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Algumas Técnicas Literárias para
Fanfics
Você já fez o seu batismo de fogo, postando suas fics em
seus sites preferidos, recebeu alguns elogios, reviews e até já
dominou o universo do mangá/anime/série no qual se baseou
para escrever as suas histórias, atraindo leitores e recebendo até
alguns comentários favoráveis.
Só que você sente que falta algo a mais para dar aquele
“tempero extra” nas suas histórias, a fim de chamar a atenção
de seus leitores e quem sabe - abrir caminho para produções
mais sofisticadas.
Está na hora de acrescentar algumas técnicas literárias
que lhe permitirão desenvolver o seu estilo, além de enriquecer
a sua fanfic.
Algumas destas técnicas são amplamente usadas nos livros,
revistas e temas de filmes ou novelas e outras dispensam até comentários,
por serem muito conhecidas.
Abordaremos em primeiro lugar as técnicas mais conhecidas que
foram usadas por escritores já consagrados e juntamente com elas
as técnicas que fazem parte do universo das fanfics. Enjoy!
PRÉ-REQUISITOS PARA UM ESCRITOR DE FIC COM POTENCIAL:
a) Gostar daquilo que escreve;
b) Não ter preguiça de corrigir erros ortográficos,
gramaticais, de concordância e outros no seu texto;
c) Ter um conhecimento razoável da série na qual se baseia
a fic – história “chutada” não vale!;
d) Ter interesse e curiosidade em conhecer os trabalhos de outras pessoas,
de outros animes e até outros estilos, não ficando bitolado
numa série ou gênero apenas.;
e) Planejar um roteiro - ainda que mínimo - para suas histórias
de maior porte, com cinco ou mais capítulos. Isnpiração
é super importante, mas um bom trabalho de campo faz a diferença
entre uma fanfic que PODERIA ser boa e uma fanfic boa.
f) Procurar desenvolver idéias próprias, não se
limitando a copiar ou imitar o que os outros já fizeram - a não
ser para criar algo inovador;
ALGUMAS TÉCNICAS LITERÁRIAS ADAPTADAS PARA O USO EM FICS:
1.1. PESQUISA DE REFERÊNCIAS:
Quem leu os mangás do Nobuhiro Watsuki ou do Ken Akamatsu sabe
muito bem que seus trabalhos não saíram inventados de última
hora. Existe todo um trabalho prévio de pesquisa de fontes de referências
(históricas, de locais, costumes, cultura, etc.) antes de começar
a história propriamente dita.
Esta técnica foi elaborada pelos escritores ingleses e franceses
do início do Século XIX. Consiste em fazer uma pesquisa de
detalhes históricos, geográficos e até biográficos
quando for escrever algo de época. Alexandre Dumas com o seu "Três
Mosqueteiros" e os romances de Walter Scott são exemplos típicos.
Em outras palavras, leia bem as séries que você está
se baseando para escrever suas fanfics, e se possível, pesquise
algo sobre a época ou o país aonde passa a história.
Se você escreve sobre Inuyasha ou RK, veja filmes, leia revistas
e pesquise sites na Internet sobre a história do Japão Feudal.
Gosta de Sakura Card Captors ou Love Hina? Repare que estes mangás
são muito baseados em datas festivas japonesas e conhecer o que
cada uma delas significam é uma boa (Festival de Primavera,
Tanabata, Ano Novo, etc.). Gosta de Gundam? Procure sites especializados
em mechas, táticas militares, ficção científica
etc.
Um erro muito comum é o do fic-writer se arriscar a fazer uma
fic de época sem pesquisar, ou pior, "chutar" detalhes, confiando
apenas em sua memória.
Outro erro é o de fazer com que os personagens de época
pensam e ajam de maneira igual ao de uma pessoa do final do século
XX, principalmente se for da Era Feudal ou mesmo do século XIX.
Por exemplo, uma garota portar katana (como a Motoko do Love Hina)
pode ser aceitável para a época atual, mas seria uma afronta
aos costumes do Japão na Era Tokugawa ou no Sengoku Jidai.
Pode até ser que os fãs menos exigentes não percebam,
mas que a sua história perde em naturalidade e espontaneidade perde.
Não estou querendo que o escritor de fanfics de época
se torne um historiador ou arqueólogo, mas que pelo menos dê
um mínimo de autenticidade à sua história.
Uma fic bem cuidada em termos de referências é a clássica
"O dilema de Motoko" de Teisu, aonde o autor descreve vários hábitos
e costumes tipicamente japoneses, com riqueza de detalhes. A cena da cerimônia
do chá entre Motoko e Keitarô é digna de nota.
1.2. RITMO DE NARRATIVA:
A maioria dos principiantes acha que o modo de contar os fatos não
tem nada a ver com a história em si. Ledo engano.
O autor PODE e DEVE usar a seu favor o ritmo como narra a história
a seu favor.
Geralmente fics com ênfase na ação dos personagens
pedem um ritmo mais rápido e ágil. Atenha-se mais à
descrição de como os personagens agem e de como suas ações
interferem na história. Não perca muito tempo descrevendo
o lado psicológico dos personagens, cenários e sentimentos
em fics curtas centradas na ação ou lutas. Use e abuse de
frases curtas.
Nas fanfics com ênfase em sentimentos (romance, drama, dark/angst),
o ritmo é muito mais lento, como se os acontecimentos se desenrolassem
em câmera lenta.
Mesmo na narrativa dos diálogos e nas ações, descreva
o que cada personagem está sentindo naquele momento, a sua reação
aos gestos de quem está por perto ou do cenário ao seu redor...
E sobretudo, capriche na descrição dos personagens, de suas
motivações, medos, esperanças e sentimentos.
