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Seqüestro Inesperado
Lady Barton
ladybarton1@icqmail.com
Terceira Parte
Subiu as escadas rápido como uma bala, ofegante, chegou ao segundo
andar, e abriu a porta com força....mas não tinha ninguém
dentro.O desespero e o medo cresceram dentro de si...
****Em outro lugar*****
Duo estava sentado junto á Heero, e por mais incrível
e inconcebível que possa parecer, o americano ria...ria com gosto,
gargalhava da situação.Despreocupado, parecendo-se certo
de algo..
-Do que ri tanto??-perguntou Heero, serenamente.
-De todos vocês...-disse ele, certo do que falava.Parou de rir
por um instante, e encarou Heero nos olhos, deu um sorriso cínico
á ele.
Aproximou-se lentamente de Heero, fazendo uma manha ruidosa, os olhos
brilhavam maliciosamente...Seus lábios macios roçavam no
pescoço de Heero, provocando-lhe uma sensação de deleite
inconfundível...os carinhos de Duo deixavam Heero em transe, fazendo-o
perder toda a ferocidade e bestialidade natural...Conversavam por meio
de olhares famintos, e a intensidade da paixão crescia com o mesmo
ardor no coração dos jovens, por ser oculto.Duo se deixou
acariciar e Heero louvar sua beleza, no ápice de sua vontade de
ser envolvido em braços tão ternos.
Os lábios molhados de Duo brincavam no pescoço de Heero,
cuja expressão era alucinada...
Subitamente, Heero se afastou de Duo, numa evidente censura sem motivo.Duo
olhou horrorizado para o rapaz, esperando que tivesse um bom motivo para
fazer aquilo com ele...
-Heero..o que pensa que está fazendo??Vai me dispensar assim?-perguntou,desapontado,
com uma voz chocada.
-Não posso...Tenho algumas coisas á fazer...-respondeu
num tom frio e despreocupado.
Duo apertou os punhos, e vociferou, enfurecido:
-QUE BONITO!!-disse com raiva, tentou se controlar e pensar num argumento
bem convincente para que Heero prosseguisse com o que não haviam
terminado.-Por favor, Heero...Faça uma coisa:Finja que sou uma Lata
velha de ketchup, você só tem que empurrar fundo para algo
sair...-disse, como se isso fosse convencer o orgulhoso Soldado Perfeito.
Heero, fingiu(muito bem, por sinal)que não havia escutado, e
prosseguiu serenamente, deixando Duo abandonado.
-AINDA DESPEDAÇO AQUELE MALDITO LAPTOP NA SUA CABEÇA,
HEEROOO!!Desgraçado...-berrou, abotoando a blusa negra.
Trowa procurava desesperadamente por Quatre em todos os andares, mas
não parecia ser fácil, pois, o prédio tinha muitos
andares, e, sua maioria não era conhecida pelo rapaz.Cerrou os olhos,
pensando na burrada que Chang fizera....e ainda tivera a displicência
de coloca-lo como cúmplice nessa situação arriscada...Impetuoso,
ainda não sabia o quanto era perigoso mexer com as emoções
de uma mulher...ainda mais se essa fosse temperamental e ciumenta como
Anne..definitivamente, havia se metido numa enrascada.E estava convicto
disso por experiência própria..sua irmã era extremamente
zelosa e rígida em relação á ele...
Se fosse se meter em circunstâncias como essas todos os dias,
preferia nunca ter saído de onde estava...
Subiu as escadas....
Heero trabalhava tranqüilamente, sem nenhum inoportuno...pensou
que era bem mais rápido e eficiente que procedesse as coisas daquele
jeito.Com a falta de sossego, proporcionada pelos amigos, perdia voas horas
para se trabalhar...agora, queria adiantar o máximo que podia.
Nos arquivos da OZ, Heero perdia as horas, lendo as última notícias
e informações sobre os tenentes, capitães e os mandantes,
que enviavam recomendações de última hora por meio
do cérebro de computadores de OZ...uma grande manchete chamou a
atenção de Heero.
