As Cicatrizes do Passado em Forma de Cruz  
Ofereço esta história as minhas queridas amigas e personagens de "As cicatrizes do passado em forma de cruz", Juliana ( Nashimi ), Bianca ( Sakura ), Luísa ( Akani ) e Mônica ( Natsu ). Irão notar também a presença de Thaoy, a personagem que foi inspirada em mim mesma (é, agora eu também faço parte da história...-^-^-).
Um agradecimento especial a Kaolla Su, que me incentivou, quase que na marra a fazer esta história (muito obrigada Su-chan -^-^-).
Espero que gostem de mais esta obra.

A autora

Obs: Desculpem pelos erros de ortografia, é que o programa que estou usando (WordPad), não corrige nada, e como eram muitos erros, eu não consegui corrigir tudo... -_-"

As Cicatrizes do Passado em Forma de Cruz


Senhorita Ilusão
bruna_konno@hotmail.com

  Cap. 1: Um descanso perto da cerejeira.
 

"Se pudesse pedir um desejo,
 não perderia essa chance:
 estar com você ao meu alcance,
 para mim é muito mais que um beijo."
 

 Kaoru arrumava-se as pressas para treinar Yahiko. Prendeu seu cabelo como de costume, e arrumou seu quimono. "Ele está todo amassado!", pensava enquanto guardava a roupa que acabara de tirar junto da roupa suja. Olhou o calendário amigo, que sempre lhe revelava que dia seria aquele. "Que bom, ainda é primavera...". Passando os dedos rapidamente pelos finos cabelos, para certificar-se que não estavam com nós, aproveitava para planejar aqueles últimos dias de primavera. Sim... Aqueles últimos dias de flores. Aqueles últimos dias de romantismo. Aqueles últimos dias lindos, em que a chuva de pétalas encantava a todos. Em pouco tempo, tudo iria acabar, e o inverno chegaria logo depois das quentes e cansativas épocas de veraneio. Restava pouco tempo para aproveitar a primavera. Calçando seus chinelos, Kaoru caminhou por sua casa, com a espada de madeira nos ombros, em direção ao dojo, onde Yahiko a esperava de pé, com uma expressão séria no rosto, segurando firmemente a espada de bambú com a mão esquerda:
 - O que aconteceu Yahiko? Você está tão sério... Não vá me dizer que ainda está com essa idéia de querer aprender a técnica suprema do estilo Kamiya Kasshin! A resposta ainda é não!
 Kaoru conservava a mesma expressão de deboche, pateticamente debochando do pequeno pupilo, o qual tantas vezes a pedira que lhe ensinasse a ter força. Esperava um ataque de nervos do aluno. Apesar disso, tudo o que recebeu foi um sorriso de lado do garoto:
 - Olhe Kaoru, você é minha mestra apesar de tudo...
 Yahiko voltava a por o dedo mindinho na orelha, como se a sujeira fosse infinita.
 - ... Mas eu estive pensando esses dias...
 Retirou o dedo e olhou fixo para ele, para depois encontrar os olhos atentos de Kaoru, onde fixou-se até o fim da frase.
 - ... Você é só uma mestra substituta aqui. Sem falar que é bem jovem. Será que você conhece realmente todas as técnicas do estilo Kamiya?
 Com o polegar, Yahiko espantou a sujeira de seu dedo, causando um estalo final entre suas unhas, um estalo atormentado pelo silêncio que foi formado no dojo. Ora, seu aluno resolveu desafia-la. Ora, ela não era a pessoa mais forte nem a mais sábia, mas tinha capacidade para ensinar. Ora, as palavras do menino não lhe atingiam, e ela riu meio que forçadamente das palavras do moleque travesso.
 - Hahahaha... Me desculpe Yahiko, mas quem não sabe nada aqui é você, por tanto, não deveria desafiar sua mestra. Se se acha assim tão maioral, por que não fica mais forte que eu, e aí discutiremos isso, está bem assim?
 Novamente, lá estava ela, a deboches do pupilo, que permanecia sério, agora já sem o sorriso nos lábios. Sua reação foi fechar os olhos e continuar seu discurso:
 - Eu fiz uma pergunta simples a você. Era só você responder sim ou não. Se não sabe responder a uma pergunta tão simples, como acha que pode me ensinar uma coisa tão complexa quanto é o kendô.
 Ah, era só o que lhe faltava. O moleque agora estava se metendo a gente. Se metendo a homem. Lhe desafiando. Ora, aquelas palavras de moleque nunca iriam lhe afetar. Ha, nem que acontecesse um colapso mundial. Só o que sentia era ansiedade em saber o porquê daquele desafio de seu pupilo.
 - Yahiko, não enrole. O que você quer menino, ainda tenho muito o que fazer!
 - Já disse o que precisava dizer.
 Dando as costas a sua mestra, Yahiko caminhou alguns passos em direção ao centro do dojo, sempre muito sério, com a espada de bambú pendurada nos ombros. Irritada, Kaoru levantou a gola do quimono do menino com a espada de madeira e encarou-o nos olhos.
 - Seu menino malcriado, eu sou sua mestra, e sou mais forte que você, não sei de onde você tirou essas idéias malucas, mas eu conheço muito bem o Kamiya Kasshin, ao contrário de você Yahiko, que mal sabe agitar a espada como um macaco!
 Como se voltasse a sua normalidade de menino, Yahiko logo respondeu irritado, com a mesma face absurda da mestra.
 - Cala a boca sua feiosa, quem é macaco aqui? Você nunca diz essas coisas quando eu estou lutando!
 - Isso porque não precisa dizer, está estampado na sua cara!
 Definitivamente estavam voltando ao normal, e a discussão de aluno-mestra retornava como de costume. O que quer que estivesse incomodando Yahiko, não tinha sido idéia dele. Mas aquela não era hora de pensar nisso. Tinha muito ainda o que treinar, e acima de tudo, discutir.

