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SAMURAI X - MEN Otávio Pedroso Capitulo 4: Laudau, Lukman & Lake Época atual –
Estratosfera, em algum lugar sobre o Pacífico. Bem acima do tráfego aéreo e invisível a qualquer
sistema de detecção, o Asa-X dos X-Men voava a inacreditáveis mach 5[1]. Seu
destino: Japão. Tempo de chegada: 45 minutos. Sua trajetória balística estava
no ápice, a curva planetária era perfeitamente visível. A leste era possível
ver um alvorecer magnífico e a oeste a parte oriental do continente asiático
ainda coberta pelo manto da noite, com as luzes de Hong Kong, Xangai e Seul
perfeitamente visíveis. No entanto, esta paisagem de tirar o fôlego não estava
sendo apreciada por nenhum dos dois únicos tripulantes do jato. Qualquer
observador desavisado que os visse acharia que os dois tiravam uma soneca
enquanto a aeronave era guiada pelo piloto automático. Mas na verdade somente
seus corpos estavam ali. As mentes dos mutantes Wolverine e Noturno estavam
em outro lugar, momentaneamente desligadas dos corpos. Neste momento a consciências dos dois X-man se
encontravam em uma dimensão paralela conhecida como Plano Astral. Eles
estavam tendo uma conferência telepática com outros dois membros da equipe e
o comandante, fundador e mentor do grupo, professor Charles Xavier, o mais
poderoso telepata do planeta e responsável por aquela reunião tão fora do
comum. A “sala” de reuniões virtual também não era
nada comum. Somente algumas poltronas em semi-circulo que flutuavam em meio a
um espaço esférico aparentemente infinito, de cor azulada, coalhado de
algarismos e letras do que pareciam ser milhões de códigos de sequenciamento
de DNA. Sentados nas poltronas estavam, além de Kurt e Logan, os colegas
Scott Summers e Hank McCoy, também conhecidos como Ciclope e Fera. O
Professor estava sentado de frente para os alunos em sua conhecida cadeira de
rodas. Todos estavam acabando de assistir ao estranho encontro
entre Dentes de Sabre e Teleporter que acontecia em três dimensões diante
deles. Quando Creed sumiu dentro do pequeno tornado tudo ficou em silêncio e
a imagem sumiu. O professor Xavier tomou a palavra em seguida. - Muito bem. Creio que estas imagens falam por si. Pode continuar
Logan, acho que agora estamos prontos para saber mais sobre os seus planos em
Tókio. Logan, que estava de pernas e braços cruzados pigarreia antes de
falar. A reunião já durava quase uma hora e ele estava louco por uma cerveja. - Tá legal Professor. Mas antes de continuar eu gostaria de saber se
vocês ficaram convencidos. Nesse momento Ciclope, líder do grupo e primeiro X-men recrutado por
Xavier, levanta o braço. Estava vestindo seu uniforme negro com um enorme
detalhe amarelo em forma de “x” no peito. Logan não deixa de
achar graça da atitude do “bom moço” do grupo e tem que reprimir
uma risadinha. - Fala
Scott. - Quer dizer que você insiste na teoria do “vórtice
temporal”? - Ciclope não deixou de notar a ironia do colega –
Será que não estamos nos precipitando? Logan descruza os braços, estende as pernas e trança as
mãos atrás da nuca, numa atitude de pouco caso. - É o que tu acha Magrão? Se for assim, vamos ver o que os outros
acham. Alguém tem alguma outra teoria? Dizendo isso, Logan lançou um
olhar em torno.Como a pergunta foi dirigida para o grupo demorou alguns
segundos até que o professor resolvesse tomar a iniciativa. - Honestamente acho essa hipótese plausível. Já faz 24 horas que venho
rastreando com insistência todo o globo a procura dele. Mesmo tendo em mente
que o padrão mutagênico de Creed é difícil de rastrear devido a sua natureza
passiva, Cerebra[2] deveria ao menos ter encontrado algum vestígio. O que não
aconteceu. Eu duvido que nas condições em que estava Dentes-de-Sabre pudesse
ter acesso a algum dispositivo de bloqueio. Também duvido que Teleporter
tenha simplesmente o eliminado. Levando em conta o que acabamos de assistir e
nossas experiência anteriores com estes tipos de eventos... sim, ele
realmente pode ter viajado no tempo. - Eu
concordo com o professor. Todos se voltaram para o autor da frase, Hank McCoy chamado também de
Fera devido a sua aparência bestial, que o fazia se parecer com um imenso
homem-felino de pêlos azuis. Vendo que tinha chamado a atenção dos demais, o
X-men, médico, físico e biogeneticista não se fez de rogado e começou a
falar. - Se todas as evidencias não bastarem, eu tenho os resultados das
analises que o Kurt fez no local da ocorrência usando os sensores do Asa-X.
Há concentrações muito elevadas de
Taquions no local. Tal quantidade
dessas partículas num local como aquele, só poderiam ter sido gerada por um
evento de transição infinitesimal que... - Infini o que?- interrompeu Logan cujos jargões do amigo só faziam
aumentar a sua vontade de beber uma cerveja. - ....É referente a tempo Logan – esclareceu o Fera, um pouco
descontente por ter sua torrente verbal interrompida.- Bem, como eu ia
dizendo na minha opinião todas as evidencias levam crer num salto temporal.
Se analisarmos os padrões que temos arquivados, aquele vórtice tipo
“tornado” é bem diferente dos portais de teletransporte do
Teleporter, que sempre se apresentaram sob a forma de um disco luminoso. O
efeito de sucção que pegou o Creed também é muito comum nos vórtices
temporais, se não me engano o Logan já teve o “privilégio” de
viajar num destes. Logan, que estava calmamente limpando as unhas da mão direita com uma
das garras da mão esquerda foi surpreendido pela menção do seu nome. - Opa... valeu Hank.- falou interrompendo a manicure e
recolhendo a garra – Por um momento eu achei que tu ia nos atolar em um
milhão de dados e termos técnicos. È verdade, eu e o Pigmeu já tivemos esse
“privilégio”. Graças ao Teleporter a gente acabou indo parar em
plena guerra civil espanhola. E o tal do vórtice de que tu falou era
igualzinho aquele que levou o Dentes. Por isso eu tenho certeza de que o
pilantra tá em outra era. - Ele não poderia ter sido transportado para outro planeta? –
arriscou Ciclope, ainda um pouco céptico. - Improvável.- respondeu o professor quase imediatamente – Até
onde nós sabemos o alcance dos poderes do Teleporter se limitam ao nosso planeta.