Boletim da OZ
[b]“Jovem princesa do Reino Sank Desaparece Misteriosamente”[/b]
[b] Nas últimas horas, uma busca pelas cidades e ruelas
do Reino Sank foi acionada para localizar a jovem princesa, Relena Peacecraft,
desaparecida, aparentemente por motivos desconhecidos, até mesmo
pela guarda real, de quem é responsável a segurança
absoluta da soberana do Reino pacifista de Sank.A Guarda-real, fiel Lucrezia
Noin, não forneceu nenhuma informação ou notícia
maior sobre o estado das buscas, ou possíveis suspeitos do súbito
seqüestro.Suspeita-se de que seja uma tentativa de derrubar os princípios
elogiáveis do total pacifismo, promovidos pelo Reino, com afinco
e dedicação.[/b]
[b] Esperamos que, com toda certeza, a cativante e nobre Princesa Peacecraft
esteja bem.Nossos sinceros votos de reaparecimento e condolências
ao Reino Sank.[/b]
W.W.Monx...Norte da Europa.
Heero não pode esconder o sobressalto e o alarme.Como relena
desaparecia tão de repente..e nem mesmo a conhecida tenente da OZ,
Noin, não tinha o que dizer...explicações não
foram dadas.Devia ser uma ocasião tensa no Reino, pois, a amada
princesa do povo, seqüestrada misteriosamente, por motivos desconhecidos,
era do que se preocupar.Apesar de Heero não se sentir atraído
pela jovem, e não corresponder aos seus sempre visíveis sentimentos,
ainda tinha compaixão pelo Reino, que tanto lutara pelo que acreditava...sem
hesitar, foi imediatamente, chamar os outros.Tinham que ajudar Noin e Milliardo,
mesmo que estivesse desconfiado de que não apenas isso estava por
trás dessa história mal-contada.
Desligou o aparelho e suspirou longamente, pensando no que faria agora,
que fugiria novamente para suas obrigações de piloto.
-Lá vai você outra vez, Heero Yuy...-disse, de si para
si, pensando no que teria que fazer agora, para contribuir com Noin e Milliardo
nas buscas.
Observou com atenção a tela negra do aparelho...parecia
estar sujo....não era muito cuidadoso com isso, de fato..Aproximou-se
com um pano, agora.Esfregou com força, mas a distorção,
clara na tela, não obscurecia de forma alguma.Perdeu a paciência
e foi atrás de Quatre, já que ele era o único que
poderia ajuda-lo, aproveitaria para contar a novidades á todos.
Virou-se violentamente para a porta, e uma sombra vestida de púrpura,
estava imóvel o observando com atenção.
Heero quase caiu pra trás, num assombro intenso.
A sombra, coberta por um capuz elegante, o encarou diretamente nos
olhos, provocando-lhe um arrepio enregelado na espinha.Os olhos azuis-claros
penetraram nos seus azuis-prússia...um olhar severo, de retorno
ao passado, ríspido e rancoroso...
Engoliu em seco, ao reconhecer esse olhar austero e frio....que rebaixava
todos á sua volta, como se a própria vida não tivesse
mais sentido....
Reconheceu a si próprio..dentro daquele olhar....como se já
tivesse sido aquilo em tempo anterior.Aquele era o olhar do remoto Soldado
Perfeito, fitando uma nova manifestação de Heero Yuy.
Queria fugir....correr dali, daquela visão espantosa, pedir
por ajuda.....ajuda, agora se dava conta, do que o antigo Soldado Perfeito
precisava..auxílio...
As pernas teimavam em não obedecer, e as palavras fugiram-lhe
dos lábios.Permaneceu inativo, contra sua vontade.
O capuz púrpura foi retirado fortemente, descobrindo o rosto
enigmático...Os longos cabelos esvoaçaram com o vento, cobrindo
parcialmente o rosto descorado e desigual.
Em passos arrastados, foi se aproximando de Heero, os olhos azuis brilhando...Marejados.
Jogou o capuz púrpura no chão, esquecendo-se da compostura
e da decência.Envolveu Heero pelo pescoço, afagou seus cabelos
delicadamente...a figura obscura transpirava saudade e ternura por Heero,
que ainda parado, não entendia motivo de tanta paixão e idolatria.
Abraçava Heero fortemente, os olhos azuis brilhavam de saudades
e amores pelo rapaz, encostou a cabeça do rapaz em seu ombro, e
o aninhou com carinho e amabilidade, as lágrimas insistiam para
correr pelo rosto lívido, agora com pequenas manchas rosadas, que
cobriam as bochechas.
Pressionava Heero contra si, não acreditando que o tinha em
seus braços, enfim, somente para si.Um pequeno sorriso tímido
apareceu no rosto rigoroso.
Ele queria fugir de todo modo, mas uma força incógnita,
o impedia de escapar.Tentou se esquivar dos abraços frequentes da
criatura...mas foi impedido por uma súbita picada dolorida no pescoço.O
corpo ficou entorpecido, anestesiado..até que paralisou completamente.Uma
sensação gigantesca de sonolência tomou conta do seu
corpo..dominando-o por inteiro...