***

 No quintal do dojo estava Kenshin, lavando roupa como de costume. Sempre tinha uma manchinha a mais no quimono. Dessa vez estava sozinho, sem a companhia Ayami e Suzume. O dia estava bonito, e as pétalas de flores ainda cobriam o chão. Kenshin mantinha o sorriso de costume, cantarolando alguns versos de uma canção que acabava de compor. "Está branco!", pensou enquanto pegava mais uma peça de roupa para lavar. Percebera o alvoroço que se formava no dojo, e sentiu-se curioso para saber o que acontecia. Levantou rápido, deixando tudo para trás, pegou a sakabatou que por tantos anos o acompanhou, colocou-a na cintura e rumou para a porta do dojo, onde a abria sorrateiramente, para logo perceber Yahiko voando em sua direção.
 - O... o que aconteceu aqui?
 Desviando-se de Yahiko, Kenshin olhava com seu rostinho de "Oro" para a cena que presenciava. Kaoru esfregava as mãos, como se tivesse acabado um trabalho muito bem feito. Já Yahiko, tonteava a cada passo, procurando um apoio nas paredes que giravam a sua volta.
 - Ai esse moleque... Acredita que agora está me desafiando? Que absurdo! Mas nada que uns bons cascudos não consertem... E isso por sua culpa Kenshin, que fica mimando esse menino ao invés de dar-lhe educação!
 - ORO?!
 Kaoru apontava-lhe nervosa, vermelha de raiva, como se o culpado por tudo aquilo fosse Kenshin. E a sua expressão de "Oro!", só a deixava com ainda mais vontade de surrar seu aluno.
 - Ah, sinceramente... Acho que essa briga de hoje já valeu por um treino inteiro. Vou me trocar, estou toda suada e suja.
 - Ah, não senhora, eu quero meu treino!
 Yahiko parecia ressuscitar do infinito. Ia ter outro ataque de nervos, mas Kenshin segurou-o, tapando-lhe a boca.
 - Bem... Ah... A senhorita quer que este servo prepare o banho?
 - Não, tudo bem, ainda vou me sujar muito mais, e sem falar que é cedo, e eu já tomei banho a pouco tempo.
 Como se tivesse libertado-se de uma prisão chamada Kenshin Himura, Yahiko falou novamente com seus ares de deboche.
 - Além de inútil, fraca, e burra, ainda é porca.
 O sangue subiu a cabeça de Kaoru, que não esperou duas vezes antes de pegar a coisa mais próxima e jogar em Yahiko. Sim, estamos falando de Kenshin.
 - Oro...
 Kaoru saiu do dojo de punhos fechados, deixou a espada no dojo mesmo, e bateu a porta com força.
 - Ai... Essa doeu... Eu vou atrás daquela feiosa me vingar, isso não vai ficar assim!
 Segurando a gola do quimono de Yahiko, Kenshin impediu que o menino aprontasse das suas.
 - Deixe a Kaoru em paz Yahiko, ela precisa descansar um pouco...
 - O que? A Kaoru dorme mais que eu! Trabalha menos que eu! Treina menos que eu! Descansa mais do que eu! Bate mais do que eu apanho! E também...
 - Este servo sabe, Yahiko, ele sabe...
 Cortando a conversa inútil do menino, Kenshin explicou-lhe:
 - Ela anda passando por tempos difíceis. Embora o corpo dela esteja bem, a mente ainda está um pouco perturbada. Isso tudo porque o dojo está falido, não trazemos um centavo sequer para essa casa, e ela tem que dar aulas para conseguirmos alguma coisa para comer. Ela é que tem que cuidar de tudo cuidadosamente no dojo. Ela é que da as ordens nessa casa, e ainda tem que ouvir a reclamação de Deus e todo mundo!
 Yahiko percebeu que Kenshin referia-se, indiretamente, mas principalmente, a sua pessoa. Ele sempre atazanara a vida de Kaoru para tudo o que fosse ligado a ela. Sentiu-se um pouco culpado na hora.
 - O que eu quero dizer, Yahiko, é que precisamos todos relaxar um pouco, e isso inclui Kaoru também. Agora que não há mais lutas, é a única hora que teremos para aproveitar a vida bem.
