Sequestro Inesperado  
Seqüestro Inesperado
 

Lady Barton
ladybarton1@icqmail.com

Quarta Parte
 
 

-PELA URINA DE SATÃ!!Por que diabos nós temos que ir pra droga daquele Reino fedido!!?!?!-resmungava Duo, já no carro, indignado com a decisão tomada sem o seu consentimento, fundamental para que tudo funcionasse.

-Não se aborreça...-advertiu friamente, Quatre, parecendo completamente decidido e certo do que estava fazendo.-Para que as buscas possam ser lideradas por nós mesmos...teremos mais recursos disponíveis á nosso total acesso!

-Se continuar com essa postura infantil, será mais difícil localizarmos o Chang, Trowa e o Heero...-diz Anne, jogando sua mala no banco traseiro.

-Esse é o típico Soldado que odeia-cumprir-ordens, que eu conheço....-comentou Zechs, sarcasticamente, na direção do carro, olhando para o vidro que refletia a imagem teimosa de Duo.

Duo deu um resmungo surdo e permaneceu com a cara fechada pelo resto da viagem.Não era muito do seu feitio adorar o Reino Sank, ainda mais com Relena na liderança do lugar...estava indo pra lá por Heero, por que se dependesse de seu orgulho e sua vontade, explodiria aquele lugar em segundos....

**Chegando lá***

-Vocês terão quartos exclusivos na base preparada para buscas secretas do Reino...temos profissionais do ramo disponíveis para esclarecimento de qualquer tipo de dúvida, ou possíveis suspeitas dos seqüestradores...-avisou Milliardo,conduzindo os rapazes á base, que mais parecia um palácio

-Ótimo...-disse Duo, fazendo birra.-Onde é meu quarto?
-Segundo andar, 625...
-O meu?-perguntou a garota do grupo, meio desinteressada.
-Segundo andar, 700.Quatre Winner, o seu é o 614.

Desanimados e não muito disposto á começarem a trabalhar, deixaram as malas nos quartos e seguiram para o centro de buscas, no quarto andar.

***No local***

Vários objetos e roupas pertencentes á Trowa, WuFei e Heero, estavam espalhados por várias mesas, e eram estudados por homens, minuciosamente.Nem tiveram coragem de se aproximar, pela falta de informação á respeito das pesquisas.

Notaram que não havia muito que poderiam fazer por ali, apenas inspecionar as provas e os dados é o que teriam de fazer, sem hesitar.Decidiram ir visitar Tenente Noin, que agora, era guarda real de Relena.Provavelmente, estaria com Milliardo conversando sobre algum tipo de nova ordem para o Reino, obviamente, idealizada pela Suprema Rainha Relena.

O prédio era enorme, e haviam centenas de quartos para os pesquisadores, espalhados pelos vinte andares que compunham o lugar.A lanchonete ficava no primeiro andar.

****No primeiro andar****

-Boa-Tarde, Meninos e Meninas!!-disse Noin, corando de felicidade em vez os rapazes que tanto gostava e admirava.-Como cresceram desde a última vez!!-comentou, parecendo sua mãe, abraçando a todos, fortemente.

-Que saudades, Senhorita Noin!!-disse Quatre, gentilmente.-Vejo que tem trabalhado muito por aqui!!

-Sem dúvida...Mas, tenho novidades para vocês...-disse, perdendo um pouco da alegria inicial.-Amanhã teremos um evento social no Reino...

-E?-perguntou Duo, já imaginando de quem era obra.

-Senhorita Relena fez questão de convida-los...

-Mas não temos trajes específicos!-disse Anne com veemência, tentando arranjar um argumento que a convencesse de que não estavam muito preparados para participar dessa falta de senso de ridículo exposta.

-Eu os trarei hoje mesmo...-explicou, colocando a mão no ombro da garota.-Entendo como se sentem, mas será bom se distraírem com algo, em meio á tanta confusão e tristeza, sempre há uma forma de se lembrar das coisas agradáveis...