Geralmente as histórias de Ken Akamatsu caracterizam se pela
ação rápida e que às vezes chega a ser até
vertiginosa (Como a Saga da Ilha Moru-moru e a fuga da Naru através
do Japão). Já o ritmo adotado pelo CLAMP na história
da Sakura Card Captors, é mais lento e mais cadenciado, com o relacionamento
envolvendo Sakura e Li evoluindo gradativamente, aos poucos, com naturalidade.
1.3. FOCO DE NARRATIVA: TERCEIRA OU PRIMEIRA PESSOA:
Geralmente a narrativa em 3a pessoa é mais usada na maioria
das fanfics, por ser mais simples e direta. Nela, o fic-writer age como
se fosse um diretor de um filme, acompanhando com uma “câmera” (o
seu ponto de vista) o que os personagens de sua fic fazem.
O foco em 3a Pessoa não exige muitos comentários, já
que é uma técnica batida.
Contudo, um aviso: Pelo fato da narrativa em 3a pessoa ser objetiva,
evite misturar seu julgamento pessoal a respeito de determinado personagem
que você gosta ou detesta com os fatos concretos.
É claro que existem fics nas quais o autor procura justificar
porque gosta ou odeia certo personagem (tipo: "Eu odeio a Naru" ou "Eu
gosto do Duo"), mas numa fanfic normal, evite fazer julgamentos pessoais
no meio da história ou mesmo alterar o pensamento original de um
personagem para justificar os seus gostos.
Já o foco na primeira pessoa é bem diferente. Tanto pode
ser o autor da fic narrando a história como se ele estivesse dentro
dela - o que lhe dá o direito de interagir com os personagens como
também emitir opiniões pessoais - ou a história pode
ser contada pelo ponto de vista de um dos personagens da fic, que pode
tanto ser o protagonista, um personagem secundário ou o antagonista.
Obviamente esta técnica é bem subjetiva e por isto é
mais indicada para as fanfics com ênfase em sentimentos do que ações.
Às vezes, pode ser usada na história mais de um foco,
contando a mesma história sob prismas diferentes. É uma técnica
sofisticada de narrativa, mas convém usá-la com moderação
caso não estiver habituado com ela.
Como cada pessoa tem o seu ponto de vista e o fator subjetivo é
preponderante, uma narrativa em primeira pessoa pode alterar por completo
a ênfase numa história.
Por exemplo, uma discussão entre dois namorados pode e deve
soar diferente dependendo do sentimento de cada um e dos seus comportamentos
habituais.
E quanto mais emotivo e impressionável for o personagem, maior
a probabilidade de sua visão dos fatos sair distorcida.
Um exemplo clássico desta técnica está na fic
"Funeral para um Inimigo" do Lexas, aonde ele faz a narrativa em primeira
pessoa, sob o ponto de vista do antagonista do herói, um conhecido
personagem de videogame.
2.1. ORDEM DA NARRATIVA:
Por incrível que pareça, poucos fic-writers usam os variados
recursos que permitem enriquecer a narrativa. A ordem em que são
narrados os fatos é importante e merece algumas considerações:
Ordem Direta: Esta é fácil. Trata-se daquela narrativa
com início, meio e fim. É claro que vez ou outr,a nós
encontramos fanfics sem pé e nem cabeça, mas a grande maioria
dos fic-writers sabe fazer uma história com ordem direta de narrativa.
Pelo menos, assim espero.
Ordem Reversa: Exige um pouco mais de esforço e criatividade
do escritor, mas pelo menos tem a vantagem de prender mais a atenção
de quem a lê. Um exemplo clássico é a obra “Rei Conan”,
de Robert Howard, aonde o protagonista – já coroado e idoso – vai
contando em retrospectiva as suas aventuras de quando era mais jovem até
o momento atual;
Outro exemplo típico desta narrativa está no OVA No 3
da série “Petshop of Horrors” (Desespero). Nela é mostrada
em flashback a história do ator Robin Hendrix e as circunstâncias
que o levaram a procurar Count D e sua exótica loja, até
o desenlace final (e fatal).
Ordem Alternada: Nesta, a narrativa do personagem é truncada,
mesclando-se fatos do passado e do presente - de forma alternada - até
que as duas coisas se fundem numa só. É a forma de narrativa
ideal para fics com boa dose de mistério, drama, angústia
e suspense; bem como as que contam a origem de um certo personagem.
Por suas características, costuma aparecer em conjunto com “flashbacks”
e “dejá vus”.
O exemplo clássico é a pequena obra-prima “A Piada Mortal”
de Alan Moore: O criminoso psicopata Coringa foge do Asilo Arkham onde
estava confinado e Batman sai para prendê-lo. Entre um delírio
e outro, o palhaço do crime relembra passagens tortuosas de
sua vida pregressa, aonde era um comediante honesto (e desempregado) e
que acabou entrando no mundo do crime pela força das circunstâncias.
Repare que no caso desta HQ, o desenhista usou um interessante recurso
de pintar as lembranças mais obscuras do criminoso usando tons que
lembram os de um filme “noir”. E, à medida que as lembranças
vão ficando mais recentes, as cores ganham paulatinamente mais vida,
até o momento em que o infeliz comediante acaba ficando irremediavelmente
louco..
Para uma fanfic, o ideal seria que - quanto mais antigas e obscuras
fossem as lembranças e os flashbacks, a narrativa fosse mais confusa
e arrastada - cheia de simbolismos, metáforas e imagens...
2.2. O USO DE FIGURAS DE LINGUAGEM:
Um defeito comum a muitas fanfics é o tratamento da linguagem
e do vocabulário , o que é uma pena. Pois tanto a língua
portuguesa como o idioma japonês – no qual se baseia a quase totalidade
das fics com base em animes/mangas, são muito mais ricas em sutilezas
do que a língua inglesa.
Tanto é verdade que a tradução de um texto escrito
originariamente em inglês para o português pode aumentar em
até 30% o escrito original.
Não quero e nem pretendo que o pessoal ache que para escrever
uma fanfic apenas para se divertir o escritor tenha que ser um Machado
de Assis ou um Olavo Bilac.
