Atração Atordoante  
Atração Atordoante
 

Lady Barton
ladybarton1@icqmail.com

Primeira Parte
 
 

A.C.197
       Numa mansão, nos confins de um país desconhecido, encontravam-se cinco jovens.Cada um deles com um aspecto comumente.Eram pilotos de Mobiles Suits.Não qualquer tipo de Móbile Suit, eram especiais,criados somente para serem pilotados por eles.Foram treinados para serem soldados perfeitos, tanto mentalmente quanto fisicamente.Antes mesmo que tivessem se dado conta, tais crianças foram submetidas a arte da guerra, a fim de que se tornassem perfeitos.
       Nem todos alcançaram a perfeição.
       Era necessário integral dedicação, pois, como soldados, a morte estaria sempre a seu lado, esperando uma pequena falha fatal.Porém, se não a temessem, ela estaria sempre velando, e os protegendo das injustiças de um mundo errante.
       “Não deviam ter medo da morte....era apenas uma conseqüência, um pagamento por atos imprudentes, por isso foram treinados.”-era justamente como Heero pensava, o frio soldado perfeito, não sentia, e não vivia.Era parte de uma vida falsa, criado com perspectivas talvez, que não correspondessem á seu tipo de pensamento, cujas pessoas não passavam de meros bonecos, a serem manipulados, ou até mesmo destruídos.
       Mas, era totalmente dedicado á tudo o que lhe ordenavam fazer, ordens superiores de seu mentor, Doutor J, eram piamente obedecidas, sem argumentações.
       O garoto, desde que se entendia por pessoa, lembra-se ter sido um soldado, e não ter sabido, durante toda a sua vida, fazer outra coisa, a não ser lutar e matar, todo aquele que se atrevesse a corromper seus planos, ou ameaçar sua existência miserável.
       Desde que conhecera os outros quatro garotos, sua vida já não era mais a mesma.Conviver com pessoal, não era coisa que fazia de melhor.”Atirar um bala diretamente em suas cabeças, seria, indubitavelmente, mais fácil e exaustivo.”-pensava consigo próprio, suas soluções “usuais” algumas vezes não eram bem aceitas.Odiava ser contrariado, principalmente por um certo “estúpido” americano, cujo passatempo, era, com toda a certeza, fazê-lo perder tempo.Um digno psicopata, um soldado do espaço, não se deixava abater por meros idiotas, os quais não se empenham em cumprir o que lhes foi ordenado.Não como ele, era diferente, ele era perfeito, acima de tudo, e de todos.Se precisasse romper o crânio de cada um deles, caso lhe fosse ordenado, sem dúvida, o faria, sem hesitar.Não precisava de ninguém, apenas de si próprio.....
       Além disso, não eram soldados tão imperfeitos, podia se aproveitar do bom serviço de alguns.Levianamente, levantou de sua cama.No beliche de cima, o americano repudiado por ele, roncava alto, encolhido numa montanha de lençóis.
       -“Baka!”-pensou ele, olhando feio para Duo, que se mexeu, quase caindo da cama superior.
       Foi até o banheiro, escovou os dentes e se vestiu, com os trajes costumeiros, e dirigiu-se á sala de trabalho.
       Três garotos conversavam, não tão animadamente, sobre algo, que parecia ser sério.
       -Bom-Dia, Heero!-disse o loiro, tirando um mapa da frente do rosto angelical, exibindo um amável sorriso.O outro garoto, alto de olhos verdes, permanecia calado, apenas ergueu uma sobrancelha, e desviou o olhar da tela de um computador, até Heero, que já estava ansioso por saber o que estava ocorrendo.
       -........-suspirou secamente, obviamente, aquele era o bom-dia de Heero.
       -Cadê “ele”!?-perguntou o chinês, meio mal-humorado, pegando uma das xícaras de café, pousadas na mesa de centro.
       -Dormindo...-replicou, tão friamente quanto.-O que é isso!?-perguntou, olhando para os mapas, foi tomado por uma intensa curiosidade.
       -Base de Frankfurt...-respondeu o mais alto, olhando nos olhos do garoto japonês, severamente.-Devemos destruí-la....
       -Quem enviou!?