“Relena Agradável??Bah, Conta outra.....essa não me convenceu....”-pensou Duo, imaginando com que cara iria receber a Suprema Rainha do Mundo.

-Agora descansem...vocês merecem todo o conforto que podemos oferecer, deixem que eu cuido de tudo!!-disse simpaticamente, levando-os de volta ao seu quarto, para que não se perdessem pelo prédio gigante.

Despediu-se de todos, tentando anima-los, o que seria extremamente difícil, considerando tudo pelo que passavam.Perder uma pessoa querida, tão repentinamente, sem que ninguém tivesse o mínimo de consideração, era de fato, muito doloroso para quem quer que fosse.

***No dia Seguinte***

Duo acordou com um humor terrivelmente péssimo.A falta do corpo quente de Heero ao seu lado, todos os dias, deixava seu bom humor terrivelmente inconstante.Não estava com nem um pouco de paciência para agüentar Relena e suas provocações idiotas.Ainda mais se estivessem numa droga de festa promovida por ela.Isso o estava deixando neurótico....Não tinha pressentimentos bons em relação á esse súbito encontro-arranjado.
Ambas as coisas deram-lhe vontade de vomitar.
Sua cabeça doía.Na verdade, o corpo estava dolorido.
Na porta estava pendurado seu smoking, negro, tal qual gostava.Noin era bem informada, assim sendo, sabia das suas preferências...
-Menos mal....-disse, pegando o traje.

**No outro quarto***

Acordou mal á beça.

Quatre pegou seu traje, sem sequer olha-lo direito.Por mais fino e educado que fosse, não estava com a mínima vontade de ir á uma festa hoje, não tinha a companhia que desejava....então, não tinha nada...Absolutamente dependia de si e de seus amigos no momento, para que pudesse encontrar Trowa.Não acreditava muito no potencial daquelas pesquisas complexas, mas era bom confiar em alguém numa hora dessas.
A falta de um par de olhos, de um verde penetrante e sensualmente misterioso, o enlouqueciam desvairadamente.
-Que saco!-disse com a voz severa, jogando as roupas sob a cama, de má vontade.
Por mais que se esforçasse, não tinha confiança no que estavam fazendo.Na sua opinião, aquilo não daria em nada, estava completamente desesperançoso...e não podia fazer mais nada, não dependia mais dele, que todos fossem encontrados.E o pior:Não sabia mais o que fazer para colaborar.

**No quarto do final do corredor***

Anne dormiu feito uma pedra.Não se lembrava de ter passado uma noite tão sozinha e tão mal-acompanhada por um travesseiro duro feito uma pedra.Isso tornava seu humor cada vez mais escorregadio.Enquanto se maquiava e procurava rugas precoces frente ao espelho, constatou que por mais que tentasse, não sabia mais o que fazer naquela droga de lugar para onde a carregaram...aquilo não lhe cheirava bem, estava tudo muito correto.E não era hábito seu convive com organização.
Tinha a nítida impressão de que iria despencar no espaço.
Teria que tirar isso á limpo juntamente com Duo e Quatre.Tinha absoluta certeza de que eles pensavam do mesmo jeito.Preferia não ficar se comportando como uma perturbada.

O vestido preto estava estendido sob a cama.