 - É, acho que você tem razão...
 - É, as vezes o Kenshin tem umas idéias malucas, mas que ajudam. Acho que é por isso que a donzela gosta tanto de tê-lo por perto...
 Sanozuke surgira do nada, atrás dos dois homens do dojo Kamiya, que levaram um susto com sua presença.
 - S...Sano!
 - Desculpe, eu assustei vocês é? Ah, mas não tem problema, vocês vão me dar um pouco do almoço não vão?
 E dizia isso com a expressão mais deslavada possível na face. Ele sempre fora assim, não iria mudar de uma hora para a outra, muito menos para satisfazer as vontades da "donzela", como chamava Kaoru.
 - Eu estava aqui do lado, deu pra ouvir tudo direitinho...
 "Crista de galo bisbilhoteiro!", pensou Yahiko encarando de lado o amigo.
 - Da onde você tirou essa idéia da Kaoru ser fraca?
 - Oro? Então era por isso que estavam brigando?
 - Ei, eu nunca disse que Kaoru era fraca.
 Disse isso apertando o galo que formou-se na cabeça pelo choque contra a parede do dojo.
 - E então, por que ela estava tão brava?
 Kenshin estava tentando defender o jovem amigo. Na verdade, aquela situação não era algo realmente "grave", mas esgotara ainda mais a mente de Kaoru.
 - Eu só disse que ela não conhecia todo o estilo Kamiya. Ela luta bem, eu sei disso, mas todas as vezes que eu a vi lutar, não usava muito mais que o básico do kendô. Eu andei pensando nisso sabe, eu acho que ela está é se escondendo!
 Gargalhadas se formaram no dojo. O garoto mais uma vez tornara-se motivo de piadas. Ora, ele havia chegado a uma conclusão sem fundamento, mas e daí? Não dizem por aí que nem tudo na vida tem uma explicação? E definitivamente, Kaoru não tinha explicação.
 - Hahahahaha, só podia mesmo ser Yahiko! Qual vai ser o próximo? que Kenshin não sabe mais que o básico no battoujutsu? Hahahahahahaha!
 Kenshin controlou-se como de costume, e apenas deu um sorriso. O que ele precisava explicar a Yahiko já estava explicado: Kaoru era forte, forte o bastante para cuidar sozinha do dojo. Forte o bastante para lecionar aulas no dojo, e superar os irmãos Hiruma. E eles? Também sabiam apenas o básico? Se nos pensamentos de Yahiko, Kaoru sabia apenas o básico, o que os irmãos Hiruma sabiam? Se não fosse pela covardia de Gohee, ela o teria vencido, assim como venceu Kamatari, o grande foice da juppongatana. E assim como indiretamente venceu Jin'he, um inimigo que nem mesmo Kenshin conseguiu vencer, e que Kaoru venceu com seu próprio espírito.
 - Este servo acha que todos estão com fome. O que acham de fazer um piquenique? A senhorita Kaoru fala disso a muito tempo, e que dia seria melhor que agora?
 Sem esperar uma resposta, a qual Kenshin tinha certeza de que seria sim, prontamente foi a preparar os alimentos.
 - Esse Kenshin... Ele anda muito preocupado com Kaoru des do incidente com Shishio... Heh, se eu não os conhecesse bem, diria que parecem recém-casados.
 - Como, o que você disse Sano?
 - Ei, ei, ei, você é só um menino, não tem que se meter em conversa de gente grande!
 - QUEM QUE É MENINO?
 Sanozuke andou sem olhar para trás, mordiscando a espinha de peixe que levava no canto da boca. Apenas levantou a mão direita, indicando que já tinha entendido, e que aquele assunto não mais lhe importava.
 - Eu vou chamar a mulher raposa para o piquenique, eu acho vocês mais tarde por aí.
 Mulher raposa. Que apelido original Sano dava a seus amigos. Desta vez, referia-se a médica Megumi, que tanto ajudara-os no dojo. As vezes seria bom retribuir os irretribuíveis favores da médica raposa, mesmo que fosse com um piquenique, afinal, ela estaria perto de seus amigos.