       -Doutor J, e Mestre O.-respondeu o loirinho, ainda sorrindo adoravelmente para Heero, que sequer olhou.
       -Vai ser uma longa viagem...seu Gundam está em condições!?-perguntou novamente o mais alto, quase que exigindo uma resposta positiva.
       -Sim...-respondeu inexpressivamente.
       Da porta do cômodo, surgiu uma figura completamente maquiavélica, que olhava diretamente para Heero, que nem sequer notou sua presença.Soltou um longo bocejo e ajeitou as vestes negras e os cabelos, quase desfeitos de uma longa trança.
       Um sorriso maligno percorreu a face de Duo, que também correu o olhar sob os mapas e a baderna feita no local.Não pode deixar de perguntar.
       -Que negócio é esse!!-perguntou, cheio de importância.
       -Explica pra ele, Heero!!-disse o loirinho, escondendo a face num mapa enorme.-estamos estudando....
       -Temos um pequena missão..destruir a Base de Frankfurt..-falou gélidamente, sem mexer um músculo.O americano prestava atenção nas suas palavras, e nos seus mínimos movimentos.
       -Ahn, saquei!!Puxa...já ia me esquecendo de uma coisa...alguém tem peças de apoio pro meu DeathSchythe!?-perguntou, calmamente, olhando a todos, esperando uma resposta, no mínimo animadora.
       Heero contorceu os punhos, em raiva, tremendo de fúria.Como podia ser tão imbecil!?Deixa o Gundam, sem peças!Se os atacassem, viraria pó...O americano era extremamente irresponsável, em sua concepção, era um soldado totalmente inconcebível, que ainda tinha coragem de se autodenominar “Deus Da Morte”.
       -Eu tenho!-disse chinês..-Mas não é de graça..temos que estabelecer umas condições!-disse sobriamente.
       -Que “tipo” de condição!?-indagou animado, tentando não sorrir.
       Ficaram conversando num canto, até que pareceram ter feito um acordo.
       -Vocês não vão ver o local?-perguntou o loirinho levantando-se, e ajeitando o casaco.
       -Passa pra cá, esse mapa!-disse o americano, num tom displicente.
       -Trowa, vamos tomar café!-disse friccionando as mãos, com frio, exibindo, novamente, um sorriso irresistível, amaciando qualquer tipo de ferocidade possível.
       -Claro!-respondeu, dirigindo os belos olhos verdes para o garoto.Pousou o laptop sobre a mesa central, e seguiu Quatre.
       -Hum...-murmurou o chinês, observando-os.O americano o encarou, sem entender.
       -Que foi!?-perguntou, com aspereza.
       -Nada...-tratou de responder rápido, tornando a virar-se para um dos mapas, em suas mãos.
       -Vocês andam cheios de mistérios...ou será que eu é que estou mal-informado!?-perguntou desdenhoso.
       -Hiii, Duo, esquece isso!Pense na missão!É mais importante...-disse autoritariamente, quase esfregando o mapa no rosto do americano.
       Heero foi até a casa do lado, que nada mais era que uma pequena base, disponibilizada para seus Gundams, temporariamente.Olhou para todos os lados, e, vendo ausência de qualquer tipo suspeito, virou a chave.Entrou rapidamente, no pequeno elevador, até que aparecessem,enormes e reluzentes, cinco Gundams, á sua vista.
       Á qualquer pessoa normal, seria uma visão assustadora e parcialmente ameaçador, ver máquinas de guerra, bem em frente a si,embora, Heero se sentisse estranhamente protegido, e calmo, junto á tais máquinas.Talvez, fosse porque, eram seus únicos companheiros, em quaisquer momentos, não reclamavam e, sempre se recuperavam, e o mais importante:não enchiam seus ouvidos de baboseiras imbecis.
       -“Como o Duo...”-pensou ele, tendo em vista, a imagem do garoto, sempre tagarelando..e o enchendo com suas conversas sem importância.
       Um dos Gundams, estava com peças de reposição em falta, DeathShythe, pensou com seus botões...
       -É um idiota, mesmo...
       Notou que estava perdendo tempo demasiado, tratou de começar a fazer algo realmente útil.