************A FESTA*************HORAS MAIS TARDE*****************

Anne estava deslumbrante em seu vestido negro.Uma roupa de gala lhe caía perfeitamente no seu corpo esculpido pela atividade esportiva...longo, predominava com uma enorme fenda que expunha sua perna bem definida pelo exercício com os rapazes...Um pequeno decote exibia toda a encanto e a perfeição de seu colo, num corte fenomenal, que exibia apenas o adequado, suficiente para fazer qualquer  homem da festa implorar por uma dança com a linda dama melancólica de negro.
Os cabelos escorridos, sempre presos num rabo-de-cavalo apertado, estavam excepcionalmente soltos e caídos pelos ombros descobertos.A cascata de cabelos macia e brilhante ia até a cintura e esvoaçavam magicamente ao mínimo toque.Era a mais bela e misteriosa garota da festa, acompanhada por também dois rapazes de beleza admirável.Todos de preto, mantinham a pose de convidados de última hora, e não se preocupavam com a diversão da festa, afinal, não estavam lá para isso.
A maquiagem lhe dava um ar enigmático e curioso, ainda mais que cobria os olhos castanhos com o natural brilho de aço, predominante quando sempre estava ao lado de seu ilustre e não-presente namorado,  com  medonhos óculos escuros.
Duo e Quatre vestiam o típico smoking da festa, concedido por Noin.Pareciam que os três haviam sido projetados para uma espécie de festa á la James Bond.
-Estou me sentindo péssima, por aqui!-reclamou a garota, ignorando um olhar admirado de um rapaz ao seu lado.
-Também estou nauseado!-disse Duo, com duas taças de champanhe na mão.-Quem sabe conseguimos uma brecha e escapamos desse lugar patético...-sugeriu
-Assim espero...-disse absorto, Quatre.
Depois de mais vinte minutos com muita dança e bebida, era a hora da aparição da Princesa do Reino no palanque principal.Todos os súditos correram até o grande palco, na expectativa de ver Relena Peacecraft.
-Ah, não....-reclamou Duo, apoiando o rosto nas mãos.-A hora da encheção de lingüiça!Manda o Milliardo levar a gente embora, senão eu vou ter um ataque de vômito e autoflagelo AGORA MESMO!-berrou, arrancando olhares raivosos e insatisfeitos para os três
-Calma, Duo...-censurou Quatre.-Só mais um pouco e vamos embora!
-Não me responsabilizo pelas conseqüências...-disse, ameaçador.-OLHA QUE EU SOU CAPAZ DE PROMOVER O SUICÍDIO EM MASSA, AGORA MESMO!
Subitamente, a Princesa do Reino Sank, apareceu triunfante no palanque, exibindo um sorriso iluminado de felicidade, o qual já não se via á muito tempo
Desatou a fazer um discurso emocionado aos cidadãos do Reino, a respeito da felicidade em que tinha de ver seu povo unido ao favor do pacifismo mas uma vez.Eram seus votos sinceros que a tentativa de alcançar a paz absoluta se concretizassem.
-Tenho o prazer de mostrar ao meu querido povo de Sank, o principal motivo da minha alegria..que espero que se torne a alegria de todos!!-disse, ofegando de emoção, com as faces coradas pela alegria e a súbita empolgação estampada em seu rosto.
Uma visão estarrecedora, quase fez Duo engasgar com o champanhe.
Todos os habitantes e visitantes do Reino, ficaram horrorizados e estarrecidos com o que havia de lhes ser mostrado.
Quatre paralisou imediatamente, não podia acreditar no que via.Como podia ser capaz de uma sujeira tão grande?Isso era praticamente imperdoável!Seus atos de imundice e perversidade passaram dos limites aceitáveis!
Anne não pôde desgrudar os olhos da cena, tirou os óculos escuros, não acreditando no que via.Como aquilo poderia estar acontecendo ali?Ela não piscava, apenas se preocupava com o próximo movimento de Relena.Naquele momento, tinha vontade de subir na droga do palanque, tira-lo de lá e quebrá-la ao meio.Como podia ser tão suja e maligna!?
Os três se entreolharam, embasbacados, sem saber o que fazer.
Milliardo escondeu o rosto decadente e humilhado nas mãos.O próprio irmão não tinha mais coragem de mirar aquela cena de desonra.

