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Seqüestro Inesperado
Lady Barton
ladybarton1@icqmail.com
Quarta Parte
-PELA URINA DE SATÃ!!Por que diabos nós temos que ir pra
droga daquele Reino fedido!!?!?!-resmungava Duo, já no carro, indignado
com a decisão tomada sem o seu consentimento, fundamental para que
tudo funcionasse.
-Não se aborreça...-advertiu friamente, Quatre, parecendo
completamente decidido e certo do que estava fazendo.-Para que as buscas
possam ser lideradas por nós mesmos...teremos mais recursos disponíveis
á nosso total acesso!
-Se continuar com essa postura infantil, será mais difícil
localizarmos o Chang, Trowa e o Heero...-diz Anne, jogando sua mala no
banco traseiro.
-Esse é o típico Soldado que odeia-cumprir-ordens, que
eu conheço....-comentou Zechs, sarcasticamente, na direção
do carro, olhando para o vidro que refletia a imagem teimosa de Duo.
Duo deu um resmungo surdo e permaneceu com a cara fechada pelo resto
da viagem.Não era muito do seu feitio adorar o Reino Sank, ainda
mais com Relena na liderança do lugar...estava indo pra lá
por Heero, por que se dependesse de seu orgulho e sua vontade, explodiria
aquele lugar em segundos....
**Chegando lá***
-Vocês terão quartos exclusivos na base preparada para
buscas secretas do Reino...temos profissionais do ramo disponíveis
para esclarecimento de qualquer tipo de dúvida, ou possíveis
suspeitas dos seqüestradores...-avisou Milliardo,conduzindo os rapazes
á base, que mais parecia um palácio
-Ótimo...-disse Duo, fazendo birra.-Onde é meu quarto?
-Segundo andar, 625...
-O meu?-perguntou a garota do grupo, meio desinteressada.
-Segundo andar, 700.Quatre Winner, o seu é o 614.
Desanimados e não muito disposto á começarem a
trabalhar, deixaram as malas nos quartos e seguiram para o centro de buscas,
no quarto andar.
***No local***
Vários objetos e roupas pertencentes á Trowa, WuFei e
Heero, estavam espalhados por várias mesas, e eram estudados por
homens, minuciosamente.Nem tiveram coragem de se aproximar, pela falta
de informação á respeito das pesquisas.
Notaram que não havia muito que poderiam fazer por ali, apenas
inspecionar as provas e os dados é o que teriam de fazer, sem hesitar.Decidiram
ir visitar Tenente Noin, que agora, era guarda real de Relena.Provavelmente,
estaria com Milliardo conversando sobre algum tipo de nova ordem para o
Reino, obviamente, idealizada pela Suprema Rainha Relena.
O prédio era enorme, e haviam centenas de quartos para os pesquisadores,
espalhados pelos vinte andares que compunham o lugar.A lanchonete ficava
no primeiro andar.
****No primeiro andar****
-Boa-Tarde, Meninos e Meninas!!-disse Noin, corando de felicidade em
vez os rapazes que tanto gostava e admirava.-Como cresceram desde a última
vez!!-comentou, parecendo sua mãe, abraçando a todos, fortemente.
-Que saudades, Senhorita Noin!!-disse Quatre, gentilmente.-Vejo que
tem trabalhado muito por aqui!!
-Sem dúvida...Mas, tenho novidades para vocês...-disse,
perdendo um pouco da alegria inicial.-Amanhã teremos um evento social
no Reino...
-E?-perguntou Duo, já imaginando de quem era obra.
-Senhorita Relena fez questão de convida-los...
-Mas não temos trajes específicos!-disse Anne com veemência,
tentando arranjar um argumento que a convencesse de que não estavam
muito preparados para participar dessa falta de senso de ridículo
exposta.
-Eu os trarei hoje mesmo...-explicou, colocando a mão no ombro
da garota.-Entendo como se sentem, mas será bom se distraírem
com algo, em meio á tanta confusão e tristeza, sempre há
uma forma de se lembrar das coisas agradáveis...