-O q-que p-preten............
Heero desabou pesadamente no chão perante á sombra.....desacordado.
-Não pensava que eras tão negligente Heero...-profanou
com uma voz suave e afável aos ouvidos como uma pluma, porém
nociva e ameaçadora como o veneno de uma serpente.
Agora radiante de felicidade, festejando a mais valiosa conquista,
a figura obscura ajeitou os cabelos desalinhados cobrindo o rosto lateralmente,
e ordenou á capangas, que levassem o rapaz inconsciente á
um determinado local ordenado...onde pudesse ficar á vontade com
ele...para que não fosse interrompida por empecilhos desnecessários.
Quatre, desesperado, subiu as escadas, em pânico.Tinha absoluta
certeza de que ouvira um movimento suspeito nos andares mais baixos..ou
seja, o andar onde moravam.Não seria muito lógico, que pensasse
que mais uma balbúrdia nojenta e estressante ressurgiria num momento
tão inoportuno...será que os fatos, não poderiam,
tecnicamente..esperar pelo seu consentimento?Não, não...tudo
teria que acontecer, como o habitual, nas horas em que menos precisava
de confusão, assim que muitas outras estivessem desabando como trovões
acima de sua cabeça.De certo que essa babaquice emocional era toda
do feitio dele...mas não conseguia evitar, afinal, era Quatre, era
deste modo.
Perder as estribeiras ali não seria uma boa coisa a se fazer,
seguindo a doutrina de Duo...não, não, isso provou que estava
sendo muito influenciado por ele.Não era nada seguro.Devia se preocupar
com o que acontecera, apesar de estar se roendo de raiva de Trowa....Como
pôde ser tão insolente, desumano..babaca!!Grrrrr!!-torceu
os dedos com fúria.
-Controle-se...-pediu a si próprio, tentando controlar o desejo
de descontar toda o seu furor contra a parede, e quem sabe, destruir todo
o vestígio de raiva e ódio que o tomavam nessa hora.
As escadas nunca terminavam, isso o deixava mais irritado ainda, com
ódio de andar.Parou para uma breve pausa na escadaria...
Observou a vista daquele andar, e ficou meio que absorto.
Uma criatura assustadoramente apressada e exaltada, correu em sua direção..e
parecia sibilar algo como “isso é sacanagem, seu covarde, bundão...”..e
outras coisas mais, próprias de uma pessoa com raiva o suficiente
para explodir um pedaço do chão para enfiar a cabeça
de alguém dentro...
-Arf....Arf....Arf...UFA
Parou de repente, e respirou com força, tentando arranjar força
para continuar xingando Heero em seus pensamentos(se bem que ele pensava
relativamente alto).Injuriado, olhou para Quatre, que parecia tão
enfurecido quanto.Vendo que não eram os únicos ligeiramente
alterados, por motivos comuns-babacas-amorosos, acomodaram-se nas escadas,
cansados de procurar por que deveria estar OS procurando!
-O que foi?-perguntou o loirinho, meio sem jeito de começar.
-Imagina só!?-respondeu num tom cantante, recuperando a forma
debochada.-Trezentas calorias queimadas espontaneamente numa tentativa
fracassada de praticar sexo...Desagradável, não?-perguntou,
fechando a cara novamente.
Logo imaginou o que Heero deveria ter feito.De acordo com seus cálculos...os
dois eram relativamente previsíveis, uma briguinha imbecil, sem
motivo, freqüente entre os dois, era inegavelmente causada pelo mais
eficiente e autodisciplinado amante de Heero.O laptop.
-Já era de se imaginar...-respondeu, cético, não
demonstrando nenhuma surpresa.
-Esse tipo de situação infernal faz o meu ego ficar do
tamanho de um caracol...-murmurou, arrasado.-Falando no diabo...Cadê
o Heero?-perguntou, procurando esconder seriamente a real curiosidade.
-Boa pergunta..-respondeu, amargamente.-Onde estão...Trowa,
WuFei, Anne e Heero??-retornou a pergunta.
-Nossa!Situação de frustração coletiva!Não
somos os únicos estrupiados pelo par...-disse, numa espécie
de consolo mútuo, muito fracassado.-Dessa vez o Heero-o abominável-destruidor
de corações americanos e Trowa-o vil-cínico e WuFei-lábia
escrota, fizeram o que não deviam...-disse, recuperando o sarcasmo-benfeitor,
ainda enraivecido com a forma que fora tratado.