Aliás, a única Teletransportadora em escala cósmica conhecida é Lila Cheney. - Muito bem. – disse Ciclope finalmente convencido – Se
todas as demais alternativas foram descartadas, a que sobrar por mais absurda
que seja deve ser a certa. Nesse caso é nossa obrigação pelo menos tentar
localizar e trazer o Creed de volta. Quais as nossas opções? - A solução
mais lógica, - disse o Fera coçando o queixo - seria tentar localizar o
Teleporter e pedir para ele abrir outro portal. Isso é possível? - Seria
difícil. – respondeu o Professor – Por alguma razão que eu
desconheço é impossível localiza-lo usando Cérebra. Nos poucos contatos que
tive com ele nunca consegui sondar sua mente tampouco. Acredito que só o
encontraremos se ele quiser ser encontrado, estou certo Logan? - Falou e
disse Charli. Eu sou um dos que o conhece há mais tempo, e sei por
experiência própria que quando ele desaparece desse jeito, demora pacas pra
mostrar a cara de novo. - Em todo o
caso, deixamos alguns sensores na colina dele antes de partirmos. –
argumentou Noturno. – Se ele voltar vamos ser os primeiros a saber. Se
bem que o Logan já... - Temos que
tentar outras alternativas.- interrompeu Ciclope se inclinando para frente e
apoiando os cotovelos nos joelhos - É impossível prever quando o Teleporter
vai voltar. O tom
impaciente que Scott Summers usou não passou despercebido aos demais. Ele era
um sujeito que demonstrava calma e confiança até nas situações mais críticas,
mas o motivo do seu nervosismo neste caso era bem conhecido. Especialmente
para Logan que partilhava da mesma revolta e frustração por não ter podido
proteger uma mulher que ambos amavam. O primeiro como esposa e o segundo como
amiga. Logan já ia tomar a palavra quando foi interrompido. - Eu
poderia tentar localizar algum mutante com o poder de vasculhar o fluxo
temporal – falou o professor – Eles são bastante raros, mas se
pudéssemos contar com a ajuda de um, poderíamos determinar para que época o
Creed foi enviado. Só nos restaria o problema do transporte. - Voce
poderia construir alguma coisa Hank? – perguntou Ciclope. - Não tenho
certeza. – respondeu o X-men peludo com uma expressão de quem já fazia
cálculos – Mas vamos precisar da ajuda de Cable e Bishop, os dois são
os únicos de nós que já tiveram acesso a este tipo de tec... Fera teve
seus devaneios científicos abruptamente interrompidos pelo som de um
estridente assobio. Quando achou que tinha conseguido a atenção dos colegas
Wolverine parou de assobiar. - Calma
gente. Eu já ia chegar lá. Não precisam se preocupar, o velho canadense aqui
já tá com tudo na mão. - Deve
estar se referindo aos seus “amigos” de Tókio a que você se
referiu no começo da reunião? – perguntou o Professor – Prossiga
Logan, estamos ouvindo. - Pois é.
Ao contrário de vocês, eu saquei logo de cara o que tinha acontecido. Assim
que decolamos, eu liguei para o meu contato junto a Laudau, Lukman &
Lake. Eles são uma agencia independente que controla e fiscaliza tudo o que
refere a trafego transdimensional. E olha só, no mesmo horário em que o Creed
sumiu, eles detectaram o surgimento de uma fenda espaço-temporal não
autorizada na Austrália. Conseguiram rastrear o destino da fenda: 1878. E não
é só isso. Pouco antes do professor nos convocar para essa reunião eu recebi
um novo comunicado do pessoal da LL&L, um dos agentes deles reportou a
presença de um elemento estranho circulando pelas ruas da Tókio de 1878, e a
descrição bate certinho com o Creed. Por um momento todos, menos Noturno apenas olharam para
Logan. Havia um misto de perplexidade e até certa irritação nos olhares. - Isso é
interessante.- disse finalmente o Fera – Porque não falou isso logo de
cara Logan? - Eu queria
que vocês assistissem aquele “áudio visual” primeiro, ia ajudar a
digerir melhor essa história toda. Sem contar que era um bom jeito de passar
o tempo durante a viajem ao Japão. - As
informações são confiáveis? – perguntou Ciclope - Eu já ouvi muitos
boatos a respeito da LL&L, e nada recomendáveis. Havia uma nota nítida de repreensão no tom que Ciclope
usou ao fazer a pergunta. Algo que não passou despercebido a todos,
principalmente Wolverine. - Confie em
min Scott. – respondeu Logan encarando com firmeza o companheiro - Eu
já trabalhava com eles enquanto tu ainda tava sujando fraldas. Sei com quem
eu tô lidando. Ao invés de
ignorar a provocação de Logan como de costume, Ciclope responde com aspereza: - O que
você quer disser com... - Scott,
por favor. – interrompeu o Professor num tom calmo, porém firme - Todos
sabemos o que você está passando, mas não é hora para isso. Scott
Summers ia retrucar, mas ante o olhar do Professor muda de idéia: - Desculpem... desculpe Logan. - Desencana
Magrão. – respondeu Logan com um sorriso - A culpa foi minha. - Logan.-
começou o Professor – Eu falo por todos aqui quando digo que confio
plenamente no seu julgamento. Poderia agora nos contar os seus planos? - Sem
problemas. O pessoal da Laudau, Lukman & Lake me deve um ou dois favores.
