuda de verdade para
minhas amigas. E não só uma garota que só sabe mexer
em computadores...
De volta ao Brasil, numa parte escura da cidade, onde nem
os bandidos têm coragem de habitar, num beco repleto de quinquilharias
abandonadas pelo povo da cidade e até pela empresa de limpeza urbana,
a moto de Shadow Moon passa por uma pequena trilha entre todas essas coisas,
aproximando-se da parede que sustenta um outdoor que tem uma propaganda
de motocicleta, esta fotografada de frente e letras grandes à
sua volta: a Kawasaki Ninja faz-lhe sentir um guerreiro das ruas.
Shadow Moon direciona sua moto, acelerando, passando sobre
um caixote quebrado, que está servindo de rampa e joga Lua
de Prata diretamente na figura da moto no outdoor, entrando por ali,
pois na verdade trata-se de uma passagem secreta, que abre-se por
um instante e fecha-se novamente, voltando a assemelhar-se um outdoor.
Pouco depois, num local pouco menos escuro que o anterior,
o ninja desce de sua moto que fora encaixada num tipo de armação
e caminha por aquele local. Este, tal como o lugar lá
de fora, é repleto de coisas pelo chão, porem
ali são aparelhos de vários tipos. Peças e partes
de vários equipamentos das mais diversas funções e
variadas épocas de tecnologia. Tanto encontra-se um processador
de micro de última geração, no canto da parede,
bem ao lado de um gramofone desmontado.
Shadow Moon retira seu capuz revelando totalmente seu rosto oriental
de olhar austero, pouco amigável. Aproxima-se de uma
sala onde há um brilho e som de vozes é ouvido.
Entrando ali, ele vê um homem que assiste sorrindo a reportagem
do sequestro da Primeira Dama.
Apesar de estar contente este homem é limitado a uma cadeira
de rodas.
A tela, no qual ele assiste, na verdade trata-se de um
monitor de computador, cujos inúmeros botões preenchem
um painel de quase dois metros de largura.
O homem de cadeira de rodas olha Shadow Moon, sorrindo:
- Jimmy! Eu vi tudo! Até a hora que você fugiu da
Polícia! Tudo pelo telão do computador. Cara,
você tava muito bem! Devia tentar a vida no cinema. Podia
ganhar mais que o Stallone. Teve uma cena, então...
que está melhor que o Bruce Lee. Quer que eu a mostre? Já
estou até vendo o seu nome no letreiro do cinema. Enorme!
Jimmy Hara! E em baixo, menor, o nome do filme:
SHADOWMOON-JUSTICEIRO IMPLACÁVEL! Vai ser um campeão
de bilheterias... He! He!He!
Jimmy o responde, mal humorado:
- Não faça graça, Issac. Não era
para eu ter sido filmado, mas nada pude fazer já que o crime
era durante uma filmagem no estúdio de TV.
- Era de se esperar, Jimmy. Um dia Shadow Moon seria “flagrado”
pela câmeras da imprensa e da Tv. E este dia foi o hoje.
Era inevitável!
Jimmy vira-se e vê o tenente Wilton Ferraz:
- Wilton, como foi pra chegar aqui hoje?
Wilton:
- Foi um pouco complicado despistar os repórteres e os meus
colegas, mas cá estou, amigo. - diz ele sorridente.
Issac:
- Jimmy, se você ouvir o que ele disse sobre você
hoje na reportagem...
Wilton:
- Opa, péra aí! Eu estava fingindo,
né? Você sabe que eu sou seu amigo.
Issac:
- Parece que vocês dois já nasceram atores profissionais.
Só falta saber se eu também tenho jeito pra coisa.
- diz, bem humorado.
Jimmy:
- Quem sabe, eu sendo visto pelo povo, o medo deles diminua
com relação a Shadow Moon?
Wilton:
- Concordo com você, pois agora eles viram que você
realmente faz sem ter influência de boateiros que aumentem
ou diminuem o fato ocorrido.
Issac:
- É, Jimmy, mas você deu uma audiência
grande e eu acho que a sua avó Rumiko foi uma das telespectadora.
Acho que você deveria falar com ela. “aliviar” as coisas, se
é que me entende...
Jimmy:
- Sei, eu vou lá agora.
Em um aposento da casa escondida, uma senhora de cerca de 70 anos
está meditando num lugar que lembra muito um templo xintoista.
Ela reza baixinho quando Jimmy chega e fica aguardando.
Após
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alguns segundos ela pára e vira-se para o neto,
indagando:
- Como foi hoje?
Jimmy preocupado:
- Cumpri a missão sem muitas dificuldades, mas...
Rumiko:
- Mas...?
Jimmy:
- Como a senhora deve saber, eu fui filmado ao vivo.
Rumiko, mantendo a calma:
- Assisti ao noticiário! Isso não podia ter acontecido!
Um ninja deve agir em total segredo na escuridão! Nunca de
maneira tão exposta como você ficou esta noite para o País
inteiro... Mas, sei que você não teve outra opção!
De qualquer forma, isso irá nos atrapalhar em nossa missão,
a partir de agora!
Jimmy:
- Que devo fazer para reparar meu erro perante a senhora?
Rumiko:
- Só faça o de sempre. Treine, treine muito.
Logo, logo, sinto que suas habilidades ninjas serão mais necessárias
do que nunca...
Jimmy:
- Necessárias ? Como assim? Aconteceu alguma coisa?
Rumiko:
- Não aconteceu. Vai acontecer algo ruim. Muito
ruim, mas ainda não sei o que será. Eu sinto
os “espíritos ancestrais” me alertando...
Nada mais é dito! E como se fosse um aviso de mão
agouro, um vento frio e assobiante invade a sala e acaba apagando
uma das velas acesas no pequeno santuário de Rumiko.
Fanfics / Capitulo
02
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