Tornaram a subir as escadas, dessa vez, conformados, não iriam
atrás dos dois, de forma alguma.Iriam até seu aparentemente,
esperar por uma aparição por parte de algum dos dois, e uma
tentativa de desculpa muito bem formulada e persuasiva.
Abriram a porta apaticamente, a se depararam com a cena mais nauseante
dos últimos anos.
Anne estava completamente descabelada, os cabelos, quase do mesmo
tamanho que os de Duo, desalinhados no rosto, lhe davam uma aparência
despreocupada e meio “distraída”.
-Anne, o que está fazendo??-perguntou Duo, com uma cara de funeral.
Ela virou o rosto para o americano.Toda manchada de lágrimas,
um bando de pílulas de frascos inimagináveis espalhados pelo
chão, em torno dela.Sentada numa posição “chinesa”,
estava estática frente ao telefone.
Uma jarra d’água, completamente vazia, estava por cima do sofá,
molhando todo o estofado.E uma pilha de barras de chocolates vazias.
Visão degradante de um ser humano em estado deprimente por causa
de um deslize do namorado.
-Está vagando um célebre caminho para a obesidade...-comentou,
vendo três caixas de chocolate duplo-recheio-cremoso vazios.
Ela olhou tristemente para os dois, com o rosto inteiramente melado
de chocolate ao leite.Tomou um copo d’água duma vez só e
sibilou, com uma voz frágil, aparentemente de doente:
-O que você queria??Que eu fosse uma samaritana, professora de
catecismo, distribuísse sopa para os sem-teto????Aiiiiiiiiiêê...
-disse de uma vez, tomando a cabeça nas mãos...visivelmente
tonta.-O corpo já não me interessa.-disse, tristonha, abocanhando
metade da barra de chocolate que restava.-Não vale a pena, já
que ninguém me ama e nem quer saber de mim...
-Errr...Não fala isso!-começou Quatre, já suspeitando
os tipo de pílulas que a garota havia tomado.-Que remédio
é esse, Anne?-mal terminou a frase e a garota caiu dura no chão.
-Sonífero....-murmurou Duo,respondendo por ela, catando as caixinhas.-Vai
cair no sono por umas horinhas.
***********Um andar mais baixo*********
Trowa e Chang, claramente preocupados, procuravam Heero pelo prédio.Uns
minutos mais cedo, escutaram passos suspeitos, rondando o prédio.E,
de repente, Heero não havia aparecido mais.Duvidoso..claro.
Olharam pela sacada, e viram quatro grandalhões-parrudos, procurando
por alguém.Umas bestas patéticas de se ver.Por certo, Heero
estava lá.
Tornaram a descer a cascata de escadas, e deram de cara com dois deles.Logo
se prepararam para mostrar que não eram garotinhos-comuns.Seria
justo, dois contra dois.Agora, era só saber como distrair os imbecis
encapuzados.
-Toma cuidado..-avisou.
Vigiaram o corredor, até que os homens se aproximaram o bastante.
Chang voou no pescoço de um, violentamente, Trowa tentou impedí-lo,
mas já era tarde.Os dois grandalhões agarraram Chang, e aplicaram
uma dose de anestésico sonífero no rapaz, com muito esforço,
pois o garoto se sacudia violentamente, tentando escapar.Trowa não
pode fazer nada, naquele momento, sua pele também estava em risco,
teria de escapar, para que pudesse informar os outros da situação.E
isso incluía Quatre, que provavelmente estaria irado com ele.Já
não estava mais, tão certo de que os outros se disporiam
a salva-los.
Chang desmaiou, e foi colocado numa maca....os homens se aproximaram
de Trowa, planejando o mesmo contra ele.Preparou-se para o pior, já
que no instante não tinha mais aliados consigo.Chang foi levado
apressadamente por um dos homens, Trowa hesitou e foi atrás, porém,
foi impedido por um deles.Seria o próximo.
Um apito ruidoso soou ferozmente, e logo, o bando de brutamontes saiu
em disparada em direção ao velho ônibus parado frente
ao prédio.
Salvo pelo gongo.
Agora, o mais importante, seria explicar a situação á
Anne, Quatre e Duo, antes que os localizassem e terminassem como Chang
e Heero, capturados pelo inimigo desconhecido.Escapar dali, misteriosamente
subitamente, seria fácil...o complexo seria achar um bom disfarce
ou um refúgio para que não o capturassem, já que,
conheciam o soldado Trowa Barton, por informação e aparência.A
precipitação seria culminante, mais não temia,
afinal, não era nem a primeira, nem a última vez a qual passava
por algo assim.