***

 - Como? Um piquenique?
 Kaoru parou a vassoura de palha que usava para varrer as pétalas de seu quintal.
 - Já faz tempo que a senhorita quer fazer esse piquenique. E então? Este servo já fez todo o lanche, veja.
 Erguendo uma cesta cheia de guloseimas feitas por ele mesmo, Kenshin tentava convencer Kaoru. Na realidade, ele havia preparado aquela cesta alguns dias antes, mas os alimentos ainda estavam bons e frescos. Já estava tudo planejado para aquela tarde.
 - Bom está bem, já que você já preparou mesmo...
 E erguendo um imenso sorriso na face, Kaoru terminou a frase, alegre como sempre fora.
 - Vamos para o piquenique! Tem uma cerejeira muito bonita naquela direção! Eu costumava passar por ali e ficar horas admirando aquelas flores tão bonitas! Podemos ir para lá Kenshin? Podemos? Podemos?
 Agindo como uma criança quando vê um doce, Kaoru agarrou a manga do quimono de Kenshin e começou a sacudi-la, com os olhos mais brilhantes que já conseguira fazer.
 - Tudo bem, tudo bem, vamos lá então...
 E quem disse que Kaoru ouviu a resposta? Passou a saltitar e girar, tão feliz quanto já esteve na vida. Queria a muito tempo fazer um piquenique com todos naquele lugar especial. Era a árvore mais bonita da região, e sempre estava linda e florida. Yahiko se juntou a eles, quando, já na rua, deram por falta de alguém.
 - Yahiko, onde está o Sanozuke?
 - O que? Sano perdendo um piquenique? Duvido!
 - É, dessa vez eu vou ter que dar razão a Kaoru. Ele foi buscar Megumi para ir também. Disse que depois nos encontrava...
 - Oro? A senhorita Megumi vem também?
 - Deve vir! - interferiu Kaoru - Ela é outra que gosta de abusar da nossa boa vontade!
 - Não diga isso senhorita Kaoru, nós é que aproveitamos da boa vontade da senhorita Megumi como médica...
 Novamente, lá estava Kaoru saltitando de um lado a outro. Nem se importava mais com Megumi. Ela não era tão má assim afinal... E as cerejeiras estavam lindas demais para serem desperdiçadas com bobagens.