“Relena Agradável??Bah, Conta outra.....essa não me convenceu....”-pensou
Duo, imaginando com que cara iria receber a Suprema Rainha do Mundo.
-Agora descansem...vocês merecem todo o conforto que podemos oferecer,
deixem que eu cuido de tudo!!-disse simpaticamente, levando-os de volta
ao seu quarto, para que não se perdessem pelo prédio gigante.
Despediu-se de todos, tentando anima-los, o que seria extremamente difícil,
considerando tudo pelo que passavam.Perder uma pessoa querida, tão
repentinamente, sem que ninguém tivesse o mínimo de consideração,
era de fato, muito doloroso para quem quer que fosse.
***No dia Seguinte***
Duo acordou com um humor terrivelmente péssimo.A falta do corpo
quente de Heero ao seu lado, todos os dias, deixava seu bom humor terrivelmente
inconstante.Não estava com nem um pouco de paciência para
agüentar Relena e suas provocações idiotas.Ainda mais
se estivessem numa droga de festa promovida por ela.Isso o estava deixando
neurótico....Não tinha pressentimentos bons em relação
á esse súbito encontro-arranjado.
Ambas as coisas deram-lhe vontade de vomitar.
Sua cabeça doía.Na verdade, o corpo estava dolorido.
Na porta estava pendurado seu smoking, negro, tal qual gostava.Noin
era bem informada, assim sendo, sabia das suas preferências...
-Menos mal....-disse, pegando o traje.
**No outro quarto***
Acordou mal á beça.
Quatre pegou seu traje, sem sequer olha-lo direito.Por mais fino e educado
que fosse, não estava com a mínima vontade de ir á
uma festa hoje, não tinha a companhia que desejava....então,
não tinha nada...Absolutamente dependia de si e de seus amigos no
momento, para que pudesse encontrar Trowa.Não acreditava muito no
potencial daquelas pesquisas complexas, mas era bom confiar em alguém
numa hora dessas.
A falta de um par de olhos, de um verde penetrante e sensualmente misterioso,
o enlouqueciam desvairadamente.
-Que saco!-disse com a voz severa, jogando as roupas sob a cama, de
má vontade.
Por mais que se esforçasse, não tinha confiança
no que estavam fazendo.Na sua opinião, aquilo não daria em
nada, estava completamente desesperançoso...e não podia fazer
mais nada, não dependia mais dele, que todos fossem encontrados.E
o pior:Não sabia mais o que fazer para colaborar.
**No quarto do final do corredor***
Anne dormiu feito uma pedra.Não se lembrava de ter passado uma
noite tão sozinha e tão mal-acompanhada por um travesseiro
duro feito uma pedra.Isso tornava seu humor cada vez mais escorregadio.Enquanto
se maquiava e procurava rugas precoces frente ao espelho, constatou que
por mais que tentasse, não sabia mais o que fazer naquela droga
de lugar para onde a carregaram...aquilo não lhe cheirava bem, estava
tudo muito correto.E não era hábito seu convive com organização.
Tinha a nítida impressão de que iria despencar no espaço.
Teria que tirar isso á limpo juntamente com Duo e Quatre.Tinha
absoluta certeza de que eles pensavam do mesmo jeito.Preferia não
ficar se comportando como uma perturbada.
O vestido preto estava estendido sob a cama.
************A FESTA*************HORAS MAIS TARDE*****************
Anne estava deslumbrante em seu vestido negro.Uma roupa de gala lhe
caía perfeitamente no seu corpo esculpido pela atividade esportiva...longo,
predominava com uma enorme fenda que expunha sua perna bem definida pelo
exercício com os rapazes...Um pequeno decote exibia toda a encanto
e a perfeição de seu colo, num corte fenomenal, que exibia
apenas o adequado, suficiente para fazer qualquer homem da festa
implorar por uma dança com a linda dama melancólica de negro.