E como também não é do interesse deles que um mutante maluco esteja
aprontando no Japão da Era Meiji, concordaram em me mandar de volta no tempo
para capturar o Creed. - Eles
realmente têm os meios para isso? – perguntou o Fera – Viagem no
tempo não é brincadeira. - Acho que
até tu ia se espantar com a tecnologia a disposição deles Hank. Fica frio, se
eles disseram que podem é porque podem mesmo. - Certo.-
falou Ciclope - Neste caso devemos nos apressar, é uma missão muito arriscada
para só você e o Kurt enfrentarem. Vou reunir o restante da equipe, devemos
chegar ao Japão em cerca oito horas então... Logan interrompeu Ciclope com um gesto. - Não
precisa Scott. Eles só podem mandar duas pessoas no máximo, e como eu tenho
que trazer o safado, eu vou sozinho. Logan disse
estas palavras com o mesmo tom que usaria para dizer que ia logo ali para
beber uma cerveja num boteco. Por um momento o Professor, Ciclope e o Fera
ficaram só olhando para ele espantados com a tranqüilidade com que ele falou
aquilo. Já Noturno soltou um risinho abafado na certa lembrando que teve a
mesma atitude quando Logan o pôs a par de seus planos. - Logan...
– disse finalmente o Fera - se você me der um tempo eu posso tentar
encontrar uma alternativa, não se precipite. - Mesmo que
consiga chegar lá, como pretende lidar com o Dentes-de-Sabre sozinho Logan?
– perguntou o Professor num tom realista, mas sem esconder uma nota de
preocupação na voz. - Não esqueça
que agora ele também possui esqueleto de Adamantium – observou Ciclope.
– Mesmo todos nós juntos não conseguimos dete-lo em Sidney. - Eu sei de
tudo isso.- disse Logan com um pouco de impaciência.- Mas não tem jeito. Eu
não posso permitir que o Creed escape impune depois do que ele fez. E, além
disso, parece que ele está fazendo horrores por lá. Pensem bem, naquela época
não tinha ninguém no mundo capaz de enfrenta-lo, ele pode fazer o que bem
quiser. Primeiro ele vai fazer do Japão o pátio dele, e depois quem sabe,
China, Rússia, Estados Unidos. O calhorda tem plena capacidade de rastrear e
eliminar todos os possíveis adversários antes mesmo deles nascerem, mutantes
ou não. Eu não posso esperar, hoje mesmo eu vou voltar no tempo e eu juro que
trago ele de volta... Nem que seja só o cadáver. As últimas
palavras foram ditas com tal convicção que não deixaram de provocar a
admiração de todos. Logan não era de fazer promessas à toa. E ao mesmo tempo
o discurso produziu em cada um deles a certeza absoluta que de não adiantaria
nada tentar fazer Logan mudar de idéia, eles o conheciam a tempo suficiente
para saber o quanto cabeça dura ele era.
\n'; document.write(barra); } } changePage(); Apesar de
todos os argumentos razoáveis Charles Xavier não deixou de imaginar que toda
aquela determinação por parte de Logan era fruto muito mais da antiga
inimizade que este nutria por Creed do que uma preocupação mais altruísta. No entanto
a situação pedia medidas imediatas e mesmo não gostando da idéia de depender
da ajuda de uma organização tão duvidosa quanto a LL&L e arriscar a vida
de um dos seus melhores X-men, ele tinha que aceitar. O Professor sabia que
nem ele e principalmente nem Logan poderiam desperdiçar essa oportunidade. - Certo...
– disse ele - Como eu disse antes. Eu tenho a mais absoluta confiança
em você Logan. Se você acha que pode cuidar disso sozinho, vou aceitar e
apoiar a sua decisão. Ademais se for para mandarmos apenas um X-men nesta
missão, creio que você seja o mais qualificado. - Que bom
que tu entendeu Charli – disse Logan com uma expressão mais relaxada
– Cê tem razão. O Japão é como se fosse uma segunda casa pra min. Posso
me adaptar com facilidade sem chamar muita atenção, conheço bem a língua e os
costumes. Não vai ser mole encontrar o Creed e é bem provável que eu tenha
que entrar em contato com as autoridades locais. Não me levem a mal, mas cês
iam acabar me atrapalhando. O Professor apoiou o queixo sobre os dedos entrelaçados
e considerou por alguns instantes as palavras de Logan, em seguida o encarou
novamente. - Eu
concordo com tudo isso Logan. Mas quero que entenda que o principal motivo
que tenho é que não posso transigir que um mutante tão perigoso quanto o
Dentes-de-Sabre esteja atuando num ambiente como aquele. A responsabilidade
por isso estar acontecendo é nossa e se o meio mais rápido para remove-lo de
lá for o que você propôs não me resta nada além de concordar e desejar-lhe
sorte. Alguém deseja falar mais alguma coisa? O Fera
aproveitou a deixa: - Não me
agrada nem um pouco deixar você ir sozinho Logan, mas uma vez que o Professor
concordou, acho que devemos apoia-lo. Se puder não deixe de me trazer um
suvenir. - Pedido
anotado grandalhão. Valeu. - Tome
cuidado Logan, – foi a vez de Ciclope falar - você mais do que ninguém
sabe do que aquele animal é capaz. Independente de pega-lo ou não, trate de
voltar inteiro. - Valeu
pessoal.- respondeu Logan olhando nos olhos de cada um – Acho que vocês
sabem que eu iria mesmo se não concordassem. Mas assim eu fico mais
tranqüilo. Então podem ir reservando uma acomodação bem
“confortável” pro Creed e umas cervas geladas pra mim, vou
precisar de no máximo uma semana pra arrastar o pulha de volta. Nesse meio
tempo o Kurt vai ficar no Japão monitorando o meu progresso, certo Elfo? - Sem
dúvida mein freund . Já que não posso ir com você pelo menos quero ser o
primeiro a lhe dar as boas vindas quando voltar. Agora se me dão licença eu
preciso começar a preparar a aterrissagem do jato. Auf wiedersehen. Dizendo
isso o mutante alemão desapareceu, logo a seguir Hank MacCoy disse que precisava checar a sua paciente e
fez suas despedidas desejando mais uma vez boa sorte para Logan. Ciclope
ainda gastou algum tempo fazendo várias recomendações antes de se despedir.