Depois de todos se recuperarem da tentativa insana de Anne de cobrir
a tristeza com mais uma camada de gordura, o clima tinha se tornado mais
ameno...pelo menos entre eles, já que não faziam a mínima
idéia onde os outros haviam parado.Ninguém tinha voltado
até agora(cinco horas depois do acontecido).
Anne dormia profundamente, mudando totalmente sua expressão
frustrada para uma serena e despreocupada.Quatre e Duo tomavam chá
na sala, num tédio mortal e irritante.
-Mas que lerdeza...-comentou Duo, olhando pela décima vez o
relógio.-Onde é que aqueles bocós se meteram á
essas horas???
-Acho melhor verificarmos na portaria...
-Depois dessa e outras...-começou Duo, fazendo pose de charmoso
e experiente no assunto.-Posso garantir que nos dias de hoje, não
adianta beleza, comida, sexo ou sedução para se hipnotizar
totalmente um homem....mas sim a capacidade de ignora-lo e fingir-se pouco
interessado nele...-comentou.
-Interessante...essa sua tese..-disse Quatre, dando um sorrisinho confortante.
Os dois riram juntos de seus dramas...não tão dramáticos,
mas, não deixavam de ser inconveniências..
Concluíram que a primeira semana de tentativas de se adaptar
á uma vida normal fora um pesadelo, horrendo...
Deixaram Anne, afogada no sono, em casa...e foram procurar se informar
sobre o que acontecera aos rapazes sumidos.
**Instantes após***********
Quatre e Duo ficaram boquiabertos....pasmos e desesperados.Incrédulos.
O gentil porteiro teve a bondade de lhes contar que os célebres
desaparecidos não foram mais vistos desde a manhã.Por ninguém.Apenas
uma turma muito peculiar havia visitado o prédio para observação,
mas se retiraram relativamente rápido.
Muito provavelmente, algo REALMENTE grave havia acontecido ali.Só
não sabiam o quê.
Deram de cara com Trowa no caminho de volta...Quatre, ao mesmo tempo
aliviado e enfurecido, não lhe dirigiu muitas palavras animadoras,
apenas o informou o andamento da situação, naturalmente,
já que não iria se comportar amavelmente até que não
lhe pedisse desculpas.E isso era definitivo.
Se sentia ligeiramente arrependido, pois, achava que Trowa não
tivera culpa na história com a vizinha....é.Seria melhor
ouvir o que ele tinha a dizer, honestamente, o mais ajuizado.
***Um pouco mais tarde***
Quatre e Duo, pesquisavam no laptop de Heero, indícios do que
poderia ter acontecido.Não encontravam nada nos arquivos, parecia
que tudo seria mais difícil, devido ao fato de não saberem
o que levou ao seqüestro repentino de Heero e WuFei.Trowa fiscalizava
alguns mapas, numa tentativa não muito concreta de adivinhar o paradeiro
dos dois, já que fora o único que teve a oportunidade de
encarar o inimigo de frente, e escapar.Alguma coisa lhe dizia, que os interesses
dos seqüestradores, ia além disso....
O mais importante, era esclarecer a confusão armada com todos,
e isso teria de ser rápida, pois, a vida de dois deles corria perigo.
-Preciso falar com vocês...-disse, secamente.
-Sobre o quê??-perguntou quatre, fazendo-se de desentendido.
-Você sabe...O que aconteceu hoje, não tivemos culpa...-explicou,
com paciência.-Foi um acidente.
-Que tipo de acidente se trata?-perguntou, sarcástico, pronunciando
as palavras com displicência.-Uma garota acena para vocês com
intimidade no meio da rua...como se tivesse alguma ligação
“especial” com vocês....Acidente peculiar esse, não concorda?-indagou,
de má vontade.
-Foi um mal-entendido...-disse, depois de uma pausa.-Ela passou aqui
e veio falar alguma coisa ao Chang e...
Anne subitamente apareceu na sala, com o cabelo totalmente arrepiado,
e as roupas amassadas, não deixando dúvida de que acabara
de acordar, e parecia já estar bem entretida na conversa esclarecedora.
-Ela veio falar com o WuFei??-perguntou, com uma expressão chorosa,
fazendo ambos ficarem com pena.
-Estava com uma xícara na mão..deve ter vindo pedir algo
á ele...nada de suspeito.-esclareceu.-Heero atendeu a porta, e foi
extremamente mal-educado pelo que eu saiba, depois o Chang apareceu e perguntou
o que ela queria...Mas ela permaneceu calada, como se algo a afligisse.Eu
estava tomando banho, sem saber de nada, apareci na sala e perguntei o
que acontecia...mas quando ela pôs os olhos em mim saiu correndo
feito louca...-explicou, tentando ser convincente.