Os cabelos escorridos, sempre presos num rabo-de-cavalo apertado, estavam
excepcionalmente soltos e caídos pelos ombros descobertos.A cascata
de cabelos macia e brilhante ia até a cintura e esvoaçavam
magicamente ao mínimo toque.Era a mais bela e misteriosa garota
da festa, acompanhada por também dois rapazes de beleza admirável.Todos
de preto, mantinham a pose de convidados de última hora, e não
se preocupavam com a diversão da festa, afinal, não estavam
lá para isso.
A maquiagem lhe dava um ar enigmático e curioso, ainda mais
que cobria os olhos castanhos com o natural brilho de aço, predominante
quando sempre estava ao lado de seu ilustre e não-presente namorado,
com medonhos óculos escuros.
Duo e Quatre vestiam o típico smoking da festa, concedido por
Noin.Pareciam que os três haviam sido projetados para uma espécie
de festa á la James Bond.
-Estou me sentindo péssima, por aqui!-reclamou a garota, ignorando
um olhar admirado de um rapaz ao seu lado.
-Também estou nauseado!-disse Duo, com duas taças de
champanhe na mão.-Quem sabe conseguimos uma brecha e escapamos desse
lugar patético...-sugeriu
-Assim espero...-disse absorto, Quatre.
Depois de mais vinte minutos com muita dança e bebida, era a
hora da aparição da Princesa do Reino no palanque principal.Todos
os súditos correram até o grande palco, na expectativa de
ver Relena Peacecraft.
-Ah, não....-reclamou Duo, apoiando o rosto nas mãos.-A
hora da encheção de lingüiça!Manda o Milliardo
levar a gente embora, senão eu vou ter um ataque de vômito
e autoflagelo AGORA MESMO!-berrou, arrancando olhares raivosos e insatisfeitos
para os três
-Calma, Duo...-censurou Quatre.-Só mais um pouco e vamos embora!
-Não me responsabilizo pelas conseqüências...-disse,
ameaçador.-OLHA QUE EU SOU CAPAZ DE PROMOVER O SUICÍDIO EM
MASSA, AGORA MESMO!
Subitamente, a Princesa do Reino Sank, apareceu triunfante no palanque,
exibindo um sorriso iluminado de felicidade, o qual já não
se via á muito tempo
Desatou a fazer um discurso emocionado aos cidadãos do Reino,
a respeito da felicidade em que tinha de ver seu povo unido ao favor do
pacifismo mas uma vez.Eram seus votos sinceros que a tentativa de alcançar
a paz absoluta se concretizassem.
-Tenho o prazer de mostrar ao meu querido povo de Sank, o principal
motivo da minha alegria..que espero que se torne a alegria de todos!!-disse,
ofegando de emoção, com as faces coradas pela alegria e a
súbita empolgação estampada em seu rosto.
Uma visão estarrecedora, quase fez Duo engasgar com o champanhe.
Todos os habitantes e visitantes do Reino, ficaram horrorizados e estarrecidos
com o que havia de lhes ser mostrado.
Quatre paralisou imediatamente, não podia acreditar no que via.Como
podia ser capaz de uma sujeira tão grande?Isso era praticamente
imperdoável!Seus atos de imundice e perversidade passaram dos limites
aceitáveis!
Anne não pôde desgrudar os olhos da cena, tirou os óculos
escuros, não acreditando no que via.Como aquilo poderia estar acontecendo
ali?Ela não piscava, apenas se preocupava com o próximo movimento
de Relena.Naquele momento, tinha vontade de subir na droga do palanque,
tira-lo de lá e quebrá-la ao meio.Como podia ser tão
suja e maligna!?
Os três se entreolharam, embasbacados, sem saber o que fazer.
Milliardo escondeu o rosto decadente e humilhado nas mãos.O
próprio irmão não tinha mais coragem de mirar aquela
cena de desonra.
Era quase impossível de se acreditar.Mas, Heero estava prostrado
numa cadeira, posta ao lado de Relena.Com uma expressão serena e
calma no rosto...Mas parecia estranhamente, adormecido.Assemelhava-se a
um boneco...pálido e calado, completamente retraído e mudo.
