Alguém que me estenda mão  
Obs.: palavras em “” equivale à pensamentos
* : é uma nota de rodapé.

ALGUÉM QUE ME ESTENDA A MÃO



Cap. 03: “Vida Real”

“Quando a lagarta achou que o mundo tinha acabado virou borboleta” 
(Ditado popular).



Anestesiada. Era assim que ela se sentia. Parecia que estava voltando de uma longa viagem. Cada vez mais e com uma intensidade maior uma luz aparecia. No começo parecia ser apenas um lampejo, depois este lampejo começou a se espalhar, lhe dando a sensação de está caminhando para fora de um túnel; logo começou a escutar alguns sons familiares: um rouxinol executando a sua música com maestria; uma insistente buzina de carro; uma campainha de telefone e vozes que sussurravam como se fosse proibido o uso da fala naquele lugar.

- Onde eu estou? sussurrou

- (...).

- Onde eu estou? Perguntou com mais intensidade.

- Serena você acordou? Disse uma linda jovem de longos cabelos negros e olhos da mesma cor.

- Rey, é você? O que aconteceu comigo? Onde eu estou?

- Calma, Serena. Não é bom que você fique assim tão agitada. Você está muito ferida. Por favor não se mexa?

- Tudo bem, mas onde eu estou? O que foi que aconteceu... 

Nesse instante passou-se um flashback na cabeça de Serena. Sua discussão com os pais; sua saída de casa; seu despertar na estação de trem e o seu...

- Serena, você está me ouvindo? Aconteceu alguma coisa?

“Não pode ser Deus. Então não era um sonho, aquilo foi real? Aquele homem imundo... A minha queda no chão, os tapas que ele me deu... A dor insuportável que eu sentir quando ele me deu aquele soco no estômago... Eu desmaiei. Deus isso não pode está acontecendo comigo, eu fui estuprada”.

- Serena, Serena, o quê está acontecendo? Olha pra mim, por favor. Suplicou uma angustiada Rey.

Serena levantou seus olhos em direção à amiga. “Será que ela entenderia o que aconteceu comigo?... Não, claro que não. A Rey sempre foi tão religiosa, tão vidrada nestas coisas do espiritual. Ela até estuda num colégio católico*. Com certeza ela me desprezaria, por ter sido usada, por não ser mais virgem. Como é que eu vou encarar as pessoas? A nossa sociedade é tão machista...Todo mundo vai me chamar de vagabunda... Meu Deus eu tô  ferrada, ninguém mais vai me querer! Darien...eu não tenho mais nenhuma chance com ele; eu não mereço mais ter nenhuma chance com ele”.

- Serena, pelo amor de Deus fala comigo! Rey já se encontrava desesperada com a mudez da sua amiga, que por sua vez mantinha os olhos fixos nela. Ela estava parecendo um zumbi. – Chega Serena, reaja! Gritou uma Rey aflita que não se contendo aplicou uma bofetada no rosto da amiga que estava em transe.

- Ai!!! Porque você fez isso? Já não basta tudo que eu passei? Você quer que eu sofra mais? Você não acha que já chega? Esbravejou Serena que não pôde conter as lágrimas e começou a chorar descontroladamente.

- Desculpa Serena. Mas é que eu fiquei sem ação. Você não me respondia.

- Minha vida acabou Rey! Tudo acabou pra mim!

- O que você está falando? Que bobagem é essa? Você não está viva? É isso que importa.

- Antes tivesse morrido! Só assim não sentiria esta dor tão profunda no peito.

- Do que você está falando Serena? O que foi está se sentindo mal? O que está doendo?

Não, Rey, não é do meu corpo que eu estou falando, mas da minha alma... Suspirou a jovem de olhos azuis.- Me diz uma coisa, onde é que eu estou?

- Era isso que eu estava tentando te dizer, mas você estava paralisada aí.

- Onde eu estou Rey?

- Serena sua tonta, você ainda não percebeu que está num hospital; Já faz mais de 24 horas que você está dormindo. Você foi trazida por...

- Serena!!! Disseram ao mesmo tempo três garotas. Amy, Lita e Mina, assim como Rey, amigas inseparáveis de Serena.

- Meninas, que bom vê vocês! Disse Serena, não muito entusiasmada.

- Nossa Serena, que tristeza é essa? Como você se sente amiga? Perguntou a garota que era o gênio do grupo, Amy.

- Não muito bem...

- Puxa Sere... Não fique assim, você não sabe o quanto deixou a gente preocupada, principalmente os seus pais...

- Não fale dos meus pais, Mina. Eles são os culpados por eu está assim!