Todos se entreolharam, notando a rudeza com que trataram os rapazes,
sem saber dos fatos por inteiro, e logo se desculparam com Trowa.Mas já
não adiantava, dois deles estavam em mãos desconhecidas,
e isso não resolvia o problema.
-Desculpa, Trowa...-disse Quatre, recuperando o ar gentil e delicado.-Fomos
muito ásperos e inconseqüentes...não quisemos saber
do que tinham a dizer e logo culpamos vocês...-o abraçou forte,
revelando o medo que sentia no momento.Medo que fosse seqüestrado,
ou pior, que Trowa fosse, em seu lugar, o que era mil vezes mais doloroso.-Gomen...
Deu-lhe um beijo afável, derretendo toda a arrogância
e indiferença com a que o estava tratando, pela delicadeza e suavidade
naturais do loirinho encantadoramente irresistível.
Anne novamente escondeu o rosto nas mãos, parecia que estava
chorando.
-Argh..Como pude ser tão imbecil....-repetiu para si mesma,
dando uma espécie de guincho agudo.-EU MEREÇO morrer sozinha
e ser encontrada três semanas depois...-disse, tristonha, sentando
no sofá pesadamente, empurrando Duo para o lado.-Semi-devorada por
um pastor alemão...
-Cruzes!-disse Duo, num susto exagerado.-Não se preocupe, vamos
encontra-los depressinha!!-disse agitado.-Ah, e pare de falar como uma
velha!
-Concordo!-disseram Quatre e Trowa, sorrindo amavelmente á garota,
que puxou um travesseiro e colocou no rosto, chateada.
-Eu quero o meu Chang de volta!!AAARGH!!
Enquanto Duo e Quatre rastreavam as últimas informações
salvas no laptop de Heero, rachado, Anne fazia uma zona na sala, espalhou
todos os mapas disponíveis sob o chão, de forma que pudesse
analisar todos enquanto caminhava livremente pela casa.Os lugares eram
todos muito pequenos e semelhantes, o que dificultava a localização..ainda
mais sendo que, estavam procurando por alguém que nunca haviam visto.
Duo resmungava algo incompreensível, e massageava a barriga,
gemendo de fome.Quatre não se incomodava com esse detalhe, afinal,
dois amigos seus estavam correndo um perigo inimaginável, e a barriga
faminta de Duo ficaria em segundo plano agora, definitivamente.
Um pequeno detalhe lhe deixou chateado, o Natal estava próximo,
e parecia que não seria um dos melhores.Muito risco e trabalho para
as festas...Rá, nem pensar em Feliz Ano-Novo, Próspera Falta-de-Sorte...-pensou.
“Pelo menos eu tenho Trowa a meu lado...”-pensou consigo, observando
o belo jovem alto de olhos verdes, mais sinceros e encantadores que já
vira.”Quero passar o Natal com você, não importa o que aconteça”-suspirou,
e voltou ao árduo trabalho.
-ÔPA...-disse Anne, antes de tropeçar na borda de dois
mapas de Kyoto e Akihabara e estatelar-se no chão dolorosamente.-Aiiii...
-Você está bem, Anne??...-perguntou o rapaz alto, amparando
Anne pelos braços.Quatre e Duo logo se puseram de pé...
Os três olharam para o rosto da garota, que se jogou no chão
novamente, de joelhos, começou a chorar compulsivamente, novamente....
-Doeu tanto assim, foi???-perguntou Duo, sem jeito.
A garota o encarou nos olhos, fazendo o americano se afastar.
Quatre se aproximou carinhosamente a abraçou, fazendo-a chorar
cada vez mais..parecia muito angustiada, e precisava de um ombro amigo
para expor seus sentimentos, agora confusos.
-Shhhhh...Calma, você sabe muito bem que tudo vai dar certo...não
tem porque se preocupar tanto...-disse, amavelmente, enxugando as lágrimas
que caíam ferozmente, pelo rosto delicado da garota.
-Quer dizer que você não estava chorando por que caiu??-perguntou,
parecendo muito indignado.-Essas mulheres.....incompreensíveis...Argh..-comentou
Duo, depois de se retirar e cochichar algo no ouvido de Trowa, que fez
um sinal positivo com a cabeça.
-O que vai fazer?-perguntou o loirinho, preocupado.