Contudo, o esforço em melhorar a qualidade da narrativa será
recompensador, não apenas em termos de fic como em realização
pessoal. Lembre se que as palavras têm poder e elas podem tanto mudar
como subverter o mundo.
A) O Vocabulário dos Personagens:
Na grande maioria dos animes/mangas, cada personagem tem o seu padrão
de vocabulário, dependendo da época em que vive, da região
de origem, da classe social e até de sua personalidade...
Por exemplo, o Goku da série Dragon Ball nasceu numa região
remota e somente teve uns rudimentos de educação passados
por seu avô adotivo.
No original, a sua voz soa como a de um completo caipira. Na saga do
Freeza, quando o Capitão Ginyu toma o corpo do Goku, ele somente
foi desmascarado pelo Gohan e Kuririn porque o seu linguajar era bem mais
“culto” do que o nosso semi-analfabeto Saiyajin.
O vocabulário original da Aeka (Tenchi Muyo) é muito
cheio de maneirismos e preciosismos que revelam a sua origem nobre. Já
o da pirata Ryoko, da mesma série, é bastante grosseiro
e vulgar.
O palavreado original de Inu-Yasha costuma ser o de um “bad-boy” típico,
assim como o de Sanosuke Sagara (RK) ou Yusuke Urameshi (YYH). Portanto,
não espere palavras cultas e bem educadas da parte dele.
Por ser monge (e portanto, ter tido acesso à escrita, o que
era privilégio de poucos na Era Feudal), o vocabulário de
Miroku é mais refinado e ele costuma abusar de termos “gentis” quando
está pensando em fazer uma de suas safadezas. Estranhamente, ele
é mais espontâneo e menos afetado quando está junto
com a Sango.
Também há a questão dos regionalismos, que
- infelizmente - acabam se perdendo na tradução para o português.
Apesar de ser um país pequeno, devido ao longo tempo em que esteve
isolado do mundo exterior, o Japão tem vários dialetos regionais
variando de província para província, a ponto do japonês
falado no extremo sul ser totalmente diferente do pronunciado em Hokkaido.
Por exemplo, Kerberos (SCC) e Kitsune (LH) usam o dialeto de Kansai,
da região de Osaka, que tem uma pronuncia acentuada e até
meio cômica se comparada com o idioma padrão da região
de Tóquio, que é o mais utilizado hoje.
Muito cuidado com a inclusão de gírias nas suas fics.
Dependendo do tema, elas podem ficar ou muito bem ou muito mal no contexto.
Numa fic do Yuyu Hakusho, aonde trata do cotidiano de adolescentes problemáticos,
elas caem como uma luva, especialmente no vocabulário de Yusuke
e do Kuwabara.
Mas numa fic de Rurouni Kenshin elas soariam estranhas e até
bizarras, dependendo do personagem que as fala (bem, talvez com a exceção
do Yahiko e do Sanosuke...)
Numa fic de Love Hina, termos informais e gírias cairiam bem
na fala de uma Kaolla, Kitsune ou de uma Sarah, mas não no
vocabulário da Motoko ou da Shinobu.
2.3.) USO DE SINÔNIMOS E TERMOS EQUIVALENTES:
A pior coisa numa seqüência de diálogos é deparar
com o excesso de repetições de nomes num diálogo:
Exemplo:
- Narusegawa... Posso Entrar? - Diz Keitarô, acabando de abrir
a porta do quarto onde Naru estava deitada, se recuperando de uma crise
de diarréia..
- “IIIKH! Keitarô!” - Naru fica surpresa ao ver o Keitarô,
com medo de que ele soubesse que estava com diarréia..
- O.. O que quer? – Hesita Naru, tentando se recostar na beirada da
cama.
- Queria saber como está – Tenta argumentar Keitarô, visivelmente
preocupado. .
- Me deixe só. Eu não quero falar com você agora
– Naru responde, fazendo força para Keitarô não perceber
que ela estava doente.
- Na... Narusegawa? – Keitarô insiste outra vez.
- “UHHHH... quero ir pro banheiro...” – Naru vira o rosto e começa
a derramar lágrimas, sentindo cólicas violentas em seu corpo.
- Eu sinto que tem algo errado... Você está me escondendo
algo, Narusegawa. – Keitarô fica visivelmente preocupado.
- “É isto mesmo. Agora saia da frente do Banheiro” – Pensa Naru
suando frio e estremecendo por causa do efeito da diarréia.
O trecho acima é uma pequena descrição de uma cena
do Love Hina entre Naru e Keitarô no volume 16 da edição
brasileira. Repare que embora a narrativa tenha ficado fiel ao trecho da
história, ele está repetitivo e seco demais. Por quê?
Justamente pela repetição exagerada dos nomes “Naru” e “Keitarô”
na narrativa. A alternativa seria alternar o uso dos nomes, substituindo
por expressões que permitam identificar os dois sem quaisquer problemas.
Veja o trecho abaixo, revisado:
- Narusegawa... Posso Entrar? - Diz Keitarô, acabando de abrir
a porta do quarto onde Naru estava deitada, se recuperando de uma crise
de diarréia.
- “IIIKH! Keitarô!” - A jovem estudante fica surpresa ao ver
Urashima, com medo de que ele soubesse que estava com diarréia..
- O.. O que quer? – Hesita Naru, tentando se recostar na beirada da
cama.
- Queria saber como está – Tenta argumentar Keitarô, visivelmente
preocupado. .
- Me deixe só. Eu não quero falar com você agora
– Ela responde, fazendo força para que o desastrado kanrinin do
Hinata-Sou não perceber que ela estava doente.
- Na... Narusegawa? – Keitarô insiste outra vez.
- “UHHHH... quero ir pro banheiro...” – A jovem ruiva vira o rosto
e começa a derramar lágrimas, sentindo cólicas violentas
em seu corpo.