- Serena, como você pode abrir a boca pra falar uma barbaridade dessas? Censurou Lita. – Pois fique você sabendo que os seus pais ficaram desesperados com o teu sumiço.

- Se eles estivessem realmente preocupados, eles estariam aqui! Me diz Lita, me diga se eu não estou certa? Eles estão aqui por acaso? Que tipo de preocupação é essa?

- Serena sua ingrata, disse Rey, você não está sendo justa com os seus pais. Eles estão muito preocupados com você, sim senhora, eles só não estão aqui agora por que eu insisti para que eles fossem pra casa um pouquinho e descansar. Sua mãe não pregou o olho desde quando você chegou aqui e o seu pai estava desolado, até o Sammy estava aqui Serena e ele não parava de perguntar para os médicos sobre o seu estado. Você deveria agradecer a Deus pela a família que tem.

- A minha família é uma farsa Rey e eu nunca mais quero vê-los, só o Sammy. Ele não tem culpa de ter os pais que tem. 

- Serena minha amiga, que amargura é esta? Eu não estou te reconhecendo.. Disse Amy. Você está agindo como se não existissem pessoas que te amam. Logo você minha amiga que sempre foi tão alegre...

- Amy, disse Serena com lágrimas nos olhos, essa Serena alegre que vocês conhecem morreu.

- Serena, disse Lita, o quê está acontecendo? É alguma coisa que nós não sabemos?

“E agora meu Deus? Eu conto ou não para elas? Não, não posso, elas vão pensar que eu sou uma oferecida. Mas o que eu estou pensando? É claro que eu devo contar para elas, aliás, elas são ou não são minhas amigas?”

- Serena, está acontecendo alguma coisa? Perguntou Mina diante da mudez da amiga.

- Er... bem, aconteceu sim... “Deus é tão difícil, como eu posso falar uma coisa dessas?” – É que... eu não posso... e começou a chorar descontroladamente, tendo uma acesso de falta de ar.

- Calma Serena. Meu Deus o que está acontecendo? Lita por favor, pegue um copo de água, rápido, pediu Rey.

- Ai Deus!!! Minha vida acabou!!! Serena disse, enquanto as lágrimas rolavam pelo seu rosto.

- Bebe Sere, calma não fique assim. Nós somos suas amigas e estaremos sempre ao seu lado. Tranqüilizou Lita a sua amiga.

Depois de alguns minutos, Serena já estava mais calma e decidiu contar o ocorrido às suas amigas.

- Muito obrigada, meninas. Eu não sei o que faria se não fosse por vocês.

- Que bom que está mais calma amiga. Agora nos conte o que aconteceu. Encorajou-a Amy.

- É muito difícil falar sobre isso, meninas, mas se eu não contar eu acho que vou explodir! Bem, aconteceu uma coisa sim nessa minha saída de casa... Ai Deus!!! Er... eu, eu fui...

- Serena!!! Que bom que você está bem! Festejou um rapaz loiro, de olhos verdes que estava na porta do quarto; era Andrew que chegou naquele momento para visitar a sua amiga, ou melhor, a sua irmãzinha, como ele gostava de chamá-la.- Venha Darien, a Serena está acordada, falou o rapaz para o lado de fora do quarto.

“Darien... ele está aqui? Não pode ser. Não, eu não quero vê-lo nunca mais, eu não o mereço e ele também não vai me querer quando souber de tudo”.

- Oi Serena, como você está? Disse o rapaz de profundos olhos azuis...

“Darien , por que você veio aqui? Por acaso vieste me  torturar com a sua presença? Esses olhos... como eu poderei viver longe deles?”

- O que você está fazendo aqui? Perguntou rudemente.

- Ora cabecinha de vento eu vim fazer uma visita e...

- Não me chame de cabecinha de vento, eu tenho nome sabia? É S-E-R-E-N-A, quando é que você vai aprender hein? Saia já daqui você não tem nada pra fazer aqui. Gritou a garota.

- Calma, eu só queria saber como você estava e...

- Calma uma ova! Você não me ouviu? Saia já daqui, você não tem nada pra fazer aqui. Há, eu já sei, você veio aqui pra debochar do meu estado. Pronto, já me viu, né? Está satisfeito por eu está toda machucada? Agora seu idiota, saia agora daqui. Serena gritava histericamente com toda a força que tinha “Se eu não posso tê-lo, então é melhor que ele fique bem longe de mim”.

As meninas, Andrew e Darien ficaram atônitos com o comportamento de Serena. Eles nunca tinham visto a garota daquele jeito, tão amarga, tão triste, logo ela que sempre fora tão alegre, até mesmo quando Darien a tirava do sério chamando-a de cabecinha de vento, gulosa entre outras coisas.