Quem bem o conhecia, diria que aqueles olhos controlados e pacatos não
eram os de Heero.Não havia nada ali dentro.Não havia uma
lembrança de Duo, de seu toque, de seus lábios...nada.Não
havia sentimento.Não havia a mínima lembrança embaçada
de que um dia ele havia sido feliz ao lado de alguém especial.
Relena sorria diante de sua definitiva derrota sob Duo.O americano,
á metros de distância do palanque, torcia o punho com força,
quase o fazendo sangrar de tanta raiva e fúria que o consumia por
dentro ali.Duo sentiu a raiva crescer dentro de si, tão quente e
intensa quanto a luz que cobria as duas figuras sob o palco.
Haviam fracassado miseravelmente, e agora, Heero estava nas mãos
de Relena.
-O que fazemos agora!?-perguntou Quatre, em pânico, vendo outra
sombra ser carregada, amarrada numa cadeira, para o palco.
-Me desculpem pessoal....mas dessa vez eu mato essa lambisgóia!-disse
Duo, enfurecido
Avançaram até o local onde os dois estavam, prontos para
qualquer tipo de ataque violento que poderia ocorrer.Se dependesse de Relena,
mataria todos eles que estavam ali, no momento, pois seu desejo de permanecer
com Heero era infinito, uma obsessão sem limites...
Incrivelmente, todos os três rapazes, supostamente seqüestrados
por alguma alma nefasta, estavam dispostos em cadeiras de metal, no palanque,
onde Relena estava discursando á seu povo, que á essas alturas,
já havia se retirado daquele lugar, por insistência de Milliardo,
Noin e toda a segurança, acanhado e profundamente envergonhado com
a chacota, e brincadeirinhas infantil promovidas, com conseqüências
graves para a garota, que parecia não se importar ao
mínimo com a expressão arrasada de seu irmão...mais
uma vítima da “suposta inocência” da garota.
Estavam tomados por uma expressão estranhamente serena e controlada,
por mais que estivessem conscientes da situação, não
demonstravam nenhum sinal de nervosismo, ou melhor, nenhum sinal de sentimento...de
dor, raiva, ódio, serenidade, ou sequer demonstravam que estavam
respirando o mesmo ar que todos.Tudo parecia tão calmo e normal
á eles...que se assemelhavam á bonecos de corda, esparramados
e amarrados em cadeiras, por ordem de Relena.A cabeça dos jovens
pendia sinistramente para um lado do pescoço, e pareciam imensamente
confortáveis e satisfeitos, sem travar um movimento, ou abrir a
boca num possível protesto.Calados e impotentes, não pareciam
os pilotos Gundam de um dia, e sim fantoches narcotizados e sonolentos,
sem coração, sem memória de que um dia foram felizes
ao lado de alguém especial, e vários amigos que arriscariam
a própria vida em favor das suas.
Duo, Anne e Quatre, olhavam a cena, aterrorizados, sem saber o que
eu fazer.Não era possível.Pareciam estar sob efeito de algum
tipo de narcótico.Eram os únicos no grande salão.
Impossível de não serem enxergados.Se os três rapazes
não foram acudi-los, era porque algo mais grave ainda se encontrava
por trás disso.
A garota pôs a mão na boca, num gesto desesperado.Quatre
a amparou pelos ombros, vendo que queria chorar, ou possivelmente dar um
berro furioso e exaltado de ira.Duo exibia um olhar fulminante de horror
e desprezo, de aversão á tudo o que Relena estava proporcionando
á eles.Queria mata-la, despedaça-la,de uma forma tão
brutal e selvagem quanto á que foi capaz de arrancar Heero
de seus braços.