- Eu sinto que tem algo errado... Você está me escondendo
algo, Narusegawa. – o ex-ronin fica visivelmente preocupado.
- “É isto mesmo. Agora saia da frente do Banheiro” – Pensa a
recém-aprovada estudante da Toudai,. suando frio e estremecendo
por causa do efeito da diarréia.
Repare que substituímos o nome de Keitarô por “Urashima”
(seu sobrenome), “kanrinin de Hinata-Sou” (o cargo que exerce na história)
e “o ex-ronin” (aludindo ao fato dele ter passado recentemente no Vestibular
da Toudai, conforme o enredo), sem prejuízo no entendimento do texto.
Da mesma forma, para evitar a excessiva repetição do
nome de Naru no diálogo acima, usamos os sinônimos: “jovem
estudante” (coisa que de fato ela é), “a jovem ruiva” (atributo
físico. Repare que Naru tem os cabelos ruivos na versão do
manga), “recém-aprovada estudante da Toudai” (fato que ocorreu um
pouco antes do capítulo citado).
Justamente para evitar estas repetições chatas, o fic-writer
pode e deve usar expressões afins que identifiquem facilmente o
personagem num diálogo intensivo ou numa cena de ação.
Por exemplo, Heero Yuy poderia ser chamado de “O Soldado Perfeito”,
“O Piloto de Wing Zero” e outros termos correlatos. Kenshin poderia ser
substituído por “Battousai”, “Himura-san”, “o andarilho da sakabatou”
e muitos outros; só para citar alguns exemplos.
2.3.) EUFEMISMO:
É um recurso literário para amenizar certa situação
com expressões suaves e gentis, evitando-se termos crus e diretos.
Pode ser tanto usado para enriquecer uma narrativa, tornando-a quase poética
ou lírica ou ter o efeito contrário, ironizando uma dada
situação de modo a ficar sarcástica ou ridícula.
Muitas vezes ele aparece nas imagens do manga Shoujô para realçar
passagens poéticas ou amenizar outras.
Abaixo, um exemplo de um texto seco e o mesmo trecho usando o eufemismo.
Texto sem Eufemismo:
“No meio da luta, um dos gladiadores crava a sua espada na boca do
estômago do inimigo, que sente o golpe e morre, caindo com um baque
no chão duro da arena”
Texto com Eufemismo:
“A dor lancinante corta a consciência do gladiador Marcius antes
que o seu golpe possa atingir seu oponente. Instintivamente, ele deixa
cair a sua arma e coloca a mão direita aonde sente a dor. A sua
última visão foi a de ver o sangue brilhante tingir os seus
dedos. As suas forças lhe faltam e - com um suspiro - mergulha para
a sua última jornada rumo ao Hades”.
Mas o eufemismo também pode ser usado como recurso de ironia
sutil e devastadora. Compare o texto abaixo.
Texto com Eufemismo:
“Na velha rua das Mangueiras existiam várias casinhas pintadas
em tons de azuis e de rosa, com lanternas de luz vermelha penduradas em
suas entradas revelando a procedência de quem habitava nelas. Durante
o dia, suas portas permaneciam quase sempre fechadas. Contudo, ao anoitecer,
elas se abriam, tornando-se ninhos de amor, aonde donzelas de vida airosa,
vestidas em trajes sedutores e chamativos, procuravam atrair os seus cavalheiros
de uma única noite, oferecendo o que de melhor podiam possuir em
termos de sua juventude e beleza”.
Texto sem eufemismo:
“A velha rua das mangueiras era a zona local do meretrício,
permanecendo quase deserta durante o dia, por motivos óbvios. Contudo,
ao anoitecer, aquelas casas ficavam lotadas, aonde as prostitutas procuravam
aliciar os seus clientes de forma provocante”.
2.4.) HIPÉRBOLE:
É o exagero intencional de uma frase ou termo, dando a uma pessoa
ou coisa um valor muito maior do que lhe é atribuído na realidade.
Deve ser usado com moderação, sob pena da fic ficar pomposa
ou ridícula.
Alguns Exemplos:
“Mister Satan, o maior guerreiro do Universo, conquistou a sua fama
derrotando os odiados andróides e finalmente Perfect Cell”.
“Após ter tocado sem saber os peitos da Naru, Keitarô acabou
sendo impulsionado às estrelas por mais um soco da geniosa ruiva,
indo parar de vez na Lua”.
“ - O que está acontecendo na base? – Indaga o líder terrorista
pelo rádio a um de seus subordinados, ao ouvir o som de tiros e
explosões.
- Americanos! Centenas deles! Não, Milhares! Mandem reforços
para cá! É urgente!!! Eles estão nos atacando com
tanques, com aviões, com bombas por todos os lados! Nós não
temos como resistir!!! – Grita desesperado o seu comparsa, em completo
horror ao ver tamanha devastação causada por aquela pequena
força de elite que se infiltrara na base libanesa”
(Adaptação livre de um trecho do filme Delta Force)
OUTROS RECURSOS LITERÁRIOS PARA ENRIQUECER SUAS FICS:
3.1. COMPARAÇÃO E METÁFORA:
A comparação é um recurso relativamente simples,
mas eficaz, que ajuda a melhorar a qualidade do texto. Você associa
alguma coisa com outra pela semelhança de idéias:
Exemplos de Comparação:
Os olhos da Tomoyo brilhavam COMO estrelas num céu sem nuvens
toda vez que via ou falava da Sakura. (olhos = estrelas)
Sanosuke, quando estava furioso, era tão forte COMO um Touro
(força = touro).
A jovem Mitsune Konno era esperta COMO uma raposa quando lidava com
assuntos ligados ao dinheiro (esperta=raposa).
Já a metáfora é mais sutil do que a comparação.