Quando finalmente ficaram a sós no recinto virtual Logan e o Professor
ficaram alguns instantes em silêncio até que o Professor resolveu abrir a
boca. - Logan, os
melhores conselhos são aqueles dados espontaneamente, o meu é o seguinte:
“Toda a ajuda é bem vinda”. Mesmo sendo uma missão solo, não
hesite em aceitar auxílio caso você esteja com problemas. Por último, sei que
o que houve recentemente acirrou ainda mais a inimizade entre você e Creed,
mas você deve lembrar que o ódio cego e o sentimento de vingança não devem
ser a sua principal motivação, em todas as ocasiões em que vocês se
confrontaram você só conseguiu alguma vantagem quando agiu com inteligência e
boas intenções, duas coisas que o Creed jamais vai ter. Logan encarou o mentor nos olhos, sua aparente
tranqüilidade deu lugar a uma expressão fechada, carregada de preocupação. - Não sei
se isso vai ser suficiente Charli. Eu não queria falar isso na frente dos
outros, mas... é bem provável que eu tenha que matar o Creed. Depois que ele
conseguiu o adamantium não consegui chegar nem perto de vencer o desgraçado,
acho que o único jeito vai ser apelar pro meu lado irracional. Faz muito
tempo que eu não tenho que chegar a esse ponto, e eu não gostaria que nenhum
de vocês me visse nesse estado. Seja como for, eu juro que vou parar ele, eu
devo isso a muita gente, principalmente a Jean. -
Entendo... Ela perguntou sobre você. - Como ela
tá? - Está
melhorando aos poucos, graças a Deus ela mesma conseguiu conter a hemorragia usando
telecinésia até que pudéssemos estabiliza-la. Não se preocupe meu amigo, ela
é mais durona até que você. Ao dizer as
últimas palavras o Professor fez a sua cadeira de rodas rolar até junto de
Logan que por sua vez se ergueu. Então, Charles Xavier sorriu e ofereceu a
mão que Logan prontamente apertou, também com um sorriso franco no rosto. - Se cuide,
Wolverine! - Pode
deixar, Professor. Eram pouco mais de 7 horas da manhã pelo horário do
Japão quando o Aza-X aterrissou suavemente no pátio de uma instalação da
Laudau, Lukman & Lake localizada em uma área afastada, nas proximidades
do monte Fuji. Wolverine e Noturno optaram por entrar no país
clandestinamente para evitar os entraves da burocracia japonesa. Felizmente,
não havia no planeta qualquer sistema de rastreamento capaz de detectar o
jato dos X-men que contava inclusive com sistema de ocultamento que poderia
fazer inveja aos Klingons. Mas aquele não era o destino final da viagem. Assim que
os dois X-men entregaram a sua aeronave aos cuidados do pessoal da LL&L,
subiram num helicóptero da empresa que estava especialmente reservado para
eles. Tão logo embarcaram, o piloto acionou o motor e decolou. Em poucos
minutos a paisagem de florestas e montanhas deu lugar a bairros residenciais
e aglomerados industriais. À medida que se aproximavam de Tókio o olfato
sensível de Logan ia se sobrecarregando cada vez mais com a crescente
poluição. Não demorou muito para avistarem os primeiros arranha-céus e foi
justamente sobre um dos mais altos deles que o helicóptero pousou. Próximo ao heliponto uma figura feminina aguardava,
acompanhada por dois homens vestindo ternos pretos e usando óculos escuros.
Pouco depois que a aeronave tocou o solo, Logan e Kurt desembarcaram e foram
na direção da mulher. Ela estava vestindo um elegante conjunto de blaizer e
saia azul marinho que modelava bem o seu corpo de curvas generosas. Sua
origem ocidental estava bem evidente na altura, na pele clara, cabelo loiro e
curto e em seus olhos azuis. Os dois homens ao seu lado eram obviamente seus
guarda costas. Os dois X-men pararam a menos de três passos da mulher.
Tanto ela quanto os guarda costas estavam de braços cruzados e cara amarrada.
Depois de um curto intervalo Logan deu um passo a frente e se dirigiu a
loira, também com um semblante sério: - Isso é
jeito de recepcionar um velho amigo? - É o
tratamento que você merece. – respondeu a mulher com uma voz grave e
carregada de sotaque escocês – Você só aparece quando está com
problemas. - Ta legal
Zoe. Eu sou um canalha egoísta. Agora me dá um abraço. O mutante
canadense abriu os braços e o sorriso. A princípio Zoe Culloden permaneceu onde
estava, com uma expressão quase tão gelada quanto a dos guarda costas ao seu
lado. Mas aos poucos a linha reta formada por seus lábios foi entortando até
se tornar um belo sorriso, em seguida ela avança e dá um forte abraço em
Logan. - Você não
tem jeito Logan. – diz ela em tom de repreensão – Não sei porque
ainda gosto de você. - Charme é
charme gata. Você lembra do Kurt? – perguntou Logan se separando e
indicando o companheiro. Noturno se
aproximou, se inclinou tomando a mão que Zoe oferecia e nela depositou um
leve beijo cavalheiresco. - Guthen
morgen fräunlein Culloden[3], é um prazer revela, está ainda mais linda do
que no nosso último encontro. - Com eu
poderia esquecer o galante Noturno. – respondeu a moça, um pouco
constrangida, mas mesmo assim lisonjeada pelo elogio. - Viu Logan isso sim é
que é charme. - Desgruda
Kurt. – disse Logan puxando o colega que ainda segurava a mão de Zoe
– Acho que agora podemos ir né Zoe? - Tem razão
Logan. – respondeu a loira retomando o semblante sério – Tenho um
veículo nos esperando lá embaixo. Mas acho que nos resta ainda um detalhe.
Por mais encantador que você seja Kurt, acho que as pessoas aqui em Tókio não
reagiriam bem a sua presença. - Nada tema
mein liebchen, tenho a solução bem aqui. – ao dizer isso o mutante
alemão retirou um pequeno objeto de forma cilíndrica de dentro do casaco.
– O bom e velho indutor de imagens. Ao clicar em
um botão do estranho objeto o ar ao redor de Kurt parece vibrar e se
distorcer por um momento e em seguida a familiar figura de pele azul, cauda e
orelhas pontiagudas dá lugar à de um homem com os mesmos traços de um famoso
ator de cinema. Até os seguranças ficaram de boca aberta, só Logan não
pareceu muito satisfeito com o que viu: - Qual é
Elfo? Tu tinha que escolher logo essa cara? - Qual o
problema mein freund? - É que
sair por aí com a cara do Jackie Chan não é bem a minha idéia de não chamar
muita atenção. Muda isso aí. Visivelmente
contrariado e resmungando alguma coisa em alemão Kurt Wagner aperta mais uma
vez em um botão do seu indutor de imagens para assumir uma aparência mais
discreta. Resolvido o
problema Zoe conduziu os dois mutantes a um elevador que os levou rapidamente
ao nível do chão. Na entrada do prédio uma limusine preta os esperava. Logo
depois o trio já estava rodando pelo tráfego caótico do centro de Tókio.