Era quase impossível de se acreditar.Mas, Heero estava prostrado numa cadeira, posta ao lado de Relena.Com uma expressão serena e calma no rosto...Mas parecia estranhamente, adormecido.Assemelhava-se a um boneco...pálido e calado, completamente retraído e mudo. Quem bem o conhecia, diria que aqueles olhos controlados e pacatos não eram os de Heero.Não havia nada ali dentro.Não havia uma lembrança de Duo, de seu toque, de seus lábios...nada.Não havia sentimento.Não havia a mínima lembrança embaçada de que um dia ele havia sido feliz ao lado de alguém especial.
Relena sorria diante de sua definitiva derrota sob Duo.O americano, á metros de distância do palanque, torcia o punho com força, quase o fazendo sangrar de tanta raiva e fúria que o consumia por dentro ali.Duo sentiu a raiva crescer dentro de si, tão quente e intensa quanto a luz que cobria as duas figuras sob o palco.
Haviam fracassado miseravelmente, e agora, Heero estava nas mãos de Relena.
-O que fazemos agora!?-perguntou Quatre, em pânico, vendo outra sombra ser carregada, amarrada numa cadeira, para o palco.
-Me desculpem pessoal....mas dessa vez eu mato essa lambisgóia!-disse Duo, enfurecido
Avançaram até o local onde os dois estavam, prontos para qualquer tipo de ataque violento que poderia ocorrer.Se dependesse de Relena, mataria todos eles que estavam ali, no momento, pois seu desejo de permanecer com Heero era infinito, uma obsessão sem limites...
 

Incrivelmente, todos os três rapazes, supostamente seqüestrados por alguma alma nefasta, estavam dispostos em cadeiras de metal, no palanque, onde Relena estava discursando á seu povo, que á essas alturas, já havia se retirado daquele lugar, por insistência de Milliardo, Noin e toda a segurança, acanhado e profundamente envergonhado com a chacota, e brincadeirinhas infantil promovidas, com conseqüências graves para a garota, que parecia não  se importar  ao mínimo  com a expressão arrasada de seu irmão...mais uma vítima da “suposta inocência” da garota.
Estavam tomados por uma expressão estranhamente serena e controlada, por mais que estivessem conscientes da situação, não demonstravam nenhum sinal de nervosismo, ou melhor, nenhum sinal de sentimento...de dor, raiva, ódio, serenidade, ou sequer demonstravam que estavam respirando o mesmo ar que todos.Tudo parecia tão calmo e normal á eles...que se assemelhavam á bonecos de corda, esparramados e amarrados em cadeiras, por ordem de Relena.A cabeça dos jovens pendia sinistramente para um lado do pescoço, e pareciam imensamente confortáveis e satisfeitos, sem travar um movimento, ou abrir a boca num possível protesto.Calados e impotentes, não pareciam os pilotos Gundam de um dia, e sim fantoches narcotizados e sonolentos, sem coração, sem memória de que um dia foram felizes ao lado de alguém especial, e vários amigos que arriscariam a própria vida em favor das suas.
Duo, Anne e Quatre, olhavam a cena, aterrorizados, sem saber o que eu fazer.Não era possível.Pareciam estar sob efeito de algum tipo de narcótico.Eram os únicos no grande salão. Impossível de não serem enxergados.Se os três rapazes não foram acudi-los, era porque algo mais grave ainda se encontrava por trás disso.
A garota pôs a mão na boca, num gesto desesperado.Quatre a amparou pelos ombros, vendo que queria chorar, ou possivelmente dar um berro furioso e exaltado de ira.Duo exibia um olhar fulminante de horror e desprezo, de aversão á tudo o que Relena estava proporcionando á eles.Queria mata-la, despedaça-la,de uma forma tão brutal e selvagem quanto á que  foi capaz de arrancar Heero de seus braços.
Relena parecia estar se divertindo bastante os vendo em pânico...Tinha um brilho mágico nos olhos, que transbordava ousadia, repugnância e ao mesmo tempo, triunfo, felicidade e exaltação, por ter conseguido aquilo que tanto desejava.Mantinha o nariz empinado, e cacarejava de tanto rir.Duo mirava aquilo, se contorcendo em raiva.Por sorte, pensou, tinha uma arma carregada por baixo do elegante smoking.Dessa vez ela não escaparia viva...isso era uma promessa, nem que fosse a última coisa que fizesse na vida, definitivamente, aquilo o faria sentir aliviado e realizado.