Ao invés de você associar uma qualidade de algo ou alguém
com uma idéia, você cria uma associação direta
entre o sujeito e a qualidade, deixando em oculto a semelhança ou
analogia entre ambos.
Este recurso é bem mais estilístico do que a comparação
normal, só que deve ser usado com moderação, sob o
risco do texto ficar muito pomposo e enrolado.
Exemplos de metáfora:
Os olhos da Tomoyo eram duas estrelas brilhantes num céu sem
nuvens toda vez que via ou falava da Sakura;
Sanosuke era um verdadeiro touro quando estava furioso;
A jovem Mitsune Konno era uma raposa quando lidava com assuntos ligados
ao dinheiro;
3.2. IRONIA:
É praticamente o oposto da anterior. O autor cria um confronto
entre uma idéia e a outra, dando um sentido oposto ao pretendido.
Exemplos de ironia:
Robin Hendrix tinha tanto talento para atuar na tela de cinema como
um rabanete (ou seja, seu talento era praticamente zero);
Quando ia lidar com os sentimentos das garotas, Negima Springfield
tinha a sutileza de um Keitarô (ou seja, sutileza zero!);
A humildade de Vegeta, o Saiyajin, diante dos outros chegava a ser
comovente (sem comentários).
3.3. REPETIÇÃO:
Pleonasmo:
Consiste na repetição enfática de palavras numa
frase para realçar uma idéia. Quando, porém, a repetição
é óbvia demais, acaba-se tornando um vício de linguagem
chamado pleonasmo vicioso.
Exemplos:
É urgente pagar urgentíssimo o aluguel desta casa (reforçando
a idéia de urgência);
É difícil compreender a incompreensível situação
política deste país (reforçando a idéia de
dificuldade de compreensão);
E ele subiu para cima (pleonasmo vicioso);
Veja com os seus próprios olhos (pleonasmo vicioso);
Um tipo especial de repetição ocorre quando se enfatiza
uma conjunção ao invés de uma palavra. Num texto,
pode indicar a repetição de uma mesma ação
ou até um pensamento de forma obsessiva.
Exemplo:
E zumbia, e voava, e zumbia, e voava,
E o guerreiro luta, e peleja, e sofre, e sangra, e geme, e cai...
Após a partida das meninas de Hinata-sou, Naru sentia o lugar
deserto. Não havia mais a presença do seu amado Keitarô,
NEM as risadas de Kaolla e de Sarah, NEM o aroma delicioso da comida de
Shinobu, NEM a presença silenciosa de sua amiga Motoko, NEM as piadinhas
infames e o sorriso de raposa da Kitsune.
3.4. O USO DE PERSONAGENS RECORRENTES NUMA NARRATIVA:
Até o século XIX, cada obra literária (romance,
conto, etc.) era considerada fechada em si mesma, não havendo ligação
entre os universos, personagens, roteiros, a não ser que se tratasse
de uma continuação direta.
Só que um belo dia, um certo escritor francês chamado
Honoré de Balzac que vivia apertadíssimo com prazos de entrega
de seus livros para as editoras – ele gastava demais e precisava manter
o status emergente - teve uma idéia genial: A de reaproveitar personagens
secundários de um certo conto ou romance em outras obras, dando
a impressão de criar um único universo ao redor do qual a
sua obra girava.
Para isto, ele criou o ambiente de uma Pensão em Paris aonde
circulavam toda espécie de gente, de todas as classes sociais e
caracteres. Nascia aí a famosíssima “Comédia Humana”.
Note que este esquema (também chamado de romance cíclico)
é diferente do chamado “remake” que é pegar um tema ou obra
já criada e dar uma nova roupagem, como vez ou outra acontece nos
filmes de Hollywood.
Para o universo de Manga/Anime/Fanfic, o uso dos personagens recorrentes
é ainda mais fácil, já que vários autores usam
uma espécie de continuidade para manter a fluidez dos mundos que
criam.
Um exemplo clássico é a série Tenchi Muyo aonde
os autores fazem referências a personagens que apareceram em séries
anteriores da AIC/Piooner (produtora da série) como El Hazard e
Moldiver.
Ou quem não se lembra do encontro do Goku criança (Dragon
Ball) com a garota Arale (Dr. Slump) para derrotar o vilão
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Tao Pai Pai, todos personagens de Akira Toriyama?
Personagens que - por causa de sua profissão ou personalidade
- tem uma facilidade de conhecer um grande número de gente, são
ótimos candidatos para personagens recorrentes, podendo fazer com
que figuras pertencentes a um mesmo universo ou até a universos
diferentes se conheçam uns aos outros.
Como regra geral, os personagens protagonistas, os pares românticos
e os vilões principais raramente servem bem como personagens recorrentes.
Por outro lado, aquele personagem secundário que sabe mais do
que aparenta, pessoas viajadas, gente que por sua profissão tem
contatos com todo mundo (sacerdote, médico, professor, dono de loja,
etc.), e estrangeiros servem muito bem como recorrentes, podendo aparecer
em outras fanfics ou introduzindo novos personagens as tramas.
Do lado dos vilões e dos “malvados”, raramente o vilão
principal e a amante do vilão (se houver) servem para este fim,
porque o vilão sempre tem uma obsessão ou duas que o impedem
de conhecer muita gente.
E a gostosona malvada sempre está pensando num jeito de conquistar
o seu coração, tendo pouco tempo para a vida social.
Mas por outro lado, da galerinha “do mal”, fortes candidatos a personagens
recorrentes são aquele capanga que sabe das coisas e que dá
as dicas para o vilão principal, o bandido secundário que
foi derrotado, mas conseguiu fazer um acordo com a lei mudando de lado;
o misterioso fornecedor de armas para o vilão, o chefe sacana de
seu serviço secreto (quando consegue escapar da vingança
dos mocinhos no final da série) e muitos outros casos.