Cerca de 15 minutos depois o carro estacionou em frente de um inusitado
prédio. A construção de três andares em estilo
vitoriano estava cercada por duas torres de mais de 50 andares. A fachada
tijolos a vista tinha sobre a entrada uma placa pendurada em um mastro
horizontal com os dizeres Laudau, Luckman & Lake, Financial Enterprises
escritos em caracteres dourados. Todo o exterior do prédio causava um
contraste aterrador com as torres de aço e vidro do centro financeiro de
Tókio. Quando saiu da limusine, Noturno não deixou de se surpreender com o
que viu. -
Espantoso. Não esperava que fosse assim. - Legal né?
– disse Logan se juntando ao colega - O prédio é o mesmo desde 1878, e
ainda parece novo. Como sobreviveu aos terremotos e aos bombardeios da
Segunda Guerra é que eu não sei. Vambora, a Zoe ta esperando a gente. Dizendo
isso Logan pega o braço do colega e adentra o misterioso edifício. O interior
era ainda mais impressionante que o exterior. O térreo com o seu alto pé
direito tinha a aparência de uma
agência bancária, com guichês e escrivaninhas onde funcionários atendiam
alguns clientes. Todos os móveis eram de madeira, também em estilo clássico. Cada vez
mais admirado Noturno acompanhou Logan e Zoe até uma sala ao fundo, em todo o
trajeto ele não viu qualquer tipo de equipamento eletrônico, teve impressão
até de ter ouvido o ruído de uma máquina de escrever. Assim que entraram na
sala Zoe fechou a porta e os isolou, o recinto parecia ser a sala da gerência
e estava decorado de forma semelhante ao salão principal. - Não estou
entendendo nada Logan.- falou Kurt enquanto apreciava uma pintura em estilo
sumy-ê[5] que decorava uma das paredes. – Não vou ficar nada surpreso
se a tal máquina do tempo deles for uma engenhoca movida a vapor. - Tudo o
que você está vendo é apenas uma fachada Kurt. – disse Zoe se encarregando
de esclarecer enquanto se agachava perto de um cofre de aparência obsoleta e
começava a girar o segredo. – Para o Governo Japonês nós somos apenas
uma corporação financeira meio excêntrica. Este prédio foi uma de nossas
primeiras filiais no Oriente e o senhor Laudau gosta muito de preservar o
nosso patrimônio. Assim que
achou o que procurava a loira fechou o cofre e se levantou sobraçando alguns
papéis e segurando uma chave de aparência simples na mão. Logo em seguida ela
se dirigiu para uma porta que estava num canto. - Na
verdade as nossas verdadeiras instalações estão atras desta porta. –
disse Zoe enquanto introduzia a chave na fechadura e a girava produzindo um
estalo seco. -
“WC” !!!?- exclamou Noturno lendo as letras pretas gravadas na
porta – Logan, se isso for uma pegadinha não está tendo a menor graça. - Fica frio
Elfo. – respondeu Wolverine batendo no ombro do companheiro – Tu
não viu nada ainda. Quando Zoe
abriu a porta, não havia nenhum banheiro lá. Alias não havia nada além de
luz. Uma luz branca, suave e difusa que não vinha de nenhum ponto definido.
Sem dizer uma palavra Zoe Culloden entrou, e desapareceu engolida pela
estranha luz. A essa altura, Noturno já estava mais que surpreso. - Mein
Gott. Como sou burro, agora eu estou lembrando que a Jean me contou sobre
estas câmaras de teleporte. Mas eu achei a idéia de usar portas de banheiro
tão absurda que não dei muita atenção. Logan achou graça da observação do colega. - Pra um
sujeito com rabo e orelhas pontudas tu às vezes é muito cético Kurt. Agora
anda, não temos o dia todo. Logan pega
o amigo pela lapela e praticamente o arrasta para a porta. Assim que passam
os dois mutantes sentem uma sensação de formigamento acompanhada de um
zumbido baixo. Mas a transição é rápida, nem meio segundo se passou quando os
dois emergiram do outro lado. Parecia que apenas uma fina película separava
um ambiente do outro. Mas só a
primeira observação ao redor era suficiente para se constatar que eles já não
estavam mais naquele velho prédio no centro de Tókio. Eles estavam agora em um vasto recinto em
formato de domo, cheio de metal, plástico e uma vasta gama de aparatos
tecnológicos. O ambiente acético estava coalhado de gente que andava de um
lado para o outro aparentado estar muito ocupados, a maioria vestia jalecos
brancos, macacões ou ternos de tonalidades escuras. - Sejam bem
vindos a nossa central de monitoramento. – falou Zoe enquanto
introduzia a chave que tinha nas mãos num painel para selar a passagem atras
deles com uma porta deslizante de aço onde estava escrito “Tókio
01” – Estamos abaixo do leito da baia de Tókio. É aqui que
reunimos informações e dados de todas as nossas filiais para monitorar e
administrar o transito transespacial no planeta. Daqui também coordenamos
todas as operações de inserção e intervenção. Agora me acompanhem. O trio
começou a caminhar em meio a consoles ocupados por operadores bastante
compenetrados no serviço. Mas a presença de Wolverine atraiu muitos olhares
admirados, sua fama como um dos primeiros agentes da LL&L era bem
conhecida. Todos os
consoles e monitores convergiam para o
centro do recinto onde se destacava uma
plataforma em nível mais alto sobre a qual girava uma imensa
representação holográfica do globo terrestre. Ali estava o centro de comando
do complexo. - Esse
lugar mudou um pouco desde a última vez que eu tive aqui. – observou
Wolverine olhando ao redor. – Não to vendo nenhum conhecido também. - Não é à