Relena parecia estar se divertindo bastante os vendo em pânico...Tinha
um brilho mágico nos olhos, que transbordava ousadia, repugnância
e ao mesmo tempo, triunfo, felicidade e exaltação, por ter
conseguido aquilo que tanto desejava.Mantinha o nariz empinado, e cacarejava
de tanto rir.Duo mirava aquilo, se contorcendo em raiva.Por sorte, pensou,
tinha uma arma carregada por baixo do elegante smoking.Dessa vez ela não
escaparia viva...isso era uma promessa, nem que fosse a última coisa
que fizesse na vida, definitivamente, aquilo o faria sentir aliviado e
realizado.
Heero não gostaria de vê-lo sujando as mãos com
tão asquerosa criatura.
Mas Heero não tinha plena consciência.
Estava perdido num mundinho morto, e não via mais o que Duo
fazia ou não.Isso tornava a possibilidade de encurralar e abater
a criatura odiável mais fácil e tranqüila.
Seu lado assassino e sanguinário, adormecido pelo tempo e falta
de destreza e prazer pela morte alheia...tinha despertado para uma nova
vítima escolhida....aquela que merecia toda a tortura, mental e
física existente,por ter se atrevido á cruzar o caminho de
uma lenda.Uma lenda das guerras, dos massacres e das carnificinas, extintas
pelo pacifismo evidente.Agora, estava pronto para atacar com tudo o que
tinha.A ele próprio e um revólver.
-Esse brinquedinho vai servir.....-sussurrou perversamente, carregando
a arma letal com um cartucho.
Anne o olhava, obviamente sem entender a súbita transformação
do garoto.Ele retribuiu o olhar, e a consolou.
-Sei que isso parece cruel e impetuoso....Mas em certas situações
temos que agir de acordo com as emoções e obedecer nosso
instinto mais violento, se é que você me entende....
Ela o olhou delicadamente.E o envolveu num carinhoso e amedrontado
abraço.
-Ele ensinou isso á todos....mas agora não pode falar
por si...não quero que fique desse jeito, o quero de novo comigo,
do jeito que ele era, com todos os defeitos e erros....mas o quero de volta
sob todas as hipóteses...-disse, em pânico, soluçando.No
momento, não falava mais como um homem, um homem corajoso, destemido
e sim, como uma criança que tem medo, e que quer estar junto de
um corpo amado para acarinhar nas noites frias, sem sono.
Quatre também não pode deixar de se sentir mal ao ver
todos os seus amigos tão mal.Lastimava por tudo o que acontecia.
O apertou com força, sentindo as lágrimas quentes do
americano escorrerem sob seu decote.Ele apoiou a cabeça em seu ombro
e devolveu um abraço igualmente receoso, porém sincero e
de iguais sentimentos.Quatre se aproximou e os abraçou do mesmo
jeito, limpou as lágrimas de Duo com um lenço negro, sorriu
de um jeito adorável, típico dele, e estendeu uma pequena
espada á Anne, que também sacou o revólver, um pouco
menor que o de Duo.Carregou á própria arma com um cartucho
mais moderno e colocou o lenço negro no bolso de Duo.
-Já sabem o que fazer...-avisou o loirinho.
Os dois sacudiram a cabeça, completamente decididos.
Relena os encarou diretamente, exibindo um sorriso arrepiante, que os
fez sentir um calafrio gélido na espinha.Pararam de repente.
Ela soltou as cordas que prendiam os rapazes nas cadeiras metalizadas.Imediatamente,
todos se puseram de pé.Quatre, Duo e Anne ficaram boquiabertos com
tamanho descaramento.O que ela pretendia?
Chang desembainhou uma longa espada chinesa, igual aquela que usava
nos duelos entre seus ancestrais, já mortos na explosão de
sua colônia natal.Tinha uma cara nada amigável.Empunhou a
espada, de forma que se desse a impressão de que fosse ataca-los
com tudo, á qualquer hora.
Relena riu alto do semblante assustados deles.Cortou as cordas que
prendiam Trowa.