       Entrou na cabina de pilotagem do Wing, e checou todos os comandos, primários..secundários, tudo em perfeitas condições para a batalha, nada poderia dar errado, a não ser algum tipo de imprevisto...comprometedor.
       Quatre estava na cozinha, em frente á pia.Trowa encontrava-se calado, sentado confortavelmente, numa das cadeiras laterais, e apoiava o queixo com uma das mãos.Apenas observava o garoto.
       O loirinho tinha um certa dificuldade para alcançar um pote de açúcar, no armário superior, esticava-se de todas as formas possíveis, as mãos numa tentativa frustrada de pegar o pote em cheio.Já estava na ponta dos pés.-em vão.-Não conseguia de jeito nenhum.Um esboço de fúria e insatisfação e descontentamento, percorreu sua face.
       “Droga!”-pensou, aborrecido com a própria altura, estendeu a mão mais alto, quase derrubando uma pequena estante com copos.
       Trowa apenas ficou observando o empenho do garoto, em desempenhar tarefa tão simples.Não desistiria, até conseguir aquilo que desejava.Apesar de ser uma pessoa muito doce e amável, Quatre era extremamente teimoso.Talvez fosse por sua criação, não renunciava, ao que fosse.
       Trowa já estava rindo da cena, e Quatre continuava entretido e completamente ocupado com seu pequeno conflito pessoal, até que:
       -Quatre, não que uma aju....-ia começar a falar, mas foi interrompido pelo próprio.
       -AHÁ!!-disse, extasiado, finalmente com o pote nas mãos.-Consegui!!- e mostrou-lhe com uma expressão triunfante.Se inclinou pra trás e ficou olhando para o garoto alto, que inexplicavelmente ria a ele.
       Trowa sorriu para ele, jovialmente, fazendo o garoto ruborizar, e quase derrubar o pote em suas mãos.Não ficava encabulado com tanta facilidade, não em circunstâncias tão estúpidas como essas.
       Tentou-se esquecer, e depositou água na chaleira.
       -V...você quer chá de canela ou ervas!?-perguntou, quase trêmulo, com as bochechas ainda teimando em corar ferozmente.
       -Sim, obrigado...-respondeu o garoto, tentando brandir o riso.
       Duo e Wu Fei, ainda na sala, conversavam com desenvoltura, tentando prestar atenção no mapa, Wu fei tentou se calar, e se concentrar no mais importante.
       -Vou tomar café..-disse cruelmente, deixando-o sozinho, sequer dando-lhe um oportunidade de resposta.-Não vem!?
       -Peraê!!Não me deixe aqui sozinho!-e saiu em direção ao americano.
       Na cozinha, Quatre dialogava com Trowa, sobre as melhores armas de seus Gundams.Como a conversa parecia muito azucrinante para Duo, ele nem se manifestou, apenas pegou um prato e se serviu, voltando para a sala, extraordinariamente, sem proferir uma palavra sequer.
       Quatre, intrigando-se com atitude do amigo, foi atrás dele, e averiguou:
       -O que foi Duo!?-num tom preocupado.-Está tão retraído!!Por acaso você brigou..com o Heero!?-perguntou, tentando disfarçar a bisbilhotice.
       -Por falar, no diabo...cadê ele!?-perguntou, desdenhoso, com uma voz fria.
       Quatre fez um enorme esforço para não cair em risos, com o semblante enfurecido de Duo, que cruzou os braços, esperando a resposta.
       -Aham, acho que está na “casa” ao lado...-disse de uma vez.
       -Mas que boçal!!Nem me avisou, droga!-interpelou irritadiço, batendo o pé no chão, num evidente aborrecimento.
       -Calma Duo!-disse Trowa, por fim, saindo do lugar onde estava, juntamente com Wu Fei, que segurava um pedaço de pão.-Ele não vai aprontar nada!É melhor não se envolver, é pior pra você...
       Com o efeito de tais palavras, o garoto americano finalmente deteve sua zanga imatura, em relação á Heero e suas atitudes, pelo menos..por enquanto.
       Wu Fei abocanhou o pão, que quase acabou-se por inteiro.Duo voltou para seu quarto e vestiu as conhecidas roupas negras, procurou os melhores óculos escuro que tinha, refez a ampla trança que se estendia até a cintura.