toa Logan. – Zoe pareceu achar graça da afirmação do mutante –
Isso foi a quase cinquenta anos. De lá pra cá não só nossas instalações
melhoram como quase todo nosso quadro de funcionários foi trocado. A maioria
do pessoal do seu tempo já se aposentou. Logan lançou um olhar atravessado para a amiga. - Ta me chamando de velho é? Zoe se limitou a sorrir e balançar a cabeça numa
atitude indulgente. - Estas
outras portas também são passagens dimensionais Zoe? – perguntou
Noturno indicando vária portas que se alinhavam na parede externa e que
tinham uma aparência igual a que eles usaram, a não ser pela inscrições que
indicavam outros lugares como “Munique”, “Nova
Iorque”, “São Paulo” etç. - Exato
Kurt, mas sem a chave certa, quem passar pelas portas, só vai encontrar um
banheiro. Mudando de assunto, se você quiser pode desativar o disfarce, todos
aqui estão mais do que acostumados com pessoas de aspecto “não
convencional”. E como que
para comprovar as palavras de Zoe o grupo passou por um funcionário de pele
verde e orelhas pontudas, provavelmente proveniente do planeta Scrull. Sem perder
tempo Kurt desativou o indutor de imagens revertendo a sua aparência normal,
e de fato ninguém pareceu notar. A não ser por um que outro olhar de
reconhecimento, afinal Noturno era quase tão conhecido naquele meio quanto
Logan. - Ah! Antes
que eu me esqueça, parabéns pela tua promoção Zoe. – falou Logan se
aproximando e colocando a mão no ombro da moça. – Essa roupa chique
ficou muito bem em ti, mas eu preferia a outra. - Obrigada
Logan. Mas meus dias de roupa colante acabaram. Agora como chefe da filial de
Tókio eu tenho que me vestir mais sobriamente, mas tenho que admitir que já
estou com saudades dos meus dias de operativa de campo. Os três personagens por fim chegaram à área
central. Próximo ao grande planisfério holográfico onde um homem alto e magro
com cabelos e barba grisalhos e usando um jaleco branco os esperava. - Até que
em fim você chegou Logan. – falou a figura enquanto ajeitava os óculos
de grossas lentes. – Continua o mesmo em todos os aspectos. Logan ficou alguns segundos olhando para aquele homem. Sem dizer uma palavra ele se adiantou e farejou o ar perto do cientista até que um brilho de reconhecimento passou por seu rosto. E então sem mais nem menos \n'; document.write(barra); } } changePage(); - Michail
Rossovich. Continua fedendo a vodca e loção barata. Porra tu ainda tá nesse trampo! Da última
vez que te vi tu ainda era assistente do setor de desenvolvimento. - Isso foi
há muito tempo meu amigo. Agora eu sou o responsável técnico dessa seção.
Venham comigo, já está tudo pronto para o salto. Michail
Rossovich segue na direção a uma pequena plataforma e faz sinal para que os
outros o sigam. Tão logo sobem, o cientista aciona um botão de um pequeno
painel adjacente e toda a plataforma começa a descer. O “poço” do
elevador era feito de um material transparente, graças a isso era possível se
observar tudo o que havia nos níveis inferiores da instalação. Nem Logan e
nem Kurt se surpreendem pelo fato do elevador descer sem suporte algum,
flutuando. Escritórios, laboratórios, depósitos e até mesmo algo que parecia
ser um reator nuclear ia surgindo conforme desciam. Logan e Michail
conversavam sobre os velhos tempos enquanto Zoe falava ao telefone. Noturno já
estava imaginado quando iam chegar ao seu destino, ele já havia perdido a
conta de quantos andares tinham descido. Estava prestes a perguntar sobre
isso quando o elevador chegou a um novo nível. E o que ele viu o fez mudar de
idéia. Só podia ser ali. A câmara
era muito maior do que todas as outras, podia abrigar facilmente um prédio de
10 andares. Ao contrário dos níveis superiores este tinha um aspecto mais
rústico e obsoleto. Das paredes de pedra desciam grandes tubulações e
emaranhados de cabos ficavam totalmente a mostra. Mas o que realmente chamava
a atenção era a enorme estrutura no centro. Uma espécie de domo de quase 10
metros de altura e pelo menos trinta de diâmetro construído com uma estrutura
celular que fazia lembrar uma colméia. Do seu interior pulsava uma luz
esverdeada que iluminava todo o recinto. Quando o elevador
tocou o solo o Doutor Rossovich os guiou para o uma cabine com grandes
janelas e muitos consoles ocupados por operadores. Logan olhava em volta como
se já conhecesse o lugar. Zoe continuava dando instruções pelo telefone. - Este
lugar aqui não mudou muito. – disse Logan - E então Micha, a velha
geringonça do Dr. Carling ainda funciona? – perguntou apontando para o
domo esverdeado. - Claro que
sim Logan, é só graças a ela que podemos criar os nosso portais. Tudo o que
nós fizemos foi aperfeiçoar o que o Dr. Carling nos deixou. - Não
poderíamos Ter simplesmente aberto outra porta de banheiro? – Noturno
estava achando que todo aquele passeio subterrâneo foi pura perda de tempo. - Não
funciona bem assim senhor Wagner. – esclareceu o cientista - A energia
para gerar nosso sistema de portais vem deste núcleo e é retransmitida para
vários pontos. Como o senhor já deve saber fendas espaciais são relativamente
fáceis de se fazer. Mas no caso de fendas espaço-temporais nós precisamos de
muita energia. Só daqui do núcleo é possível concentrar a energia necessária
e mesmo assim só podemos abrir pequenas passagens. Segundo a física
quântica.... - Doutor.