Fortes candidatos a personagens recorrentes de algumas séries
seriam, por exemplo:
a) LOVE HINA:
- Haruka (Proprietária de uma casa de Chá e pelo seu
misterioso passado);
- Kitsune (Conhece muita gente e mais tarde assume a casa de chá
Hinata);
- Professor Seta (Apesar de avoado, é muito viajado);
b) SAKURA CARD CAPTORS:
- Eriol/Clow (Viajado e viveu séculos a fio);
- Kaho Mizuki (mesmo caso do professor Seta. O próprio grupo
CLAMP admitiu que ela era uma personagem de outro manga da série,
só que em outra roupagem);
c) TENCHI MUYO:
- Katsuhito/.Yosho (Viveu séculos a fio e pode ter conhecido
um monte de gente);
- Washu (Suas invenções loucas e túneis interdimensionais
são um ótimo convite a crossovers);
d) PET SHOP OF HORRORS:
- COUNT D (Além de ter mais idade do que aparenta, no OVA fica
muito claro que ele tem contatos por toda a parte e é uma fonte
inestimável de informações se souber lidar com ele);
e) GUNDAM WING:
- Dorothy Catalonia (Apesar de muitos não gostarem dela, a moça
tem muitos contatos com pessoas poderosas e sabe muito mais do que aparenta);
- Lady Une (Ser ex-chefe do Serviço Secreto da OZ e ter livre
trânsito no alto escalão das Nações Unidas tem
lá suas vantagens. A quem o Zechs recorreu no EW quando resolveu
voltar à ativa?);
f) RUROUNI KENSHIN:
- Hajime Saitou (Apesar de ser um personagem fortemente inspirado numa
figura real, e de não ser lá muito simpático, o fato
dele ter trabalhado nos dois lados do conflito o torna uma fonte inestimável
de informações, além de saber de tudo);
- Megumi Takani (Embora na série original do Watsuki esta médica
apareça mais como par sentimental que personagem recorrente, nada
impede que ela seja um excelente contato para uma crossfic ou que introduza
novos personagens à trama. Agradeço ao Lexas por ter me alertado
neste ponto numa conversa que tive com ele no ICQ);
- Enishi Yukishiro (Então non acredita que um vilon insano como
eu possa servir como personagen recorrente? Ora, quem pois vendeu a fragata
Purgatório para o Shishio-sama na Saga de Kyoto? E de fato, ser
o chefe da Máfia de Armas de Shanghai não é pouca
coisa non...)
g) INUYASHA:
- Poço Come Ossos: O quê? Um poço interdimensional
pode ser um personagem recorrente? Bem, mas se analisarmos bem... Pessoas
vem e vão, nascem e morrem... Um poço é um poço.
A não ser que seja obstruído, é sempre um ótimo
recurso para unir pessoas de tempos diferentes e até de universos
diferentes. Imagine o Hyouga, o Ranma (ou qualquer outro personagem de
outro anime) caindo no bendito poço e indo parar no Sengoku Jidai...
3.5. O USO DE XINGAMENTOS E PALAVRÕES NA FANFIC:
Muita gente usa palavras chulas e grosseiras bem como expressões
obscenas e vulgares nas fics como recurso para atrair a atenção
dos leitores, ou como se diz, para criar uma obra “nervosa”. Este recurso
é tão utilizado à exaustão nas fics hentai/yaoi/yuri
“hardcore” que acabou virando praxe.
Porém não recomendamos o uso intensivo deste recurso
por três motivos:
- Primeiro, porque o uso intensivo de expressões do tipo V.S.F,
P.Q.P, V.T.N.C, F.D.P. e outras não vão tornar a sua fanfic
mais bem escrita se ela tem gramática pobre, erros ortográficos
clamorosos, pobreza de idéias, argumento fraco e batido - bem como
falta de lógica.
- Em cenas amorosas/sensuais entre casais de animes/mangás fica
muito estranho no mínimo o rapaz tratar a garota como se fosse uma
vagabunda (perdoem-me a expressão) usando tais termos, mesmo que
seja a título de uma suposta fantasia sadomasoquista. Aquele clima
sensual que se pretendia dar na cena acaba se esvaindo, descambando no
típico roteirinho de filme pornô de 5a categoria ou num autêntico
estupro;
- Como muitos marinheiros de primeira viagem no mundo das fics usa
e abusa deste recurso, ele já perdeu o fator impacto;
Com algumas restrições, somente recomendaria o uso extremo
deste recurso nas seguintes circunstâncias e olhe lá:
- Em fics NC-17 para cima, com temáticas hardcore envolvendo
o mundo-cão, submundo do crime, etc, e mesmo assim (com moderação)
apenas na boca de personagens ambientados nestas séries. Um palavrão
seria aceitável se saísse da boca do personagem Alucard de
Hellsing ou de um membro de gangue. Mas não de um Yukito ou da Serena.
- Em fics dark/angst, apenas para realçar o clímax de
uma cena ou de uma emoção extrema de um dos personagens,
com a ressalva que o uso de palavrões ou termos chulos não
substitui um bom argumento e uma boa técnica;
- Muito cuidado com o tipo de linguagem que você pretende dar
à sua fic. Uma das fics mais deprimentes que encontrei na Internet
era uma suposta fic da Sakura e do Yukito e que estava publicada num site
de SCC muito acessado da época.
O uso de palavreado chulo e de expressões obscenas fazia crer
que não era uma suposta fic entre este casal, mas sim a um roteiro
– muito mal escrito por sinal – de um filme pornô de 5a categoria.
Nem como fic hentai, o roteiro (seco, pobre e mal produzido) tinha
algum valor.
3.6. ADAPTAÇÃO MANGÁ/ANIME E FANFIC: UM CASAMENTO
NEM SEMPRE PERFEITO.
Ok. Você conhece razoavelmente a sua série favorita e depois
de ter lido duas ou três fanfics “massa”, “legal” e “da hora”, resolve
criar a sua.
