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Sak. Hokuto-chan
nuriko_kamatari@yahoo.com.br A manhã estava fria e cinzenta, mas não tanto quanto seu
coração repleto de dor, raiva, saudades... Andava a passos
lentos, com a cabeça inclinada para frente, ignorando o olhar das
pessoas que passavam ao seu redor, os longos cabelos loiros balançavam
à menor brisa, a franja cobrindo-lhe os olhos tornando difícil
ver a expressão em seu rosto, sentia-se vazio e sozinho, uma parte
sua não existia mais.
Por que...? Ao dar-se conta estava em frente à porta da própria casa, não estava com vontade de entrar, tudo ali lhe trazia recordações, várias eram alegres, claro, mas mesmo assim não se sentia disposto a entrar. Virou-se para voltar a caminhar sem rumo específico, entretanto a porta foi aberta. Não foi necessário olhar para saber de quem se tratava. - Ah! Você voltou! exclamou dando espaço para que ele entrasse. Eu estava muito preocupada, já pedir que saíssem comigo para procura-lo! - Estou bem, Relena. murmurou, passando pela irmã, sem encara-la, antes que houvesse resposta. - Mas...! tentou se aproximar dele inutilmente, pois ele se afastava subindo as escadas. ...Zechs! chamou mas sua voz se perdeu no ambiente. *** Entrando em seu quarto, trancou a porta, trocando em seguida as vestes
levemente molhadas por outras secas, fechou janelas, cortinas, apagou as
luzes e por fim deitou silenciosamente na cama. Naquele momento não
desejava falar com ninguém, precisava apenas que seu corpo permanecesse
no silêncio e na escuridão em que sua alma já se encontrava.
- Noin... murmurou com voz melancólica. Ah, que jovem adorável, Lucrezia Noin... sempre tão calma e controlada, e como a amava... não! O certo é como a ama, nunca deixaria de ama-la, não pensaria em qualquer outra mulher, somente nela. - Noin... repetiu, piscando repetidamente. ...não é justo... Logicamente que não. Sentia-se culpado, mas como poderia imaginar o que iria acontecer, se pudesse adivinhar faria de tudo para impedir. O fato é que nada mais poderia ser feito. - Onde está minha amada? Zechs suspirou e pôs-se a lembrar do ocorrido há duas semanas. "Aquela tarde estava ensolarada, havíamos marcado de sair neste dia e eu estava indo a casa dela busca-la de carro. Toquei a campainha e, após alguns segundos apenas, ela atendeu deslumbrante. - Boa tarde! ela cumprimentou ao me ver. - Boa tarde, Noin. respondi. - Sempre pontual! disse olhando o relógio em seu pulso. - Atrasar-me significaria ter menos tempo ao seu lado. Gostaria de ter vindo ainda mais cedo. falei em meu tom cortês. - Hum... ela sorriu. Mas se viesse mais cedo eu ainda não estaria pronta! Não precisa pressa vamos passar o dia juntos, lembra? - Cada minuto ao seu lado é precioso. foi a frase que disse antes de tocar-lhe os lábios num beijo suave. - Vamos então? Noin perguntou ao terminarmos o beijo." *** "Ficamos a tarde toda namorando enquanto passeávamos por diversos
lugares, parques, cinema, shoppings...
Eu nunca esquecerei o som daquela noite, os pneus gritando, o vidro quebrando... e... - HYYAAAAAAAAAHHHHHHH ...o grito alucinante de dor que eu ouvi por
último."
Algumas batidas na porta o tiraram de suas lembranças, mas não fez nenhum movimento. - Zechs! Abra, sou eu! a moça pediu. - Deixe-me, Relena. Preciso ficar sozinho. - Sei como se sente, mas não adianta nada ficar aí trancado! ela insistiu com uma voz angustiada. Demorou alguns instantes antes de finalmente se levantar e abrir a porta. - Ouça... parou ao notar que os olhos dela estavam cheios de lágrimas. - O que? Não adianta se culpar! E desse jeito você vai acabar ficando doente, faz duas semanas que fica aqui trancado ou então vai andar por aí, não dorme e nem está se alimentando direito! Relena disse rapidamente com as lágrimas deslizando por sua face. Eu sei que está sofrendo! Eu também estou muito triste... mas... não pôde completar, colocou as mãos no rosto e caiu em prantos. - Relena... começou a dizer, afagando-lhe os cabelos loiro escuro. ...não quero deixa-la mais triste, contudo dê-me um pouco mais de tempo, sim? - ... Sim... virou-se de costas, afastou-se e desceu as escadas ainda chorando. Zechs tornou a fechar a porta e deitar em sua cama, sabia que também
estava sendo difícil para a irmã, pois gostava muito dela,
além da tristeza que sentia por um amor não correspondido
ainda tinha que amargar mais essa perda.
- Sei que está sofrendo, mas como eu poderei viver agora? fechou os olhos. Seu sentimento por aquele rapaz não é tão forte quanto o meu por Noin... Noin... como poderei ser feliz sem você ao meu lado? Sentindo lágrimas se formarem em seus olhos Milliard pôs
as mãos na cabeça e tornou a pensar no incidente.
"Devo ter desmaiado com a batida, quando eu acordei estava chovendo
e havia pessoas por todos os lados. Algo morno flutuava por meus olhos,
sangue. Mas de alguma forma encontrei minha amada Noin naquela noite, em
meio às pessoas agitadas, algumas gritando para as outras sobre
chamar uma ambulância, outras olhando com assombro e compaixão,
essas coisas foram capitadas por minha mente num instante, entretanto tudo
era confuso demais, rapidamente aproximei-me de Noin, seu belo corpo deitado
em meio a uma poça rubra feita pelo próprio sangue que fluía
abundante de suas feridas, era uma cena que jamais deixará minha
memória.
- Noin... meu amor... vai ficar tudo bem... minha voz parecia embargada pelo desespero, mas soou muita baixa. Ela sorriu, o sangue escorrendo-lhe dos lábios pálidos, um sorriso muito fraco, muito cansado, não obstante feliz, e sem desviar os olhos dos meus, pediu sussurrando: - Me abrace, querido... só por um instante... Eu prontamente a abracei, sentindo que as lágrimas me venciam. Eu o amo, Zechs... Eu a beijei pela última vez, encontrei o amor que eu sabia que
tinha perdido. Ela se foi, faleceu em meus braços mas mesmo assim
eu a abraçava.
Zechs chorava silenciosamente, lembrando-se do rosto de Noin, ficara
com algumas cicatrizes daquele acidente mas preferia ter morrido no lugar
dela.
*** Relena estava sentada num sofá, já parara de chorar há
algum tempo e agora somente pensava, triste pela morte de Noin, por seu
irmão, por seu amado... mas pensava que um dia superaria tudo isso.
- ... Zechs... está melhor...? arrependeu-se pela pergunta, perdera seu amor há pouco tempo, como poderia estar melhor? - ... desculpe... eu... - Não se preocupe. sentou-se ao lado dela e falou com ar pensativo, como se falasse para si mesmo. Ela foi para o paraíso, portanto eu tenho que ser bom... sorriu. ...então poderei ver minha amada Noin quando deixar este mundo... ¤¤¤
Hokuto: É...
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