-Vou comprar uns croissants...O Duo tá me enchendo a paciência!-disse,
aborrecido, fechando a porta, antes que Quatre pudesse impedi-lo
-Não vá...-disse baixinho, escorregando os dedos, na
porta.-Espere aí, Anne!!-disse, quase que no mesmo instante.
Abriu a porta violentamente e saiu correndo atrás do rapaz,
que parecia não ter plena consciência do perigo pelo qual
passava.
Desceu as escadas o mais rápido que pode, quando chegou num
andar abaixo, notou que havia perdido Trowa de vista..
-Droga!!
Quando se deu conta, Trowa havia desaparecido de seus olhos, não
poderia mais fazer nada, apenas torcer para que nada acontecesse á
ele, já que, dentre todos, o rapaz era o mais vulnerável
á ser seqüestrado.
Subiu as escadas novamente, meio desacreditado, sentiu um aperto forte
no coração.Era horrível ficar tão impotente
numa situação dessas.
Abriu a porta, desanimado e logo, Anne perguntou-lhe por que diabos
Trowa tinha que sair tão repentinamente por motivo tão imbecil.
-Atitude estúpida e insensata.....não pensou nas conseqüências...-comentou,
com arrogância, esquecendo-se de que Quatre estava á beira
de um ataque de nervos.-Ai, desculpa, Quatre...-disse, aproximando-se do
loirinho, que escondia a face nas mãos, desesperado.
Duo apareceu na sala com uma expressão de desentendido e mal-informado
da situação..e não deixou de perguntar onde estavam
os croissants dele.
Anne lhe lançou um olhar repreensivo, e ele logo se calou, vendo
o pânico de Quatre em relação á Trowa.Por mais
que fosse um motivo bobo, isso só pioraria as circunstâncias
para eles.Não sabiam se tinham força suficiente para derrotar
o perigo eminente, já que agora era somente três.Aquilo estava
ficando desesperador, e Duo não tinha sentimentos agradáveis
em relação ao término dessa história mal-contada.
Sentou-se ao lado do colega, e lhe deu um abraço apertado.As
lágrimas correram pelo rosto delicado e pálido, lágrimas
de pânico e desespero pelo ser amado...isso, Duo podia compreender
e tomar sincera parte nisso.
***Na padaria, não muito longe*****
-Dez croi
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ssants de chocolate, por favor...-pediu.
-Não temos de chocolate.Só de caramelo.-respondeu o padeiro,
atrás do balcão.-Pode olhar a nossa diversidade de pães....na
vitrine ao lado.-indicou.
Trowa foi até a vitrine ver o 2que levaria para todos comerem,
quando sentiu dois braços fortes e grande, paralisarem seus movimentos
de uma vez.Não teve tempo de olhar pra trás e descobrir a
criatura que estava fazendo aquilo com ele, e logo tentou se libertar.Mas
o indivíduo era mais forte que ele, e maior.Tentou dar um chute
no estômago dele,-sem sucesso.-Observou melhor o reflexo da figura
no espelho e logo, ficou chocado com tamanha insolência de sua parte.Não
era apenas um homem....era duas pessoas.
-Mas, VOCÊ!!-disse, com a voz afetada.
Logo, o homem puxou um lenço banhado com um fluido viscoso duvidoso
e o apertou contra o nariz de Trowa, que ofegava com tanto esforço
procedido devido á força do capanga.Tentou novamente se libertar
do cheiro forte e nauseante que enchia as narinas, deixando-o imensamente
tonto, zonzo e cansado.As pernas pesaram como nunca, juntamente comas pálpebras
que teimavam em querer se fechar.
O Resto de consciência que ainda restava ao jovem piloto pode
lhe informar precisamente.
“Isso....é éter....”
Piscou os olhos com força tentando afastar a onda de sonolência
e marasmo que invadia seu corpo...em vão...
Exalou um último longo suspiro, e desmaiou inconsciente no chão
da rua.
O Homem fez sinal para o padeiro e carregou o cormo adormecido até
a caminhonete.
*************Em casa************
-Por acaso ele não estava com o celular?????-perguntou, fazendo
um sorriso de última esperança evidente.
Quatre puxou o telefone e discou apressado.
Sua expressão esperançosa, mudou radicalmente.Os olhos,
marejados, exalavam repugnância.Já era de se imaginar o que
acontecera, pela cara horrorizada do pobre loirinho.
Anne e Duo olharam com uma cara de “E aí?” e recebem uma resposta
fria e indiferente:
-Desligado ou fora da área...-disse, com uma voz rouca e chorosa.Bateu
o telefone com força, rachando parte dele.