Ele se levantou na mesma hora.Saltou magistralmente para frente, dando
vários salto e piruetas, num movimento inconfundível e preciso,
que só ele sabia como fazer.Parou e encarou Quatre friamente, com
os olhos verdes dum brilho penetrante e intenso, mergulhados em densa escuridão.O
loirinho engoliu em seco, e sentiu um forte aperto no peito.Queria salva-lo
dessa enfermidade, queria tirar essa face que evidenciava toda a frieza
e falta de sentimentos que habitou o coração do rapaz.Isso
o apavorou....teria que impedir o “Soldado Trowa” de fazer uma loucura.Teria
que contornar a situação, e faze-lo voltar a si...
Mas não sabia.
Não entendia nada...Sentia-se cada vez mais perdido e atrapalhado.
Como num espetáculo montado, Relena sorriu como uma anfitriã
funesta, e sentou-se no colo de Heero, ainda sentado confortavelmente.Ele
não disse nada.Não se mexeu.
Duo disparou vários tiros contra o teto, fazendo-a se assustar
um pouco.Mas nada que a impedisse de continuar seu show.Roçou a
pele de se rosto nas mãos de Heero e lhe deu um beijo nos lábios
frios.
Duo não agüentou.
Correu desesperadamente até o palco.Tão apressado e desvairado
como nunca antes.
Entretanto, antes de alcançar seu objetivo, obviamente,o pescoço
de Relena.Heero pulou furiosamente em sua direção, com selvageria
e exaltação.Finalmente se mexera.
Duo ficou parado, vendo o próprio Heero saltar para ataca-lo,
impetuosamente.Não queria acreditar naquilo.
Quando Heero enfim o alcançou, lhe acertou um murro na face,
tão forte e arrebatador que o derrubou no chão.Parecia sereno
e quieto, mas estava mais violento e indomado do que muitas vezes que o
já vira agir.Aquele soco feriu não só seu rosto, mas
seus sentimentos, seu coração sangrava juntamente ao ferimento.violência
Quando Heero virou para acertar-lhe um chute com brutalidade, Anne e
Quatre correram para ajuda-lo.Mas Trowa e WuFei também dispararam
feito balas em sua direção.E não estavam para brincadeira.A
impressão deixada por eles, era de que se possível, os mataria
sem pensar duas vezes.
-Mas que droga de brincadeira é essa!!!!!?????-perguntou-se
Quatre, em pânico, vendo-se encurralado pelos rapazes, que não
eram nada devagares, quando se tratava de brigar.
-Parece que querem confusão!Não quero bater neles....mas
parece que querem nos matar!-disse Anne, tentando se proteger das facadas
rápidas de Chang e se defendia precariamente com a pequena faca
de Quatre.Assim não iria progredir.Chang era mil vezes mais rápido
e forte que ela.Mais cedo ou mas tarde ele iria acerta-la em cheio e acabar
com ela.Sabia disso desde a primeira vez que se encontraram...já
tinha se enfrentado com antecedência, e os resultados não
foram favoráveis.Chang tinha mais habilidade destreza com as espadas
do que ela.E isso significava a derrota á ela....ou seria mais fácil
dizer....a morte.
Ela não queria ataca-lo, mas não tinha escolha.Ele era
muito veloz.Não podia ficar na defensiva, deixando-se cansar aos
poucos e rapidamente ser derrotada.Tinha que fazer algo, mesmo que isso
significasse ferir o seu amado.
Trowa deu vários saltos na direção oposta á
Chang, e por pouco não atingiu Quatre com um murro certeiro a violento
no rosto.O loirinho desabou no chão, e Trowa arrancou ferozmente
um pedaço do pé de uma mesa ao lado.Ia arrebatar Quatre com
aquilo, enfiando-lhe pela barriga, mas o loirinho foi mais rápido
e desviou.Ligeiramente, Trowa deu um salto no ar, e imobilizou Quatre com
os braços....
-DROGA, TROWA!!SOLTA-ME!!-berrou, tentando se livrar dos braços
incrivelmente fortes.-SOU EU!!VOCÊ NÃO TEM QUE ME MATAR!
Ele continuou segurando-o, contudo, com menos ânimo, o que fez
o loirinho acreditar numa possibilidade de reverter o quadro e traze-los
de volta á consciência.