Idéias você tem de monte, assim como o desejo de recriar
a cena final que te comoveu daquele OVA ou de alterar alguns detalhes da
trama que você não gostou...
Só que... Ao tentar transplantar toda a emoção
que você sente da sua série favorita e popular... Algo dá
errado! Alguns dos problemas mais comuns que ocorrem são:
a) Aquele Kamehame-Ha ou o Golpe “Cólera do Dragão” que
parecia ser tão poderoso e
”fodônico” na telinha de sua TV fica chocho e nada convincente
ao ser descrito numa fic.
b) Aquela luta espetacular do Kenshin e seus inimigos - com todos aqueles
golpes especiais e técnicas secretas - acaba na sua fic, pior do
que um roteiro de filme B de Kung Fu com um amontoado de palavras orientais
pior do que um menu de restaurante japonês;
c) Você está tentando recriar todo um clima romântico,
de sedução e fantasia na sua fic de Fushigi Yuugi, Love Hina,
Karekano, etc. Só que ao lê-la, você sente que toda
aquela cena ficou falsa e menos convincente do que a de uma novela mexicana.
Resultado. Aquela fic que você imaginava conquistar novos leitores,
comover corações e mentes e assegurar um lugar de destaque
na fanfiction.net com centenas de comentários, acaba indo para a
lata de lixo do esquecimento.
Aí está o problema. Cada meio de comunicação
– mangá, anime e fanfic – tem a sua própria linguagem, a
sua maneira de descrever as coisas. E nem sempre a adaptação
de um gênero para o outro sai feliz, MESMO entre os profissionais.
Quer um exemplo? A série Love Hina do Akamatsu Sensei. Ninguém
nega que a nível do manga, esta foi uma das melhores séries
dos últimos tempos e que muito bem mereceu a fama que teve e os
15 milhões de exemplares vendidos no mundo.
Mas na hora de passar para a telinha... Foi pouco menos do que um fiasco.
Não vamos discutir os fatores externos (horário de baixa
audiência, qualidade do desenho do estúdio contratado, roteiros,
etc.), mas vamos nos ater ao principal: A adaptação do ritmo
do mangá para a telinha. O que deu de errado?
Quem leu a fundo o mangá, percebe claramente que a grande maioria
das piadas que o Akamatsu Sensei coloca são visuais. E o forte dele
são as situações absurdas, tipo “nonsense”, mesclada
com um roteiro que parece ser real, retratando o quotidiano dos estudantes
de 2o grau, na parte que descreve o dia-a-dia dos personagens, festas típicas,
o eterno drama de passar no vestibular, etc.
E ele faz tão bem que consegue preencher vários capítulos
de seqüências das garotas perdendo a roupa em situações
cômicas, do Keitarô apanhando por ter entrado na hora errada
de uma forma exagerada (uma vez a Naru deu um soco que o fez ir de uma
cidade para outra), dos inventos malucos da Kaolla, do Setamóvel
aparecendo e dando trombadas em tudo quanto é lugar etc.
Só que infelizmente o anime não conseguiu captar este
espírito. Por motivos óbvios, muitas das cenas das garotas
tomando banho, etc. tiveram que ser retocadas e editadas, perdendo boa
parte do “impacto” visual. Somente nisto, comprometeu uns 25% do anime.
Várias das cenas do mangá (repare que o Akamatsu usa
e abusa do enquadramento e das mudanças de plano para criar dinânica
nas cenas, como se fosse um filme) ficaram convencionais demais e até
lineares.
E finalmente, a violência anti-Keitarô que no mangá
chegava a ser cômica, acabou ficando tão exagerada na tela,
que muitos dos fãs americanos acabavam no final de meia dúzia
de episódios ficando com dó do rapaz e odiando a Naru, que
se comportava como uma psicótica irracional.
CENAS DE AÇÃO: Um exemplo oposto são as adaptações
de Dragon Ball Z e dos Cavaleiros do Zodíaco do mangá para
a telinha. Como o mangá por natureza tem recursos gráficos
limitados - quer queira ou não o artista tem que caprichar no argumento
e no visual dos personagens (repare que não falei de efeitos especiais!)
para cativar o público.
Na adaptação para a telinha, graças aos modernos
recursos computadorizados e toda uma gama de efeitos especiais, sequências
de lutas, técnicas especiais secretas, cenas de impacto, personagens
e inimigos jorrando sangue e apanhando mais do que mulher de malandro ganham
uma dimensão épica, exagerada até.
Só que, o que é ponto forte de um lado, acaba virando
ponto fraco de outro. Tanto DBZ como CdZ tem sua legião de admiradores
como de pessoas que simplesmente detestam estas séries - fora a
dos fãs que mais tarde ficam “arrependidos” e resolvem partir para
algo mais “cabeça” como Evangelion e similares.
Mas qual o motivo? Justamente porque depois de um certo tempo, o apelo
visual das lutas, dos combates titânicos, dos raios capazes de destruir
planetas e até estrelas, das porradas capazes de estilhaçar
montanhas já não empolga tanto quanto antes.
Daí, os animadores são obrigados a aumentar o fator exagero
dos golpes até chegar num ponto que fica mais “trash” do que dramático.
O fato de você estar escrevendo uma fic de ação
não implica que você deva enchê-la de uma infinidade
de técnicas exóticas de luta, seqüência de porradas
intermináveis e descrições de litros e mais litros
de sangue saindo das veias arrebentadas e membros arrancados dos personagens.
É preferível criar uma cena de uma luta curta, mas convincente
e dramática, do que páginas e páginas de porrada sem
sentido ou sem estratégia.
Aí o uso das figuras de linguagem e de técnicas literárias
ganha mais força.
Num mangá e num anime, você tem que DESENHAR e CRIAR a
cena para que o leitor a veja e aprecie. Já numa fanfic você
tem que fazer o LEITOR criar a cena em sua mente, fornecendo a ele apenas
os elementos da cena para que o seu cérebro visualize a seqüência
de ação.