– interrompeu Zoe, finalmente guardando o seu pequeno aparelho de
comunicação – Por favor, vamos manter a concentração, inicie os
procedimentos finais enquanto eu preparo o Logan. Já contatei todas as nossas
filiais e recebi o OK final do Sr Laudau. O salto de Logan vai provocar um
breve blecaute no nosso sistema, portanto não podemos nos atrasar. Seguindo a ordem
da chefe o doutor Rossovich começou a dar instruções para os operadores na
cabine de comando. Zoe saiu seguida dos dois X-man e se dirigiu uma espécie
de barracão montado nas proximidades onde havia entre outras coisas uma mesa
sobre a qual estavam alguns objetos. - Aqui esta
o equipamento que você solicitou Logan. - disse a Zoe indicando um objeto
sobre a mesa. – Nossos técnicos tiveram que trabalhar as pressas, mas
eu garanto que ficou tudo a contento. Em seguida
Zoe pegou um relógio de bolso com corrente e abriu a tampa mostrando para
Logan. - Rádio
comunicador de ondas curtas e FM. Localizador geo-posicional e bússola
acoplada. Clicando duas vezes no botão de ajuste o menu de funções é
acionado. Colocamos mapas de Tókio e arredores daquela época na memória. Logan pegou
o relógio e o examinou acionando as funções ao acaso. Em seguida com um
murmúrio de aprovação o deposita na mesa novamente. - Beleza,
só falta uma coisa.- falou Logan pegando uma caixa embrulhada em papel pardo
que ele não perdeu tempo em abrir. - Mais
equipamento? – perguntou Noturno. - O mais
importante de todos Elfo.- respondeu Logan mostrando com satisfação uma
pequena caixa de madeira – Autênticos charutos cubanos fabricados e
embalados como em 1878, o meu estoque tinha acabado lá na Austrália e eu não
podia ir pra uma viagem destas sem charutos. Uma enorme gota de suor apareceu na cabeça de Noturno
enquanto este observava Logan cheirar os charutos com delícia. - Você tem
que agradecer ao agente Ramires.- disse Zoe - Ele teve que ir pessoalmente a
fabrica em Cuba para consegui-los. Mas... deixando as trivialidades de lado
você tem certeza de que não quer levar nenhuma arma. - Você sabe
que eu não gosto de armas Zoe, tenho tudo de que preciso aqui, – Logan
desembainha suas garras de adamantium da mão direita e as observa por alguns
segundos antes de recolhê-las novamente - além do mais qualquer arma potente
o suficiente para deter o Creed chamaria muita atenção por lá. Sem nenhum
aviso a voz do doutor Rossovich se fez ouvir pelo sistema de alto-falantes: -
“Preparativos para salto espaço-temporal em fase final. T menos 15
minutos.” - Esta na
hora de se vestir Logan. Tem uma roupa esperando você do outro lado daquela
divisória. – Zoe indicou um
aposento separado que serviria de vestiário. Wolverine
entra e cinco minutos depois aparece vestindo um conjunto de calça e casaca
castanho escuros com um colete da mesma cor e uma camisa branca de colarinho
alto, os pés estavam metidos em lustrosas botinas de couro preto. - Mein
Gott. Você está parecendo personagem de novela de época. – disse
Noturno abafando uma risada com a mão - Tô
morrendo de rir Kurt. A roupa serviu como uma luva Zoe só não sei como
amarrar essa coisa aqui. – falou o X-men mostrando a gravata-laço de
seda preta. Zoe se apressou em se esquivar. - Não olhe
pra mim Logan isso está além de minhas habilidades. - Mas não
das minhas, permita-me mein freund. Com
facilidade, Noturno faz uma elegante laçada e termina o serviço. Em seguida
Logan colocou o relógio no bolso do colete com a corrente passando pela
frente e se fixando numa presilha do outro lado. A preciosa caixa de charutos
foi colocada num outro bolso, e como toque final um chapéu de feltro preto
que só lhe entrou na cabeça depois uma boa doze de vaselina para domar o
cabelo rebelde de Logan. Zoe e Kurt
se afastaram um pouco para avaliar o resultado, nenhum dos dois era
especialista em indumentária do século XIX, mas ficaram satisfeitos com o
visual estilo “faroeste” de Logan. Sem perder
mais tempo Zoe Culloden começou a dar as últimas instruções: - Nosso
agente no local ira fornecer a documentação necessária. A princípio você será
um agente da justiça canadense que está caçando o Dentes-de-Sabre. Lembres-se
de todos os protocolos e procedimentos em viagens temporais. Não permita o
relógio se extravie. Tente manter o mínimo contato com a população e se
possível evite expor seus dons mutantes ou suas garras para não comprometer o
seu disfarce. Lembre-se que Creed já vai estar atuando há quase um ano lá,
não temos certeza, mas parece que ele se aliou a um grupo poderoso e isso
está desequilibrando a situação, seu contato terá mais detalhes. - Deixa
comigo gatinha. Vou fazer o serviço mais limpo possível. - Sabemos
disto Logan. Os chefões só autorizaram esta operação porque confiam muito em
você. Não só pela sua ficha de serviços, mas também pelo seu envolvimento
anterior com Dentes-de-Sabre. Talvez você seja o único capaz de encontra-lo e
neutraliza-lo sem causar muitos estragos aquela linha temporal. Esse tipo de
operação é muito delicada, aquele seu amigo aborígine está sempre nos dando
trabalho, eu bem que queria saber o que aquele maluco tem na cabeça para
mandar um assassino como aquele para 125 anos no passado. O comentário a respeito de Teleporter não agradou
Logan, que fechou a cara e se aproximou de Zoe até ficarem cara a cara.. - Acho bom
cês não se meterem com ele Zoe.- disse Logan num tom sério – Apesar de
maluco o Teleporter é meu amigo. E eu sei que ele deve ter tido algum bom
motivo pra fazer o que fez. A escocesa não se intimidou com a ameaça velada, mas
achou melhor usar um tom conciliador. - Não
precisa se preocupar Logan. Por alguma razão nossos patrões não permitem que
ele seja incomodado, apesar dele ser uma constante fonte de problemas para
nós. - É mesmo?
Bom, mudando de assunto, tu não me disse ainda quem vai ser o meu contado,
alguém que eu conheço? Zoe abriu a boca para responder, mas mudou de idéia e
sorriu enigmaticamente antes de continuar. - Só posso
disser que ele é um velho conhecido seu, tenha paciência. -
“Velho conhecido”, to sabendo. – a resposta estava longe de
ser satisfatória para Logan. Aproveitando a deixa ele resolveu dar voz a
algumas perguntas que o estavam incomodando desde o dia anterior: - Aposto
que tu também não pode dizer o que um dos teus agentes já tava fazendo lá né?