Os três rapazes eram mais enérgicos e agressivos.Duo berrava
palavras obscenas, pois, Heero puxava sua trança com fúria,
e isso era a gota d’água.
-Que merda, Heero, agora vocês está conseguindo me deixar
muito zangado com você!PÁRA DE ME AZUCRINAR!!-berrou, puxando
a trança.
Chang investia contra Anne, que se defendia como podia.Ele era ligeiro
em todos os movimentos, e Anne escapava de muitos ataques letais.Tinha
que desarma-lo e convence-lo a parar, mas isso era extremamente complicado,
pois estava na defensiva e não sabia como faze-lo ficar mais tranqüilo.
Trowa saltava em inúmeras piruetas, de mesa em mesa, numa tentativa
frenética de surrar Quatre, que corria como um louco, tentando fugir
daquela máquina incansável de matar.Tirou uma faquinha do
bolso, e acertou em cheio,Quatre no rosto, fazendo-lhe um corte na bochecha.Logo,
o ferimento começou a sangrar, sujando a face pálida e delicada
do rapaz de sangue fresco e quente.
-Ah, Trowa....-disse, magoado.-Porque faz isso!?Não tem motivo
para lutarmos um contra o outro, isso não é correto...não
temos que sofrer por causa de um mal-entendido estúpido....ISSO
NÃO ESTÁ CERTO!!Acorda, Trowa!!-gritou furiosamente, sentindo
as faces corarem com a emoção.Sacudiu Trowa pelos ombros,
tentando desperta-lo daquele pesadelo.....mas era inútil.
Anne se desviou de uma facada violenta, que acabou por rasgar parte
do vestido, deixando grande parte de suas fascinantes curvas á mostra.Rolou
até Trowa, e conseguiu acertar um chute que o fez cair no chão.Mas
não era derrotado cm facilidade.
Quase que no mesmo instante, o rapaz se levantou, parecendo que não
havia sido machucado, completamente recomposto.
O sangue começava a sujar a roupa de Quatre, que afrontava Trowa,
tirando-o dessa hipnose.Era inútil.
Eles não se rendiam.Continuavam postos de pé, prontos
para atacar e eliminar todo aquele que se aproximasse o suficiente para
ser massacrado e trucidado completamente.
Os três se olharam.Com certeza, era isso o que Relena queria.Desejava
que o sangue deles rolasse pelo chão do salão.Tinha ânsia
e ganas de vê-los sofrer, esfolados pelos próprios namorados
que tanto confiavam cegamente.Queria que soubessem como era ter o desprezo
do amado, e não poder amá-lo devido á existência
de um ser inconveniente.Queria ensina-los como sofria e faze-los sofrer
por dentro e por fora, na sua frente.Queria ver o sangue deles jorrando,
nas mãos dos amantes.....seu desejo mais íntimo e intenso
era que pudesse ter essa visão magnífica, proporcionada por
ela própria.
-QUATRE!!!-gritaram Duo e Anne, temendo pela vida do amigo.
-Eu estou bem...-disse, sem demonstrar dor ou sofrimento na voz.-Trowa
é que não está...
Num movimento rápido, Duo conseguiu uma chance de golpear o Soldado
Perfeito.Mas ele era infatigável, nunca se cansava.Os dois estavam
á ponto de se trucidar.
Colocou as duas pernas em volta do corpo dele, e prendeu as mãos
logo nas costas, deixando-o impossibilitado de se movimentar, ou mesmo
de golpear, ou tentar qualquer coisa contra ele.
-Te peguei, querido!!!-riu-se se empolgando com a cara subitamente
infeliz de Relena, segurou as mãos de Heero com todas as forças.
Relena deu um guincho furioso e agudo de raiva.
Duo percorreu os olhos pelo corpo já dolorido de Heero, e magicamente,
viu uma minúscula placa de metal brilhante grudada em seu pescoço.O
aparelhinho parecia estar enferrujando e tinha fagulhas de luz torcendo-se
sob o pescoço do rapaz.
-É isso...
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