Perceberam a diferença? Num mangá, você dá
quadrinho por quadrinho, o visual da cena pretendida. Já na fanfic,
você tem que induzir o leitor a recriar na mente o que você
pretende mostrar para ele.
Um alerta neste sentido é o que Souryu-San escreveu numa resenha
no site do AFAS (Tenchi OZ – Como não escrever um Fanfic), aonde
mostra os vários tipos de erros que os principiantes tendem a cometer
quando escrevem suas primeiras fanfics.
O erro mais grosseiro numa fic de ação é o de
ser óbvio demais, descrevendo uma cena como se estivesse lendo uma
cartilha do 1o grau no estilo “Ele foi, viu e fez”. Não que seja
tecnicamente errado, mas o excesso de obviedade acaba enfraquecendo a cena.
Exemplo de cena pobremente produzida:
“No ar, Goku viu Freeza que saiu voando tentando acertar um soco. Goku
se desvia e acerta Freeza. Freeza fica furioso e dá uma rabada no
Goku que cai no chão”.
Percebem? Não há grandes erros no trecho, exceto talvez
pela repetição excessiva dos nomes dos oponentes. Contudo,
a cena chega a ser infantil de tão óbvia que é,
Vamos tentar melhorar um pouco a seqüência, adicionando
alguns recursos técnicos:
“Levitando acima do solo, o guerreiro Goku vasculha com os seus sentidos
apurados, a presença do seu inimigo Freeza. O Super Saiyajin apenas
tem tempo de desviar o seu rosto do iminente golpe. .
Freeza sente uma dor lancinante na sua nuca, antes que perceba que
errou o golpe endereçado ao seu inimigo. Vendo a expressão
zombeteira do rosto de seu oponente e sentindo ao mesmo tempo o sangue
ferver em suas veias, o cruel alienígena contra-ataca com a sua
cauda. Um fortíssimo estrondo, seguido de uma coluna de poeira marcam
o local aonde Goku havia caído no último golpe”.
Reparem que a seqüência original do roteiro foi mantida,
apesar da linguagem ter sido enriquecida e adicionados mais detalhes. Repare
nos termos que indicam apelos visuais (vasculha, presença, vendo),
auditivos (estrondo) e sensoriais (sente)
Geralmente cenas de ação pedem mais recursos visuais
e auditivos – para compensar a falta de uma tela de TV ou de computador
– do que sensoriais, embora um bom texto precise de todos os três.
COMPONENTES VISUAIS: Ver, perceber, olhar, reparar, observar, etc.
COMPONENTES AUDITIVOS: Escutar, ouvir, gritar, falar, uivar, aplaudir,
vaiar, etc.
COMPONENTES SENSORIAIS: sentir, tocar, cheirar, abraçar, beijar,
acariciar, etc.
Repare que às vezes não basta apenas usar as ações
descritas acima, mas deixar subentendido, implícito no texto, a
presença delas.
Exemplo de associação de idéias contendo os três
componentes numa descrição simples de personagem:
Naru Narusegawa tinha estatura média – Visão;
Um corpo bem proporcionado - Visão;
Cabelos tendendo para o ruivo - Idem acima;
Pele branca e cheirosa - Visão e olfato;
A sua voz era musical e expressiva, - Audição;
Ganhando um acento forte e estridente - Audição;
Quando estava furiosa; - Sentimento/Sensação;
Mas ao mesmo tempo, terna e suave; - Audição;
Diante das pessoas de quem ela gostava - Sentimento;
CENAS DE SENTIMENTO/ROMANCE: Da mesma forma que uma cena de ação
intensiva necessita de componentes visuais e auditivos, uma cena mais íntima,
introspectiva e romântica necessita de componentes sensoriais (tato,
toque, paladar, gosto, cheiro, etc.) e de sentimentos (amor, amizade, ternura,
dor, compreensão, etc.).. Como os exemplos anteriores, numa fic
não há necessidade de descrever os mínimos gestos,
as flores de cerejeira caindo ao redor do casal, a trilha sonora romântica
que toca naquele momento, mas deixar tudo isto subentendido para que o
inconsciente do leitor assimile e reproduza este momento.
Exemplo de uma cena romântica sem figuras de linguagem:
“Sakura vê Li na sua frente com um buquê de flores e se
emociona. Li abraça Sakura e tenta dizer que ele a ama. Sakura beija
Li”.
Hummm... Nada romântico, apesar da seqüência em si
ser coerente...Vamos ver como fica esta seqüência usando componentes
sensoriais e sentimentais:
“Naquele momento de intimidade, Sakura sente um suave perfume. Um aroma
de flores do campo... Mais do que isto, o doce perfume de sua pessoa amada.
Os seus olhos se umedecem ao fitar aquele semblante adorável que
segurava com delicadeza o ramalhete”.
Li Shoran finalmente se aproxima e sem dizer mais nada, deixa os seus
braços se enlaçarem no delicado corpo de sua amada. Uma emoção
forte e profunda toma conta do seu ser, que tenta encontrar as palavras
certas para confessar o quanto o seu coração sente por ela.
Contudo, ele recebe como resposta um par de lábios como mel tocando
os seus “
Bem, por enquanto é só. Espero poder ter transmitido o
mínimo possível de conhecimentos para que os leitores possam
usar para melhorar suas fics, mas admito que o assunto está muito
longe de ser esgotado.
Espero poder usar este tópico não apenas para trocar
idéias com outros fic-writers, mas também aprender um pouco
mais. Existem outros recursos que ainda não abordei nos limites
deste tópico, como:
- Descrição de personagens: Character Design;
- Conflitos de interesses entre personagens;
- Como organizar enredo de uma fic;
- Foco Narrativo;
- Como escrever sagas;
- Como escrever fics curtas;
Calerom
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