- Serena, o que é isso? Se o Darien veio aqui, é por que ele se importa com você. Você não está sendo justa com ele?

- E quem quer saber de justiça, hein Andrew? Será que vocês não me ouviram? Eu não quero vê esse sujeito na minha frente.

- Serena, como você pode dizer isto? Isso não é justo logo o Darien que fez...

- Que droga Andrew! Será que não dá pra fazer o que eu tô mandando? Eu não quero saber o que o Darien fez ou deixou de fazer. 

- Deixa Andrew, tudo bem, eu vou embora. Falou Darien que até aquele momento se mantivera calado, tentando digerir cada palavra que Serena proferia; aquela atitude dela estava o magoando, estava dilacerando o seu peito como se fosse uma lança de ferro. “Porque ela está agindo assim? É ódio este brilho que sai dos olhos dela? Há, Serena não me afaste de você, eu quero tanto te abraçar, minha doce Usako, eu quero tanto te proteger...”. – Eu já vou, não precisa mais gritar Serena, eu vou atender ao seu pedido. Tchau Andrew depois agente se fala. Falou se dirigindo à porta, porém no meio do caminho virou-se para vê a sua Usako, tentar decifrar no seu rosto o motivo de tanta raiva, ele realmente não estava entendendo, estava muito confuso com tudo aquilo.

Serena ouviu as últimas palavras de Darien, foi impressão sua ou ele estava triste? Dizer aquelas palavras foi muito difícil para ela, mas era preciso, ele nunca iria aceitá-la. Foi quando ela levantou os seus olhos em direção à porta na esperança que ele já tivesse partido, porém o que ela encontrou foram dois lindos e profundos olhos azuis, suplicantes por uma resposta, mas ao mesmo tempo calmos como o oceano. Serena encontrou... sinceridade, conforto, era isso mesmo ou ele estava apenas brincando com ela como sempre fazia?

Darien olhou profundamente nos olhos de Serena, viu a dor no seu semblante, como se esta suplicasse por socorro. Como queria abraçá-la, tocar na sua pele delicada poder se perder naqueles lábios...

- O que foi? Você ainda está aqui? Saia agora! Você não pode ficar aqui, você pode contaminar o hospital, até porque o lugar de verme não é no hospital, disse sarcasticamente.

Pronto! Aquilo foi como um tapa no rosto do rapaz. Como ela poderia ser tão cruel? As lágrimas vieram aos seus e Darien virou-se rapidamente para sair; ele não queria que ela o visse desse jeito, porém a sua rapidez não foi o suficiente para que Andrew não percebesse o estado dos eu amigo.

- Dessa vez você foi longe demais Serena. Ele já estava indo embora, não precisava tratá-lo daquela maneira.

- Andrew, em nome da nossa amizade, não se meta nesse assunto, por favor. Meu problema é com o Darien e não com você.

Andrew olhou para a garota; “Como ela pode ter mudado tanto em tão pouco tempo?”- Tudo bem, eu respeito a tua decisão, mas você sabe Serena, que apesar de todas as diferenças que existem entre você e o Darien ,ele não merece este tratamento. Bem, eu preciso ir, até mais Sere, eu espero que você se recupere logo. Disse o rapaz se despedindo.

- Tchau Andrew, disse as meninas, menos Serena que parecia está num outro lugar.

- Serena, eu não estou entendendo, será que dá pra você explicar o porque disso tudo? Perguntou uma confusa Rey.

- Você não sabe de nada Rey, de nada...A antiga Serena morreu, o que existe é isso que está na frente de vocês. Antes eu vivia um sonho, uma vida sem preocupações, como se fosse um conto de fadas, mas agora... esta é a minha vida, a minha vida real.
 
 
 

Notas da autora: E aí pessoal, tudo bem com vocês? Tadinho do Darien, fiquei com uma pena dele... Eu tô com raiva da Serena como ela pode fazer uma coisa dessas com o pobre coitado? Será que ele vai desistir dela? Bem, se vocês quiserem saber acompanhem a fic. Muita coisa precisa ser esclarecida ainda.

* - Sobre a Rey estudar numa escola católica, vocês sabem que isso é verdade, né? Não fui eu que inventei. Na fase stars aparece Rey nesta escola e no manga também.

Espero que vocês me mandem comentários, isso é muito importante, se vocês não mandam eu não fico muito animada para continuar a escrever a fic. Meu e-mail é: mira_chan2004@yahoo.com.br

Em: 11/03/2004
 
 


  Capitulo 02 / Fanfics