É muita coincidência. A moça demorou alguns segundos procurando uma resposta
que não a comprometesse. - ...Você
sabe muito bem que mantemos filiais e agentes até mesmo fora do planeta. Só
posso dizer que temos interesses em jogo naquela época e local. - E tu não
vai me explicar que interesses são esses? Zoe se
manteve em silêncio e desviou o rosto do olhar interrogativo de Logan,
confirmando de certo modo suas suspeitas, mas ele resolveu deixar o assunto
de lado, pelo menos por enquanto. Além do
mais não adiantaria nada pressionar Zoe, os anos trabalhando no sombrio e
nebuloso mundo da espionagem lhe ensinaram que um peão só deve saber o
suficiente para fazer o seu serviço, e nesse caso ela era tão peão quanto
ele. O clima ruim foi cortado por uma voz
amplificada dando o anúncio de cinco minutos para o salto. Em seguida o trio
se dirigiu ao grande domo onde o doutor Rossovich, e um punhado de técnicos
vestindo trajes selados os esperavam. - Tudo
pronto para o salto. Mas eu gostaria de adverti-lo de que essa viajem será um
pouco mais desconfortável que o normal. Provavelmente você precisará de algum
tempo para se recuperar, espero que não tenha comido nada nas últimas horas. - Quanto a
isso não precisa se preocupar doutor. Já estou bem acostumado com transportes
turbulentos. – falou Logan dando uma olhada de canto para Noturno. - Não
gostei da indireta Logan. – respondeu Noturno meio ofendido. - Deixa de
frescura Kurt... ah lembrei de uma coisa. Logan
retira do bolso a corrente com identificação militar que sempre usava e a
entrega a Noturno. - Não posso
levar nada desta época pra lá. Guarda isso pra min Elfo. Pego
de surpresa pelo gesto do amigo, Noturno vê ir por água abaixo suas intenções
de se despedir de forma casual e bem humorada. Depois de pegar a corrente e
coloca-la no próprio pescoço ele pôs uma mão no ombro de Logan e o encarou
com um semblante sério, repleto de preocupação. - Nem eu nem os outros vamos te perdoar se você não vir
buscar isso de volta... até lá não vou
arredar o pé daqui. Deus te abençoe, mein freund. - Amém
Elfo. – disse Logan batendo amistosamente no ombro do colega. - Boa sorte Logan. – disse Zoe com a voz um pouco
embargada – E tome cuidado. - Quando
voltar, eu você e o Kurt vamos sair para tomar um pileque em homenagem aos
velhos tempos. – prometeu o doutor Rossovich tentando parecer otimista. Logan
tratou de subir logo na pequena plataforma que o levaria ao topo do domo. Enquanto
subia ainda se virou uma vez para acenar animadamente para os amigos. Sua
motivação para empreender a perigosa viagem era muito forte. Um salto
espaço-temporal não era nada para alguém que não hesitaria em entrar no
inferno para acabar de vez com aquela guerra particular que já durava
décadas. Quando
chegou no alto da estrutura em forma de ponte que ficava sobre o domo, Logan
seguiu por uma estreita passarela até ficar exatamente sobre o centro do
enorme engenho. Logo abaixo o clarão esverdeado aumentou de intensidade
produzindo um silvo agudo. Uma
contagem regressiva de dez segundos se fez ouvir. Com uma mão Wolverine
segurou o chapéu com firmeza. A imensa energia que crepitava logo abaixo
impregnava o ar com o cheiro de ozônio e a eletricidade estática arrepiou
todos os cabelos do mutante. Estas
sensações trouxeram a lembrança de Logan a primeira vez que ele esteve
naquele mesmo lugar em companhia do homem que o recrutou para trabalhar na
LL&L há quase cinqüenta anos atrás. O último pensamento antes do alçapão
a seus pés se abrir foi. “Por onde anda aquele safado do Chang?” Quando
caiu, passando pela abertura no topo do domo o X-men sumiu em meio a um
clarão de luz branca que se extinguiu quase tão rápido quanto apareceu. Aos
poucos tudo voltou ao normal até que o estranho construto voltou a ficar
silencioso, apenas emitindo uma luz esverdeada e mortiça. ******* Última
revisão da versão pré leitor em 29/08/04 Comentários: Ufa. Tem alguém ai ainda? Se tiver, prometo ser breve.
Como certeza esse será um dos capítulos mais longos da série. Deu muito
trabalho pra escrever, mas também se tornou um dos meus favoritos. Um dos motivos dele ser tão grande é que eu
precisava esclarecer vários pontos importantes para o enredo do fanfic.
Também seria a primeira e talvez única aparição dos demais X-men e isso
deixou a primeira parte da história meio enrolada. Mas o foco principal que
seria o salto temporal de Logan foi relativamente mais fácil de escrever,
tive que mudar muito pouco do texto original e o resultado foi satisfatório. Sempre tive paixão por ficção científica, e
pude brincar um pouco com isso. Para encerrar, algumas pessoas que já leram os
primeiros capítulos do fic me indagaram do porque de os outros X-men ou pelo
menos o Noturno não acompanhar o Logan nessa aventura. Bom, apesar de
reconhecer que a presença deles criaria várias situações e possibilidades interessantes,
desde o começo imaginei esta história com uma aventura solo do Logan. E como
ficou explicado neste capítulo, ele tem motivos realmente muito fortes para
ir sozinho, a começar por uma impossibilidade técnica. Mas o motivo principal
com certeza é o desejo de “acabar com tudo” de Logan, algo que
seus amigos jamais permitiriam. Nossa o
“breve” já virou tudo isso, antes que comecem a me atirar pedras
vou me despedindo, no próximo episódio prometo compensar essa falação com um
bocado de ação, com direito a ninjas, duelos de espada, perseguições e muita
PORRADA. To parecendo candidato. Caso alguém queira cobrar as minhas promessa
de campanha o email é miburo@hotmail.com . VOTEMNIMIM. P.S. Não se
preocupem, vocês vão ver este capítulo bem antes da eleição (espero). Notas: [1] Mach 5 – Cerca de 6000 Km/h [2] Cérebra
– Não é erro de digitação não, é uma versão modificada e melhorada do
famoso “Cérebro”. [3] Guthen
morgen fraunlein Culloden – Bom dia senhorita Culloden. [4] Mein
Liebchen – Minha querida [5] Sumy-ê
– Técnica de pintura desenvolvida no Japão que usa somente nanquim
diluído. |