Heero não gostaria de vê-lo sujando as mãos com tão asquerosa criatura.
Mas Heero não tinha plena consciência.
Estava perdido num mundinho morto, e não via mais o que Duo fazia ou não.Isso tornava a possibilidade de encurralar e abater a criatura odiável mais fácil e tranqüila.
Seu lado assassino e sanguinário, adormecido pelo tempo e falta de destreza e prazer pela morte alheia...tinha despertado para uma nova vítima escolhida....aquela que merecia toda a tortura, mental e física existente,por ter se atrevido á cruzar o caminho de uma lenda.Uma lenda das guerras, dos massacres e das carnificinas, extintas pelo pacifismo evidente.Agora, estava pronto para atacar com tudo o que tinha.A ele próprio e um revólver.
-Esse brinquedinho vai servir.....-sussurrou perversamente, carregando a arma letal com um cartucho.
Anne o olhava, obviamente sem entender a súbita transformação do garoto.Ele retribuiu o olhar, e a consolou.
-Sei que isso parece cruel e impetuoso....Mas em certas situações temos que agir de acordo com as emoções e obedecer nosso instinto mais violento, se é que você me entende....
Ela o olhou delicadamente.E o envolveu num carinhoso e amedrontado abraço.
-Ele ensinou isso á todos....mas agora não pode falar por si...não quero que fique desse jeito, o quero de novo comigo, do jeito que ele era, com todos os defeitos e erros....mas o quero de volta sob todas as hipóteses...-disse, em pânico, soluçando.No momento, não falava mais como um homem, um homem corajoso, destemido e sim, como uma criança que tem medo, e que quer estar junto de um corpo amado para acarinhar nas noites frias, sem sono.
Quatre também não pode deixar de se sentir mal ao ver todos os seus amigos tão mal.Lastimava por tudo o que acontecia.
O apertou com força, sentindo as lágrimas quentes do americano escorrerem sob seu decote.Ele apoiou a cabeça em seu ombro e devolveu um abraço igualmente receoso, porém sincero e de iguais sentimentos.Quatre se aproximou e os abraçou do mesmo jeito, limpou as lágrimas de Duo com um lenço negro, sorriu de um jeito adorável, típico dele, e estendeu uma pequena espada á Anne, que também sacou o revólver, um pouco menor que o de Duo.Carregou á própria arma com um cartucho mais moderno e colocou o lenço negro no bolso de Duo.
-Já sabem o que fazer...-avisou o loirinho.
Os dois sacudiram a cabeça, completamente decididos.

Relena os encarou diretamente, exibindo um sorriso arrepiante, que os fez sentir um calafrio gélido na espinha.Pararam de repente.
Ela soltou as cordas que prendiam os rapazes nas cadeiras metalizadas.Imediatamente, todos se puseram de pé.Quatre, Duo e Anne ficaram boquiabertos com tamanho descaramento.O que ela pretendia? 
Chang desembainhou uma longa espada chinesa, igual aquela que usava nos duelos entre seus ancestrais, já mortos na explosão de sua colônia natal.Tinha uma cara nada amigável.Empunhou a espada, de forma que se desse a impressão de que fosse ataca-los com tudo, á qualquer hora.
Relena riu alto do semblante assustados deles.Cortou as cordas que prendiam Trowa.
Ele se levantou na mesma hora.Saltou magistralmente para frente, dando vários salto e piruetas, num movimento inconfundível e preciso, que só ele sabia como fazer.Parou e encarou Quatre friamente, com os olhos verdes dum brilho penetrante e intenso, mergulhados em densa escuridão.O loirinho engoliu em seco, e sentiu um forte aperto no peito.Queria salva-lo dessa enfermidade, queria tirar essa face que evidenciava toda a frieza e falta de sentimentos que habitou o coração do rapaz.Isso o apavorou....teria que impedir o “Soldado Trowa” de fazer uma loucura.Teria que contornar a situação, e faze-lo voltar a si...
Mas não sabia.
Não entendia nada...Sentia-se cada vez mais perdido e atrapalhado.
Como num espetáculo montado, Relena sorriu como uma anfitriã funesta, e sentou-se no colo de Heero, ainda sentado confortavelmente.Ele não disse nada.Não se mexeu.
Duo disparou vários tiros contra o teto, fazendo-a se assustar um pouco.Mas nada que a impedisse de continuar seu show.Roçou a pele de se rosto nas mãos de Heero e lhe deu um beijo nos lábios frios.
Duo não agüentou.
Correu desesperadamente até o palco.Tão apressado e desvairado como nunca antes.