Duo e Anne fizeram cara de tragédia e tentaram consolar o loirinho,
desolado...agora eram três infelizes, dois pilotos Gundam, todos
sem namorado disponível, sem escolhas para salvá-los, sem
saber quem os capturou.....resumindo:uns pobres coitados que não
têm o que fazer para reverter a própria situação
deplorável.Só restava torcer para que a ao menos a sorte
estivesse ao seu lado...
Foram para suas camas com caras abatidas e fatigadas...
-Nada pior do que estar com uma cara assim, com dias para o Natal.....-comentou
Anne, passando uma loção no rosto.
-É a mesma coisa que dizer que estamos todos parecendo um cocô...-disse
Duo, áspero, pulando na cama.Começou a rir sem parar, abraçou
a garota e tropeçou no tapete.
A garota olhou com raiva para o rosto de zombaria do americano e repetiu
para si:
-Equilíbrio Interior....Equilíbrio Interior....
*********NO DIA SEGUINTE*****
Duo ainda dormia pesado no quarto, roncava furiosamente, parecendo que
estava tendo um sonho paranóico.Apesar de tantas frustrações
o americano tinha tranqüilidade suficiente para desfrutar de uma boa
e longa noite de sono.
Revirou-se na cama percorrendo as mãos pelos lençóis,
procurando Heero, que sempre o acordava no típico mau humor, e depois
magicamente, se tornava carinhoso e atencioso, desperdiçando um
pouco do seu “precioso” tempo com o rapaz...
-Heero......-sussurrou lentamente.-Não se esconde...
Quando abriu os olhos e esfregou os dedos na face lívida e ainda
sonolenta, viu uma mão feminina sacudindo seu ombro com violência...
Lembrou-se de que Heero não estava mais lá, e isso fez
seu início de despertar mais amargo.
Anne sorriu, compreendendo o olhar perdido e triste do americano e
logo o ajudou a se sentar na cama e receber as novidades, não tão
animadoras quanto pensava ser.
-Não tem Heero, não...Mas se quiser ainda tem a Anne....-disse
a garota, tentando ser brincalhona e animar o colega...
-Deus me livre!-respondeu com aspereza.-Prefiro arrancar a cabeça
fora e depois comer!-disse, sarcástico.
-Antipático, deixa de palermice!-disse ela.
Ele deu uma risada maldosa e deu uns tapinhas na cabeça da garota,
desmanchando seu rabo-de-cavalo.Ela deu um guincho de desaprovação
e prendeu os cabelos que iam até a cintura, soltos.Reparou que seus
cabelos estavam maltratados e secos, devido á falta de atenção
proporcionada nos últimos dias...também, com os últimos
acontecimentos, a última coisa com que iria gastar sua paciência
seria o cabelo...
-Quer que eu faça uma trança!?-perguntou Duo, passando
os dedos pelos cabelos dela, parecendo-se mais com um cabeleireiro profissional.
Ela fez uma afirmação com a cabeça e Duo fez uma
trança semelhante á sua na garota, que parecia satisfeita
com o resultado...
-Pronto..isso vai realçar mais o seu rosto!!-disse, num tom
conselheiro, espalhando a franja grande pelos lados da face.
-Arigatou, Duo-san!-disse, agradecida.
Quando os dois retornaram á sala, Quatre estava conversando
seriamente com Zechs, que acabara de chegar.Os dois pareciam muito compenetrados
e prudentes, tomavam um chá, e haviam malas encostadas nas bordas
das cadeiras.
Os dois percorreram os olhos pela sala, sem entender o que se passava.Quando
finalmente Quatre e Zechs interromperam o que discutiam, cumprimentaram-nos...
-Bom Dia, Sr.Zechs Marquise....Como sempre aparecendo de surpresa...-cumprimentou
Duo, pomposamente, fazendo uma reverência ensaiada, mais se parecendo
um herói de novela, e Zechs, o duque de Edimburgo.
-Bom Dia, Duo Maxwell..acho que pelo que pude constatar dos fatos...-disse,
de um jeito irônico, afastando a franja do rosto.-Seu short está
sofrendo de........Bulimia!?
Todos olharam para o micro-short preto, fino e quase transparente,
que Duo estava usando, que nem ao menos cobria direito a coxa, deixando
praticamente todo o corpo majestoso exposto á olhares presentes.
Anne deu uma risada, e olhou para o rosto envergonhado do americano,
que respondeu com um encabulado “Arrã” e saiu correndo para o quarto
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