***

 O riozinho que passava perto da cerejeira, servia como espelho da beleza inconfundível do local. O reflexo do sol batendo na água, e depois nas flores da cerejeira, causava um efeito de luz como poucos, uma verdadeira paleta de cores a disposição de todos. Uma chuva de pétalas era carregada para longe com a brisa que passava, estranhamente deixando um espaço considerável de sombra longe das pétalas. E era nesse lugar que Kenshin estendia uma toalha rosada, ajeitava a cesta de delícias num dos cantos da toalha, e afastava a grama e os insetos que estavam em volta. Sentaram-se sem perder tempo, escorando-se no tronco da árvore, conversando sobre alguma coisa sem importância, e comendo os pães, bolinhos, bolachas, e tantos outros pratos deliciosos que Kenshin fizera. Kenshin preocupou-se por alguns momentos com Kaoru, mas a mesma estava muito bem, feliz como nunca, conversando animadamente com ele e Yahiko. Ignorou seus pensamentos e deu o mesmo sorriso de quando foi morar no dojo.
 - Ei Kenshin, você não trouxe saquê?
 Yahiko revirava a cesta, procurando um pouco do rotineiro saquê, que tomava sempre no Akabeko.
 - Oro? Você quer beber?
 Jogando um bolo no rosto de Yahiko, Kaoru não se preocupou em levantar do lugar tranqüilo e confortável em que estava.
 - Nem pensar Yahiko, você ainda é uma criança, não tem idade pra ficar bebendo por aí!
 - O QUE VOCÊ DISSE SUA FEIA?
 Levando outro arremesso no rosto, desta vez de uma pedra, Yahiko desmaiou tonto, vendo tudo rodando, e com um galo enorme na testa.
 - ORO?!
 - Hah, não queria ficar bêbado? Aproveite aí um bom tempo! Viu como eu sou boa pra você? Você nem sequer precisou beber.
 Levantando-se do lugar sagrado perto da cerejeira, Kaoru pegou a espada de madeira que tirou da cintura e apontou com ela para Kenshin.
 - Treina comigo hoje Kenshin?
 - Oro? Este servo não quer machucá-la com a sakabatou, este servo sente muito...
 Caminhando até Yahiko, Kaoru puxou de suas costas a espada de bambú, e atirou-a para Kenshin.
 - Pronto, qual vai ser a desculpa agora?
 Ela sabia que ele não iria lutar com ela, e ele sabia que ela sabia disso. Mas o que dizer? Que ela devia descansar? Ora, ela já não estava bem? Que ela devia lutar com pessoas mais fracas do que ele? Ora, ela não queria treinar justamente para ficar forte? Que ele devia primeiro aprender a usar a espada de bambú para depois lutar com ela? ...
 - Bem... Este servo precisa antes de tudo aprender a lutar com o shinai antes de treinar com a senhorita...
 Um silêncio absurdo se formou entre eles. O que ele estava pensando? Que ela era uma idiota? Que não podia nem sequer vencer uma mosca? O que quer que fosse, deixou Kaoru furiosa:
 - Você só precisa defender os golpes! NADA MAIS! Agora chega, venha treinar comigo e não discuta mais!
 Escondendo-se atrás do shinai, Kenshin tentava explicar novamente.
 - Senhorita Kaoru, não acha melhor fazermos outra coisa? Não viemos até aqui para treinar, e sim para descansar, aproveitar essa paisagem linda, e também...
 - Ai, está bem Kenshin... Você está sempre arrumando desculpas para não treinar comigo mesmo!
 Deixaram as duas espadas ao lado da cesta, e Kaoru voltou a sentar-se ao lado de Kenshin. Um pássaro pousou ao lado dos dois. Era lindo, azul como o céu, com uma mistura forte de violeta, com o peito esverdeado como a cor do rio que corria atrás deles. Parecia ser um pássaro amigável, pois ficou horas ali, ao lado deles, e depois acolheu-se nas mãos de Kaoru.
 - Veja. Que pássaro lindo!
 - Este servo acha que ele gostou da senhorita Kaoru.
 - Ele tem a cor de seus olhos - Kaoru sorriu -.
 - Oro? Você acha?
 Yahiko acordava do longo sono que teve, e logo começou a sacudir a cabeça, tentando recordar-se de algo mais além da pedrada que levara. Percebeu Kenshin e Kaoru brincando com o pássaro azul, e logo reclamou.
 - Vocês dois ficam aí brincando com um pássaro enquanto eu fico aqui desmaiado é?
 - Oro? Este servo não se lembrava de você Yahiko...
 - O QUE?
 - Oh, Yahiko, você já estava aí?
 - COMO PUDERAM SE ESQUECER DE MIM?
 O pássaro voou para longe com os berros de Yahiko, mas nem Kaoru, nem Kenshin sentiram-se incomodados. Um estalo com os dedos, e Yahiko lembrou-se de algo importante.
 - Ei, e Sanozuke? Ele ainda não chegou?
 Kaoru olhou de lado para Kenshin, esperando dele uma resposta. Não recebendo, deu ela mesma.
 - Sanozuke deve estar discutindo com Megumi, ou então deve estar almoçando por lá mesmo, para depois comer de graça aqui. Não se preocupem com ele, deve estar tudo bem, vocês conhecem o Sano!
 Uma brisa voltou a soprar, levando consigo ainda mais pétalas de flores. Kenshin era o único do grupo que não sentiu-se a vontade com ela.
 


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