Entretanto, antes de alcançar seu objetivo, obviamente,o pescoço de Relena.Heero pulou furiosamente em sua direção, com selvageria e exaltação.Finalmente se mexera.
Duo ficou parado, vendo o próprio Heero saltar para ataca-lo, impetuosamente.Não queria acreditar naquilo.
Quando Heero enfim o alcançou, lhe acertou um murro na face, tão forte e arrebatador que o derrubou no chão.Parecia sereno e quieto, mas estava mais violento e indomado do que muitas vezes que o já vira agir.Aquele soco feriu não só seu rosto, mas seus sentimentos, seu coração sangrava juntamente ao ferimento.violência

Quando Heero virou para acertar-lhe um chute com brutalidade, Anne e Quatre correram para ajuda-lo.Mas Trowa e WuFei também dispararam feito balas em sua direção.E não estavam para brincadeira.A impressão deixada por eles, era de que se possível, os mataria sem pensar duas vezes.
-Mas que droga de brincadeira é essa!!!!!?????-perguntou-se Quatre, em pânico, vendo-se encurralado pelos rapazes, que não eram nada devagares, quando se tratava de brigar.
-Parece que querem confusão!Não quero bater neles....mas parece que querem nos matar!-disse Anne, tentando se proteger das facadas rápidas de Chang e se defendia precariamente com a pequena faca de Quatre.Assim não iria progredir.Chang era mil vezes mais rápido e forte que ela.Mais cedo ou mas tarde ele iria acerta-la em cheio e acabar com ela.Sabia disso desde a primeira vez que se encontraram...já tinha se enfrentado com antecedência, e os resultados não foram favoráveis.Chang tinha mais habilidade destreza com as espadas do que ela.E isso significava a derrota á ela....ou seria mais fácil dizer....a morte.
Ela não queria ataca-lo, mas não tinha escolha.Ele era muito veloz.Não podia ficar na defensiva, deixando-se cansar aos poucos e rapidamente ser derrotada.Tinha que fazer algo, mesmo que isso significasse ferir o seu amado.
Trowa deu vários saltos na direção oposta á Chang, e por pouco não atingiu Quatre com um murro certeiro a violento no rosto.O loirinho desabou no chão, e Trowa arrancou ferozmente um pedaço do pé de uma mesa ao lado.Ia arrebatar Quatre com aquilo, enfiando-lhe pela barriga, mas o loirinho foi mais rápido e desviou.Ligeiramente, Trowa deu um salto no ar, e imobilizou Quatre com os braços....
-DROGA, TROWA!!SOLTA-ME!!-berrou, tentando se livrar dos braços incrivelmente fortes.-SOU EU!!VOCÊ NÃO TEM QUE ME MATAR!
Ele continuou segurando-o, contudo, com menos ânimo, o que fez o loirinho acreditar numa possibilidade de reverter o quadro e traze-los de volta á consciência. 
Os três rapazes eram mais enérgicos e agressivos.Duo berrava palavras obscenas, pois, Heero puxava sua trança com fúria, e isso era a gota d’água.
-Que merda, Heero, agora vocês está conseguindo me deixar muito zangado com você!PÁRA DE ME AZUCRINAR!!-berrou, puxando a trança.
Chang investia contra Anne, que se defendia como podia.Ele era ligeiro em todos os movimentos, e Anne escapava de muitos ataques letais.Tinha que desarma-lo e convence-lo a parar, mas isso era extremamente complicado, pois estava na defensiva e não sabia como faze-lo ficar mais tranqüilo.
Trowa saltava em inúmeras piruetas, de mesa em mesa, numa tentativa frenética de surrar Quatre, que corria como um louco, tentando fugir daquela máquina incansável de matar.Tirou uma faquinha do bolso, e acertou em cheio,Quatre no rosto, fazendo-lhe um corte na bochecha.Logo, o ferimento começou a sangrar, sujando a face pálida e delicada do rapaz de sangue fresco e quente.
-Ah, Trowa....-disse, magoado.-Porque faz isso!?Não tem motivo para lutarmos um contra o outro, isso não é correto...não temos que sofrer por causa de um mal-entendido estúpido....ISSO NÃO ESTÁ CERTO!!Acorda, Trowa!!-gritou furiosamente, sentindo as faces corarem com a emoção.Sacudiu Trowa pelos ombros, tentando desperta-lo daquele pesadelo.....mas era inútil.
Anne se desviou de uma facada violenta, que acabou por rasgar parte do vestido, deixando grande parte de suas fascinantes curvas á mostra.Rolou até Trowa, e conseguiu acertar um chute que o fez cair no chão.Mas não era derrotado cm facilidade.
Quase que no mesmo instante, o rapaz se levantou, parecendo que não havia sido machucado, completamente recomposto.
O sangue começava a sujar a roupa de Quatre, que afrontava Trowa, tirando-o dessa hipnose.Era inútil.
Eles não se rendiam.Continuavam postos de pé, prontos para atacar e eliminar todo aquele que se aproximasse o suficiente para ser massacrado e trucidado completamente.

Os três se olharam.Com certeza, era isso o que Relena queria.Desejava que o sangue deles rolasse pelo chão do salão.Tinha ânsia e ganas de vê-los sofrer, esfolados pelos próprios namorados que tanto confiavam cegamente.Queria que soubessem como era ter o desprezo do amado, e não poder amá-lo devido á existência de um ser inconveniente.Queria ensina-los como sofria e faze-los sofrer por dentro e por fora, na sua frente.Queria ver o sangue deles jorrando, nas mãos dos amantes.....seu desejo mais íntimo e intenso era que pudesse ter essa visão magnífica, proporcionada por ela própria.
-QUATRE!!!-gritaram Duo e Anne, temendo pela vida do amigo.
-Eu estou bem...-disse, sem demonstrar dor ou sofrimento na voz.-Trowa é que não está...

Num movimento rápido, Duo conseguiu uma chance de golpear o Soldado Perfeito.Mas ele era infatigável, nunca se cansava.Os dois estavam á ponto de se trucidar.
Colocou as duas pernas em volta do corpo dele, e prendeu as mãos logo nas costas, deixando-o impossibilitado de se movimentar, ou mesmo de golpear, ou tentar qualquer coisa contra ele.
-Te peguei, querido!!!-riu-se se empolgando com a cara subitamente infeliz de Relena, segurou as mãos de Heero com todas as forças.
Relena deu um guincho furioso e agudo de raiva.
Duo percorreu os olhos pelo corpo já dolorido de Heero, e magicamente, viu uma minúscula placa de metal brilhante grudada em seu pescoço.O aparelhinho parecia estar enferrujando e tinha fagulhas de luz torcendo-se sob o pescoço do rapaz.
-É isso...
 
 


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